CORREINHA, O CAÇADOR DE BANDIDOS, LÍDER DO VERDADEIRO ESQUADRÃO DA MORTE 2

Vi e acompanhei a trajetória de jovens que entravam para os quadros funcionais da Secretária de Segurança, e que traziam consigo educação de usos e costumes, a prática da religiosidade, o vocabulário limpo, sem gírias ou impropérios, o esmero no se vestir, etc.
Entretanto, o meio em que vieram militar os obrigava a tratar com o que de pior existe no seio da sociedade. A pressão a que eram submetidos para apresentar resultados, o medo e a apreensão causavam, às vezes, como resultado, serem acometidos por incontrolável tanatofobia ao enfrentar situações de violência, para as quais não estavam preparados, ou não tinham o espírito afeito para tal. Assim, iam, no dia a dia, modificando suas personalidades e sua maneira de ser, de falar, de pensar e de agir ou reagir diante de diferentes situações. Ficavam irreconhecíveis e, na maioria das vezes, levavam para seus lares esse comportamento, o que lhes causava sempre grandes infelicidades pessoais. Nisso se percebe claramente o descaso dos dirigentes e governantes, que preferem ignorar esses fatos tão prejudiciais que, aos poucos, vão destruindo a estrutura emocional de um policial, levando-o, não raras vezes ao vício das drogas ou do alcoolismo ou até mesmo à prática de crimes. Esses jovens não eram devidamente preparados para tão ingrata profissão. E hoje, menos ainda, pois passam cerca de 90 dias fazendo um curso na Academia de Polícia, que nada acrescenta de positivo, pois é falho e ineficiente. Não há um preparo psicológico especificamente dirigido ao jovem que vai para as ruas enfrentar a brutalidade e a violência.
Nem há, durante sua carreira, nenhum acompanhamento médico-psíquico que possa detectar o início dessa nefasta modificação de comportamento. Nada é feito nesse sentido. E o resultado é as mazelas que surgem a cada dia em maior número em Departamentos e Delegacias de Polícia e as vítimas são os policiais que ficam entregues à sua própria sorte, sofrendo a aplicação de medidas disciplinares, sem que alguém lhes aquilate a verdadeira causa de seu comportamento anômalo.
Ao invés de tratamento necessário, punições grosseiras e injustas. Esse é o quadro que se nos é apresentado. E os cegos que não querem ver continuam cada vez mais cegos. Lavar as mãos é mais fácil do que buscar soluções para proteger e salvar um profissional que exerce sua áspera função sem nenhum reconhecimento, e sem nenhum amparo. E na maioria das vezes, paga um alto preço, que termina por destruí-lo como policial e como ser humano. O Presídio da Polícia Civil está com super lotação. Nenhum dos policiais ali detidos foi submetido a qualquer tipo de exame médico, clínico ou psiquiátrico. Delegados Corregedores, Juízes e Promotores, jamais atentaram para esse detalhe, num flagrante desrespeito à figura humana do policial e às agruras por que passa no exercício de suas funções.
Até quando?…
…Foi-me negado até o direito de cumprir a pena no Presídio da Polícia Civil, instituição que foi criada por minha causa, ao ganhar o direito a prisão especial, em memorável “habeas corpus” concedido pelo Supremo Tribunal Federal, na sua 2a. Turma, em 2-10-72, sob número 50.262, e pelo empenho pessoal do Dr. Rubens Liberatori, Diretor do DEIC naquela ocasião, a quem muito devo pela amizade sincera que sempre me devotou, pois me conhecia muito bem como policial e como ser humano.
Ao Dr. Rubens, minha gratidão, sempre! Em menos de um mês, ele tornou funcional o Presídio da Polícia Civil.
A sanha dos meus perseguidores não estava aplacada. Quiseram me impor, ainda, uma transferência humilhante, operação engendrada por um triunvirato de inimigos gratuitos, cuja inveja do meu sucesso foi maior que o reconhecimento que deveriam ter pelos serviços que prestei à sociedade e à Instituição policial.
Um Secretário de Segurança, que era Coronel do Exército, dado a excessos etílicos e que posteriormente se transformou em político, um ex-Diretor do DOPS, líder da repressão política no País e o terceiro, já acima descrito, eminência parda que agia à sorrelfa pelos desvãos sombrios dos bastidores, onde se homiziam os sicofantas, mobilizaram 400 homens da Polícia Militar, cavalaria, cães pastores e dois carros de combate, para transferir um homem de 1,68 m. de altura e 60 quilos de peso, de um presídio para outro, cometendo mais uma injusta arbitrariedade.
Pelos efetivos enviados para a Avenida Zaki Narchi naquela noite, 04 de abril de 1974, para proceder à operação de uma simples transferência de um único preso, me parece que o homem a ser transferido causava aos conspiradores muito respeito e temor. Tanto, que, para comandar a nefanda transferência, ficaram a quilômetros do local, transmitindo suas ordens pelo rádio. Temerosos, inventaram, na zona sul, no outro extremo da cidade, uma gigantesca “blitz” a ser levada a efeito por todos os policiais civis de serviço naquela noite.Tal medida afastaria a possibilidade de um grande confronto entre as duas corporações.
Era sabido por todos que a grande maioria dos policiais civis nutria por mim uma grande amizade, simpatia e admiração.
A despeito da monumental força que se postava à frente do Presídio da Polícia Civil, não cedi sequer um milímetro de minha firme decisão de só sair dali escoltado por policiais da minha corporação.
Nada tenho contra a Polícia Militar onde, aliás, tinha na época, e até hoje ainda tenho, grandes amigos. Minha firme atitude, se embasava em princípios e valores cultivados durante toda a minha vida. E se assim não fosse, só sairia dali morto!
Depois de cinco horas de impasse, os conspiradores cederam. Não fui escoltado por policiais militares. Sai dali no carro oficial do Diretor do DEIC, Dr. Mário Perez Fernandes; nos acompanhavam também o Sr. Dr. René Motta, Delegado Geral de Polícia, e ainda o Diretor do Presídio, Dr. Fábio Lessa. Uma escolta do mais alto nível.
Naquela noite, os traidores conheceram a fibra de um pequeno grande homem e souberam que, em nenhum momento, a possibilidade de ser morto causou-me qualquer temor. A minha honra, acima de minha vida. É assim que me posiciono diante da vida, ontem, hoje e sempre.
No curto trajeto até os portões da Penitenciária do Estado, aqueles Delegados, todos ocupantes de elevados cargos, derramaram lágrimas de sentimento e, principalmente, pela impotência de nada poderem fazer contra uma determinação judicial injusta e desumana.
E eu lhes disse — embora já deveriam saber —,
“que, naquele momento, a Polícia Civil iniciaria um processo sem volta, de perda de poder, respeito e prestígio”.
PALAVRAS PROFÉTICAS! Aquele ato foi, sem dúvida, o começo do fim. Os anos dourados da corporação terminaram naquela fatídica noite. Daí em diante, com o passar do tempo, fui vendo e sentindo o enfraquecimento moral e administrativo da instituição que tanto amei e que por ela, em várias ocasiões, meu sangue derramei…
De Astorige Corrêa, Investigador de Polícia.
Através do linque confira o relato do policial, durante anos confinado com crimionosos comuns.
Vítima de um Sistema corrupto e sanguinário, do mito criado pela Imprensa, estimulado pela Hierárquia e defendido pelo Governo do Estado.
Um desabafo amargo de quem sucumbiu ao Sistema Policial vigente.
Há muitas verdades incontentásteis no relato; merecendo reflexão de todos que militam na Polícia.
E A MINHA CONCLUSÃO – sem entrar no mérito de o autor ser ou não culpado – O CONDENARAM A MORTE AO JOGÁ-LO NUM PRESÍDIO COMUM.
MAS A SENTENÇA NÃO FOI EXECUTADA; TALVEZ PELO FATO DE OS CRIMINOSOS COMUNS NUNCA OBEDECEREM À LÓGICA DO “SISTEMA”.
SERIA UMA QUEIMA DE ARQUIVO PERFEITA: O CAÇADOR DE BANDIDOS VIRA CAÇA.
ASSIM, TODOS TERIAM DORMIDO MAIS TRANQÜILOS…COM SUAS CARREIRAS E CADEIRAS GARANTIDAS.

  1. Somos os netos do Doutor Mario Perez Fernandes , André e Cristiano Rossi sempre trabalhou com diguinidade e respeito e levando o nome da corporação ao primeiro patamar .

    Que Deus o tenha !!!

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