CRIAÇÃO DA CARREIRA ÚNICA…(O SONHO DE QUEM NÃO ADMITE HIERARQUIA NA POLÍCIA ) 10

Projeto muda cargos na Polícia Civil gaúcha  
Escrito por Comunicação Social   
Sex, 03 de julho de 2009 17:11
 
 Para facilitar o entendimento de todos acerca dos benefícios do projeto de reestruturação dos cargos dos agentes de polícia civil do RS, segue abaixo uma explicação sobre a Transformação e reaproveitamento dos atuais cargos de agentes policiais 
 
Os atuais cargos de agentes policiais, que são o Investigador, atualmente em extinção, Inspetor, Escrivão e Comissário, serão reaproveitados e reclassificados para apenas dois:
- AGENTE DE POLÍCIA CIVIL JUDICIÁRIA, e;
- ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL JUDICIÁRIA.
 O padrão inicial mudará para o 7 (atualmente é o 6), e o final continuará no 10, mas este com mudança na atual denominação genericamente de Comissário de Polícia, para;
- AGENTE DE POLÍCIA CIVIL JUDICIÁRIA CLASSE ESPECIAL, ou;
- ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL JUDICIÁRIA CLASSE ESPECIAL.
 O cargo de Investigador, atualmente em extinção, será reaproveitado no mesmo padrão em que está atualmente enquadrado, no cargo de Agente de Polícia Civil Judiciária.
 
 Congresso Nacional já admite uma única carreira policial.
 Atualmente o pensamento médio dos deputados federais no Congresso Nacional Brasileiro é pela instituição de apenas uma carreira nas Polícias Civis e na Federal. Hoje essas  polícias possuem duas carreiras, a saber: delegados de polícia e dos agentes de polícia. O  IX Congresso da Cobrapol, realizado recentemente em Aracaju/SE, também definiu por unanimidade a mudança para apenas uma carreira policial, isto é, apenas um cargo como ocorre nas polícias dos países avançados e democráticos.
  
 “O Servipol, ao investir no projeto de reestruturação dos cargos, imaginou a valorização dos cargos de agentes de maneira gradual. Mas, se o pensamento dos deputados em Brasília é escalar até o pico da montanha de uma só vez, com a criação da carreira única, é um avanço bem maior que a própria reestruturação gaúcha. Um cargo apenas resgata  o espírito de corpo, criando o coleguismo, ausente hoje com dois cargos, para melhorar os serviços de segurança pública para a sociedade. Os deputados estão sinalizando evolução política de uma situação burra para um país inteligente contra a violência criminal”, comenta Luiz Henrique Viacava, diretor Sindical.  
colaboração: TANIA

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Chavão de “tira”: CARTEIRA E DISTINTIVO É TUDO IGUAL.

Depois ele vira Delegado: TODAS AS DEMAIS CARTEIRAS E DISTINTIVOS CONTINUAM IGUAIS…SALVO A SUA CARTEIRA E DISTINTIVO: que será a  mais vermelha,  mais reluzente e valoro$a. 

Aí essa peça ( de regra “tira por excelência” e titular de direito hereditário ) , nomea  quem lhe interessa para as chefias e assistência. Investigador 3 classe toma o lugar de um experimentado e competente classe especial; Escrivã bonitinha e ordinária de  3ª ou 2ª classe é nomeada chefe de cartório, enquanto a antiga classe especial vai para o plantão. Ah, QUANDO NÃO NOMEIAM GANSO OU GANSA ( de regra: amante ) COMO ENCARREGADOS!

E tal quadro se vê em todas as cidades deste Estado, em que pese qualquer  livrinho sobre a Lei Orgânica na Polícia Civil grifar como dogmas institucionais: A HIERARQUIA E DISCIPLINA SÃO OS DOIS PILARES DE SUSTENTAÇÃO DA POLÍCIA CIVIL.

A maior mentira  -   entre as centenas de mentiras doutrinadas – que um Delegado pode mentir.

Quando não se respeita a hierarquia ( e respeitar a hierarquia não é o mesmo que ter respeito pelo superior hierárquico ), não há nenhuma disciplina.

O subordinado apenas tolera.

Responde : SIM SENHOR! Mas complementa em pensamento: SIM,  SENHOR FILHO DE UMA PUTA!

Desculpem-me a grosseria, mas é assim. 

E se é assim com os cargos hierarquicamente escalonados, imaginem como seria uma Polícia de CARREIRA ÚNICA ( conforme as aspirações de muitos, ou seja, sem divisão de competências e  especialidades funcionais ).

A carteira e distintivo podem ser iguais, mas Classe  especial ordena ,  o 1a. classe cumpre; 0 2a. e 3a. atendem plantão e 4a. classe pede licença antes de dar opinião.

Contudo, democraticamente,  poderemos discutir um modelo de Polícia cuja acensão aos cargos de maior responsabilidade e complexidade se dê pelo acesso , por exemplo: ingresso na corporação depois de obter o diploma de 2a. grau e com a idade de 18 aos 21 anos. Será formado policial e conforme o tempo de serviço e cursos específicos poderá galgar os cargos ou postos mais elevados.

Nesta policia , democraticamente, burro velho diplomado não terá vez. Chega do “despertar vocacional” entre os 30 a 45 anos” ( a exemplo do concurso de investigadores de 2005, neste , também, democraticamente,  foram aprovados vários DENTISTAS ( um com mais de 45 anos ).

Sem desmerecer -  podem até ser excelentes policiais – mas NÃO ACREDITAMOS EM VOCAÇÃO POLICIAL TEMPORÃ. 

  1. Sou investigador, formado em direito, e vocacionado…na nossa academia aprendemos de tudo um pouco, a realizar pesquisas, escolta de preso, identificação datiloscopica, tivemos curso na acadepol quando da implantação do RDO, com noções de como elaborar flagrante, tendo inclusive elaborado um de modelo.

    No plantão policial, ja fiz de tudo, inclusive elaborar flagrante, bo ja fiz milhares, e já presenciei milhares de vezes todos os componentes das demais carreiras policiais, pegarem a viatura, voarem por horas afora, ajudar escrivão é algo que ninguem quer fazer nunca….as pessoas querem ser o delegado quando é conveniente, pois este é autoridade, e querem ser tira para poder voar, dar carteirada, abordagens valoro$as….quantas vezes não tive que sair correndo para tirar o meu nome do talão da viatura……

    Em suma, carcereiro, auxiliar de papi, papi, auxiliar de necropsia…..etc, quando ingressam na instituição policial civil, acabam achando mais vantajoso migrar para ser tira, não tenho absolutamente nada contra carreira policial civil alguma, mas se atualmente, com cada carreira definida “especificamente”, já existe desvio de função, com carreira única, vai ser simplesmente impossivel fazer o cidadão trabalhar na função de escrivão por exemplo, pois escrivão ninguem quer ser, fazer flagrante, 30 bo’s ao dia, será com toda certeza uma verdadeira baderna.

    Alem do que, as pessoas prestam um concurso dificil e concorrido para determinada carreira, e como num passe de magica, essas acabam por exercer tais funções, isso é lamentável, pois o que torna a civil um polícia judiciária e diferenciada, é exatamente existirem carreiras com atribuições próprias e especificas.

    Seria algo similar a tornar o policial civil como se fosse PM, do soldado ao comandante, a atribuição constitucional é uma só, na civil, existem divisões técnicas, o agente de telecomunicações por exemplo, é especializado nas informações, acaba tambem investigando com as ferramentas que dispõe, assim sendo, é de vital importancia em colher dados, que muitas vezes quem não é da carreira, pode deixar passar desapercebido, um papiloscopista, é uma especie de perito, na policia americana, é tratado como perito, pois é de grande importancia uma identificação datiloscopica bem feita, o mesmo se diga de outras carreiras com atribuições próprias.

    Sobre o ponto de vista legal, essa pretendida “junção” de carreiras é INCONSTITUCIONAL, no caso de São Paulo, e muitos Estados do pais, investigador e escrivão são carreiras em que se exige 3º grau, não se permite a vinculação de carreiras em hipotese alguma, e a união de carreiras distintas, em que se pretende a união de carreiras de 2º grau com de 3º grau.

    Alem do que, assunção de carreiras distintas por acessão tambem é inconstitucional, somente podendo através de concurso público, além da baderna de classes citada pelo Dr Guerra, temos outra questão interessante, investigador e escrivão faz parte das carreiras mais mal remuneradas da civil, como se daria o fato da questão salarial por exemplo??? Com toda a certeza, as carreiras com menor salário não seriam contempladas com melhoria alguma, como é o caso dos auxiliares de papi, carceireiros, agentes policiais,,,,,etc……

    É preciso que fique bem claro que não existe nada contra as demais carreiras policiais civis, mas com toda a certeza, todo projeto milagroso sempre guarda um saco de maldades, se a unificação de carreiras se desse pelo “MAIOR” salario, e de preferencia um salario de 3º grau, ai sim seria questão de se brigar por essa melhoria, se bem que teriamos uma briga eterna pela BADERNA de exercicio de funções, alem do que ninguem saberia dizer como ficaria a FILA PARA PROMOÇÕES COM AS UNIFICAÇÕES, sem falar que os governos estaduais iriam ser contrarios de imediato caso vislumbrem qualquer possibilidade de melhoria salarial, isso por que, OS ESTADOS CONTAM COM AUTONOMIA PARA ORGANIZAREM AS CARREIRAS POLICIAIS, A UNIÃO NÃO PODE IMPOR CARREIRA POLICIAL, NIVEL DE ESCOLARIDADE E TAMPOUCO SALARIO……..

    O que precisa na policia de São Paulo é enxugar carreiras, extinguindo auxiliar de papi, unificando ao papiloscopista, que por seu turno deveria ser perito tanto quanto na federal, o agente policial ao de tira, pois é um absurdo existir uma carreira policial para dirigir viatura, e assim sucessivamente, mas nenhum governo acha isso conveniente, pois quanto menos carreiras, mais dificil fica de manipular, como foi o caso de 3º para investigador e escrivão, somente serviu para “fazer uma divisão” temerária e com discórdia na civil…

    Carreira única é utopia, muitas carreiras é uma realidade bastante vantajosa para os governantes, que pagam o que querem para cada uma delas, enxugar carreiras, seria bom para a civil, mas a verdade é uma só, qualquer melhoria que a união tente impor aos estados será com certeza debatida judicialmente, salvo se for para piorar nossos salarios….no meu ponto de vista isso nada mais é do que mais um passo de outros tantos para a EXTINÇÃO DA CIVIL, mas importante do que unificação de carreiras, é uma Lei organica federal, tal qual magistrados e ministerio publico tem, nos garantindo direitos e prerrogativas, tal qual a INAMOVIBILIDADE, fortalecendo o inquerito policial, privilegiando a investigação, e oferecendo incentivos e subsidios aos estados para melhorias nas carreiras e SALARIOS…..ISSO ELES NEM PENSAM EM FAZER, SE POR EXEMPLO EXISTISSE A INAMOVIBILIDADE, e pudéssemos prender a todos sem tomarmos uma bela ripa, é isso que nenhum político quer, tem que olhar com cautela essas pretensas melhorias, é tudo ENGODO…..

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  3. PS: faltou mencionar que os próprios sindicatos não são favoráveis a isso, imaginem se a unificação ocorrer, teremos uns 20 sindicatos e associações falidos, e nunca, nunca mais teremos união para sermos representados em lugar algum, serão milhares tentando criar um único sindicato para abocanhar uma gordissima contribuição mensal, não existe a menor possibilidade de ocorrer…

    e mais uma reflexão: a PEC dos Delegados, assim como a dos integrantes da policia civil estão emperrados, no caso dos agentes da autoridade, um deputado federal do PSDB, criou uma pec em que se preve que a União “complementaria” os salarios dos policiais dos Estados, pois o projeto original que “IMPUNHA” aos Estados que remunerassem os servidores tal qual a federal, foi veementemente rejeitado, quer pelos governadores e deputados, quer pela ilegalidade…..isso vai longe, e pelo jeito não dará em lugar nenhum, são somente projetos falhos e inconstitucionais, que enchem as vistas da opinião pública e do seu guarda, mas que na prática não tem a menor chance de prosperar

  4. Um investigador de policia chefe com 30 anos de policia pode ganhar menos que um delegado que esta fazendo academia.
    As vezes este mesmo chefe, ira administrar 20, 30 e ate 100 investigadores…. e o delpol…

    A democracia no brasil e igual a oxigenio entra em todos lugares…

  5. Manoel.
    O depol vai mandar no chefe dos investigadores.

  6. na teoria talvez….mais na pratica nos ultimos 50 anos poucos casos…..

  7. Concordo que é ridículo alguns ingressarem na carreira operacional acima dos 35 anos, porém a constituição tem que ser respeitada, então vamos exigir no mínimo um teste físico, para pelo menos quem ingressar com idade avançada estar bem de saúde, pois aqui na minha seccional chegou um escrivão calça-branca com quase 50 anos e diz que não pode trabalhar à noite por problemas de saúde, pode????? È lógico que deve ter entrado pela porta do fundo, se tivesse um teste físico normal e eliminatório como acontece em todas as policias do Brasil e do mundo, menos aqui em SP, que até cego e aleijado entra pra ser policial civil. “””mens sana in corpore sano”””” (uma mente sã num corpo são), “VAMOS VER O PRÓXIMO CONCURSO COM N.U SE O TESTE FÍSICO SERÁ NORMAL” e não esse que tá aí pra inglês ver.

  8. As Polícias Civis do Brasil não possuem visão de futuro institucional. Para implantar uma visão de futuro é preciso haver uma estratégia que integre este conceito, que por sua vez se desdobra em alguns fatores táticos que serão os pilares de seu programa de implantação. Um desses pilares é a carreira única na Polícia Civil para sua própria sobrevivência. Enquanto pendurar a visão “de olhar para o próprio umbigo” para levar vantagem apenas pessoal, qualquer idéia de reforçar o conjunto fica prejudicada.

    Pois bem. Se a visão de futuro passa por conceitos de estratégia, mais especificamente por um planejamento estratégico, o primeiro passo é saber o que se quer. Podemos citar desejos que inspiram a maioria dos policiais civis, por exemplo: “-quero ter o mesmo salário dos policiais civis de Brasília/Distrito Federal; quero ter as mesmas condições de trabalho e o nível de investimento financeiro que é dado a Polícia Federal; quero ter uma instituição com imagem forte igual ou superior ao comprometimento positivo que os japoneses dedicam às suas organizações públicas e privadas; Quero ter o mesmo grau de unidade corporativa de carreira única do FBI, o qual possui somente um cargo em sua estrutura”. Citamos esses quatro exemplos apenas como idéia de uma visão de futuro.

    Então, isso é o que eu quero para mim enquanto profissional e o que desejo para a minha instituição. Correto?

    Mas aí surge outro desafio. Um problema de comportamento do ser humano do século XXI que é a Síndrome do Curto Prazo, mal perigoso sofrido por muitas pessoas, onde o sintoma é a ansiedade por resultados imediatos, resistentes a planejamentos que visam metas a médio e longo prazo, ou que durem mais do que suas percepções de visão, aquela do “aqui e agora”. É uma doença que atinge o mundo policial civil em que alguns profissionais de direção não conseguem visionar o futuro. O exemplo concreto são as estruturas orgânicas das Polícias Civis que sequer prevêem um setor de estratégia corporativa e de gestão técnica institucional, e quando contemplam isto é apenas no papel (para algum delegado ganhar uma função gratificada deste setor), ou mesmo estando estruturado fisicamente o seu corpo funcional não é capacitado tecnicamente ao menos com um “cursinho” básico de gestão de projetos.

    O avanço institucional através da Carreira Única

    Explicado os desafios acima e os argumentos conceituais, onde a carreira única se qualifica como um pilar estratégico de sobrevivência?

    Cada vez mais as Polícias Civis são vítimas de usurpação de suas atribuições pelas Polícias Militares. Já não é mais questão de ameaça. A usurpação é uma realidade concreta, incontestável.

    Para entender porque as PMs fazem isto, precisamos saber qual o argumento embutido para conquistar a empatia dos integrantes de governos, Ministério Público e de alguns do próprio Poder Judiciário. Nesse ambiente de forças externas temos que a estrutura de pessoal das PMs é numerosa e o oficialato possui tempo para pensar. A bem da verdade, elas também sofrem o assédio de esbulho de seu espaço motivado pelas Guardas Municipais. O campo de batalha é político parlamentar para as PMs do Brasil, mas a história evidencia que países com a democracia consolidada caminham em direção à municipalização dos serviços públicos. A estratégia das PMs não pode remar contra a maré, querer contrapor a onda social global, e nisto restou atacar quem é fraca e está dividida em sua unidade corporativa que é a Policia Civil.

    Especulando dessa forma a carreira única é o contrapeso do ambiente interno em relação às forças externas. Para simplificar os conceitos, proponho estabelecer quatro pontos importantes, sendo o último ponto de natureza anímica. Então, partimos de um tripé argumentativo para a sobrevivência da Polícia Civil tendo a carreira única como a força interna. Nesse tripé temos (1) a concepção do trabalho policial no campo operacional jurídico, (2) o risco inteligente ao nível operacional, (3) Desenvolvimento pleno da atividade judiciária, (4) implantação da imagem corporativa.

    A concepção de trabalho policial no campo operacional jurídico.

    A concepção de trabalho policial é de auxilio ao poder judiciário através da função investigativa de um fato ou delito. Portanto, o crime já ocorreu. A Polícia Civil é auxiliar do Poder Judiciário. Portanto, a concepção de trabalho se expressa na investigação policial. Nisso concordamos. A natureza do trabalho policial é investigativa e se expressa num documento denominado de inquérito policial ou relatório policial. Tal conceito obriga que seu corpo funcional precisa de conhecimento no campo jurídico a nível operacional. Quem são os atores nesse cenário? Os delegados de policia na condição de dirigentes e os agentes de polícia como assessores da função policial judiciária. A função policial é uma atividade complexa e o delegado é o coordenador da atividade. Ele próprio, o delegado, enquanto carreira jurídica, não é ninguém se os agentes, estes enquanto função técnico jurídica não forem comprometidos com as causas policiais dessa atividade complexa. É complexa para ambos. Um depende do outro. Se há dependência ambos estão no mesmo nível operacional, inclusive de conhecimento, tanto o delegado quanto o agente. Só aqui já se firmou a necessidade de implantar a carreira única, sendo ineficaz manter carreiras policiais distintas numa mesma estrutura de cargos na Polícia Civil, pelo menos no campo operacional jurídico. O mesmo vale para a Polícia Federal.

    O risco inteligente no nível operacional

    Abrindo um parêntese, o Conselho Nacional de Justiça-CNJ bateu o martelo ao afirmar que os agentes de polícia possuem função técnico-jurídica, em certidão do Parecer 1238 daquela Casa, em aprovação unânime. Assim sendo, o delegado não é mestre de oficina, pois se a natureza da atividade é investigativa, e comportam graus de complexidade dessa função, o risco inteligente é para ambos os atores, para quem coordena a atividade e para quem assessora a estratégia para a ação ser eficaz contra alguém que também possui inteligência, o autor do delito.

    Se o policial está ameaçado pelo risco inteligente, a profissão não pode ter parâmetro no mercado de trabalho na dicotomia mestre e auxiliar. Isto é, uma carreira exclusiva para delegados não pode ser similar ao gerente de uma empresa de serviços em um determinado mercado, que nesse caso até se admite a diferenciação salarial significativa a maior para com os demais integrantes desta mesma empresa. Não pode haver diferenciação significativa na hierarquia da estrutura de salário nas Polícias Civis, mas isso ocorre em muitos casos pelo fato de haver duas carreiras policiais distintas, ou melhor, existir duas policia numa mesma Polícia se a atividade policial é uma função complexa para todos.

    Dividida como está é a brecha por onde vaza a água e vem afundando o navio. Só a unidade corporativa através de uma carreira única na polícia judiciária pode estancar o vazamento, um cargo policial somente. A unidade corporativa fecha a brecha, bloqueia a água e restaura o equilíbrio necessário para manter o navio saudável e seguir seu rumo.

    Desenvolvimento pleno da atividade judiciária

    A palavra de ordem no mundo globalizado das empresas de sucesso é trabalhar em equipe.

    Lembro-me seguidamente de um diálogo interessante entre Alice e o Gato, num dos capítulos de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll:

    - O senhor poderia me dizer qual o caminho tomar para sair daqui? Interroga Alice

    - Isso depende muito para onde você quer ir. Respondeu o Gato

    - Não me importo muito para onde… Retrucou Alice

    - Então não importa o caminho que você escolha. Disse o Gato

    Os felinos são os animais de maior senso de orientação. Largue um gato a 25km da casa onde ele tinha o sustento e, se ele estiver olhando o trajeto, retornará a mesma casa algum tempo depois. Mas, o diálogo acima, aliás, muito comentado no meio estratégico possui outro sentido, a de que sempre é importante conhecer bem nossas metas, planos, objetivos. Se não conhecemos qualquer atitude parecerá ser a melhor. Escolhemos melhor os caminhos quando sabemos o que queremos. Quais os objetivos que temos para a nossa profissão de policial judiciário e as metas que almejamos? O que é melhor para mim e para a minha instituição?

    O primeiro ponto a considerar é saber que prestamos serviço para a sociedade. Atender às expectativas da sociedade, respeitar e exercer a cidadania e até o próprio criminoso que será julgado por outro profissional em razão do trabalho policial é a chave do bom desenvolvimento da atividade policial judiciária.

    Tratar com falta de profissionalismo e respeito ao contribuinte que paga o salário do policial quando precisa da polícia é jogar contra si mesmo, é suicídio contra a imagem da categoria, dos colegas e da própria policia judiciária estadual.

    O trabalho em equipe implica estabelecer metas, elencar prioridades, atender bem o cidadão necessitado ou vítima de um fato criminal, buscar a eficiência para atingir resultados sempre melhores. Essas são atitudes simples que traduzem engajamento empresarial, comprometimento com o conjunto de atores de uma organização para melhorar o clima e as relações entre seus profissionais.

    Adotar critérios de eficiência e produtividade nas corporações policiais é a meta mínima que se pode exigir para alcançar o sucesso na gestão por competência. E nos critérios de competência impõe que haja mobilidade dos quadros funcionais para impedir o engessamento na estrutura de carreiras.

    Deve-se considerar o estudo das tarefas ocupacionais em uma análise de cargos, os atributos e qualificações necessários de cada policial para o desenvolvimento da função de policia judiciária. Um exemplo legal é o fato do delegado de polícia receber a tarefa de dirigir a Polícia Civil, está lá escrito na Constituição Federal essa competência. O delegado é quem dirige, mas quem é o administrador da Polícia Civil?

    O delegado não foi treinado para administrar e sim apenas para dirigir ao nível operacional policial judiciário. Por isso que é necessário que haja apenas uma porta de entrada na organização, com todos iniciando por baixo para progredir numa única carreira, passo a passo, com merecimento por seus esforços. O ser humano nasce criança, atinge a juventude, depois o nível adulto e por último a velhice. Em tudo vemos uma escala natural no mundo dos seres vivos. Não existem duas estruturas na escala dos seres vivos. Cair de pára-quedas como dirigente é afrontar a lógica, é valorizar o artificial e desvalorizar o aspecto natural, é instituir a arena da EXPERIÊNCIA Versus COMPETÊNCIA, situação já abolida nas empresas multinacionais e transnacionais que trabalham a gestão por competência integrada com a gestão de pessoas numa estratégia de configuração empresarial.

    Os profissionais crescem quando a equipe é nivelada nos mesmos campos de conhecimento e de experiência, em especial de policia judiciária e isso exige um líder de equipe com a competência de ver nos seus pares os assessores adequados para cada tarefa a ser executada. Essa configuração não existe nas Polícias Civis porque o delegado não vê no agente um membro de equipe, porque são carreiras distintas e o trabalho em equipe cai por terra, é apenas contingente, porque os pares do delegado são apenas os delegados. É a brecha por onde a água adentra pelo navio, mencionado acima.

    O que se tem é equipes de delegados e equipes de agentes. Exemplo prático disso são as entrevistas na mídia em razão do sucesso de operações policiais, nas quais não se vê a equipe de agentes, estes não aparecem. Apenas os delegados ficam perfilados frente à mídia e, às vezes, nem é citada a participação de agentes no trabalho.

    Esse comportamento “hitleriano” de caserna corporativa imprime um sentido de holocausto preconceituoso que mata a imagem dos agentes de polícia, abrem-se enormes cavas para sepultar de vez qualquer pretensão de visibilidade de “estranhos”, numa discriminação institucionalizada até nos estatutos policiais. A carreira única é a expressão do todo, dos membros de um conjunto para reafirmar a visibilidade do verdadeiro trabalho de equipe, em uma estratégia de configuração empresarial.

    Implantação da imagem corporativa (elemento anímico)

    Abrindo parêntese, novamente, outra tese é o fato de que a Polícia Civil não é polícia de segurança pública, não devendo fazer parte de secretarias de segurança pública e sim de secretarias de justiça, visto que seu trabalho é auxiliar o Poder Judiciário. Porém, é um problema cultural de concepção orgânica da estrutura de Estado, não cabendo aqui desenvolver maiores comentários. Mas há uma saída inteligente com a implantação de uma imagem corporativa para reforçar seu deslocamento orgânico e dar publicidade à sua atividade judiciária.

    As Polícias Civis, em regra, não desenvolvem planejamento estratégico. Por isso, qualquer atitude que se tome parecerá ser a melhor, lembrando a passagem acima entre Alice e o Gato. Já que é difícil atingir toda a dimensão que se exige na meta geral de um planejamento estratégico para a Polícia Civil, pelo menos então que se faça o planejamento em fases, pontuando os elementos críticos de maior risco para neutralizar os pontos fracos do ambiente institucional. Se no momento o risco é a usurpação das funções de polícia judiciária motivada pelas Policias Militares, a necessidade é focar no conceito de polícia judiciária de forma visual, criando uma imagem corporativa eficaz.

    Andamos pelas ruas e vemos publicidade, vemos televisão, lemos jornais, revistas e tudo o mais que nossa percepção visual pode sentir e apreender conceitos. O apelo comercial é constante, massifica a mente sobre nossas necessidades pessoais. Para valorizar a função de polícia judiciária e impregná-la no imaginário popular e social, somente é necessário criar um planejamento específico para a implantação da imagem corporativa nas Polícias Civis, utilizando o design gráfico de maneira integrada e como diferencial estratégico na definição de um programa de identidade visual. A criação de um manual de imagem gráfica empresarial, integrando peças gráficas de comunicação da Polícia Civil e suas aplicações é o que vai expressar a imagem da organização dimensionando taticamente o serviço de polícia judiciária.

    É irrelevante valorizar o termo “Polícia Civil” para a sociedade. É um termo que nada diz por que não está vinculado a um decodificador gráfico nos materiais e nas respectivas marcas das instituições. Esse decodificador deve ser a função judiciária. Onde está a decodificação no imaginário social? Para não me alongar e ser cansativo, digo apenas que ao implantar a carreira única, os profissionais de polícia precisam de uma definição funcional que motive atitude de engajamento positivo, como quem afirma: “Sou polícia judiciária e preciso mostrar isso para a sociedade”.

    Esta aí a contribuição para agregação de valor de um dos itens da imagem corporativa para as Polícias Civis, para fazer crescer intelectualmente a instituição e a própria sociedade que vai incorporar mentalmente o termo judiciário. É a característica que pode diferenciar a organização em relação às outras polícias, seu comportamento frente a diversas situações e questões, o que ela é e também o que pode ser. Esses conceitos podem ser aplicados para alavancar tanto a Polícia Civil quanto a Polícia Federal do Brasil. O fortalecimento das polícias judiciárias passa pela implantação da carreira única, ou como estratégia de sobrevivência para as Polícias Civis ameaçadas pela ganância de poder das Polícias Militares, ou como estratégia de crescimento para a Polícia Federal.

  9. “”Sonho de quem não admite hierarquia na polícia”” kkkkkk matéria totalmente PARCIAL e CLASISTA.
    Quer dizer que no NYPD, Scotland Yard, FBI… nenhum desses existe hierarquia né? Tá bom…. Um dia o Brasil também vai virar primeiro mundo…

  10. Está claro: se o futuro indica que o policiamento ostensivo e preventivo, deve ser MUNICIPAL, com grupamentos uniformizados, gerenciados pelo Prefeito e a serviço da comunidade local.
    Se a polícia judiciária deverá cumprir seu papel investigativo de colher subsídios para a formatação de um processo criminal, trabalhando e buscando no campo físico do delito, indícios e provas que sustentem e instruam as ações dos promotores e magistrados.
    Pergunto: quem sobrou nesse sistema perfeito e já aplicado no mundo civilizado ?
    Sim ela, a obsoleta, corporativista, puxa-saco de políticos, truculenta e ineficaz, POLÍCIA MILITAR brasileira.
    Se a nossa sociedade, em média, tivesse o mínimo de conhecimentos técnicos a respeito do que lhe seria útil, no que tange ao aparato policial, EXIGIRIA de imediato, e EXTINÇÃO do militarismo nas polícias, com o passamento imediato dos praças, cabos e sargentos para as respectivas Guardas Municipais de seus locais de trabalho, observando-se o não rebaixamento salarial dos mais antigos e graduados e na maioria dos casos, uma equiparação para cima e com todas as vantagens já auferidas pelas GCMs ( tickets alimentação, planos de saúde privados, auxílio transporte, horas extras e adicionais por trabalho noturno ).
    O grande e emblemático problema, viria dos inúteis, custosos e parasitas de políticos, chamados de Oficiais PM.
    O que fazer com essa casta desnecessária, que consome grande parte do orçamento estadual e domina, pela força e subserviência, as decisões dessa gentalha pusilâmine que hoje habita os palácios governamentais ?
    Na melhor das hipóteses, como a maioria desfruta de legislação que permite-lhes aposentar-se com 25 anos de atividade, contando ainda com promoção ao posto superior, seria compulsório que todos que já estivessem nessas condições, fossem para a reserva de imediato, enquanto aqueles que estivessem em início ou meio de carreira, optassem, de acordo com sua formação acadêmica, aptidões funcionais e demais quesitos analisados, pela aborção junto às GCMs, ou para aqueles que possuem curso de bacharelado em Ciências Jurídicas, na Polícia Judiciária Estadual.
    A questão é que a sociedade aceitou, após a redemocratização do país, a manutenção desse monstro corporativista, cujos tentáculos vêm sufocando a própria sociedade civil, até em suas manifestações públicas, influenciando diretamente nas decisões políticas do executivo e desrespeitando a legislação vigente, via de regra.
    Hoje, por acomodação, ignorância e desconhecimento técnico, além de um atávico paternalismo incorporado aos costumes do brasileiro em geral, será muito difícil conseguir sequer discutir esse assunto importante e tão necessário para a evolução da Segurança Pública nacional.

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