Arquivos diários:17/08/2010
DILMA – UM PASSADO ENOBRECEDOR; UM FUTURO ALVISSAREIRO 20
Dilma na luta armada
Entre 1967 e 1970, a estudante Dilma Rousseff combateu a ditadura militar. O que os processos da justiça militar revelam sobre a jovem que se tornou líder de uma das organizações que pegaram em armas contra o governo.
Leandro Loyola, Eumano Silva e Leonol Rocha
Em outubro de 1968, o Serviço Nacional de Informações (SNI) produziu um documento de 140 páginas sobre o estado da “guerra revolucionária no país”. Quatro anos após o golpe que instalou a ditadura militar no Brasil, grupos de esquerda promoviam ações armadas contra o regime. O relatório lista assaltos a bancos, atentados e mortes. Em Minas Gerais, o SNI se preocupava com um grupo dissidente da organização chamada Polop (Política Operária). O texto afirma que reuniões do grupo ocorriam em um apartamento na Rua João Pinheiro, 82, em Belo Horizonte, onde vivia Cláudio Galeno Linhares. Entre os militantes aparece Dilma Vana Rousseff Linhares, descrita como “esposa de Cláudio Galeno de Magalhães Linhares (‘Lobato’). É estudante da Faculdade de Ciências Econômicas e seus antecedentes estão sendo levantados”. Dilma e a máquina repressiva da ditadura começavam a se conhecer.
Durante os cinco anos em que essa máquina funcionou com maior intensidade, de 1967 a 1972, a militante Dilma Vana Rousseff (ou Estela, ou Wanda, ou Luiza, ou Marina, ou Maria Lúcia) viveu mais experiências do que a maioria das pessoas terá em toda a vida. Ela se casou duas vezes, militou em duas organizações clandestinas que defendiam e praticavam a luta armada, mudou de casa frequentemente para fugir da perseguição da polícia e do Exército, esteve em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, adotou cinco nomes falsos, usou documentos falsos, manteve encontros secretos dignos de filmes de espionagem, transportou armas e dinheiro obtido em assaltos, aprendeu a atirar, deu aulas de marxismo, participou de discussões ideológicas trancada por dias a fio em “aparelhos”, foi presa, torturada, processada e encarou 28 meses de cadeia.
Hoje candidata do PT à Presidência da República, Dilma fala pouco sobre esse período. ÉPOCA pediu, em várias ocasiões nos últimos meses, uma entrevista a Dilma para esclarecer as dúvidas que ainda existem sobre o assunto. Todos os pedidos foram negados. Na última sexta-feira, a assessoria de imprensa da campanha de Dilma enviou uma nota à revista em que diz que “a candidata do PT nunca participou de ação armada”. “Dilma não participou, não foi interrogada sobre o assunto e sequer denunciada por participação em qualquer ação armada, não sendo nem julgada e nem condenada por isso. Dilma foi presa, torturada e condenada a dois anos e um mês de prisão pela Lei de Segurança Nacio-nal, por ‘subversão’, numa época em que fazer oposição aos governos militares era ser ‘subversivo’”, diz a nota.
Dilma foi denunciada por chefiar greves e assessorar assaltos a banco
A trajetória de Dilma na luta contra a ditadura pode ser conhecida pela leitura de mais de 5 mil páginas de três processos penais conduzidos pelo Superior Tribunal Militar nas décadas de 1960 e 1970. Eles estão no acervo do projeto Brasil: Nunca Mais, à disposição na sala Marco Aurélio Garcia (homenagem ao assessor internacional da Presidência) no arquivo Edgard Leuenroth, que funciona em um prédio no campus da Universidade de Campinas, em São Paulo, e em outros arquivos oficiais. A leitura de relatórios, depoimentos e recursos burocráticos permite conhecer um período da vida de uma pessoa que mergulhou no ritmo alucinante de um tempo intenso. O contexto internacional dos anos 1960, de um mundo dividido entre direita e esquerda, em blocos de países capitalistas e comunistas, propiciava opções radicais. O golpe militar de 1964 instaurou no Brasil um regime ditatorial que sufocou as liberdades no país e reprimiu oposições. Milhares de pessoas foram presas por se opor ao regime, centenas foram assassinadas após sessões de tortura promovidas por uma horda de agentes públicos mantidos ocultos ou fugiram para o exílio para escapar da repressão.
Dilma Rousseff foi um desses jovens marxistas que, influenciados pelo sucesso da revolução em Cuba liderada por Fidel Castro nos anos 50, se engajaram em organizações de luta armada com a convicção de que derrubariam a ditadura e instaurariam um regime socialista no Brasil. Dilma está entre os sobreviventes da guerra travada entre o regime militar e essas organizações. Filha de um búlgaro e uma brasileira, estudante do tradicional colégio Sion, de Belo Horizonte, a vida de classe média alta de Dilma mudou a partir do casamento com o jornalista Cláudio Galeno Magalhães Linhares, em 1967. “(Dilma) Ingressou nas atividades subversivas em 1967, levada por Galeno Magalhães Linhares, então seu noivo”, afirma um relatório de 1970 da 1a Auditoria Militar. As primeiras menções a Dilma em documentos oficiais a citam como integrante de uma dissidência da Polop. Esse grupo adotou o nome de Organização. Com novas adesões de militantes que abandonaram o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), a Organização se transformou em Colina (Comando de Libertação Nacional). Em seu documento básico, o Colina aderiu às ideias de Régis Debray, autor francês que, inspirado na experiência cubana de Fidel Castro, defendia a propagação de revoluções socialistas a partir de focos guerrilheiros. A doutrina de Debray ficou conhecida como “foquismo”.
Ex-contemporâneos de prisão citam o apartamento de Dilma da Rua João Pinheiro, em Belo Horizonte, como um dos principais pontos de reuniões da organização. Em depoimento prestado no dia 4 de março de 1969, o militante do Colina Ângelo Pezzutti afirma que “encontrou-se (com outro militante) algumas vezes no apartamento 1.001, Condomínio Solar, residência de Galeno e Dilma”. Dilma é citada como responsável por ministrar aulas de marxismo, comandar uma “célula” na universidade para atrair novos militantes para a causa. “Em princípios de 1968, o declarante, por recomendação de Carlos Alberto, coordenou uma célula política, na qual tomaram parte Dilma, estudante de economia, cujo nome de guerra é Estela, Erwin e Oscar (nomes de outros dois militantes)”, diz o depoimento de outro militante, Jorge Raimundo Nahas. “O objetivo principal dessa célula era trabalhar o meio estudantil.” Um dos universitários recrutados foi Fernando Damata Pimentel, de 17 anos. Ex-prefeito de Belo Horizonte, Pimentel é candidato ao Senado pelo PT e é um dos coordenadores da campanha de Dilma.
De acordo com os depoimentos, nas reuniões – muitas realizadas no apartamento de Dilma – o grupo decidia suas ações. Em seu depoimento, Nahas afirmou que parte do Colina, com o decorrer do tempo, passou a acreditar que a organização deveria ter um caráter mais militar. Foram criados setores de “ex-propriação, levantamento de áreas, sabotagem e inteligência e informações”. “Dilma e Oscar permaneceram no setor estudantil”, diz Nahas. Essa decisão marca um ponto de inflexão na curta história do Colina. O grupo passou a fazer ações armadas. O historiador Jacob Gorender, que esteve preso com Dilma no presídio Tiradentes, em São Paulo, é autor de Combate nas trevas, o mais completo relato da luta armada contra a ditadura militar. Ele afirma que o Colina foi uma das poucas organizações a fazer a “pregação explícita do terrorismo”.
Dilma no cárcere
O momento da prisão, a tortura e os anos no presídio Tiradentes – de acordo com os relatos de quem ficou com ela na cadeia
Kátia Melo
Eram 16 horas do dia 16 de janeiro de 1970, na Rua Martins Fontes, centro de São Paulo, quando Dilma Vana Rousseff Linhares foi presa. Ela carregava na bolsa uma carteira de identidade falsa em nome de Maria Lúcia dos Santos, um título de eleitor e uma carteirinha de estudante colegial, com outro nome falso, de Marina Guimarães Garcia de Castro – e há controvérsia sobre a presença de uma arma. O horário e as identidades falsas constam de documentos obtidos por ÉPOCA nos arquivos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops).
Militante da organização clandestina VAR-Palmares, um grupo com raízes no movimento estudantil e no Exército que pegava em armas para combater o regime militar, Dilma é descrita na documentação como “militante de esquema subversivo-terroristas (sic)”, “uma das molas mestras e um dos cérebros dos esquemas revolucionários postos em prática pela esquerda radical” e “pessoa de dotação intelectual apreciável”. Ela era conhecida por codinomes como Estela, Luiza e Wanda, além dos nomes que constavam em seus documentos falsos. Para reconstituir seus 28 meses na prisão.
Uma história que tem impacto no presente
Carta do diretor de redação Helio Gurovitz
Em 2008, o historiador britânico Tony Judt, morto no último dia 6, publicou no New York Review of Books um ensaio memorável: “O que aprendemos, se algo?”. No texto, Judt, um intelectual que jamais curvou suas opiniões às conveniências, faz uma profunda re-flexão sobre o legado do século XX, uma sucessão de disputas étnicas insensatas, guerras travadas com armas de destruição em massa e genocídios atrozes. Judt via com um misto de ironia e repulsa aqueles que vislumbraram, na queda do Muro de Berlim, um final redentor para essa história de conflitos dolorosos.
Longe de enxergar no passado uma fonte de “lições” para o presente – como reza o chavão propalado por muitos historiadores –, Judt considerava, tão somente, que estudar a história poderia nos ajudar a evitar os mesmos erros. Era algo especialmente verdadeiro em relação a eventos ainda presentes na memória dos vivos. “O passado recente é o mais difícil de conhecer e de entender”, escreveu Judt. “Nas décadas seguintes à Revolução Francesa, os velhos comentaristas lamentavam o desaparecimento da vida doce do Antigo Regime (…) Os contemporâneos podiam lamentar o mundo antes da revolução. Mas não o haviam esquecido.”
As palavras de Judt descrevem à perfeição nossa dificuldade para lidar com o período mais sombrio da história recente do Brasil, os anos de chumbo do regime militar. O maior exemplo da relevância desse passado para o presente está na história pessoal dos dois principais candidatos à Presidência. Tanto o tucano José Serra quanto a petista Dilma Rousseff entraram na política por meio de sua militância na resistência à ditadura. Perseguido, Serra se exilou e viveu um período que ele não cansa de narrar em debates e entrevistas. Dilma, porém, evita falar dos tempos em que participou de grupos armados, depois foi presa e torturada. Dados essenciais para a formação de seu modo de pensar e agir – além de cruciais para o brasileiro que começa, nesta semana, a ser apresentado aos candidatos no horário eleitoral gratuito da televisão e a decidir seu voto.
A redemocratização trouxe, para o país, uma ilusão de final redentor não muito diferente daquela que Judt soube tão bem questionar em seu ensaio. Para muitos, o combate à ditadura opôs os “mocinhos” aos “bandidos” – e ter ficado ao lado dos “mocinhos” virou uma espécie de atestado de boa conduta política.
Diante de uma realidade evidentemente mais complexa, essa visão simplificadora ignora alguns dos fatos mais relevantes do período. Um deles era a divisão entre os próprios militares, no que diz respeito tanto à visão econômica quanto à política para o país. Outro, a cisão dentro da elite brasileira, que levou para a luta armada sobretudo jovens universitários de classe média e classe alta, que depois tomaram parte na história dos dois partidos mais influentes do país – no PT, é o caso da própria Dilma; no PSDB, um exemplo é o candidato ao Senado por São Paulo Aloysio Nunes Ferreira.
Sem entender todas as facetas do período militar, fica impossível avaliar seu impacto no Brasil atual. Uma boa imagem para descrever esse impacto talvez sejam os versos do poeta Philip Larkin, citados por Judt ao final de seu ensaio: “Nunca tanta inocência/ Nunca antes nem depois”.
O colapso da polícia científica 2
O colapso da polícia científica
Enquanto no plano político dirigentes governamentais acenam com a possibilidade de construção do trem-bala e de outros projetos de duvidosa prioridade que exigem investimentos vultosos da União e dos governos estaduais, no cotidiano de algumas áreas da administração pública a situação é de carência de recursos humanos, de infraestrutura adequada e de equipamentos modernos. Isso pode ser visto nas escolas públicas, na rede médico-hospitalar e na área de segurança.
Reportagem publicada domingo no Estado mostra que, em matéria de perícia criminal, o quadro é sombrio. Em quase todo o País, a polícia científica não dispõe de maletas com kit de varredura de locais de crime e acidentes. Os peritos carecem de notebook, trena a laser, máquina fotográfica digital e até de material para exame de DNA e exame de balística com microcomparador. Sem esses equipamentos, é quase impossível produzir provas documentais para esclarecimento de homicídios e latrocínios. Muitas vezes, os peritos são obrigados a trabalhar somente com lápis e papel.
Em vários Estados, a polícia científica também não conta com laboratórios nem com reagentes químicos para fazer os exames mais elementares com o objetivo de identificar causas de mortes e produzir provas materiais. Faltam ainda cromatógrafos gasosos, luz forense, luminol e laboratório de fonética.
Por falta de veículos, há municípios em que os corpos de vítimas de acidentes de trânsito ficam até dez horas à espera de remoção. E as câmaras frias para a conservação de corpos têm mais de 30 anos de funcionamento e vivem quebrando. E, como também não há geladeiras em número suficiente, muitas vezes os corpos têm de ser sepultados às pressas, sem a realização de autópsia – e depois, havendo necessidade de apurar se a morte derivou de crime, acidente e causas naturais, é preciso exumar o corpo.
Para atender os 5.560 municípios brasileiros, existem somente 60 Institutos de Criminalística e Institutos de Medicina Legal. Segundo os especialistas, seriam necessárias, no mínimo, mais 300 unidades. A média considerada adequada é de um instituto para cada 15 cidades.
Para atuar nas 32 especialidades de perícia criminal adotadas pelo Brasil, conforme a legislação penal, existem cerca de 12 mil peritos. Como pelas recomendações dos organismos internacionais a média adequada é de 1 perito para cada 5 mil habitantes, o País tem uma carência de 26 mil peritos.
Os serviços mais precários estão no Norte e Nordeste e os mais eficientes, no Sul e Sudeste. E as deficiências mais graves estão nos Estados de Sergipe, Rio Grande do Norte, Maranhão e Roraima, nos quais a maioria dos equipamentos para a realização de perícias e exames científicos está faltando.
Na falta de câmaras frigoríficas, por exemplo, os IMLs do Maranhão utilizam geladeiras comuns para guardar corpos. Em vez de luz forense multiespectral, a polícia científica sergipana utiliza nas análises uma precária luz ultravioleta – e ela está queimada. Em Pernambuco, o Instituto de Criminalística não está preparado para fazer exame de DNA e as poucas maletas de perícia não dispõem de notebook digital. Já o Rio Grande do Norte conta com laboratório de DNA, mas não tem funcionários para operá-lo. Em Roraima, como faltam equipamentos laboratoriais e reagentes químicos, determinadas perícias somente são concluídas se houver empréstimo de material pela iniciativa privada. Embora não disponha de laboratório de DNA, câmaras frias no IML, cromatógrafos e luz forense, o Piauí conta com um microcomparador balístico, que compartilha com o Maranhão e o Ceará.
A consequência inevitável do sucateamento da polícia científica no País é o baixo índice de esclarecimento de homicídios. A média nacional é de 25 crimes esclarecidos a cada 100. Mas nos Estados onde a perícia criminal praticamente inexiste, o índice cai para 2,8%.
Para reduzir a violência não basta só a repressão – acima de tudo, é preciso inteligência, equipamentos de ponta e uma polícia científica preparada e devidamente equipada. Sem isso, não há como debelar a crise de segurança pública.
Aumenta chance de Dilma vencer no 1º turno, diz Ibope 1
Aumenta chance de Dilma vencer no 1º turno, diz Ibope
Petista chega a 43% das intenções de voto, contra 41% dos adversários somados; Serra só lidera no Sul
A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, entra no horário eleitoral pela TV com 11 pontos de vantagem sobre o tucano José Serra. Com 43% das intenções de voto, ela poderia vencer no primeiro turno se a eleição fosse realizada hoje, segundo pesquisa do Ibope encomendada pelo Estado e pela TV Globo. Serra tem 32%, e Marina Silva (PV), 8%. Juntos, outros candidatos chegam a 1%. Ou seja, a petista (43%) e os adversários somados (41%) estão empatados dentro da margem de erro, de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos. A pesquisa, concluída às vésperas do início do horário eleitoral, é a primeira a captar os efeitos das entrevistas do Jornal Nacional com os candidatos, entre 9 e 11 de agosto. No dia 5, data do levantamento anterior do Ibope, a petista tinha 39%, e o tucano, 34%. Dilma deve a liderança ao eleitorado mais pobre. Entre os que têm renda familiar de até um salário mínimo, a vantagem sobre Serra chega a 22 pontos (48% a 26%). Na divisão por regiões, Serra só se mantem à frente no Sul (44% a 35%).
A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, abriu 11 pontos de vantagem sobre o tucano José Serra. Com 43% das intenções de voto, ela poderia vencer no primeiro turno se eleição fosse realizada hoje, segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo.
Serra tem 32% e Marina Silva (PV), 8%. Juntos, outros candidatos chegam a 1%. Ou seja, a petista (43%) e os adversários somados (41%) estão empatados dentro da margem de erro.
Levando-se em conta apenas os votos válidos (sem contar os brancos, nulos e indecisos), Dilma tem 51% das preferências, enquanto Serra tem 38%. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa obter pelo menos 50% dos votos válidos mais um.
A pesquisa, concluída às vésperas do início do horário eleitoral, é a primeira a captar inteiramente os efeitos da série de entrevistas do Jornal Nacional com os candidatos, entre os dias 9 e 11 de agosto. No dia 5, data do levantamento anterior do Ibope, a petista tinha 39% e o tucano, 34%.
“Dilma se consolidou como favorita e tem na pesquisa espontânea o que Serra só alcança na estimulada”, disse Márcia Cavallari, diretora-executiva do Ibope. “Aumentaram as chances de vitória no primeiro turno, mas é preciso fazer a ressalva de que o horário eleitoral nem começou.”
A candidata petista deve a posição de liderança ao eleitorado mais pobre. Entre os que têm renda familiar de até um salário mínimo, a vantagem sobre Serra chega a 22 pontos porcentuais (48% a 26%). Na faixa de um a dois salários mínimos, a diferença entre os dois é de 15 pontos (45% a 30%).
Já nos segmentos de renda maior, de cinco a dez salários mínimos e acima de dez, Serra empata e lidera (41% a 41% e 48% a 29%, respectivamente).
Dilma conseguiu ultrapassar Serra no eleitorado feminino (39% a 33%) e, entre os homens, ampliou de 10 para 17 pontos porcentuais sua vantagem sobre o tucano. A petista perdia entre as mulheres até junho. Em julho, empatou com o adversário, situação que perdurou até a pesquisa do início de agosto.
Considerando o nível de instrução dos eleitores, Dilma mantém um melhor desempenho na parcela do eleitorado com escolaridade média,. Serra lidera apenas no eleitorado com ensino superior (40% a 34%), faixa na qual cresceu nove pontos.
Geografia do voto. Na divisão do eleitorado por regiões, Serra só se mantém na liderança no Sul. onde praticamente não houve variação nos índices de intenções de voto desde o dia 5. O tucano vencia por 42% a 34% e agora lidera por 44% a 35%.
No Nordeste, Dilma avançou de 46% para 53% e ampliou sua vantagem de 19 para 29 pontos porcentuais.
A principal mudança ocorreu no Sudeste, onde se concentra a maioria do eleitorado do País. Dilma saiu de uma situação de empate técnico (35% a 35%) para uma vantagem de nove pontos (41% a 32%).
Entre os mais jovens, com idade entre 16 e 24 anos, a candidata do PT tem vantagem de 13 pontos (46% a 33%). Na pesquisa anterior, havia um empate técnico nesse segmento. Nas faixas etárias acima de 25 anos, Dilma também lidera, mas por margens menores.
Outro item em que a petista leva vantagem é na expectativa de vitória. Agora, a maioria absoluta do eleitorado (51%) acredita que a ex-ministra da Casa Civil será a sucessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para 29%, Serra vencerá a eleição. No Nordeste, os índices dos dois são de 59% e 22%, respectivamente.
Rejeição e segundo turno. Os índices de rejeição dos dois principais candidatos seguem estáveis desde o início de junho. Enquanto 27% dos eleitores declaram que não votariam em José Serra de jeito nenhum, a rejeição a Dilma é de 19%.
Na pesquisa espontânea, modalidade em que os eleitores manifestam sua preferência antes de ler a lista de candidatos, Dilma aparece com 31%, 12 pontos à frente do presidenciável tucano. Pouco mais de um terço dos eleitores (35%) declara-se indeciso sobre sua intenção de voto (eram 44% na pesquisa anterior) e 7% têm intenção de votar em branco ou anular o voto.
Na eventualidade de ocorrer um segundo turno entre os candidatos do PT e do PSDB, a petista venceria por 48% a 37% se eleição fosse realizada hoje.
Dados técnicos
Foram entrevistados 2.506 eleitores em 174 municípios, entre 12 e 15 de agosto. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 23548/2010
Serra: ‘picaretas’ hoje estão com Dilma 13
Serra: ‘picaretas’ hoje estão com Dilma
Tucano lembra declaração dada por Lula em 1993 sobre Congresso e critica ainda apadrinhamento em estatais
João Guedes* e Chico Luz*
PORTO ALEGRE e NOVO HAMBURGO (RS). Durante o lançamento de um movimento suprapartidário de apoio à sua candidatura em Porto Alegre, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, lembrou, para alfinetar a presidenciável petista, Dilma Rousseff, uma famosa frase do presidente Lula. Serra ironizou a maioria governista na Câmara, mencionando sentença de Lula, que, em 1993, disse que o Congresso tinha 300 picaretas.
— Eu não sou daqueles que dizem que o Congresso tem 300 vigaristas ou picaretas. Teve alguém que disse isso. Hoje estão todos com a outra candidata.
O comentário foi feito quando Serra criticava concessão de cargos em estatais a apadrinhados: — Os Correios foram privatizados.
Sua diretoria não serve aos Correios, mas a partidos e setores de partidos. Nunca o patrimonialismo e a fisiologia avançaram tanto. Nunca o governo foi tão usado para fins privados como é hoje no Brasil.
Serra foi recebido numa churrascaria na capital gaúcha por militantes, vereadores, prefeitos e deputados de PSDB, DEM, PPS, PP, DEM, PTB e PMDB, que lançaram o grupo suprapartidário Gaúchos com Serra.
Depois, Serra foi a Novo Hamburgo, tradicional polo coureirocalçadista, onde visitou uma fábrica de calçados e deu entrevista a uma rádio e a um jornal.
Ao falar sobre carga tributária a empresários, o tucano defendeu redução dos gastos públicos para que os impostos caiam e voltou a alfinetar Dilma: — A desoneração tributária pedida aqui tem a ver com os gastos públicos, que estão crescendo demais. Dilma diz que a carga atual é boa, mas não é: é muito alta. É a maior entre todos os emergentes — disse, antes de criticar a taxa de câmbio. — A taxa de câmbio nos faz perder combatividade. Ela estimula o Brasil a importar, não a exportar, e o setor coureiro-calçadista sofre com essas condições macroeconômicas.
O tucano, porém, afirmou que o câmbio deve continuar flutuante, “mas de verdade”.
Na entrevista, Serra disse que o governo Lula se recusa a fazer concessões com a parceria privada e que “por isso o setor aeroportuário está paralisado”. ¡ (*) Especial para O GLOBO
CORREGEDORIA APONTA CELSO PERIOLI COMO ENVOLVIDO NA FRAUDE DO CONCURSO DE FOTÓGRAFOS POLICIAIS…MAS CAUTELOSAMENTE – COMO DETERMINA A JUSTA RAZÃO – AGUARDARÁ A OPINIÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO PARA FORMAL INDICIAÇÃO CRIMINAL…O LADO INFELIZ: IDÊNTICA CAUTELA NÃO É ADOTADA EM RELAÇÃO AOS POLICIAIS CIVIS MENOS EMINENTES E VALOROSOS 6
Procurado, Perioli, que continua como chefe da Polícia Científica, não quis falar.
Além dele, outros quatro policiais são citados como envolvidos no caso.
O então diretor do IC, José Domingos Moreira das Eiras, é um deles. Ele perdeu o cargo após a Folha revelar a fraude -um parente dele estava entre os beneficiados.
No documento enviado à Promotoria, a Corregedoria confirma a existência da fraude, recomenda o cancelamento da fase do concurso, mas não indicia ninguém -apesar de citar os nomes dos envolvidos.
A Folha apurou que caberá aos promotores o indiciamento (acusação formal) de parte da banca.
Segundo informações da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo houve fraude no concurso público para contratação de fotógrafos para o Instituto de Criminalística (IC) e as irregularidades tiveram participação do chefe da Polícia Científica, Celso Perioli. 7
Corregedoria liga chefe da Polícia Científica a fraude em concurso
17 de agosto de 2010 • 08h53
Segundo informações da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo houve fraude no concurso público para contratação de fotógrafos para o Instituto de Criminalística (IC) e as irregularidades tiveram participação do chefe da Polícia Científica, Celso Perioli. Candidatos ligados a funcionários do IC foram aprovados irregularmente num concurso que teve 17,6 mil inscritos. O secretário da Segurança, Antonio Ferreira Pinto, anulou a segunda fase do concurso. Eles foram selecionados com altas notas entre os 128 aprovados, mesmo não respondendo a grande parte das questões da prova oral. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.
Uma senha irregular guiava a fraude. Notas de “A” a “C” foram registradas clandestinamente durante uma entrevista secreta realizada minutos antes da prova oral. O “A+” era aprovação praticamente garantida. Cruzamento feito pela Corregedoria revelou que 75 concorrentes receberam nota “A+”. Desses, 95% deles foram aprovados. A Corregedoria confirmou a existência de senhas nos testes de todos os 343 candidatos submetidos à entrevista, sendo 25% anotados por Perioli, que continua como chefe da Polícia Científica. Outros quatro policiais são citados como envolvidos no caso. O então diretor do IC, José Domingos Moreira das Eiras, é um deles. Ele perdeu o cargo. Caberá aos promotores o indiciamento de parte da banca.
