João Alckimin: Malditos aqueles que oprimem seus semelhantes 94

É insuportável o que a Policia Civil está passando, o investigador Ernesto Tavares de Almeida Buchnann, que contava com aproximadamente 30 anos de carreira,há algum tempo atrás foi demitido,  porque,  quando prestava serviços a CIRETRAN,  foi acusado de permitir que um caminhão fosse licenciado sem as cautelas necessárias. Pois bem,  na data de hoje, vem esse Policial se juntar a mais um daqueles que não aguentaram a pressão . Suicidou-se com um tiro na cabeça, deixando mulher e filhos.

Talvez seja essa a faxina que quer o Governador de Estado e o senhor Secretário se referiam, uma faxina feita com rios de sangue, com dor e lágrimas de famílias.
Temos o Delegado Conde Guerra, criminosamente demitido. Temos o Delegado Frederico vergonhosamente demitido. Temos o Delegado Carlos Andrade injustamente demitido. E mais uma série de outros Policiais que são juntamente com suas famílias massacrados, humilhados e muitas vezes passam a não ter dinheiro sequer para sua subsistência.
Até quando isso irá continuar?
Até quando nosso Poder Judiciário permitirá que esse massacre continue?
Até quando se permitirá que as pessoas sejam vítimas de perseguições políticas?
Até quando Delegados de Policia amedrontados irão redigir um boletim de ocorrência que é claramente de tentativa de homicidio, como disparo de arma de fogo?
O que leva uma autoridade policial a proceder assim?
Uns tudo podem, inclusive balear Policiais Civis. Outros nada podem, sequer levantar a cabeça, como os Policiais Civis.
A dor e o sangue hoje correm no seio da Policia Civil, até quando isso irá continuar?
Das duas uma, ou incompetência jurídica ou ordens superiores. De qualquer maneira, isso é profundamente lamentável.
Seres humanos estão sendo massacrados. Pois volto a afirmar, embora alguns desconheçam, o Policial Civil é ser humano. Desumanos são aqueles que os massacram.
Não sou, nem defendo a corrupção, mas para mim uma pessoa só pode ser taxada de corrupta depois de uma sentença judicial com trânsito em julgado, até lá constitucionalmente é inocente.
E essas demissões que se fazem a toque de caixa, afrontam o bom senso, a constituição e, inclusive propiciará que todos retornem um dia, haja visto o caso que para mim representa todos os outros casos, do Delegado Conde Guerra, demitido por repercutir uma notícia, isso é uma afronta ao sistema legal de gente. É um descalabro, é o estado de exceção.
E o Judiciário queda-se inerte e silente.
Quantos precisarão morrer para que a sociedade civil acorde e veja que sem uma Policia Civil estruturada e valorizada, viveremos o caos e a barbárie.
Somente posso dizer, descanse em paz Ernesto e, saiba que seu sangue e o de outros não permitirão que aqueles que os jogaram nesse condição, vivam em paz.
Portanto, continuarei lutando para que se trate os Policiais Civis com dignidade e respeito. Quando isso acontecer poderei parar de falar e de escrever.
JOÃO ALKIMIN

Por presidência, Gobbi cogita até largar a carreira de delegado 37

A crítica mais recorrente a Mario Gobbi, candidato da situação à presidência do Corinthians, é sobre sua falta de tempo para se dedicar ao clube. Afinal, é delegado da Polícia Civil de São Paulo.
“Já estou de licença”, respondeu Gobbi, que recebeu a Folha em seu gabinete no Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro). “Tirei todas as licenças e férias a que tenho direito, até maio de 2013.”
Neste prazo, o mandato do próximo presidente estará perto da metade. “Depois, tenho outras alternativas, que vou analisar, posso até me aposentar”, declarou.
Gobbi em nenhum momento tenta esconder –ao contrário, expõe ao máximo– que pretende continuar o trabalho de Andres Sanchez. “É claro, ele é o grande líder”, diz. O slogan da campanha é “deixa continuar”.
Todo o material promocional da candidatura é recheado de fotos de Andres.
Gobbi não vê problemas no fato de a dívida do clube ter quase dobrado na gestão atual. “O patrimônio cresceu e hoje nós arrecadamos mais do que gastamos, isso é o mais importante”, diz.
No período em que foi diretor de futebol, Mario Gobbi se notabilizou por frases polêmicas, como “torcedor tem que entender que futebol é business”, usada para justificar a venda de Douglas, André Santos e Cristian em 2009.
Na campanha, adotou tom mais contido. “Não posso dizer [qual será] meu primeiro ato se assumir porque não ganhei. Seria desrespeitoso com o eleitor e o meu adversário.”
Ao contrário de seu opositor, defende que o clube mantenha a proibição da reeleição. “É preciso ter alternância de poder.” (MF)
Folha Online

A polícia indefesa 23

Segunda-feira, Fevereiro 13, 2012

DEFENDEM-SE DROGADO, BANDIDO, CRIMINOSO. É HORA DE CUIDARMOS DA NOSSA POLÍCIA!

segunda-feira a Folha de S. Paulo

filsófo Luiz Felipe Pondé

A polícia indefesa

Qual o “produto” da polícia? Liberdade dentro da lei, segurança, enfim, a civilização

A POLÍCIA é uma das classes que sofrem maior injustiça por parte da sociedade. Lançamos sobre ela a suspeita de ser um parente próximo dos bandidos. Isso é tão errado quanto julgar negros inferiores pela cor ou gays doentes pela sua orientação sexual. Não, não estou negando todo tipo de mazela que afeta a polícia nem fazendo apologia da repressão como pensará o caro inteligentinho de plantão. Aliás, proponho que hoje ele vá brincar no parque, leve preferivelmente um livro do fanático Foucault para a caixa de areia. Partilho do mal-estar típico quando na presença de policiais devido ao monopólio legítimo da violência que eles possuem. Um sentimento de opressão marca nossa relação com a polícia. Mas aqui devemos ir além do senso comum. Acompanhamos a agonia da Bahia e sua greve da Polícia Militar, que corre o risco de se alastrar por outros Estados. Sem dúvida, o governador da Bahia tem razão ao dizer que a liderança do movimento se excedeu. A polícia não pode agir dessa forma (fazer reféns, fechar o centro administrativo). A lei diz que a PM é serviço público militar e, por isso, não pode fazer greve. O que está corretíssimo. Mas não vejo ninguém da “inteligência” ou dos setores organizados da sociedade civil se perguntar por que se reclama tanto dos maus salários dos professores (o que também é verdade) e não se reclama da mesma forma veemente dos maus salários da polícia. É como se tacitamente considerássemos a polícia menos “cidadã” do que nós outros. Quando tem algum problema como esse da greve na Bahia, fala-se “mas o problema é que a polícia ganha mal”, mas não vejo nenhum movimento de “repúdio” ao descaso com o qual se trata a classe policial entre nós. Sempre tem alguém para defender drogados, bandidos e invasores da terra alheia, mas não aparece ninguém (nem os artistas da Bahia tampouco) para defender a polícia dos maus-tratos que recebe da sociedade. A polícia é uma função tão nobre quanto médico e professor. Policial tem mulher, marido, filho, adoece como você e eu. Não há sociedade civilizada sem a polícia. Ela guarda o sono, mantém a liberdade, assegura a Justiça dentro da lei, sustenta a democracia. Ignorante é todo aquele que pensa que a polícia seja inimiga da democracia. Na realidade, ela pode ser mais amiga da democracia do que muita gente que diz amar a democracia, mas adora uma quebradeira e uma violência demagógica. Sei bem que os inteligentinhos que não foram brincar no parque (são uns desobedientes) vão dizer que estou fazendo uma imagem idealizada da polícia. Não estou. Estou apenas dando uma explicação da função social da polícia na manutenção da democracia e da civilização. Pena que as ciências humanas não se ocupem da polícia como objeto do “bem”. Pelo contrário, reafirmam a ignorância e o preconceito que temos contra os policiais relacionando-a apenas com “aparelhos repressivos” e não com “aparelhos constitutivos” do convívio civilizado socialmente sustentável. Há sim corrupção, mas a corrupção, além de ser um dado da natureza humana, é também fruto dos maus salários e do descaso social com relação à polícia, além da proximidade física e psicológica com o crime. Se a polícia se corrompe (privatiza sua função de manutenção da ordem via “caixinhas”) e professores, não, não é porque professores são incorruptíveis, mas simplesmente porque o “produto” que a polícia entrega para a sociedade é mais concretamente e imediatamente urgente do que a educação. Com isso não estou dizendo que a educação, minha área primeira de atuação, não seja urgente, mas a falta dela demora mais a ser sentida do que a da polícia, daí “paga-se caixinha para o policial”, do contrário roubam sua padaria, sua loja, sua casa, sua escola, seu filho, sua mulher, sua vida. Qual o “produto” da polícia? De novo: liberdade dentro da lei, segurança, a possibilidade de você andar na rua, trabalhar, ir ao cinema, jantar fora, dormir, não ser morto, viver em democracia, enfim, a civilização. Defendem-se drogado, bandido, criminoso. É hora de cuidarmos da nossa polícia.

ponde.folha@uol.com.br