“Escrivão não é polícia”, gritam alunos em curso de investigador Vídeo gerou críticas dos profissionais da área e repúdio do sindicato de policiais civis Por Adriano Fernandes | 08/03/2021 23:20 462
Vídeo em que alunos do curso de formação para investigador da Acadepol (Academia de Polícia Civil) aparecem satirizando o trabalho dos escrivães da corporação, gerou críticas entre os profissionais da área e manifestação do sindicato da categoria, nesta segunda-feira (8), em Campo Grande.
Sob o comando de dois alunos, os outros acadêmicos em formação aparecem cantando uma canção que fala do trabalho dos colegas de profissão em tom pejorativo.
Escrivão não é polícia e só sabe digitar, se tem guerra e terror é o tira que vão chamar. Oh ‘escriva’ não adianta, você pode até tentar. Mas como um investigador você nunca vai vibrar”, cantam os alunos.
A música ainda “tira sarro” da rotina de trabalho dos escrivães. “Sua arma é o teclado, um carimbo e uma caneta, enquanto o investigador amedronta até o capeta”, diz outro trecho.
Vale ressaltar que os policiais escrivães são os profissionais responsáveis por redigirem as oitivas e fazerem outros trabalhos internos nas delegacias, enquanto os investigadores, como o próprio nome já diz, saem a campo para realizar o trabalho de investigação dos crimes. Ambos precisam ser aprovados em concursos públicos e passar por treinamento para assumirem as suas funções.
O vídeo foi compartilhado em grupos de WhatsApp e causou descontentamento entre os profissionais da área. Diante da repercussão, o Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis de MS) repudiou o “tom ofensivo” do vídeo e acionou a DGPC (Delegacia-Geral da Polícia Civil) e a própria academia, pedindo providências para que esse tipo de conduta não venha estimular a rivalidade entre os policiais civis.
Ainda não houve manifestação da instituição sobre o caso. “Cada profissional tem a sua função na Polícia Civil, seja o escrivão, o papiloscopista, um delegado ou o próprio investigador. Nenhum deles trabalha de forma isolada, um depende um do outro”, comentou o presidente do Sinpol, Giancarlo Miranda, que inclusive é escrivão.
Miranda ponderou que os acadêmicos não agiram de “má fé”, mas comenta que a brincadeira acabou “passando dos limites”. “O que deve prevalecer entre os policiais é a parceria, o companheirismo para poder servir e proteger as pessoas”, disse à reportagem.
Em vídeo publicado no YouTube, Giancarlo também repudiou a conduta dos instrutores do curso. “Estamos aqui para estimular a união na Policial Civil, principalmente para aqueles que pretendem ingressar na nossa instituição. Repudiamos essa manifestação denegrindo a carreira dos escrivães”, disse ao lado do vice-presidente do sindicato, Pablo Pael que também é investigador da Polícia Civil. – CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS
Em 09 mar, 2021 – 13:34 Última Atualização 09 mar, 2021 – 17:19
Deputado federal Daniel Freitas Agência Câmara.Agência Câmara
O relator da proposta de emenda à Constituição (PEC) Emergencial, deputado Daniel Freitas (PSL-SC), afirmou que não vai excluir o congelamento dos salários dos servidores da proposta. “O meu relatório leva ao plenário da Câmara dos Deputados exatamente o texto que recebemos do Senado Federal“. Leia a íntegra do parecer.
O texto dá as condições fiscais para a volta do auxílio emergencial. Após a promulgação da matéria, o governo vai editar uma medida provisóriasolicitando crédito extraordinário para que um auxílio de R$ 250 seja pago de março até junho. Para quem mora sozinho o benefício deve ser de R$ 175 e para mães solteiras, o valor deve ser de R$ 375.
A ideia de retirar o congelamento de salários foi sugerida pelo presidente Jair Bolsonaro, que queria retirar os agentes de segurança do fim do reajuste. Caso o desejo do presidente fosse atendido, todos os servidores poderiam ter aumento de salário, pois a PEC não especifica categorias distintas e trata os servidores da mesma maneira.Leia mais
“Essa é uma PEC que veio de um senador e vai ser promulgada no Congresso Nacional. Portanto, eu levei ao conhecimento do presidente Bolsonaro o entendimento da maioria dos líderes. O presidente naturalmente gostaria de ver principalmente a segurança pública neste momento, mas nós entendemos que agora o plenário da Câmara dos Deputados é soberano e vamos levar à apreciação dos deputados”, afirmou Daniel Freitas em entrevista coletiva.
De acordo com o relator, se a PEC for mudada isso acontecerá durante a votação no Plenário. Os deputados podem modificar o texto por meio da votação de destaques em separado.
Meu caro “super tira” , milhões de judeus como você – sem nunca terem comido merda – morreram como merda e na mais absoluta merda física e moral.
E muitos deles, tempos antes da miséria, da fome e da fornalha , tinham grande simpatia por Hitler, tal como um monte de ingênuo, atualmente, tem pelo Bolsonaro. Esses judeus ingênuos acreditavam, como muitos brasileiros, que o Fürrer os protegeria do comunismo Russo. E tem muito ignorante aqui que ainda não ouviu falar da queda do Muro de Berlin!
Contudo, você não é ingênuo; não passa de um ignorante metido a inteligente.
Na verdade , não passa de um pobre coitado…
Talvez com medo do comunismo ou com raiva da simpatia que o Lula demonstrava pela causa Palestina, não é?
Da minha parte, apenas estou comemorando um ato processual legal; que só não chamo justo pela demora !
Viva a Democracia e parabéns ao Lula!
Quanto a você descerebrado , até posso vir a morrer na merda , mas não vivi na merda como você…
E também nunca fui , não sou e jamais serei um merda que nem sequer é capaz de conviver com quem pensa diversamente…
Rubens Anusiewicz Rubwicz; eu que como merda?
Meu caro, não fui eu quem comeu o teu cérebro…
Por fim, não adiantava se fantasiar de S.W.A.T, você na PC nunca passou de um policial cuzão se julgando mais realista do que o rei. Aliás, dedicado muito mais ao bico, né?
“E aí, rapaziada, a Rota está lá. Se Deus quiser, esses vagabundos vão morrer hoje”, comemorou, em áudio, um morador de Mairinque (SP) na noite da última sexta (26) quando soube que a Polícia Militar chegava para salvar uma família cuja propriedade rural havia sido invadida por homens armados.
Minutos depois, porém, as comemorações no grupo de WhatsApp deram lugar à tristeza, incredulidade e revolta. Nenhum dos invasores havia sido preso e, pior, a única pessoa morta pelos policiais militares era o dono da propriedade invadida, o empresário Rinaldo Magalhães, 55, o Ninão, morto com tiros de fuzil.
“A família foi orientada a procurar a Corregedoria da Polícia Militar, a Ouvidoria da Polícia, a Secretaria da Segurança Pública. Isso não pode ficar impune”, reclamou outro integrante do grupo, conforme a série de mensagens obtidas pela Folha.
A Corregedoria da Polícia Militar acompanha o caso e pode avocar as investigações conduzidas pelo batalhão da PM da região. Os policiais foram liberados, mas, segundo a Folha apurou, podem ser presos se as suspeitas se confirmarem ao longo das investigações. Eles foram afastados dos trabalhos de rua.
A investigação apura ainda se o grupo que invadiu a propriedade da vítima, que os vizinhos pensaram inicialmente se tratar de criminosos, seria formado por PMs que agiram sem mandado, à noite, sem identificação, atrás de uma falsa denúncia de tráfico de drogas, e que, durante a ação, também teriam torturado a dona da casa, Sandra, mulher de Ninão, para obter informações sobre as drogas.
O empresário Rinaldo Magalhães, 55, morto em suposto confronto com policiais militares; família diz que homem foi morto quando tentava pedir socorro – Arquivo pessoal
A operação policial sob suspeita ocorreu na sexta por volta das 20h30.
Rinaldo estava em casa com a mulher e uma filha quando um homem, que se identificou como Paulo, chamou a vítima ao portão. Acreditando ser o jardineiro da propriedade, que também se chama Paulo, o portão foi aberto, mas, no lugar do funcionário, entrou o grupo de homens armados.
Certo de que se tratava de um roubo, Magalhães correu para o veículo dele, uma Pajero TR4 blindada, e saiu em busca da ajuda. A filha fugiu para o mato, restando apenas a mulher de Ninão, que se trancou dentro de casa. A porta foi arrombada pelos invasores.
Segundo relatou a amigos e parentes, Sandra percebeu haver algo errado quando os homens passaram a perguntar onde estava a droga. Com suas negativas, ela passou a ser agredida com tapas, chutes e xingamentos, até passarem a utilizar sacos de plástico na cabeça dela –para tirar-lhe o ar. Foi em meio a essa sessão de tortura, segundo contou aos amigos, que os homens teriam afirmado serem policiais.
A família guarda em sigilo o nome de uma testemunha que acompanhou a sequência de agressões contra Sandra. A pessoa estava na casa com a patroa e teria corrido para debaixo de uma cama momentos antes da invasão e acabou não sendo descoberta pelos homens armados.
Vista da chácara Bando de Loucos, onde família da vítima mantém uma marina – Arquivo pessoal
Enquanto Sandra era agredida, Rinaldo chegava à casa de um vizinho, para quem contou o que estava acontecendo e a quem pediu para chamar a PM. O empresário afirmou que iria tentar ajuda de policiais com o próprio veículo. Ele encontrou uma viatura, mas o resultado foi o pior possível.
Não se sabe ao certo o que aconteceu, por falta de testemunhas. A única versão, por ora, é aquela contada pelos PMs, mas amigos e parentes dizem considerá-la uma fraude.
De acordo a versão dos PMs, eles estavam na região para averiguar uma denúncia de tráficos de drogas e armas quando “se envolveram em um confronto armado com um infrator que faleceu”.
Ainda segundo os policiais, eles estavam em patrulhamento quando viram um carro se aproximar, a TR4 branca, características que se encaixam em uma denúncia recebida momentos antes, de que estaria transportando drogas e armas naquela região.
Mesmo à noite, e, em tese, com os faróis acessos, os policiais afirmam ter percebido que no outro veículo “um indivíduo segurava o volante e apoiava uma arma em suas mãos”.
Disseram ainda que quando emparelharam com carro, “observaram que o motorista apontava a arma contra a viatura”. “Momento em que o cabo Ricardo deu dois disparos com sua pistola .40 e cabo Santos disparou com seu fuzil 762”, diz trecho do boletim de ocorrência.
O veículo, ainda versão dos PMs, movimentou-se por cerca de três metros à frente. Os policiais, então, desembarcaram e se protegeram atrás da viatura.
“Nesse momento, o condutor do Pajero TR4 desceu com a arma em punho efetuando múltiplos disparos em direção ao tenente Estevan e soldado Miranda. Para defesa da equipe, o primeiro-tenente Estevan efetuou disparo com seu fuzil calibre 556 e o soldado Miranda efetuou dois disparos com calibre 762”, disseram os policiais.
Marcas de sangue no veículo do empresário Rinaldo Magalhães, morto em suposto confronto com policiais militares – Arquivo pessoal
Após ser baleada, ainda segundo a versão oficial, a vítima caiu no chão e, ao lado do corpo, sua arma, uma pistola Taurus, calibre 765.
Magalhães foi socorrido e levado ao Hospital de Mairinque e, segundo a polícia, “não resistiu”. “Os policiais militares passam bem e não foram feridos”, diz o governo paulista.
“Dentro da chácara, em que estava uma mulher, foram localizadas duas armas, carregador de pistola e munições. No total foram apreendidas três armas, com a numeração raspada, incluída a de posse do homem morto, que já respondeu a outros procedimentos criminais”, diz nota do governo paulista.
Parentes e amigos afirmam que as armas foram plantadas e que Ninão nunca andou armado, muito menos as guardava dentro de casa.
A Polícia Militar prendeu em flagrante, nesta quinta-feira (4/3), um jovem de 24 anos que fez algumas postagens referentes à visita do presidente da República, Jair Bolsonaro (Sem partido), a Uberlândia (MG). Tudo ocorreu após a corporação considerar que João Reginaldo da Silva Júnior teria incitado a prática de crime contra a segurança nacional.
Forças de segurança em estado de alerta e mobilização permanente. A questão principal da indignação é a aprovação da PEC Emergencial pelo Senado, com protocolos de contenção de despesas públicas e uma série de medidas em caso de descumprimento do teto de gastos, com regras que limitam o aumento das despesas da União à inflação do ano anterior, como contrapartida para o auxílio emergencial
Foto: Diap
Por meio de nota, a União dos Policiais do Brasil (UPB), destaca que, diante da medida “não resta outra alternativa a não ser a adoção de estado de alerta e mobilização permanente”.
“Ao encaminhar um projeto chantagista ao Congresso Nacional e ao determinar a rejeição de destaque que visava a evitar danos substanciais aos policiais civis e demais profissionais de segurança pública, atuantes na linha de frente no combate a pandemia e cujo trabalho vem sendo feito de forma ininterrupta ao longo desta profunda crise sanitária pela qual passamos, o governo federal demonstrou que não cumpre e nem pretende cumprir as promessas de valorização dessas categorias e de desenvolvimento do setor”
Veja a nota:
“Considerando da aprovação da PEC emergencial pelo Senado Federal, a União dos Policiais do Brasil (UPB), em face dos graves prejuízos ao serviço público e em especial à segurança pública, lamenta mais uma vez o descaso do governo federal com os servidores do país, dentre eles os policiais brasileiros.
A emergência que o país vive é a da necessidade por vacinas e o auxílio aos mais necessitados e não a demonização do serviço público, por meio do congelamento de direitos e de estrutura que poderá chegar a 15 anos, afetando diretamente a população mais carente desses serviços, indo na contramão de um de atendimento de qualidade e eficiência à sociedade.
A atuação dos servidores públicos é essencial ao povo brasileiro, e está presente em todos os cantos do país, onde a iniciativa privada não pode ou não tem o interesse de chegar, levando, entre outros serviços, saúde, educação e segurança a toda população.
Ao encaminhar um projeto chantagista ao Congresso Nacional e ao determinar a rejeição de destaque que visava a evitar danos substanciais aos policiais civis e demais profissionais de segurança pública, atuantes na linha de frente no combate a pandemia e cujo trabalho vem sendo feito de forma ininterrupta ao longo desta profunda crise sanitária pela qual passamos, o governo federal demonstrou que não cumpre e nem pretende cumprir as promessas de valorização dessas categorias e de desenvolvimento do setor.
Com tal medida, não resta outra alternativa a não ser a adoção de estado de alerta e mobilização permanente, a fim de combater o desmonte econômico, social e profissional que vem sendo imposto ao serviço público e a toda segurança pública brasileira.
ABC – Associação Brasileira de Criminalística ABPC – Associação Brasiliense de Peritos em Criminalística ABRAPOL – Associação Brasileira dos Papiloscopistas Policiais Federais ADPF – Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal ADPJ – Associação Nacional dos Delegados de Polícia Judiciária AGEPPEN-BRASIL – Associação Nacional dos Agentes Penitenciários do Brasil AMPOL – Associação Nacional das Mulheres Policiais do Brasil ANAPF – Associação Nacional dos Policiais Federais Aposentados e Pensionistas ANEPF – Associação Nacional dos Escrivães Polícia Federal ANEPOL – Associação Nacional dos Escrivães de Polícia Civil ANSEF – Associação Nacional dos Servidores da Polícia Federal APCF – Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais CENTRAPOL – Central Única Nacional dos Policiais Federais COBRAPOL – Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis FENADEPOL – Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal FENAGUARDAS – Federação Nacional de Sindicatos de Guardas Municipais do Brasil FENAPEF – Federação Nacional dos Policiais Federais FENAPERÍCIA – Federação Nacional dos Peritos Oficiais de Natureza Criminal FENAPRF – Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais FENASSE – Federação dos trabalhadores no sistema socioeducativo OPB – Ordem dos Policiais do Brasil SINDEPOL/DF – Sindicato dos Delegados de Polícia Federal no DF SINDIPOL/DF – Sindicato dos Policiais Federais no DF SINPOL/DF – Sindicato dos Policiais Civis do DF
Delegado de RP fala sobre acusações de assédio e descumprimento de protocolos
Doutor Wagner Milhardo negou perseguir sua equipe e afirmou que denúncias não são verídicas
Delegado titular de Ribeirão Pires, doutor Wagner Milhardo
Imagem:Foto: Divulgação
Por Thainá Maria 19/02/2021 09:43:49
O delegado titular de Ribeirão Pires, doutor Wagner Milhardo, tem sido alvo de acusações de assédio moral e descumprimento dos protocolos vigentes em razão da pandemia do novo Coronavírus. Os relatos ganharam repercussão ao longo desta semana, após jornais da região publicarem a denúncia supostamente feita por policiais do DP da Estância.
A Folha procurou Milhardo, na tarde da última terça-feira (16), para questioná-lo a respeito dos episódios mencionados pelo então denunciante. O delegado aceitou falar sobre as acusações sofridas e afirmou tratar-se de histórias criadas por alguém que não concorda com sua permanência no cargo.
Em relação ao episódio em que ele estaria perseguindo integrantes de sua equipe que não concordassem com suas ordens ou opiniões, o delegado afirmou que, ao longo desses dois anos a frente da Delegacia da Estância, sempre tratou os funcionários igualmente, prezando sempre pela humanização em seu relacionamento com os demais policiais e prestadores de serviços. “Muito pelo contrário, eu trato todos igualmente. Sem distinção de cargo.”
Perguntado sobre a questão de não exigir o uso da máscara nas dependências da Delegacia, Milhardo foi enfático em afirmar que, desde a publicação do decreto estadual, sempre cumpriu e forneceu os equipamentos necessários para barrar a disseminação do vírus, implantando medidas no atendimento ao público, na apresentação de ocorrências feitas por policiais militares ou guardas municipais.
“Independente das minhas crenças ou opiniões, eu jamais chegaria para a minha equipe e falaria o que estão divulgando nesses jornais, que a pandemia é uma conspiração, impedindo-os de usar máscara. Eu não tenho autoridade para impor essas questões pessoais”, afirmou.
Enquanto era entrevistado por nossa equipe, Milhardo recebeu um dos policiais com quem trabalha diariamente. O investigador fez questão de afirmar a Folha que, em nenhum momento, recebeu ordens ou incentivo para ignorar os protocolos da pandemia ou sofreu qualquer tipo de assédio.
A denúncia anônima ainda utiliza uma fotografia publicada pelo delegado em sua página particular nas redes sociais, como uma suposta prova, em que ele aparece sem máscara ao lado de sua equipe após a “Operação Motoboy”, deflagrada no último dia 22 – que chegou a ser intitulada de “operação midiática”, sem objetivos claros.
Wagner Milhardo explicou que as operações, que tornou-se uma das marcas de seu trabalho na cidade, são ordens que vêm de seus superiores, que querem uma Polícia Civil mais participativa e presente nas ruas. “Todas as operações são comunicadas previamente ao delegado seccional, e possuem metas. Elas costumavam ser semanais, mas precisaram ser interrompidas em razão do aumento do número de casos da Covid-19”.
“Estávamos sem máscara porque havíamos concluído a operação e estávamos felizes, por isso tiramos e fizemos a foto. Nos reunimos para ir até um restaurante almoçar após o término das atividades, que aconteceu em grupos de quatro pessoas em pontos diferentes. Eu não obriguei ninguém a tirar a máscara naquele momento”, reiterou a respeito da fotografia.
O delegado ainda aproveitou a oportunidade para lembrar que, devido a união sua equipe e as operações – como a deflagrada na última segunda-feira (16), que resultou na captura de quatro foragidos e no cumprimento de um mandado de prisão -, Ribeirão Pires conseguiu resultados significativos como a redução dos principais indicadores criminais e a primeira colocação no quesito produção policial entre as delegacias da Seccional de Santo André.
“Em nenhum momento esses jornais me procuraram para ouvir o que eu tinha a dizer”, finalizou Milhardo.
Policiais civis denunciam dois delegados do Grande ABC
Reclamações são sobre faltas em plantões e incentivo a descumprir normas sanitárias
Bia Moço Do Diário do Grande ABC
16/02/2021 | 07:00
Policiais civis denunciaram a conduta profissional de dois delegados do Grande ABC, sendo o plantonista do 2º DP (Camilópolis) de Santo André, Fabiano Gagliato, que estaria deixando seu posto de trabalho para realizar atividades pessoais, e o titular da delegacia sede de Ribeirão Pires, Wagner Milhardo, que teria incentivado os profissionais a contrariarem as medidas sanitárias contra a Covid. Os denunciantes procuraram o Diário na condição de anonimato, pois temem represália.
No caso do Gagliato, a denúncia é a de que o profissional estaria deixando os plantões, em seu horário de expediente para participar de programa de rádio, além de usar o cargo para realizar serviços particulares. “Ele pede para investigar coisa de amigos. Faz reunião, almoço e café com políticos e, além disso, se preocupa tanto em fazer favores que esquece de oficializar flagrantes e até registra ocorrência errada”, afirmou um dos policiais.
O outro denunciante conta que a delegacia, nos plantões de Gagliato, fica “a ver navios”, e reclama da conduta agressiva do delegado. “Temos de fazer tudo, mas há certas funções que competem somente ao delegado e ele nunca está na delegacia disponível em pleno plantão”, reclamou o profissional. “Ainda acha ruim se a gente cobra ele de algum serviço”, complementou.
Já no caso de Ribeirão Pires, a denúncia é relacionada à falta de cumprimento das medidas sanitárias para evitar contágio da Covid. Segundo os policiais, o delegado incentiva os funcionários a não usar máscaras e publica fotos de ações com todos os profissionais envolvidos nas operações sem a devida proteção. Além disso, os denunciantes afirmam que Milhardo diz que a pandemia seria “conspiração”. “Ele impõe que os policiais tomem atitudes contrárias dos cuidados sanitários. As pessoas têm medo dele, e fazem”, afirmou um dos denunciantes.
“No dia 22 de janeiro ele convocou policiais de serviço e outros que estavam de folga para fazer operação bloqueio sem objetivos claros. Durante essa ação, que foi realizada ao meio-dia, nenhum dos policiais usava máscaras, porque o líder deles, o delegado Wagner Milhardo, não acredita na existência dessa doença”, afirmou outro policial.
“Como resultado já tem dois policiais civis infectados na cidade. Os policiais não concordam com essas operações midiáticas dele, mas ele é vingativo e persegue quem discorda dele”, reclama o denunciante.
O caso de Milhardo foi levado até mesmo para a ouvidoria da polícia. Em nota, a entidade afirma que “todas as denúncias de infrações disciplinares são encaminhadas aos órgãos responsáveis pelas apurações e que, diante da reclamação da delegacia de Ribeirão Pires, as denúncias recebidas foram encaminhadas à Corregedoria da Polícia Civil”.
Questionada, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que as reclamações de ambos os casos serão analisadas disciplinarmente. Os delegados foram ainda intimados a prestar esclarecimentos quanto às denúncias. Em relação a Milhardo, a SSP informou, por meio de nota, que a Delegacia Seccional de Santo André, responsável por Ribeirão Pires, conforme determinações do governo do Estado, orienta a todos os seus subordinados para a adoção dos cuidados necessários contra o coronavírus. “Não houve afastamento por infecção da Covid-19 na Delegacia de Ribeirão Pires”, pontuou a pasta
Diante do deputado musculoso, policial solitária teve reação mais acertada
Deputado Daniel Silveira discute no IML Imagem: Reprodução de vídeo
Chico Alves
Colunista do UOL
17/02/2021 19h39
Foram muitas as reações desde que o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) postou nas redes sociais o vídeo em que despeja ameaças e xingamentos a ministros do Supremo Tribunal Federal, além de fazer apologia ao AI-5.
Alexandre de Moraes determinou prisão em flagrante; os parlamentares da Câmara debatem se ratificam ou não a punição e a Procuradoria-Geral da República denunciou Silveira por agressão, incitação à violência e outros crimes.
Todas essas reações dão margem a controvérsias.
A ordem de Moraes detonou discussão sobre se é possível ou não aplicar o conceito de flagrante a um mandado de prisão daquela natureza.
O debate entre os deputados oscila entre a condenação ao comportamento de Silveira e o receio de que a decisão de Moraes permita punições arbitrárias aos políticos.
A denúncia da PGR chega com atraso, diante do extenso cartel de barbaridades praticadas pelo pesselista marombado.
Partiu de uma solitária policial que cumpria plantão na portaria do Instituto Médico Legal do Rio a atitude mais acertada diante das bravatas do brutamontes.
Como costuma fazer em outros recintos, o negacionista Silveira tentou entrar sem máscara contra a covid-19 para fazer exame de corpo de delito, antes de seguir para a prisão.
Ante o pedido da policial civil para que colocasse a máscara, o deputado alegou que tem “dispensa”. A mulher não aceitou a alegação: “Aqui dentro não tem dispensa”.
E prosseguiu: “Para a nossa proteção e para a sua, mas aqui dentro tem que usar máscara”.
O deputado insiste e a policial repete: “Não existe dispensa”, diz ela.
Silveira se exalta “Não existe? Não? Eu faço o quê? Rasgo? A senhora não manda em mim não”.
A partir daí, sob o olhar complacente do delegado federal que o escoltava, o parlamentar passa a discutir com a mulher. Por vezes, faz menção de avançar em direção a ela e é contido.
Diz que a servidora é “militante petista”, que quer “fazer espetáculo”, avisa à agente que “não está falando com vagabundo não”, solta vários palavrões e provocações.
A policial, no entanto, foi inflexível. “Aqui dentro tem que usar máscara, senhor”, foi a frase mais repetida por ela, em voz tranquila. Também disse a ele algumas vezes: “Respeita a casa”.
Depois de muito esbravejar, Daniel Silveira finalmente colocou a máscara.
Em nenhum momento a mulher pareceu intimidada com o tom agressivo do deputado.
Sem qualquer alarde, a policial cumpriu o seu dever e obrigou o parlamentar musculoso a cumprir as regras de civilidade de uma forma mais instantânea que o ministro do STF, a Comissão de Ética da Câmara ou a PGR.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.
A necessidade é a mãe da invenção, tanto é verdade que para evitar aglomerações e contatos entre pessoas muitas atividades pararam de funcionar ou se acham limitadas…
Mas eis que nos bares e padarias das periferias os antigos televisores, que antes faziam a alegria da freguesia em dia de jogo, foram adaptados para apostas em diversas modalidades esportivas e loterias locais.
Assim, quem não pode mais bater um bilhar com os amigos faz uma doação via maquininha “célio” e aguarda a adrenalina subir olhando pra tela; ninguém sabe ainda quem explora…
MP investiga policiais civis por suspeita de roubo com uso de viatura descaracterizada em Guaratinguetá
Operação foi deflagrada na manhã desta sexta-feira (29) e tem como alvo três policiais que atuam no 3°DP e outras duas pessoas, uma delas com antecedentes criminais por roubo.
Por G1 Vale do Paraíba e Região
29/01/2021 09h29 Atualizado há uma semana
Operação do MP apura envolvimento de policiais civis por suspeita de roubo com viatura em Guaratinguetá — Foto: Arquivo Pessoal
Uma operação do Ministério Público e Corregedoria da Polícia nesta sexta-feira (29) investiga o envolvimento de policiais civis em um roubo com uso de viatura descaracterizada em Guaratinguetá (SP).
Ao todo, a operação cumpre cinco mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira. Os alvos são três policiais civis do 3° Distrito Policial de Guaratinguetá e outras duas pessoas, uma delas com antecedentes criminais por roubo.
Vídeo mostra viatura descaracterizada e assaltantes:
MP apura envolvimento de policiais civis em roubo com viatura descaracterizada em Guará
A investigação começou depois de um roubo em outubro de 2020. Ao investigar o caso, a polícia encontrou imagens de câmeras que mostravam uma viatura descaracterizada parada próxima ao local do crime.
A viatura, um Palio Prata, estaciona na esquina e pouco depois chega ao local um Uno vermelho. Um dos ocupantes desce e conversa com as pessoas na viatura descaracterizada, que deixa o local na sequência. O motorista do Uno volta para o carro e outros dois homens descem – são eles que cometem o roubo em outro ponto do bairro.
Quatro minutos depois, os dois assaltantes voltam com uma moto e mochila roubadas. Eles abandonam a moto e fogem no Uno. No mesmo momento em que os suspeitos voltam ao Uno, a viatura descaracterizada passa no cruzamento.
O advogado Celso Vendramini encaminhou à Justiça uma série de fotos de gays praticando sexo em locais públicos para se defender no processo em que é acusado de ter cometido homofobia contra uma promotora.
Vendramini foi denunciado pelo Ministério Público, pois, em 2019, durante o julgamento de dois policiais militares acusados de matar suspeitos de crimes, disse, entre outros comentários, ser fã do presidente russo Vladimir Putin e que “na Rússia não tem passeata gay”. “Vai ser veado lá na Rússia para ver o que acontece.”
O caso não tinha relação alguma com a orientação sexual dos envolvidos, mas Cláudia Ferreira Mac Dowell, a promotora que acusava os policiais de assassinato, é lésbica. Durante a sua fala na sessão do júri, o advogado perguntou se ela era casada e fez referência à aliança que usava na mão esquerda.
No processo em que é acusado de homofobia, o advogado afirma que não sabia dos “gostos ou preferências sexuais” da promotora e que em momento algum “pregou repressão, segregação, ou qualquer coisa em desfavor dos homossexuais”.
Vendramini diz que apenas expos suas convicções religiosas e valores morais, assim como teceu críticas a comportamentos verídicos e criminosos, citando “atos obscenos em via pública e a sexualização de crianças”.
Fotos de gays fazendo sexo em locais públicos, de crianças segurando bandeiras do arco-íris (símbolo do movimento LGBTQ+) e de uma atriz transexual interpretando o Jesus crucificado foram anexadas ao processo.
Na defesa apresentada à Justiça, ele diz que o Ministério Público não tem legitimidade para questionar os temas que um advogado aborda ao defender seus clientes.
“Se Vendramini entendeu que, naquele caso, convenceria os jurados através da contraposição dos valores conservadores da ideologia de direita e dos valores da ideologia de esquerda, a ninguém é dado o direito de questionar sua escolha”, afirmou à Justiça o advogado Ronaldo Lacava, que representa Vendramini no processo aberto pelo Ministério Público.
O promotor Gilberto Ramos de Oliveira Júnior disse à Justiça que, além das “ofensas generalizadas” aos gays, “é certo que Vendramini ofendeu a dignidade e o decoro da promotora de Justiça, cuja opção (sic) sexual é pública e notória, por todos conhecida”.
O processo ainda não foi julgado.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.
PM que iria ‘usar drogas em ocorrências’ é condenado e solto
08/02/21 por Jeniffer Mendonça
Yuri Teles foi preso no ano passado com um suposto ‘kit flagrante’ de cocaína e maconha; justiça considerou que ele poderá cumprir pena em liberdade, mas promotora recorreu
Yuri Faria Teles em 30 de agosto, quando foi preso por tráfico, no 24º DP (Ponte Rasa)| Foto: Reprodução/Polícia Civil de SP
O policial militar Yuri Faria Teles, 21 anos, que foi preso com drogas e afirmou que as usaria em ocorrências, foi condenado a um ano, 11 meses e 10 dias de reclusão em regime inicial aberto (quando a pessoa só tem a obrigação de ficar recolhida à noite ou nos dias de folga, numa unidade prisional ou na própria casa) e pagamento de 194 dias-multa por tráfico de drogas.
De acordo com a juíza Margot Chrysostomo Corrêa, que assinou a sentença na última quarta-feira (3/2), a versão do soldado de que teria encontrado os entorpecentes com um suspeito que tentou abordar, mas que saiu correndo jogando uma sacola, é “absurda” e “esdrúxula”. Além disso, destacou que a versão dos dois policiais que o abordaram e afirmaram que Teles disse informalmente que usaria as drogas em ocorrências é “coerente”, pois não não haveria motivos para que a dupla mentisse. Ela entendeu como procedente a acusação de tráfico de drogas, que tem pena mínima de 5 anos, mas diminuiu a pena ao considerar que acusado não tem antecedentes e nem integra organização criminosa. A magistrada também determinou que ele poderia recorrer da decisão em liberdade.
Em 30 de agosto do ano passado, por volta das 7h35, os policiais Leandro Augusto de Moura e Ricardo Luiz da Silva observaram uma aglomeração num posto de combustível no cruzamento da Avenida Dom Helder Camara com a Rua Jujiu, na Ponte Rasa, zona leste da capital paulista, conforme relataram no boletim de ocorrência. Ao questionarem pessoas no local, uma contou que havia visto, momentos antes, um suspeito armado num Jeep Renegade cinza. A testemunha indicou a direção que o veículo seguiu.
Patrulhando pela Rua Arquiteto Francisco Beck, a dupla de PMs perguntou a uma pessoa da rua se havia visto um automóvel parecido e ela disse que sim, que era dirigido por alguém “jovem, trajando calça jeans e camisa preta e havia adentrado em uma feira local”. Ao abordarem Yuri Teles por causa dessas características, os policiais questionaram por que ele teria passado em alta velocidade e se havia alguma irregularidade com o jipe. Yuri teria se identificado enquanto soldado, dito que estava armado e que tinha drogas que seriam para “usar em ocorrências”, segundo os policiais. Ao revistarem o veículo, os PMs encontraram uma sacola no porta malas com 54 pinos e 56 papelotes contendo cocaína, 29 trouxinhas de maconha e 21 frascos de lança perfume — que correspondiam a 82 gramas de cocaína, 146 gramas de maconha e 126 mililitros de Tricloroetileno, utilizado na fabricação de lança-perfume. Ele foi preso em flagrante e levado ao 24º DP (Ponte Rasa).
O soldado declarou na delegacia que as drogas que estavam com ele pertenciam a um suspeito alto, magro e que usava moletom, que ele tentou abordar às 6h daquele mesmo dia no bairro de São Mateus, também na zona leste, mas que saiu correndo e jogou a sacola no chão. Yuri Teles disse que não havia declarado a ocorrência à corporação, que estava à paisana e que tinha apenas dois meses de policiamento na rua, sendo que ficou “assustado” com a abordagem dos policiais.
Em audiência, Yuri Teles explicou que estava com um amigo no carro vindo de uma festa quando teria visto “dois rapazes, um de pé e o outro na motocicleta”, diferentemente do que estava no boletim de ocorrência, achando que era um assalto. Os dois teriam fugido largando a sacola depois que ele sacou a arma. Ele afirma que não pensou em levar o amigo como testemunha e que no caminho foi “fechado” por um automóvel Celta preto, cujo motorista “saiu xingando” e ele pensou que tinha relação com o possível assalto anterior, tendo sacado a arma, mas que depois percebeu que era apenas uma “questão de trânsito”. Disse que deixou o amigo na casa dele e que estava indo para a delegacia, mas que resolveu “parar na feira para comer um pastel, já que o plantão começava às 8 da manhã”. No momento, acabou sendo detido pela dupla de colegas.
O Ministério Público Estadual, que havia denunciado o soldado por tráfico de drogas com agravante de abuso de autoridade, entrou com uma apelação na sexta-feira (5/2) para reverter a sentença, já que não concordou com a pena estipulada pela juíza e pede que os agravantes sejam considerados e que o cumprimento da condenação seja feita em regime fechado. “É preciso considerar, ainda, a maior reprovabilidade da conduta do apelado, eis que sendo policial militar a ele incumbia proteger a sociedade, defender a lei e a ordem e não praticar crimes”, argumentou a promotora Paula de Camargo Ferraz Fischer.
Outro lado
A Ponte procurou a defesa do soldado Yuri Teles, por e-mail, mas não obteve resposta. A reportagem também questionou as assessorias de imprensa da Secretaria de Segurança Pública e da Polícia Militar para saber se o policial retornaria ao trabalho nas ruas e se haveria alguma investigação por parte da Corregedoria da corporação, mas não responderam até a publicação.
“Fizeram o que polícia não fez”, diz ouvidor a pais que investigaram crime
O ouvidor da Polícia, Elizeu Soares Lopes (de terno), conversa com os jovens Eryk (com uma criança no colo), Kelvin (abraçado com a esposa) e Alexssandro (sentado) e seus pais Imagem: Marcelo Oliveira/UOL
Marcelo Oliveira
Do UOL, em São Paulo
10/02/2021 04h00
O ouvidor da polícia de São Paulo, Elizeu Soares Lopes, esteve ontem (9) no Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, com os jovens Alexssandro Marques do Nascimento, 18; Eryk Bueno Pimentel, 20; e Kelvin Nascimento de Amancio, 22. Os três passaram dois meses presos por roubo e foram soltos após os pais deles investigarem o caso e conseguirem imagens que mostravam que eles não estavam na cena do crime pelo qual foram presos pela Polícia Militar.
“Vocês fizeram o trabalho que a polícia não fez”, disse o ouvidor aos pais dos jovens. Alexssandro, Eryk e Kelvin estão em liberdade provisória desde 20 de janeiro e ainda têm algumas restrições de direitos — eles não podem sair das 22h às 6h, por exemplo.
A Polícia Civil é a primeira que deveria fazer o controle do trabalho da PM. Se a autoridade policial, que é o delegado, vê que a informação que a PM traz não faz sentido, ele tem que se negar a autuar os presos em flagrante.”Elizeu Soares Lopes, ouvidor da polícia
A ouvidoria abriu um procedimento sobre o caso no dia 18 de janeiro e cobrou informações das corregedorias de ambas as polícias. No dia 20, mesmo dia em que o UOL noticiou o caso, a juíza Maria Fernanda Belli, da 1ª Vara Criminal, concedeu a liberdade provisória dos jovens. https://s.dynad.net/stack/928W5r5IndTfocT3VdUV-AB8UVlc0JbnGWyFZsei5gU.html
Para o ouvidor, casos como o dos rapazes do Capão Redondo mostram como a pobreza é criminalizada no país. “Será que num bairro nobre eles seriam tratados assim?”, questionou.
Após 20 dias de liberdade, Alexssandro, Eryk e Kelvin ainda sentem o peso da prisão e têm medo da polícia.
Bate insegurança quando vejo uma viatura.”Eryk Bueno Pimentel
Tenho medo que eles voltem e façam a mesma coisa de novo.”Kelvin Nascimento de Amancio
Eryk e Alexssandro estão em busca do primeiro emprego e Kelvin arrumou um trabalho em um lava-rápido. Alexssandro está aguardando o resultado de uma vaga e Eryk afirma que está com dificuldade de se empregar.
O UOL solicitou um posicionamento da Secretaria de Segurança Pública a respeito das declarações do ouvidor e aguarda manifestação.
Ouvidor defende polícia comunitária
Lopes defendeu uma polícia comunitária “e não uma polícia que veja a população como inimiga”, disse. “O comandante da PM local tem que conhecer os moradores e as lideranças comunitárias, o pastor, o padre”, defendeu o ouvidor.
A assistente social Maria Edijane Alves, articuladora da Rede de Proteção e Resistência contra o Genocídio, grupo formado por articuladores sociais que dão apoio a vítimas de violações de direitos humanos, disse que é necessário pensar em outras políticas públicas para a periferia que não apenas a intervenção policial. “Os jovens foram presos na única área de lazer do bairro”, disse.
Elizeu concordou com a assistente social. “Eu cresci no Itaim Paulista [zona leste de São Paulo] numa família com dez irmãos. Sei o quanto é difícil o acesso a direitos. E esse problema não é só das famílias, mas do Estado”, disse.
Amigo dos jovens segue em prisão domiciliar
O ouvidor também conheceu a tutora do jovem Rafael Marques, 21, a cozinheira Silvana Maria Marques, tia do jovem. Ela contou que o rapaz continua em prisão preventiva domiciliar. Ele não foi preso em regime fechado como seus três amigos por ter diagnóstico de transtorno bipolar e atraso em seu desenvolvimento intelectual.
Silvana não está conseguindo contato com o advogado do rapaz e a defesa dele ainda não requereu que a liberdade provisória concedida à Alexssandro, Erik e Kelvin seja estendida para ele.
“Ele só tem autorização para ir acompanhado por mim até a UBS para pegar a medicação dele ou ir ao médico”, contou Silvana. O resto do tempo Rafael fica em casa.
Da esq. para a dir., Kelvin Amâncio, Eryk Pimentel e Alexssandro Nascimento, libertados há 20 dias, após dois meses presos acusados de roubo; os pais deles juntaram imagens que mostram que eles não estavam na cena do crime Imagem: Marcelo Oliveira/UOL