Mais um conto de fardas – Nada acontecerá com os PMs envolvidos no caso Paraisópolis 12

Todos os policiais envolvidos no caso Paraisópolis serão retirados das ruas

PMs envolvidos no caso de Paraisópolis já prestaram depoimento - Ronaldo Silva - 1º.dez.2019/Futura Press/Estadão Conteúdo

PMs envolvidos no caso de Paraisópolis já prestaram depoimento Imagem: Ronaldo Silva – 1º.dez.2019/Futura Press/Estadão Conteúdo

Marcelo Oliveira

Do UOL, em São Paulo

09/12/2019 20h58Atualizada em 09/12/2019 22h27

Resumo da notícia

  • Os 38 policiais que atuaram em Paraisópolis serão retirados das ruas
  • Até o momento, apenas seis haviam sido realocados para atividades administrativas
  • Na madrugada de 1º de dezembro, nove pessoas morreram em baile

Os 38 policiais militares envolvidos na ocorrência que resultou nas mortes de nove frequentadores do baile da DZ7, em Paraisópolis, serão afastados de funções de policiamento e colocados em atividades administrativas. A informação foi confirmada pela defensora pública Ana Carolina Schwan.

Até o momento, apenas seis policiais haviam sido afastados de suas atividades. Entretanto, os familiares exigiam o afastamento de todos os 38 policiais que estiveram em Paraisópolis na madrugada de 1º de dezembro.

Familiares ouvidos pelo UOL após a reunião disseram que o ponto positivo do encontro foi a decisão de Doria de afastar todos os 38 policiais envolvidos com a ocorrência. A decisão, disseram, trouxe alívio às famílias.

Segundo a procuradora-geral do estado, Lia Porto Corona, a prioridade das famílias é com a transparência nas investigações, respeito ao luto dos familiares das vítimas e providências para que a situação mude. “O estado está desenvolvendo programas para atender as necessidades da comunidade”, disse. Outra demanda dos familiares é por atendimento psicológico, afirmou a procuradora.

Indenização não é tabu

Segundo a procuradora, as famílias não estão pleiteando indenizações, no momento, “mas futuramente há espaço para essa discussão”. De acordo com a procuradora, que coordena a atuação da defesa dos interesses do estado de São Paulo na Justiça, “indenização nem sempre é devida por culpa e não está descartada, mas a análise será feita caso a caso”.

Segundo fontes ligadas às famílias, o assunto indenização já começou a ser ventilado pelo governo do estado desde a primeira reunião, apesar de as famílias não estarem pensando no assunto.

Na primeira reunião, por exemplo, foi dito que o caso de Suzano (SP), no qual indenizações de R$ 100 mil foram pagas às famílias dos estudantes assassinados, foi “paradigmático”.

Lia Corona ressaltou, contudo, que a prioridade das famílias segue sendo Justiça ao final do inquérito.

A secretária de Desenvolvimento Social, Célia Parnes, afirmou que é muito importante e relevante ouvir a comunidade. Antes da segunda reunião com as famílias das vítimas, o governador e secretários estaduais e municipais estiveram em Paraisópolis.

Segundo a secretária, o estado pretende organizar com o município uma série de entregas de curto e médio prazo. Ela não adiantou que entregas seriam essas, mas disse que as demandas dos moradores por melhorias são legítimas.

Parnes disse que Paraisópolis tem demandas de infraestrutura, meio ambiente, sociais e de segurança pública.

Mudança real

Antes da reunião, familiares das vítimas de Paraisópolis ouvidas pelo UOL disseram esperar que as reuniões com o governo tragam resultado efetivo.

“Esperamos que não fique só na retórica. Que seja um divisor de águas e que o tratamento da polícia com as pessoas seja mais respeitoso, que os jovens que curtem o funk não sejam marginalizados como vinham sendo. Que as coisas mudem, ao menos para as gerações futuras”, disse o analista de sistemas Marcos Alquezare, tio da vítima Marcos Paulo Oliveira dos Santos, 16.

“O baile é um movimento social que não pode ser ignorado e ocorria sem ingerência e cuidado da prefeitura e do estado. Vamos dar para a maioria pobre a mesma estrutura que o Estado e a prefeitura dão para o Lollapalooza”, disse o familiar.

“Precisa de muita mudança por parte da polícia. Nossos filhos não foram tratados como seres humanos”, afirmou Reinaldo Gabriel de Moraes, pai da vítima Gabriel Rogério de Moraes.

Tanto Gabriel quanto Marcos foram de longe para o baile. Gabriel era de Mogi das Cruzes e foi com um amigo que estava fazendo aniversário. Já Marcos Paulo saiu do Jaraguá com um primo e mais quatro amigos.

“Meu sobrinho Anderson sobreviveu. Saiu bastante machucado, cheio de hematomas e está traumatizado”, disse Alquezare.

Ao final da reunião, assessores do Palácio dos Bandeirantes, disseram aos jornalistas que as famílias não queriam imagens da reunião nem dar entrevistas, pois queriam ser preservadas. As famílias e entidades de direitos humanos, porém, negam essa versão e contaram à reportagem que estavam esperando os jornalistas na sala onde ocorreu a reunião

Entre 161 países, Brasil é o 3º com maior queda na liberdade de expressão Resposta

Estudo de ONG internacional avalia situação em 2018 e prevê pior para o Brasil sob Bolsonaro - iStock

Estudo de ONG internacional avalia situação em 2018 e prevê pior para o Brasil sob Bolsonaro Imagem: iStock

Alex Tajra

Do UOL, em São Paulo

10/12/2019 08h01

Resumo da notícia

  • ONG comparou liberdade de expressão em 161 países
  • Entre 2015 e 2018, Brasil teve a terceira pior degradação do mundo em termos de liberdade de expressão
  • Estudo aponta ainda que, com Bolsonaro, liberdade no Brasil piorará ainda mais rápido

Em três anos, o Brasil piorou consideravelmente os indicadores de liberdade de expressão e registrou a terceira maior queda no quesito entre os países analisados pela organização internacional Artigo 19, em relatório divulgado hoje.

Entre 2015 e 2018, a liberdade de expressão no mundo só diminuiu mais na Polônia e na Nicarágua — nações submersas em regimes autoritários, em dois polos políticos opostos.

O estudo analisou 161 países de todos os continentes. Na América do Sul, conforme o relatório divulgado, o Brasil se encontra em sétimo lugar quanto à liberdade de expressão.

No ranking global, a Dinamarca encabeça a lista, seguida de Noruega, Suécia, Suíça e Estônia. O Brasil ficou na 70ª posição, atrás de países como República Dominicana, Nigéria e Gabão.

Liberdade de expressão na América do Sul

  1. Uruguai: 0.883
  2. Chile: 0.848
  3. Argentina: 0.788
  4. Peru: 0.717
  5. Equador: 0.694
  6. Bolívia: 0.618
  7. Brasil: 0.587
  8. Paraguai: 0.567
  9. Colômbia: 0.463
  10. Venezuela: 0.089

Como se mede a liberdade de expressão?

Para chegar no coeficiente do estudo, a Artigo 19 utiliza 39 indicadores e os aplica em cinco pilares:

  • Espaço cívico: mede o espaço para debates públicos e manifestações, por exemplo;
  • Digital: avalia a capacidade dos cidadãos de se expressarem na internet;
  • Mídia: mede a qualidade do ambiente para jornalistas e veículos de imprensa;
  • Proteção: analisa a segurança de todos que se expressam, incluindo jornalistas;
  • Transparência: mede a eficácia na obtenção de informações do governo e na fiscalização de agentes públicos.

O estudo avalia o índice de liberdade de expressão no país em 2018, mas os pesquisadores alertam que, em função dos ataques à imprensa impetrados pelo atual governo, a tendência é que a situação se deteriore:

“A perspectiva é que a liberdade de expressão diminua ainda mais no país sob a gestão do presidente Jair Bolsonaro, que, desde a corrida eleitoral, vem dirigindo ataques a jornalistas, veículos de comunicação, ativistas e organizações da sociedade civil”.

Desde que assumiu o governo, em janeiro, Bolsonaro colecionou ataques a imprensa, em especial ao Grupo Globo e ao jornal Folha de S. Paulo. Na empreitada mais recente, também considerada a mais grave, o presidente excluiu a Folha de uma licitação da Presidência para fornecimento de acesso digital ao noticiário da imprensa. Dias depois, voltou atrás da medida e revogou a licitação.

“Com a eleição do presidente Jair Bolsonaro, o Brasil se tornou um lugar ainda mais perigoso para se comunicar. Seus ataques verbais à mídia têm sérias repercussões na segurança de jornalistas e defensores dos direitos humanos. (…) É urgente que cessem as narrativas oficiais e políticas divisoras que promovem desinformação, a polarização e o ódio”, disse em nota a diretora executiva da Artigo 19, Denise Dora.

Violência contra jornalistas

O texto do Relatório de Expressões Globais (tradução livre do nome do documento em inglês) cita também o ambiente violento para a atuação de jornalistas e comunicadores no país. O estudo afirma que “35 crimes graves foram cometidos contra jornalistas e comunicadores em 2018 — número que está entre os mais altos da América do Sul.

No começo deste ano, o UOL relatou que ao menos 64 jornalistas foram assassinados no Brasil desde 1995, todos os crimes em função da profissão. O dado foi levantado a partir de um relatório do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) com o apoio do ministério da Justiça e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Em 2018, o Brasil figurou entre os dez países onde mais jornalistas são assassinados. Naquele ano, quatro profissionais foram assassinados, mesmo número registrado nas Filipinas.

Meirelles defende desconto de 14% no salário dos servidores estaduais de SP 20

PEC que integra reforma da Previdência do funcionalismo pode ser votada nesta quarta (4)

São Paulo

O secretário da Fazenda e Planejamento do Estado, Henrique Meirelles, defendeu nesta terça-feira (3) um desconto médio de 14% nos salários dos servidores estaduais, após aprovação da reforma da Previdência para o funcionalismo do Estado de São Paulo.

O texto original da reforma da Previdência estadual, enviado pelo governo estadual à Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de SP), prevê que o desconto sobre os salários dos funcionários subirá dos atuais 11% para 14%.

Porém, uma emenda ao PLC (projeto de lei complementar) da reforma poderá tornar as alíquotas de contribuição dos servidores mais flexíveis, chegando a até 22%, como aprovado para os servidores federais.

“O importante é se manter a alíquota média de 14%, o que é o mais simples, é mais factível se fazer isso dentro de um regime para servidores públicos, que tem um diferencial de rendimento menor, do que em um regime para trabalhador privado, que engloba desde o que ganha um salário mínimo até um executivo, por exemplo, que tem um diferencial enorme.”

Para o secretário, desse ponto de vista, a alíquota de 14% para o serviço público “é algo razoável e mais justo”.

No entanto, caso os deputados optem por aprovar as mesmas regras da reforma da Previdência federal, como já foi proposto em emenda, Meirelles defende que se mantenha a média de 14%, considerando o valor dos salários.

“Isso significa que, quem ganha menos, um salário mínimo, por exemplo, pagaria 11%. Essa alíquota iria subindo até 17%, de maneira que o resultado médio seria 14%. Do ponto de vista fiscal, não há diferença, mantendo-se os 14% de média. É uma questão agora de discussão parlamentar”, afirmou.

A expectativa do governo é a de aprovar as mudanças nas aposentadorias ainda neste ano. O secretário da Fazenda participou do Colégio de Líderes da Assembleia Legislativa para falar das propostas de reforma. Com regras mais rígidas para o funcionalismo, o governo prevê economizar R$ 32 bilhões em dez anos.

Dos R$ 34,3 bilhões gastos anualmente para pagar 550 mil aposentados e pensionistas, R$ 29 bilhões vêm do governo (86%), sendo R$ 7,2 bi de contribuição patronal e R$ 22,3 bi de insuficiência. Outros R$ 4,8 bilhões vêm da contribuição dos servidores públicos, segundo dados do estado.

“Hoje fizemos uma apresentação sobre a situação da previdência em São Paulo, para os servidores públicos estaduais. Mostramos a evolução das despesas do estado com complementação do déficit da Previdência e a evolução disso nos últimos dez anos. Mostrei que de 2008 a 2018 aumentou 143% o déficit e que é inviável a sustentação desse crescimento.”

As mudanças nas aposentadorias estaduais tramitam em dois projetos: uma PEC (proposta de emenda à Constituição) e o PLC, que está em regime de urgência. A PEC tem tido seu rito acelerado na Alesp, a pedido do governo do estado.

Para tentar barrar as mudanças, os servidores têm se movimentado contra a reforma. Na segunda-feira (2), diversas associações de funcionários públicos estiveram em audiência na Assembleia Legislativa, debatendo as medidas.

A proposta de reforma da Previdência paulista aumenta a idade mínima de aposentadoria para os funcionários públicos de São Paulo, muda a regra de cálculo dos benefícios, altera a pensão por morte, eleva a alíquota de contribuição dos servidores e institui duas regras de transição para os profissionais que já são servidores.

Hoje, a regra geral permite requerer o benefício com 30 anos de contribuição e 55 anos de idade, no caso das mulheres, e aos 35 anos de contribuição e 60 anos de idade, para os homens. A reforma aumentará a idade mínima para 62 anos (mulheres) e 65 anos (homens).

Haverá duas regras de transição: idade mínima e pontos e pedágio de 100%.

PEC poderá ser votada nesta quarta (4)

Nesta terça (3), o relator da PEC (proposta de emenda à Constituição) 18/2019 na CCJR (Comissão de Constituição, Justiça e Redação), deputado Heni Ozi Cukier (Novo), deu parecer favorável à proposta e às emendas de nº 3 e nº 30.

No total, 41 emendas foram protocoladas ao texto original.

O deputado Carlos Cezar (PSB), pediu vista, que, no início da noite, foi “devolvida”.

Assim, o presidente da Alesp, deputado Cauê Macris (PSDB), usou mais uma vez da prerrogativa da designação de relator especial e escolheu o próprio deputado Heni Ozi Cukier para ficar à frente do projeto na CCJR.

Com isso, a PEC pode ser pautada já nesta quarta-feira (4) e ir para plenário.

Emendas da PEC​

As emendas que tiveram voto favorável do relator foram:

  • Emenda nº 3: de autoria do deputado Delegado Olim (PP), propõe, entre outros ajustes, adequar regras para policiais civis, de acordo com a reforma da Previdência federal
    • ​Mantem ao servidor policial civil que tenha ingressado no serviço público até 31 de dezembro de 2003 os proventos integrais de aposentadoria com paridade aos servidores da ativa
    • A falta de simetria (não existem policiais civis no âmbito federal) seria, então, corrigida dessa forma
  • Emenda nº 30: de autoria do deputado Campos Machado (PTB), propõe manter, como consta na Constituição do estado, a garantia de que, após protocolado o pedido de aposentadoria, o servidor terá no máximo 90 dias para cessar o exercício da função pública, “independentemente de qualquer formalidade”

“Encontrei duas emendas que não ferem o princípio de simetria com a reforma da esfera federal e são questões mais pontuais de garantia, de se estar mais explicito. A primeira é a emenda nº 3 do deputado Olim, que fala de questões da polícia civil, que estava numa situação meio indefinida, pela especificidade das polícias estaduais e a questão federal. E acho que ela contempla boa parte das necessidades da categoria”, diz o deputado Heni Ozi Cukier (Novo).

A outra emenda, de nº 30, diz o deputado, garante o direito à aposentadoria independentemente de “erros, confusões e burocracias do estado”.

“Entendi que colocar isso de volta na Constituição do estado dá uma certeza de que ninguém será prejudicado pela ineficiência do estado.”

Sobre as outras 39 emendas protocoladas à PEC, o relator diz que a quantidade de assuntos presentes nos textos acaba descaracterizando o intuito da reforma e, por isso, precisaram ser rejeitadas.

“Só posso aceitar ou rejeitar a emenda na integralidade. Tem algumas emendas com pontos interessantes no geral, mas outros acabam desconfigurando a ideia inicial de uma reforma da Previdência para lidar com o rombo que a gente tem. Então a opção é ‘tudo ou nada’, e isso limitou a quantidade de quais emendas poderiam servir para a gente melhorar a reforma.”

Segundo o deputado, a emenda de nº 3 é especialmente satisfatória para a categoria policial.

“A categoria dos policiais eu diria que está 95% satisfeita com a emenda do Olim, que trata da integralidade e paridade, dentre outras coisas que estão ali.”

Para Gustavo Mesquita Galvão Bueno, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp), mesmo a emenda contemplando a maioria das reivindicações dos policiais civis, não é possível se dizer que o cenário é “benéfico para a categoria”.

“A PEC 18/2019 tem várias incoerências. Enquanto outros estados buscam melhorar inclusive o que está proposto na Previdência federal, São Paulo tenta apenas não piorar, buscando, pelo menos, igualar o tratamento dado aos Policiais Federais. Diante disso, nossa emenda buscou garantir aquilo que São Paulo não reconhece, deixando expresso na Constituição estadual os entendimentos já consolidados pelo judiciário”, diz.

Sobre a integralidade e paridade, Gustavo defendeu as mudanças no texto propostas pela Adpesp.

“No texto original da PEC 18,  no que fala da aposentadoria do policial civil, não consta o direito adquirido. Diante disso, propomos mudança em relação aos proventos e aposentadoria dos policiais, garantindo a integralidade e paridade de forma expressa para quem entrou antes de 2003, ou seja, não dependendo mais de uma mera interpretação. Para quem entrou depois de 2003, a proposta segue as regras da Emenda 41/2003 da Constituição Federal.”

Entenda os projetos

  • A Reforma da Previdência de SP trata da aposentadoria e pensão dos servidores públicos estaduais e foi publicada no “Diário Oficial da Alesp” em 13 de novembro
  • São dois textos tramitando: Proposta de Emenda à Constituição (PEC 18/2019) e o Projeto de Lei Complementar (PLC 80/2019)
  • Ambos foram enviados pelo governador João Doria, com a justificativa de adequar a previdência do estado com a reforma aprovada para servidores federais e trabalhadores do INSS

PEC: apresenta as bases constitucionais da reforma

  • Não está em regime de urgência
  • Atualmente, está na CCJR (Comissão de Constituição, Justiça e Redação)
  • O relator Heni Ozi Cukier (Novo) acatou duas emendas e rejeitou as demais
  • Um deputado pediu vistas sobre o parecer do relator
  • O presidente da Alesp, Cauê Macris (PSDB), escolheu o próprio relator como relator especial
  • Já pode ser pautada e ir para plenário

PLC: traz maiores especificações

  • Está em regime de urgência
  • Já passou por comissões e deputados apresentaram emendas de plenário
  • Agora, o projeto voltou à CCJR, onde já tinha um relator especial
  • Foi publicado o parecer do relator especial, que é favorável ao projeto de lei

Paraisópolis: Doria aceita comissão externa para investigar caso 13

Grupo da sociedade civil vai poder participar de apuração sobre a ação policial em baile que terminou com nove mortos em Paraisópolis

Rafael Arbex/Agência estado

governador João Doria (PSDB) vai criar uma comissão externa, formada por membros da sociedade civil, para acompanhar a investigação da operação da Polícia Militar que terminou com nove jovens pisoteados e mortos no baile funk em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, no fim de semana. A proposta era uma reivindicação de familiares de vítimas da tragédia e de órgãos de direitos humanos, que foram recebidos por Doria na noite de quarta-feira (04/12/2019).

A reunião aconteceu após centenas de pessoas marcharem de Paraisópolis até o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, em protesto para pedir apuração rápida da tragédia e também punição aos responsáveis. Por enquanto, a versão sobre os fatos são conflitantes. A PM relata que o tumulto começou após dois suspeitos em uma moto atirarem contra policiais e irem se esconder no baile funk. Já os moradores afirmam que foi a própria PM que teria provocado a tragédia ao tentar realizar uma dispersão truculenta no pancadão. Na segunda-feira (02/12/2019), a gestão Doria decidiu afastar das ruas seis policiais militares que participaram da ação.

“A comissão externa e independente é a nossa conquista mais importante até o momento”, diz Dimitri Sales, presidente do Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana (Condepe), um dos participantes do encontro. “É uma forma de assegurar que a investigação vai a fundo e não ficará restrita a corporativismos ou nenhuma pressão externa.”

A comissão será formada por um representante da família de cada vítima, além de dois líderes comunitários e representantes do Condepe e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – órgãos que estavam presentes no encontro. O nome dos representantes ainda não foi definido.

A reunião no Palácio dos Bandeirantes durou cerca de duas horas e teve a participação, ainda, de integrantes do governo Doria. Entre os presentes, também estava o secretário da Segurança Pública, o general João Camilo Campos, responsável por chefiar as polícias de São Paulo. “No encontro, o Governador ouviu relatos de duas mães que perderam seus filhos e reiterou o compromisso de rigor e transparência em relação a investigação das mortes ocorridas na madrugada de domingo”, diz nota do governo.

“Fizemos um acordo de melhoria do diálogo com o governo, buscando uma articulação pela paz, e a criação de uma agenda positiva, com programas e projetos que pudessem beneficiar os jovens principalmente na área da cultura”, afirma o líder comunitário Gilson Rodrigues. Entre as reivindicações está a abertura do Parque Paraisópolis, canalização de córrego na comunidade e instalação de unidade de saúde para atender dependentes químicos.

https://www.metropoles.com/brasil/paraisopolis-doria-aceita-comissao-externa-para-investigar-caso

Sindpesp prevê ‘apagão’ na Polícia Civil com nova previdência estadual 18

Sindpesp prevê ‘apagão’ na Polícia Civil com nova previdência estadual

Presidente do sindicato dos delegados, Raquel Kobashi Gallinati, entende que a proposta do governo de SP poderá tirar um terço do efetivo da instituição

Sindicado dos delegados teme "apagão" na polícia com a nova previdência paulista

Sindicado dos delegados teme “apagão” na polícia com a nova previdência paulista

Divulgação/Polícia Civil

O Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo) divulgou um estudo, nesta quinta-feira (5), no qual alerta para a possibilidade de redução de até um terço do efetivo da instituição como consequência do projeto de previdência social anunciado pelo governador João Doria (PSDB).

Leia também: Entenda ponto a ponto da reforma da Previdência de São Paulo

O levantamento, elaborado pela categoria com dados retirados do Diário Oficial paulista, apontou que 32% dos 28 mil policiais civis paulistas já reúnem condições para requerer a aposentadoria. Entre os delegados, a porcentagem é ainda maior (43% entre 2.564 profissionais). Entre os investigadores (8.590), cerca de 30,5% têm direito a iniciar o processo.

A presidente do Sindpesp, Raquel Kobashi Gallinati, considera irresponsável o projeto governista e entende que, após a entrada em vigor, poderá provocar um apagão na Polícia Civil paulista, pois as contratações de novos profissionais não deverá suprir a quantidade de perdas no setor.

Leia também: Deputados brigam durante sessão extraordinária na Alesp

“O ritmo das autorizações de concursos públicos do governo estadual não tem suprido, ao longo dos últimos anos, o déficit de funcionários da Polícia Civil, de modo que a defasagem de policiais somente aumentará a partir das novas regras”, avaliou a delegada.

Defasômetro mostra tabela com policiais em condições de solicitar a aposentadoria

Defasômetro mostra tabela com policiais em condições de solicitar a aposentadoria

Reprodução/Sindpesp

Direitos não adquiridos

A delegada Raquel Kobashi Gallinati explica que uma das principais reclamações da categoria em relação à reforma é a retirada de direitos adquiridos, como o abono permanência.

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“Fica na mão do governo a decisão se vão ou não receber o abono, além da aposentadoria por integralidade e a paridade. Assim, o governo decidirá, de acordo com sua conveniência, uma vez que o direito adquirido não está resguardado na PEC [Proposta de Emenda Constitucional] enviada pelo governo federal ao Congresso.

Atualmente, as funcionárias públicas do estado se aposentam aos 55 anos de idade e 30 anos de contribuição, enquanto os homens trabalham até os 60 anos e contribuem por 35 anos. Com a Reforma, as idades subiriam para 62 e 65 anos, respectivamente, e o tempo de contribuição seria de 25 anos para ambos. O tempo de contribuição diminuiria, mas o valor da contribuição aumentaria de 11 para 14% dos salários, calcula o Sindpesp.

“Nós entendemos que seja necessária uma reforma, mas entendemos também que não [seja realizada] com sacrifício demasiado, além da Constituição, ferindo todos os direitos dos servidores. E sem a discussão. Fere a democracia. E o estado democrático de direito”, complementou a delegada.

Déficit

A delegada Raquel Kobashi Gallinati também ressaltou que a Polícia Civil já sofre com um déficit de aproximadamente de 13 mil servidores e, após a aprovação da nova previdência estadual, tal rombo poderá chegar a 22 mil funcionários. “O governador João Doria não analisou as consequências de sua nova previdência social para a segurança pública”, finalizou.

Outro lado

A reportagem do R7 enviou um e-mail para a assessoria de imprensa da SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo) para obter uma posição do órgão sobre as críticas do Sindpesp em relação à proposta da previdência social do Estado, mas não houve resposta até a publicação desta matéria

Deputados aprovam ampliação do bônus para policiais do estado de SP 8

Servidores da Administração Penitenciária ficaram fora do projeto, que faz parte do pacotão da segurança pública

São Paulo

Os deputados estaduais de São Paulo aprovaram nesta terça-feira (3), por 79 votos a favor, o projeto de lei 78/2019, que amplia o bônus para a segurança pública.

A proposta, que integra o pacotão da segurança do estado, estende a bonificação —hoje paga para servidores que atuam como agentes operacionais— a bombeiros e funcionários das áreas administrativas das polícias e delegacias especializadas.

Com a aprovação, o estado também muda a frequência de pagamento do bônus, que deixará de ser trimestral e passará a ser devida a cada dois meses.

O projeto, que teve as cinco emendas rejeitadas, deixou de fora os servidores da Administração Penitenciária.

Uma das emendas, de autoria do deputado Carlos Giannazi (PSOL), propunha incluir esta parcela de funcionários na ampliação do bônus, além de agentes de atendimento socioeducativo da Fundação Casa.

Em outro texto, também derrubado, o deputado Tenente Nascimento (PSL) pleiteava que servidores e policiais transferidos para a inatividade (desde que cumpridos os “respectivos tempos mínimos de participação no período em que se encontravam no serviço ativo”), teriam direito ao recebimento do bônus pelos seis meses seguintes à passagem para a inatividade.

Categorias se mobilizam

Ao longo desta terça-feira (3), o clima na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) foi agitado.

A galeria do plenário foi ocupada por representantes de diversas categorias, entre elas policiais e professores, que se manifestaram contra a tramitação da reforma da Previdência estadual. No caso dos professores, a oposição também foi em relação ao novo plano de carreira do magistério.

Servidores estaduais de São Paulo lotam plenário da Assembleia Legislativa; as categorias se manifestaram na Alesp para definir a mobilização dos trabalhadores contra a aprovação dos projetos decorrentes da reforma da previdência nacional – Rogério Cavalheiro/Apeoesp

Na sessão extraordinária, que teve início às 19h (e na qual foi votada a bonificação da segurança pública), os trabalhos tiveram de ser suspensos por alguns minutos devido às manifestações do público presente.

O secretário da Fazenda e Planejamento de São Paulo, Henrique Meirelles, afirma esperar que a reforma que vai alterar as aposentadorias e pensões pagas a servidores do estado seja aprovada ainda neste ano.

Pacote de segurança

Anunciado no final de outubro pelo governador João Doria (PSDB), o pacote da segurança pública começou a ser votado na semana passada na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), com a aprovação do aumento de 5% nos salários de policiais militares, civis e agentes de segurança.

Moradores de Paraisópolis acusam a PM pelo assassinato dos 9 jovens 66

‘O pessoal não foi vítima de pisoteamento, mas da própria polícia’, diz comerciante de Paraisópolis

03/12/19 por Maria Teresa Cruz e Paloma Vasconcelos

Ponte visitou a favela na segunda-feira (2/12) para entender a dinâmica das vielas onde 9 jovens morreram; imagens mostram PMs lançando bombas

A avenida Hebe Camargo é um dos principais pontos de entrada na favela localizada na zona sul de SP | Foto: Paloma Vasconcelos/Ponte Jornalismo

O dia nesta segunda-feira (2/12) na favela de Paraisópolis, na zona sul da cidade de São Paulo, parecia normal como qualquer outro começo de semana. As ruas estavam cheias, os comércios funcionando, mas as pessoas estavam monotemáticas. O assunto mais falado da favela era o massacre que tirou a vida de 9 jovens na madrugada do último domingo (1/12).

“A versão policial é mentirosa”. Um comerciante ouvido pela Ponte afirma que nenhum motoboy usou o baile como escudo. O comerciante, que alega ser de família religiosa e não gostar de funk, detalha que sempre que há baile na favela a Polícia Militar não entra no local, mas ficam nas entradas de Paraisópolis fazendo blitz durante o dia.

“Eles estavam fazendo blitz por volta das sete horas da noite. Tinham duas viaturas e mais três motos. De madrugada, eles começaram a invadir o baile, dispersar a multidão, aí vão embora. Aí a multidão volta e fica nessa disputa. É sempre assim”, explica o comerciante, que preferiu para não ser identificado por temer represálias contra sua família.

Um pouco antes das 4h da manhã do domingo, segundo o comerciante, os PMs “invadiram o baile de uma vez só”. “Não foi bala de borracha, foi bala de fogo. Eles invadiram com pau, isso vem acontecendo faz tempo. Eles encurralaram esse pessoal e jogaram bombas”, relata.

Imagens obtidas pela Ponte, perto de um dos pontos de concentração do baile, na Rua Ernest Renan, mostram policiais chegando em alta velocidade com a viatura, lançando bombas contra pessoas que já estavam correndo e outras pessoas tentando se abrigar.

O comerciante deixou pelo menos 100 pessoas se esconderem no seu estabelecimento, que durante o dia é um restaurante e na madrugada funciona como um bar. Ele conta que levou as pessoas para a laje enquanto, na viela, outros participantes do baile eram encurralados.

Por isso, afirma o dono do bar, as pessoas não foram vítimas de pisoteamento e sim da própria polícia. “A primeira reação de frequentadores é correr porque sabe que vai apanhar. É só usar o raciocínio, a coerência”.

No meio da favela de Paraisópolis, onde os moradores chamam de centro, há pelo menos 10 anos rola o famoso Baile da Dz7. O baile é organizado coletivamente pelos moradores e acontece de quinta a sábado.

Às vezes um DJ é convidado para tocar no local, mas normalmente a música vem das caixas de sons espalhadas nas quatro saídas do local de concentração da festa. É a festa mais famosa de Paraisópolis, que reúne milhares de pessoas vindas de várias regiões de São Paulo. Das vítimas do massacre, por exemplo, nenhum era morador da comunidade.

Na visão de quem mora na favela, foi justamente isso – o fato de não serem do local – que pode ter atrapalhado as 9 vítimas, que tinham entre 14 e 23 anos, na tentativa de fugir e se proteger. Na hora do desespero, por conta das bombas de gás, balas de borracha e spray de pimenta usados pela PM na multidão, muitos jovens não sabiam para onde correr. A região onde o baile acontece tem pelo menos 4 ruas de ligação com o restante da favela e muitas vielas ao longo do caminho.

Algumas vielas são longas, mas bem estreitas, cercadas de paredes altas. Muitas dessas paredes são residências. De noite não são muito iluminadas, pois só contam com as luzes das residências no entorno. Algumas vielas não cabem nem duas pessoas andando lado a lado. Outras já tem um pouco mais de espaço. A viela escolhida por parte dos jovens que morreram na madrugada do domingo era estreita, escura e baixa, pois para entrar nela era preciso descer uma escada.

As vielas de Paraisópolis são feitas de cimento e funcionam como caminhos abertos entre as casas para facilitar o acesso de quem mora ali. A população estimada da comunidade é de 100 mil pessoas. Foi em um desses corredores minúsculos que parte da multidão tentou fugir da PM na madrugada do dia 1º de dezembro. Por falta de espaço, iluminação e com os bloqueios em todas as saídas, a ação da PM terminou com nove jovens encurralados e mortos, de acordo com moradores. Todas as saídas foram bloqueadas por viaturas da PM.

Segundo moradores, o policiamento na favela aumentou muito desde que o sargento da PM Ronald Ruas Silva foi morto em 1º de novembro de 2019. De lá para cá, não houve um dia que a PM não esteve na favela. Os últimos trinta dias foram marcados por ameaças diárias, conforme mostrou reportagem da Ponte.

O sargento foi morto próximo do cruzamento da avenida Hebe Camargo com a rua Rudolf Lutze, mesmo local que, segundo a versão policial, uma moto começou a ser perseguida pelas viaturas. Essa perseguição, ainda de acordo com a PM, teria motivado o tumulto no baile. A Rudolf Lutze é uma das ruas em que o Baile da Dz7 acontece.

Esquina da avenida Hebe Camargo com a rua Rudolf Lutze | Foto: Paloma Vasconcelos/Ponte Jornalismo

Uma moradora relatou à Ponte que costuma frequentar o baile, mas que desde a morte do sargento Ruas a repressão aumentou. “Depois da morte do sargento já não tava tendo tanto baile assim, mas tava rolando de certa maneira. O baile ajuda a economia local, a noite em Paraisópolis é uma potência econômica e cultural, e já tava sofrendo com várias ações da PM, que vinha fechando os comércios”, explica.

A jovem conta como a favela enxerga as ações da PM. “A gente critica a forma violenta que é dada nessa gestão Doria na periferia, porque atinge o dia a dia do morador, atinge as questões econômicas do bairro, atinge a juventude, porque as pessoas não têm lazer, não tem lugar para ir, aí decide fazer um rolê barato, que é o baile, que é um ponto onde as pessoas consomem funk e se divertem, é um lugar de lazer”, crava. “Temos um Estado conservador que criminaliza o baile, que é uma cultura negra, periférica e marginal. O baile gira muito a renda, porque com o desemprego a galera virou autônoma e a noite a galera consome, eles vivem disso”, finaliza.

Uma funcionária de uma lanchonete no topo de uma das ruas onde o baile acontece, que trabalha há 2 meses no local, reforça que depois da morte do sargento as ações policiais se tornaram frequentes. “Antes quando a polícia vinha pra cá era diferente, era mais difícil, mas depois que morreu o policial eles vêm direto, passam a semana todinha vindo aqui, com cavalaria, andando. A gente fica com medo de ficar aberto”, desabafa.

Ela conta como o baile ajuda na economia local e o quanto as ações prejudicam o comércio. “De dia de sábado vem muito mais gente pra cá. A gente fica a noite toda trabalhando de sábado, até 5h da manhã. No sábado retrasado a gente tava aberto, mas os policiais entraram, colocaram todo mundo para fora e mandaram a gente fechar”, relata.

“Nesse sábado eles pararam aqui e ficaram só olhando. Eu tava aqui na hora, só via o pessoal correndo, as bombas estourando e o pessoal correndo. Quando foi umas 3h da manhã parou um rapaz aqui todo ensanguentado e falou mais ou menos o que aconteceu. Mas eu só fui saber o que aconteceu depois”, explica a funcionária.

A funcionária também denuncia que policiais entraram no local no fim de semana e falaram que não queriam ver as imagens da câmera de segurança vazadas. “Aqui de cima não deu pra entender a dimensão. O rapaz que veio machucado disse que tinha sido pisoteado. É um absurdo, os policiais já chegam como loucos. Eles entram metendo o louco. Entraram aqui, olharam para as câmeras e falaram que não era pra gente vazar nenhuma imagem”.

Duas manifestações já foram marcadas contra o massacre de Paraisópolis. Dia 10 de dezembro haverá um ato no Masp, na avenida Paulista, em homenagem as vítimas. No dia 14, uma marcha em Paraisópolis pede o fim do genocídio da população negra e periférica.

‘O pessoal não foi vítima de pisoteamento, mas da própria polícia’, diz comerciante de Paraisópolis

A Força Pública se constrói com confiança e eficiência democrática; não com demagogia e truculência 4

O canto da sereia que pode levar a PM ao descrédito

A Prefeitura de São Paulo registrou, no primeiro semestre de 2019, 9.457 reclamações de barulho na cidade, incluindo os pancadões. Isso é equivalente a 52 ocorrências por dia. No distrito de Vila Andrade, onde fica localizada a favela de Paraisópolis, foram registradas apenas 60 reclamações neste mesmo período, o que é pouco frente ao total da cidade e é emblemático da desconfiança e do temor dos seus moradores em relação ao Poder Público.

E não à toa, a ação policial injustificável da madrugada deste domingo (1), que inacreditavelmente bloqueou saídas e encurralou participantes do baile funk, é uma daquelas ações que nos fazem entender as razões para o descrédito da população com as instituições públicas. Em nenhuma hipótese, uma ação policial que, para prender dois fugitivos, dispersa com brutalidade e violência uma festa com 5 mil participantes pode ser vista como técnica ou moralmente correta.

A Polícia Militar de São Paulo precisa apurar com máxima celeridade, transparência e rigor a sequência dos acontecimentos e a cadeia de comando de uma operação que, até aqui, fugiu de todos os padrões de excelência que marcam a corporação. Não é possível transigir com o descontrole da tropa empregada na operação.

Enganam-se as pessoas que imaginam que a ação visou a manutenção da ordem e louvam a morte de 9 pessoas nas redes sociais e nos comentários dos portais de notícias. A ação contrariou recomendações contidas em vários Manuais de Controle de Distúrbio Civil para que, na dispersão, é necessário controlar o fluxo da multidão e sempre deixar rotas de fuga desobstruídas, para que pisoteamentos e outras tragédias sejam evitadas  (a versão vigente de SP é classificada como sigilosa pela PMESP, mas a de 1997, disponível na web, também corrobora tais recomendações).

E, mais, no Controle de Distúrbios Civis (CDC), tropas de choque sejam acionadas e que o policiamento territorial não fique no primeiro plano da operação. Os vídeos que estão circulando mostram policiais armados, sem escudos e no meio da multidão. A chance de confrontos violentos é sempre maior, como acabou ocorrendo. Diante de uma perseguição que acabou enveredando para uma ação de CDC com 5 mil pessoas, em termos de ordem pública, a medida mais adequada teria sido ter desmobilizado a equipe envolvida e acionado retaguarda aérea e pedido de apoio da tropa de choque.

A investigação que foi anunciada pelo Governador João Doria deve buscar saber o que de fato ocorreu e quem autorizou esta ação. Nada justifica o que ocorreu e não é saudável para a corporação tentar minimizar os acontecimentos ou punir apenas os policiais que estavam na ponta.

A Prefeitura de São Paulo, na contramão da transparência, não permite mais buscas no campo de observações das reclamações do SP156, mas, usando dados de 2015 e 2016, o mapa abaixo mostra que pancadões fazem parte da vida na cidade e que, se plotarmos as unidades da PMESP, teremos que tais festas acontecem próximas aos Batalhões e Companhias da PM.

Ou seja, a polícia historicamente sabe e monitora quando estas festas acontecem e tem todas as condições de planejar operações e protocolos de contingência que evitassem uma ação como a desta madrugada, em Paraisópolis. Se não o fez, errou feio. E errou ainda mais sabendo que uma ação como esta jamais ocorreria na dispersão de uma festa em um bairro “nobre” da cidade e/ou em um clube de elite (lembremos a dispersão do Carnaval na Vila Madalena que, mesmo com episódios de confrontos, todos os protocolos são seguidos).

A experiência acumulada com o controle das manifestações desde 2013 é exemplo de que é possível fazer diferente.

É verdade que polícia sozinha não resolve o problema dos pancadões, mas não podemos aceitar, como nos alertou Thiago Amparo na Folha de S. Paulo, a naturalização da truculência. Paraisópolis convive com os pancadões sem nenhuma resposta mais efetiva do Poder Público para a oferta de espaços de convivência pacífica.

Na toada de populismos autoritários, a ação destrambelhada em Paraisópolis acontece dias depois do Governador João Doria publicar a sua Política Estadual de Segurança Pública sem qualquer meta de controle de uso da violência por parte das polícias. Por tudo isso, a PMESP deve evitar o canto da sereia do tempo social e não pode se sentir autorizada a abandonar o investimento de décadas no profissionalismo e na supervisão da atividade policial.

A Força Pública se constrói com confiança e eficiência democrática; não com demagogia e truculência.

O canto da sereia que pode levar a PM ao descrédito

Febeapá Bolsonarista – O lambedor do Trump coloca pessoas incompetentes em diversos cargos mais preocupadas em bajular o aspirante a ditador de plantão do que buscar o bem coletivo…Os bolsonaristas vigaristas praticam aquilo que o jornalista Sérgio Porto chamou de “festival de besteira” …O mamute virou merda! 12

A “máquina de guerra” da cultura bolsonarista, se é que isto é possível

POR FERNANDO BRITO · 02/12/2019

O homem da Funarte que acha que rock é de Satanás não foi o último.

Ainda tinha o olavista escalado para a Biblioteca Nacional, um certo Rafael Nogueira, que acha que Caetano Veloso é um promotor do analfabetismo e – apesar dos conceitos do colega que acha o rock satânico – é adorado do Shaman e de suas letras, escritas em inglês, of course.

O time que o governo Bolsonaro formou na cultura é destes que lembram o alemão Hans Johst, autor do famoso “Quando ouço [a palavra] “Cultura’ destravo minha [pistola] Browning!”, trecho de um diálogo na peça Schlageter, homenagem a um protonazista alemão.

No nosso caso, porém, para um suicídio da inteligência.

O gajo que vai cuidar do maior acervo literário do país diz na Folha que espera que o legado de Olavo de Carvalho preencha o vazio deixado por Machado de Assis!

Junta-se a um time de desesperança: o secretário negro que acha que ser escravo foi um progresso, a reverenda Jane que cuida da diversidade cultural, o pastor Tutuca para a secretaria de Audiovisual e mais um leque de nulidades para ocupar a “máquina de guerra cultural” do fanático Roberto Alvim.

Nunca antes na história deste país a área cultural esteve entregue a gente tão obtusa, tão desqualificada, tão fanática e obscurantista.

http://www.tijolaco.net/blog/a-maquina-de-guerra-da-cultura-bolsonarista-se-e-que-isto-e-possivel/

Análise: PM agiu “fora das normas” em ação em Paraisópolis 7

Análise: PM agiu “fora das normas” em ação em Paraisópolis

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

02/12/2019 16h18

Resumo da notícia

  • A PM foi imprudente ao não pedir reforços na ação que deixou 9 em um baile funk
  • Em razão da aglomeração do baile, os agentes deveriam abortar a operação
  • A responsabilidade é da política de segurança pública no Brasil

Os agentes da Polícia Militar agiram “fora das normas” na ação de ontem que deixou nove mortos e 12 feridos em um baile funk na comunidade de Paraisópolis, zona sul de São Paulo. A análise é de um coronel da reserva e de um delegado, para quem a ação policial é reflexo da política de segurança. Já um ex-secretário Nacional de Segurança defendeu a polícia, por não ter dado nenhum tiro.

De acordo com a PM, a confusão aconteceu porque uma viatura da polícia perseguiu duas pessoas que teriam entrado no baile em uma moto “efetuando disparos, ocasionando um tumulto entre os frequentadores do evento”.

“A polícia, enquanto instituição, têm normas padronizadas e alguns princípios de atuação que não foram respeitados”, afirmou ao UOL o tenente-coronel Diógenes Lucca, fundador e ex-comandante do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais).

De acordo com Lucca, “a primeira regra” que se aprende em uma academia de polícia é a “superioridade de homens e de armas”. “Se tem dois, três criminosos, o policial tem de esperar reforço para poder atuar.”

Outra preocupação é o método de atuação. “Sabendo o que poderia acontecer em um baile com 5.000 pessoas, o policial deveria abortar a missão. É um gatilho para uma tragédia.”

Era uma situação evitável, fora das normas das instituições
Diógenes Lucca, ex-comandante do Gate

Segundo o especialista, há histórico suficiente de confronto com a polícia em regiões da periferia onde acontecem os bailes. “Não se faz uma ação de choque sem rota de fuga, e em vielas e favelas isso é muito difícil. É uma tristeza o que aconteceu. Muitas questões precisam ser investigadas.”

Para Lucca, as mortes não podem ser atribuídas aos policiais, já que as vítimas foram pisoteadas pelas pessoas da comunidade. “Mas tem de encontrar um nexo causal entre a ação da polícia e o desfecho. A investigação tem de ser muito séria sob a pena de a instituição sofrer desgaste demais.”

“Resultado ruim”

Para o delegado Orlando Zaccone, “o resultado de uma operação é o que define se ela foi bem-sucedida ou não”. “Quando nove pessoas são pisoteadas, o resultado é muito ruim para a polícia.”

A responsabilidade maior, diz, não é dos agentes, mas da política de segurança pública. “Sempre que uma ação policial vai bem, aparece o governador e o secretário de Segurança para tirar fotos. Quando o resultado é negativo, todo mundo corre e a polícia fica sozinha”, diz.

Temos de dizer que essas ações fazem parte de um sistema de segurança que aciona os policiais sem qualquer organização, preparo e coordenação
Orlando Zaccone, delegado

O delegado afirma que “o poder político vem defendendo que prender ou executar criminosos é mais importante do que proteger vidas”. “É uma teoria de que a sociedade pode ficar exposta a risco desde que o Estado prenda ou mate seus inimigos. Isso tem gerado uma quantidade imensa de mortes, como acontece gora no Rio com as balas perdidas.”

Ele lembra que a única política pública nas periferias é o “controle social pela violência”. “É histórico no Brasil. A polícia já perseguiu criminosos assim nos Jardins, em Ipanema?”, questiona. “O policial está no pior lugar disso. Não basta apenas punir o policial porque amanhã terá outro fazendo o mesmo, já que essa é a política pública.”

“Ação dos policiais foi correta”

Para o coronel da reserva da PM e ex-secretário Nacional de Segurança Pública José Vicente da Silva Filho, “ações como essas precisam ser aperfeiçoadas”, mas, neste caso em especial, a PM não errou em perseguir os criminosos que teriam entrado em Paraisópolis.

“Quando houve a perseguição, as ruas estavam desertas. Os policiais se depararam com o baile de repente e a motocicleta entrou no meio da multidão, que a acolheu”, afirma o coronel. “A ação dos policiais foi correta.”

De acordo com o especialista, um grupo de moradores foi para cima dos policiais, que “não deram nenhum tiro”. “Eles seriam linchados, mas conseguiram dispersar usando bombas de efeito moral e tiros com balas de borracha.”

Mesmo que fosse letal, eles estariam cobertos pela lei por legítima defesa
José Vicente da Silva Filho, ex-secretário Nacional de Segurança Pública

O Brasil deve liberalizar jogo, drogas, aborto e prostituição – A pior escravização é a religiosa – Os pastores evangélicos – em linhas gerais – não querem outra modalidade de entretenimento pago: 10% 1

Bancada evangélica avisa que projetos pró-jogos não passam

Presidente da frente na Câmara afirma que ‘jogos atraem azar para a nação, além de ser em abominação aos olhos do Senhor nosso Deus

Rio de Janeiro

Se na bolsa de apostas em Brasília há quem veja abertura para a bancada evangélica mudar de posição, o presidente dessa frente na Câmara diz que não tem jogo: o grupo é contra discutir a abertura de cassinos no Brasil e qualquer tipo de liberação da jogatina, e ponto final.

“O nome já diz: jogos atraem azar para a nação, além de ser em abominação aos olhos do Senhor nosso Deus”, afirma o deputado Silas Câmara (Republicanos-AM) à Folha.

O deputado Silas Câmara (PRB-AM), presidente da frente evangélica
O deputado Silas Câmara (PRB-AM), presidente da frente evangélica – Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Muitos dos integrantes do bloco, a começar por seu próprio líder, fazem parte do grupo congressista conhecido como centrão —justamente o que tenta convencer Jair Bolsonaro a apoiar projetos de lei que discutem a regulamentação dos jogos no país.

O presidente, que já tinha adotado posição ambígua no passado, disse a interlocutores que sondaria os humores da bancada evangélica, sua forte aliada, para o tema.

A ideia entusiasma sua equipe econômica, mas ele ainda titubeia. Na campanha eleitoral, não descartou o debate: “Há a possibilidade, eu digo uma possibilidade, de jogar para cada estado decidir. Em princípio sou contra, mas vamos ver qual a melhor saída”.

A frente evangélica respondeu com uma nota em que reforça sua disposição a não deixar passar nenhum projeto de lei pró-jogo. Hoje, segundo seu presidente, a coalizão evangélica tem 22% da Casa: 112 expoentes (número que varia de acordo com suplentes que entram e saem quando deputados se ausentam e voltam).

“Todas as bandeiras da frente são pró-vida, família, princípios cristãos, e contra vício, drogas, aborto, suicídio, automutilação. Tudo o que te falei tem a ver com jogos de azar”, diz Silas, que também é pastor da Assembleia de Deus.

“Eles primeiro tiram o que a pessoa tem de luxo na mesa. Ela comia arroz, feijão, bife e depois uma sobremesa, uma fruta. Aí o cara começa jogando e, daqui a pouco, tira a pera, a uva. Logo tira comida. Depois abandona a família, tá endividado, na sarjeta. Como perdeu tudo, mete uma bala na cabeça e se suicida.” Também cita a corrupção que circula num meio que, afirma, é superpovoado por dinheiro sujo, droga, bandidagem.

Sem mencionar qual, menciona um estudo que apontaria: para cada dólar que a economia de Las Vegas ganha, gasta US$ 3 com a “desgraça da periferia, porque no centro tudo é muito bonito, mas na periferia só tem desvalidos, coitados, envolvidos com tudo o que não presta”. Diz Silas: “Jogos de azar geram mais desgraça que resultado. Não é verdade que gera mais divisas”.

O recado tem destinatário: o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, colega no Republicanos e também pastor. Bispo licenciado da Igreja Universal, Crivella faz lobby pela aprovação de projetos para voltar com os jogos no Brasil, banidos há 73 anos. Assim, poderia implantar um cassino na cidade.

Isso atrairia milhões de turistas e bilhões de reais ao país, disse à reportagem em entrevista de dois meses atrás. “Agora, você pergunta: mas você é evangélico… Sou prefeito da cidade. Quem acha que é pecado não joga.”

Sua própria igreja já atacou a causa. Em 2017, o jornal da Universal publicou a reportagem “Uma Aposta Furada”, com histórias de quem se deixou cair em tentação e perdeu tudo na jogatina.

Outras congregações evangélicas também mostram aversão à ideia, embora um artigo publicado pela Igreja Presbiteriana de Santo Amaro lembre que muitos templos organizam bingos para arrecadar fundos. “Mas nem por isso quer dizer que sejam jogos que convêm ao crente.”

Historicamente, evangélicos orientam fiéis a não jogar com dois argumentos mestres, afirma o pastor Valdinei Ferreira, da 1ª Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo.

“1) A disciplina protestante no uso do dinheiro. A ideia do dízimo se faz acompanhar da gestão do dinheiro e se opõe à ideia do ganho fácil pela aposta em jogo. Dinheiro se acumula pelo gasto racional e pela poupança. 2) No imaginário evangélico, o ambiente do jogo é associado a bebida, danças, madrugadas passadas fora de casa. Isso se contrapõe às virtudes tradicionais do protestantismo que incentivam o cultivo da família e do trabalho.”

A popularização de apostas feitas em lotéricas e pela internet embaralhou as cartas, segundo Ferreira.

Na prática, introduziram maior tolerância a essas modalidades que estão desassociadas ao ambiente tradicional do jogo. No dia a dia das igrejas presbiterianas não há repreensões a cristãos que façam esse tipo de aposta, embora não haja também nenhum incentivo. A resistência da bancada aos cassinos, ao meu ver, tem a ver com o ambiente não cristão.”

A Folha conversou com pessoas ligadas ao bloco evangélico que admitiram: alguns deputados podem ceder ao lobby para liberar apenas cassinos integrados a resort, proposta de Crivella para o Rio.

O mundo cristão não é unânime no assunto. Entre católicos também há rachas, mas muitos destacam esta passagem do catecismo pregado pela Igreja: “Os jogos de azar (jogo de cartas, etc.) e as apostas não são, em si mesmos, contrários à justiça”.

Mas não há libera-geral. Eles se tornam “moralmente inaceitáveis quando privam a pessoa do que lhe é necessário para suas necessidades e as de outrem”, o que periga acontecer se “a paixão do jogo” virar “uma grave servidão”.

 


 

O detalhe no pulso do pastor : relógio no valor de R$ 50.000,00 ( cinquenta mil reais ) .

 

 

A Polícia Militar tem até ventríloquo oficial pra mentir deslavadamente…Excludente de crime será licença para matança! 14

Feridos e familiares falam que ação da PM em baile funk foi emboscada

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São Paulo

Jovens feridos e familiares de vítimas afirmam que ação da PM no baile funk em Paraisópolis, que acabou com nove mortos e sete feridos, foi uma emboscada e não perseguição a suspeitos, como afirma a Polícia Militar.

Uma adolescente de 17 anos, que pediu para não ser identificada por medo de represália, conta que ficou presa em uma viela após muita correria e recebeu golpes de cassetete de policiais militares em várias partes do corpo.

“Eles [PMs] foram realmente na maldade para ninguém conseguir correr. Eu ouvi tiros e vi muita gente pisoteada. Inclusive vi um policial dando uma garrafada em uma pessoa no meio da confusão. Eles fecharam as saídas das ruas e saíram espancando. Foi uma covardia.”

Vinícius Silveira Martins, 18 anos, ficou ferido na confusão durante baile funk de Paraisópolis. – Laíssa Barros/Folhapress

Frequentador assíduo do baile funk, Vinicius Silveira Martins, 18 anos, relatou que, por volta das 3h, a PM chegou jogando bombas de efeito moral e encurralando as pessoas. Ele diz ter conseguido escapar de ser pisoteado, mas foi atingido por estilhaços de uma bomba. Ele quebrou o nariz e teve ferimentos no rosto.

“Foi um desespero. Todo mundo correndo tentando salvar a própria vida. Vi gente desacordada e gente morta. Estamos acostumados com as bombas no baile. Tem quase toda semana. Mas, dessa vez fomos encurralados. Foi cassetete, garrafada, muita bomba e correria. Consegui sobreviver e vim para o hospital, mas sei que aqui tem vários corpos de pessoas que não tiveram a mesma chance que eu”, relata, bastante emocionado.

Segundo o tenente-coronel Emerson Massera, da PM, a perseguição está comprovada, uma vez que policiais avisaram o rádio sobre a abordagem. Foram encontradas duas munições que seriam dos criminosos. Os suspeitos e a moto deles, porém, não foram encontrados. (com Folha )