APENAS 27!

13/06/2007 – 17h55 – Atualizado em 13/06/2007 – 17h58

27 policiais civis de SP são suspeitos de ligação com caça-níqueis
Corregedoria anunciou quebra de sigilo bancário e telefônico para agentes investigados.
Ministério Público vai requisitar cópia de escutas telefônicas feitas pela PF.
Do G1, em São Paulo, com informações TV Globo
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A Corregedoria da Polícia Civil anunciou na tarde desta quarta-feira (13) ter identificado 27 policiais civis de São Paulo suspeitos de receber propinas de empresários ligados à máfia dos caça-níqueis investigados pela Polícia Federal na Operação Xeque-Mate. De acordo com o diretor da Corregedoria, Francisco Alberto de Souza Campos, os policiais terão os sigilos bancários e telefônicos quebrados.

Segundo Campos, os policiais serão ouvidos no inquérito comandado pela delegada Cinthia Maria Quaggio a partir desta semana. Também nesta quarta-feira, o Ministério Público Estadual anunciou que vai requisitar cópias das escutas realizadas pela Polícia Federal da Operação Xeque-Mate.

De acordo com o promotor Luiz Antônio Nusdeo, do Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gecep), as escutas apontam fortes indícios de que policiais receberam propinas provindos de empresários que exploram os jogos caça-níqueis em São Paulo.

Investigação
A Polícia Federal gravou conversas que indicam que o advogado Jamil Chokr levava dinheiro para pagar propina a policiais civis de São Paulo quando sofreu um acidente na Marginal Tietê, no dia 25, possibilidade que já vinha sendo investigada pela corregedoria da Polícia Civil.

As conversas foram gravadas pelos agentes durante as investigações que resultaram na Operação Xeque-Mate, no dia 4, e flagraram advogados e empresários de São Paulo que estariam ligados à máfia dos caça-níqueis comentando a descoberta de dinheiro e documentos no carro de Chokr. Entre os papéis havia uma lista com indicações de pagamentos para “DPs”, que, para os investigadores, seria uma relação de pagamento de propina para Distritos Policiais de São Paulo.

Antes das escutas feitas pela PF, a apreensão de documentos no escritório e na casa do advogado já tinham reforçado os indícios de que a lista era uma relação de propinas. Na investigação aberta, a Corregedoria da Polícia Civil, responsável pelas investigações, só ouviu quatro pessoas até agora no inquérito aberto sobre o caso – justamente os PMs e a delegada que apreenderam o material com Chokr.

No dia 25, um motociclista tentou roubar o advogado. Ao fugir, Chokr bateu seu Vectra blindado. Quando o socorreram, PMs acharam a lista de propina e R$ 27 mil em envelopes endereçados a 29 endereços diferentes que os investigadores acreditam ser de distritos e delegacias seccionais de São Paulo. Recuperado do acidente de carro, o advogado deixou o hospital na quarta-feira (6). Durante seu tratamento, ele recebeu escolta policial.