Promotor afirma que todo o sistema carcerário está dominado pelo PCC -Primeiro Comando da Capital 30

Execuções do PCC no ‘tribunal’ são diárias

  • 15 de setembro de 2012 |
  • 23h30

RICARDO BRANDT, DE CAMPINAS

Em 2001, após o Primeiro Comando da Capital (PCC) organizar sua primeira rebelião em série nos presídios paulistas, o promotor de Execuções Penais e corregedor do Complexo Penitenciário Campinas-Hortolândia, Herbert Teixeira Mendes, alertava as autoridades sobre a força crescente da facção. Hoje, mais de dez anos depois, ele afirma, em entrevista ao JT, que todo o sistema carcerário está dominado pelo PCC e que sentenças de morte são dadas diariamente pelos criminosos.

“Tribunais do crime”, como o ocorrido em Várzea Paulista, que resultou na operação da Rota com nove mortos e cinco presos, são uma exceção? O julgamento choca mais porque mostra uma audácia. Ele fere porque humilha, mas há julgamentos a todo momento. São eles ajustando contas entre si, ou punindo outros criminosos, ou criminosos que delatam. Essa caricatura chama mais a atenção, ela mostra certa ousadia. Não vou entrar no mérito desse caso, mas execuções acontecem diariamente. Recebo mensalmente atestados de óbito com instrumento perfuro contundente no crânio.

Facções criminosas existem em sistemas prisionais pelo mundo. O PCC difere da realidade de outras prisões? Sim. Eles não atuam só no interior dos presídios. O sistema deles de arrecadação, de cometimento de crimes, de obtenção de dinheiro, tanto é no interior dos presídios como fora. É uma espécie de franchising.

Desde 2006, quando houve outra megarrebelião e os ataques em série no Estado, o que aconteceu com o PCC? Passou a existir um acompanhamento contínuo pelas instituições estatais, mas isso não diminuiu a atividade criminosa. Não existe nenhum dado de redução do tráfico de drogas. Ocorre a tentativa de barrar operações ousadas contra o Estado.

E as condições internas dos presídios melhoraram desde a consolidação do PCC como grupo dominante dos presídios? Pioraram. Até 2006, São Paulo investiu na criação de vagas. Não foram criadas vagas de 2006 até agora no mesmo ritmo de a partir de 1995. Por baixo, hoje os presídios estão 30% mais superlotados do que em 2006.

Então, por que o PCC não faz mais rebeliões? Porque estão interessados em ganhar dinheiro. Se especializaram, como as grandes facções criminosas, em ter maior poder econômico.

Por que não há um enfrentamento do Estado para desarticular a facção? O Estado tem dificuldade. Percebo que há empenho de controlar o grupo ao máximo possível. Uma ação para desestabilizar ou realmente acabar é difícil. É uma ação de longo prazo, que tem de ser permanente e é muito desgastante.

Guerrilha urbana decretada pelo PCC : Sargento da PM é executado no Parque São Paulo 47

Ele saía de uma pizzaria onde fazia ‘bico’ quando foi atingido por dez tiros
publicado em 16/09/2012 00:37 | Fernanda Miranda

Um sargento da Polícia Militar (PM) de Araraquara foi executado com dez tiros por volta das 23h30 deste sábado (15) no Parque São Paulo, Zona Leste da cidade.

Segundo informaçoes preliminares, o Sargento Simões fazia um ‘bico’ em uma pizzaria do bairro. Ao terminar o turno, ele saiu para pegar sua moto e ir embora quando foi surpreendido com dez tiros. O resgate foi chamado, mas ele foi encontrado morto.

A polícia ainda não tem informações nem características dos responsáveis pelo crime.

ESTADO DE ALERTA – Na sexta-feira (14), um soldado de São Carlos foi morto com seis tiros quando saía de uma atividade extra. Lá, a polícia negou indícios de ataque do crime organizado, que tem provocado pânico em outras cidades de São Paulo, como Bragança Paulista e Piracicaba. O subcomandante da PM em São Carlos, o major Paulo Wilhelm de Carvalho, disse que a polícia não entraria em alerta porque não tinha elementos de que se tratava de uma executação por parte de facção criminosa.

No entanto, no mesmo dia, o capitão Vagner Prado, comandante da PM em Araraquara, em entrevista ao portal k3, disse que Araraquara estava em alerta e que a PM estava pronta para a guerra urbana.

Neste sábado, o motorista de uma BMW atirou uma bomba contra guardas civis no Centro de Araraquara depois de perceber que seria multado por não usar cinto de segurança. O artefato atingiu e feriu o motorista de uma moto, mas ninguém ligou o caso a um ataque.

http://www.portalk3.com.br/Artigo/policia/sargento-da-pm-e-executado-no-parque-sao-paulo

“Desabafo de um merda de um policial (porque é isso que me sinto sendo funcionário público do Estado de São Paulo, porque é isso que o Estado faz eu sentir). 39

PMs através de carta protestam contra o sistema após morte de policial

fonte: São Carlos Dia e Noite

A morte do soldado Marco Aurélio de Santi da 1º Companhia da PM de São Carlos, provocou a revolta de alguns colegas de farda que aproveitaram o momento e enviaram a alguns repórteres da cidade uma carta criticando o comando, o Governo do Estado e políticos em geral quanto as condições de trabalho e legislação vigente no país. A carta não está assinada. Leia na integra a carta e tire a sua conclusão:

“Desabafo de um merda de um policial (porque é isso que me sinto sendo funcionário público do Estado de São Paulo, porque é isso que o Estado faz eu sentir).

Parabéns governador, parabéns PSDB (partido dos últimos governadores do estado de São Paulo), parabéns deputados e senadores (acho que até a Presidenta da República tem sua parcela de culpa nessa situação), vocês conseguiram acabar com a segurança pública do nosso estado (os governadores administrando mal nossas instituições e os deputados e senadores fazendo leis cada vez mais brandas, favorecendo cada vez mais os bandidos e as pessoas desonestas desse país).

Você tornaram as nossas vidas (e de nosso familiares, mulheres, filhos, pais, irmãos) insuportável, um verdadeiro inferno.Vocês acabaram com nossas instituições (Polícia Militar e Civil), reduzindo o nosso efetivo a um número tão ridículo, mas tão ridículo, que não conseguimos sequer nos proteger dos ataques dos criminosos.

Obrigado também por massacrar nossas famílias com nossos salários indignos, principalmente porque não temos condição de morar em locais melhores e mais seguros e porque necessitamos fazer nossos bicos para complementar nossa renda miserável, e com isso acabamos por nos expor mais, nos tornando vulneráveis as ações dos bandidos do PCC. Muito obrigado aos políticos em geral e uma boa parte da população que apóia de certa forma essa má administração, de forma passiva, assistindo as desgraças de camarote, sem cobrar nada do estado (as pessoas mal atendidas nas repartições públicas e não reivindicam nada do estado, dos políticos).

Hã ! obrigado também governadores do PSDB do Estado de São Paulo por terem sido incompetentes ao longo desses últimos anos, graças a vocês, hoje o nosso colega PM Santi foi atacado e morto covardemente por criminosos.

Vocês são culpados da sua morte e da morte dos outros policiais vítimas dos ataques dessa facção criminosa que vocês ajudaram a criar, por serem inaptos.

Não posso esquecer de ressaltar também que não só os policiais são vítimas desses bandidos mas toda a população vem sofrendo com o descaso na segurança pública ao longo dos últimos anos.

Nós policiais precisamos basicamente de duas coisas, para ontem:

1-Um salário digno (para não precisarmos mais fazer bicos, se dedicando exclusivamente ao trabalho policial).

2-Melhorar nosso efetivo

Peço encarecidamente a todos que tiverem acesso a essa carta que divulguem essa mensagem na imprensa (falada, escrita, na internet e se possível, principalmente através da imprensa, que se faça chegar essa carta até o governado ou seus assessores para que eles tomem alguma providencia). Tenho certeza que com o apoio da imprensa e da sociedade poderemos reverter essa situação.

Moral da história: o “irmãozinho” ainda mereceu a solidariedade da Administração; em vez da “via rápida” para o desemprego, recebeu Ciretran para refazer as finanças 12

SP: delegado que agrediu cadeirante em 2011 é preso por falsificação

15 de setembro de 2012 14h36 atualizado às 14h43 

CÍCERO AFFONSO

Direto de Presidente Venceslau

O delegado Damásio Marino foi preso na madrugada deste sábado sob a acusação de participar de uma quadrilha que adultera e falsifica documentação, principalmente de veículos importados. Marino, que respondia pela Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) de Presidente Venceslau (SP), foi condenado em agosto de 2011 a três meses de detenção, em regime aberto, pela agressão a um cadeirante em um estacionamento em São José dos Campos, em janeiro do ano passado.

Após o episódio, Damásio Marino foi afastado por seis meses e, em julho de 2011, foi transferido para a Ciretran de Presidente Venceslau. O delegado foi preso quando deixava a sede da unidade logo depois de participar de uma reunião. Junto com o delegado também foi detido um oficial administrativo que prestava serviço na Ciretran. O cofre usado pelo oficial foi aberto e os documentos ali guardados foram apreendidos, assim como o carro de Marino. O oficial administrativo foi liberado pela manhã, depois de prestar depoimento.