Policiais de Jesus 26

Comportamento

Policiais se organizam em grupos para buscar apoio espiritual

Para ajudarem a conviver com o stress, os cultos abordam os percalços específicos e inerentes à atividade policial

Nathalia Zaccaro – Veja São Paulo

Luís Gabriel Garcia, líder do Policiais de Jesus (ao microfone): reunião mensal na câmaraLuís Gabriel Garcia, líder do Policiais de Jesus (ao microfone): reunião mensal na câmaraCida Souza

Com o violão nas mãos, o cantor gospel Anilson Coelho entoou cinco de suas composições, como “Servir e Adorar” e “Milagre do Amor”, a cerca de cinquenta pessoas no plenarinho da Câmara Municipal na manhã do último dia 12, um sábado. Seria mais um entre as centenas de encontros religiosos que ocorrem diariamente em São Paulo, não fosse por um detalhe: Coelho, assim como todos os demais presentes, é agente da Polícia Civil. Fundado há três anos pelo escrivão Artur Juliano e pelo delegado Luís Gabriel Garcia, o grupo Policiais de Jesus organiza reuniões para acalentar esses profissionais, com orações e pregações da Bíblia, pelos dramas que eles enfrentam. Conta com cerca de 100 seguidores, em torno de 0,3% dos 34.000 integrantes da força de segurança pública. Os cultos são realizados quase todos os dias em quatro departamentos da corporação; uma vez por mês, eles se juntam na Câmara.

Cida Souza

O cantor-agente Anilson Coelho: música gospel

O cantor-agente Anilson Coelho: música gospel

Juliano havia tentado organizar a associação em três ocasiões nos últimos quinze anos, sem sucesso. “Faltava um delegado para comandar o projeto”, diz. Além do cargo, outros atributos do chefe colaboram para o sucesso da empreitada. Carismático, ele mescla os sermões com piadas e histórias pessoais. “Todos os dias sou procurado por colegas para ouvir seus problemas e dilemas”, conta. Apesar da naturalidade de sua oratória, o delegado converteu-se há apenas dez anos, após um divórcio conturbado. “Eu tinha preconceito, achava que os crentes eram apenas pessoas sem oportunidade ou perspectiva de vida.”

Um dos discípulos de Garcia é Nadivaldo de Rossi, delegado no 101° Distrito Policial, no Jardim das Embuias, na Zona Sul. Responsável pelo envio de e-mails com mensagens cristãs aos associados, ele tem frequentado as reuniões há dois meses em busca de paz espiritual. “Preciso do apoio para não me transformar em um ser humano truculento e impiedoso”, afirma. Alguns casos que chegam à delegacia causam impacto maior: há três semanas, Rossi começou a investigar a morte de uma menina de 4 meses no Grajaú. O principal suspeito é o pai, um usuário de drogas. “Às vezes, o grito de dor de uma mãe fica em nossa lembrança por muito tempo.”

Para ajudarem a conviver com o stress, os cultos abordam os percalços específicos e inerentes à atividade policial. “Os agentes se sentem mais à vontade para conversar comigo sobre seus problemas porque eu também ando armado e lido com bandidos”, acredita Garcia. O trabalho é inspirado no de outra entidade, a PMs de Cristo, que reúne 1.470 associados e completa vinte anos de existência em junho. “Nosso sonho é que surjam grupos semelhantes também na Polícia Federal e na Guarda Municipal”, diz o cabo Valdir Alves, que prega no 28° Batalhão da PM e é pastor da Igreja Evangélica Cristã Presbiteriana. “Na religião, policiais civis e militares são irmãos, o que pode soar como heresia àqueles que enxergam as duas corporações como rivais”, afirma Garcia.

Jonne Roriz/AE

PMs de Cristo: vinte anos de atuação e 1.470 associados

PMs de Cristo: vinte anos de atuação e 1.470 associados

Em outra vertente, a União dos Delegados Espíritas de São Paulo (Udesp) realiza um trabalho parecido, mas baseado nos preceitos do escritor Allan Kardec. “Nossa imagem está desgastada: as pessoas veem o policial como alguém que atira nos outros e que, por isso, não poderia ser espírita. Lutamos contra esse estigma”, explica Bismael de Moraes, um dos fundadores da Udesp, criada em 1999. “Nos encontros, não damos ‘passe’, só conversamos sobre como a doutrina pode ser aplicada para aliviar os dramas do cotidiano”, diz Moraes, apresentador do programa “Espiritismo e Segurança Pública”, veiculado semanalmente na Rádio Boa Nova.

Apesar da proliferação, movimentos desse tipo não são abençoados por especialistas no assunto. “Instituir uma religião em uma corporação representa séria ameaça ao estado laico”, entende o cientista político Guaracy Mingardi. Para ele, a interferência de crenças causaria prejuízo ao patrulhamento nas ruas. “Num exemplo hipotético, um policial pode resolver citar a ‘Bíblia’ ao intervir em uma briga de vizinhos para tentar converter os envolvidos. E isso seria inadmissível.” Os policiais que participam desses grupos, porém, afirmam que não confundem a cruz com a espada.

POLÍCIA E IGREJA As associações religiosas das forças de segurança pública

PMs de Cristo Corporação: Polícia Militar Líder: Capitão Joel Rocha Tempo de existência: Vinte anos Número de integrantes: 1.470 Frequência dos encontros: Diária

Policiais de Jesus Corporação: Polícia Civil Líder: Delegado Luís Gabriel Garcia Tempo de existência: Três anos Número de integrantes: Cem Frequência dos encontros: Quatro vezes por semana

União dos Delegados Espíritas de SP Corporação: Polícia Civil Líder: Delegado João Crusca Tempo de existência: Treze anos Número de integrantes: Cinquenta Frequência dos encontros: Mensal

PCC: vamos promover o pânico entre os vermes da corporação, que estão atrapalhando nossa correria. 37

Enviado em 18/09/2012 as 11:33 – ESCRILUDIDA

18/09/2012 – Em carta, facção manda matar policiais militares

“Aos irmãos da quebrada… vamos promover o pânico entre os vermes da corporação, que estão atrapalhando nossa correria. Matar os botas (PMs) sem dó”. Os trechos da mensagem encontrada pela Polícia Militar em operação realizada no último dia 5 na Favela da Gamboa, em Santo André, na região do ABC, já anunciavam a predisposição do crime organizado em assassinar policiais. A reportagem é do jornal Diário de S. Paulo.

Na ocasião, policiais da Força Tática prenderam Thiago Alves dos Santos, de 19 anos, e Rafael Araújo da Silva, de 31. Segundo a polícia, no barraco onde estavam, foram apreendidos morteiro de 150 mm de uso exclusivo do Exército, três granadas, uma carabina calibre 28, dez munições de fuzil 7 mm e radiocomunicadores, além de mil papelotes de entorpecentes e a contabilidade da quadrilha.

Havia cópias da mensagem atribuídas ao PCC escritas em folha de papel, cobrando uma atitude rápida dos traficantes em relação a mortes de policiais. “O tempo de vocês está passando e também serão cobrados diretamente no tribunal”, ameaçavam os “chefes”.

Três dias depois, o sargento aposentado João Luiz de Paula Ferreira, de 55 anos, foi assassinado em frente à padaria onde trabalhava, na Vila Pires, em Santo André. No dia seguinte, o soldado Joel Juvêncio da Silva, de 44 anos, voltava de um culto evangélico, na região do M’Boi Mirim, na Zona Sul, e foi executado com vários tiros.

No dia 11, policiais da Rota (tropa de elite da PM) mataram nove pessoas em Várzea Paulista, na região de Jundiaí. Havia informações de uma reunião de criminosos para discutir execução de policiais da região.

A partir daí, cinco PMs (três de folga, um ex-policial e um PM aposentado) foram executados com muitos tiros. “Os policiais aposentados viraram alvo e estão cautelosos até para sair de casa”, garantiu o tenente Dirceu Cardoso, da Associação de Assistência Social dos PMs de São Paulo. “Com PMs pressionados e alvo de ataques, a população fica muito menos segura”, observou.

FONTE: http://www.adpesp.com.br