Urge a extinção do militarismo nas polícias estaduais e o fim da comarquinha mais cara do Brasil: TJMSP…O tribunal da impunidade 29

‘Recebi a decisão com tristeza’, diz pai de Luana Barbosa sobre sentença

Ele acredita que existiam provas suficientes para a condenação.
Justiça Militar absolveu o policial acusado de homicídio pela morte da atriz.

Stephanie FonsecaDo G1 Presidente Prudente

Marcos Barbosa diz que está indignado com situação (Foto: Reprodução/TV Fronteira)Marcos Barbosa diz que está indignado com
situação (Foto: Reprodução/TV Fronteira)

Um dia após a divulgação da sentença da Justiça Militar que absolveu o policial militarMarcelo Aparecido Domingos Coelho, acusado de homicídio culposo pela morte da atriz e produtora cultural Luana Barbosa no dia 27 de junho de 2014, em Presidente Prudente, a família da atriz diz que recebeu a “notícia com tristeza”. A decisão divulgada nesta terça-feira (3) deixou a família e amigos da vítima indignados.

Em entrevista ao G1 nesta quarta-feira (4), o pai de Luana, Marcos Barbosa, afirma que acha que o posicionamento foi arbitrário. “Acredito que a decisão não foi séria, porque ainda tramita na Justiça Civil um outro processo onde o cabo é julgado como acusado de crime doloso”, aponta.

“Entendo que a Justiça Militar desprezou todo o trabalho que a Polícia Civil de Presidente Prudente fez no desenrolar do inquérito, como ouvir as testemunhas e a realização de pericias técnicas que comprovam o dolo por parte do policial”, comenta.

Barbosa aponta que a situação contribui para que crimes cometidos por policiais “continuem impunes”. “A Justiça não pode ser cúmplice do crime”, afirma o pai da produtora cultural.

O advogado da família, Rodrigo Lemos Arteiro, deve recorrer e questionar a decisão da Justiça Militar, conforme Barbosa. “Foi feita a reconstituição, todos as testemunhas prestaram depoimento e como não há provas?”, observou.

Com a futura ação, Barbosa apenas destaca que “família e amigos desejam que esse processo transcorra de uma forma transparente, séria e com dignidade”. “A gente espera que tudo seja apurado corretamente”, pontuou.

O G1 abriu espaço para o policial Marcelo Coelho se posicionar, porém, segundo a advogada Renata Camacho Dias, qualquer pronunciamento só será feito quando tiverem acesso à íntegra da decisão que será lida nesta quinta-feira (5).

Sentença
Segundo a decisão, o motivo da absolvição se dá por “insuficiência de provas”. Fazem parte do processo os boletins de ocorrência, autos de de exibição e apreensão, laudo do exame de corpo de delito, ficha de atendimento ambulatorial, fotografias relacionadas aos fatos, relatórios de itinerários das viaturas, folhas de antecedentes entre outros. Apesar disso, a denúncia foi considerada improcedente.

Também constam depoimentos de policiais militares, testemunhas e policiais civis que auxiliaram no atendimento do caso, já que ocorreram dois inquéritos paralelos sobre o caso: um na PM e outro na Civil. No último, o caso foi considerado como “dolo eventual”.

Conhecida como Lua, a atriz estava na garupa da moto de seu namorado, o músico Felipe Barros de 29 anos, quando foi atingida com um tiro no tórax disparado pela arma de um policial após o condutor tentar furar o bloqueio de uma blitz policial realizada na Avenida Joaquim Constantino.

Amigos e familiares pediram por justiça durante manifesto (Foto: Mariane Peres/G1)Amigos e familiares pediram por justiça durante
manifesto (Foto: Mariane Peres/G1)

Considerações
Segundo o documento que o G1 teve acesso, o juiz declarou que se o policial quisesse “simplesmente atirar,  não teria permanecido tanto tempo em frente à motocicleta, “colocando sua integridade física, e talvez sua vida, em perigo”.

Marques ainda declara que há provas periciais e testemunhais de que o disparo ocorreu no “no exato momento em que os ocupantes da motocicleta entraram em contato físico com o réu, qunado da tentativa de evasão do bloqueio”.

Também é evidenciado na senteça que houve o contato físico entre a coronha da arma de Marcelo Coelho com o capacete de Felipe Barros. “Tal fato foi testemunhado e pericialemnte constatado”, aponta.

O texto ainda discorre sobre a trajetória da bala disparada. “A prova pericial nos revelou que a trajetória do projétil que atingiu a vítima foi de ‘de frente para trás, da direita para a esquerda e de cima para baixo’. Assim, não há dúvida de que a pistola empunhada pelo réu estava com o cano voltado para baixo, pois, caso contrário, o projétil ou nõa atingiria a ofendida ou teria outro trajeto”.

Trabalho voltado à arte
Luana nasceu em Rancharia (SP) e vivia há cinco anos em Presidente Prudente, para onde se mudou após concluir a faculdade de teatro na capital paranaense.

Luana estudou teatro em Curitiba (PR) e foi para Presidente Prudente quando terminou a faculdade (Foto: Reprodução/TV Fronteira)Luana estudou teatro em Curitiba (PR) e foi para
Presidente Prudente quando terminou a
faculdade (Foto: Reprodução/TV Fronteira)

“Pau para toda obra”, como descreveu um amigo logo após sua morte, ela foi uma das fundadoras d’Os Mamatchas, um grupo de teatro e circo de rua e ainda se dedicava à edição de vídeo, sendo uma das pessoas por trás de um videodocumentário que mostra a história do bairro onde fica a federação.

Para quem convivia com Luana, conhecida como Lua, o tiro não foi acidental. A morte dela causou comoção entre familiares, amigos e nos integrantes da Federação Prudentina de Teatro de Artes Integradas (FPTAI). Elesorganizaram protestos em Presidente Prudente, Curitiba (PR) e São Paulo (SP) e, inclusive, mudaram o nome da sede do grupo, localizada na Vila Brasil.

A reconstituição do caso ocorreu no dia 20 de agosto e demorou cerca de 6h para sua conclusão. Tanto o namorado da atriz quando o policial acusado participaram do trabalho da Polícia Científica.

  1. Vossa Senhoria não passa de um Rebelde sem causa, como dizia o Ultraje à Rigor. Liberdade de expressão é poder expulsar aquele que atenta contra a instituiçao…

  2. A extinção da PM é utopia, primeiro que estamos falando de Brasil, só isso basta para não haver extinção dos militares, porque se isso ocorresse, não haveria mais ninguém para os políticos manipular em termos de garantias absurdas dos bandidos políticos.

  3. Não pode acabar, combina com a cultura do nosso país! Sou a favor que a PM continue exatamente do jeito que está: matando e sentando a borracha, é essa polícia compatível com o povo brasileiro!!!!! A paisanada merece!!!!!!

  4. Acabei de ler num jornal regional aqui de Prudente. O Cabo Marcelo Aparecido Domingos Coelho foi demitido do cargo por “atos atentatórios à Instituição e aos Direitos Humanos Fundamentais”. Fonte IFRONTEIRA.
    Como é possível ser inocentado do crime, mas ser demitido mesmo assim?

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