No dia do policial militar e civil, policial reformado avalia: ‘Estado abandonou’ 77

Douglas Gonçalves acredita que desemprego leva pessoas a serem policiais.
Ele diz que as leis acabam sendo obstáculo para o trabalho policial em SP.

LG Rodrigues

Do G1 Santos

Douglas acredita que leis precisam mudar e o Estado deve dar atenção às polícias (Foto: LG Rodrigues / G1)
Douglas acredita que leis precisam mudar e o Estado deve dar atenção às polícias (Foto: LG Rodrigues / G1)

Vistos como o símbolo da segurança dentro do Brasil, os policiais militares e civis comemoram dia deles nesta terça-feira (21). Para falar sobre a rotina da profissão e repercutir o momento atual dos policiais no País, o G1 conversou com um policial reformado que falou sobre as mudanças na instituição durante as últimas décadas e as mudanças que ele acredita serem necessárias para fortalecer a polícia.

Enquanto o policial está fazendo o boletim de ocorrência o infrator já saiu da delegacia.
Douglas Gonçalves

Douglas Gonçalves entrou na polícia em 1987 e atuou em patrulhas e forças táticas, antes de se aposentar no Pelotão da Cavalaria deGuarujá, no litoral de São Paulo. “A gente acha fácil bater na polícia e isso me preocupa porque muitas pessoas falam que a instituição está despreparada e as pessoas são duplicadores de opinião. Muitos jovens recebem essas críticas e acabam passando essa opinião adiante”, explica.

O policial reformado acredita que o problema pode estar no que ele classifica como um abandono por parte do Governo do Estado de São Paulo. “O Estado tem que mudar, repensar o que querem da polícia, assim como a sociedade. O governo abandona a gente e as leis dificultam o trabalho do agente que está nas ruas”, diz.

De acordo com ele, a legislação acaba sendo um obstáculo para que os policiais possam realizar o trabalho e pede que mudanças ocorram. “A policia não perdeu a autoridade, mas são valores. Antigamente, se alguém comprasse um carro roubado não havia fiança, hoje em dia não, se tornou um crime afiançável. Então, enquanto o policial está fazendo o boletim de ocorrência, o infrator já saiu da delegacia. Precisamos rever nossas leis”, afirma.

Hoje, Douglas atua como chefe dos escoteiros de Guarujá e se diz realizado (Foto: Douglas Gonçalves / Arquivo Pessoal)
Douglas atua como chefe dos escoteiros e se diz
realizado (Foto:Douglas Gonçalves/Arquivo Pessoal)

Hoje aposentado, Douglas é chefe de um grupo de escoteiros de Guarujá, mas ainda se preocupa com os familiares dos policiais que trabalham em São Paulo, assim como os seus parentes se preocuparam enquanto ele atuava nas ruas. “Seu pai sai pra trabalhar e não sabe se vai voltar, ‘ah, toda profissão é assim’. Mas, e quando o bandido vai buscar seu pai na casa dele? Essa audácia está errada, enquanto não houver punição, nada vai mudar. Muitos policiais que morrem são por motivos pessoais, e muitos vezes, o Estado sabe disso, e o que eles fazem a respeito? Nada. Nós estamos abandonados”, conta.

Ao ser perguntado sobre o que motiva uma pessoa a se tornar um policial, Douglas acredita que seja uma falta de opção. “Deveria ser uma vocação, mas hoje acho que é por opção de emprego. É umas das profissões mais perigosas no Brasil. Hoje, eu acho que a grande maioria se torna policial por causa do desemprego. É falta de opção”.

Longe da função de policial há mais de um ano, Douglas diz que está feliz de trabalhar com grupos de escoteiros e acredita que fez tudo o que era possível em seus tempos de polícia. “Estou feliz e saí da polícia com a sensação de dever cumprido”, conclui.

Polícia Militar, em Santos, SP (Foto: Divulgação / Polícia Militar)
Policial reformado acredita que policiais deveriam ser mais valorizados (Foto: Divulgação / Polícia Militar)

  1. cada um escreve o que quer,a questão de ser falta de opção é uma forma de criticar aquilo que não se deve, servi por trinta anos, bem ou mal por culpa das duas partes entrei na decada de “70” empregos privados na media deixei uma vaga de auxiliar de compras para entrar na gloriosa tive a oportunidade de ir para “pc”não tinha os estudos adequados para desputar altos concursos mas cheguei até o 3 grau, poderia estar melhor se tivesse me desenvolvido mais no empreendedorismo.mas o que tenho para deixar é não existe falta de oportunidade o que importa é o hora em que voce busca a vaga pode ser no poder publico ou privado e ao exercer o cargo o faça com honestidade e presteza.

  2. Gostei do que li do colega acima, o Winchester.

    Quando alguém escreve algo sensato (e sem aberrações gramaticais), ninguém dá importância. O que ele escreveu retrata um pouco do que ocorre em outras instituições, sejam elas públicas ou privadas. Ou seja, dificilmente você trabalha em um ambiente favorável, seja em relação a questões de higiene (segundo Herzberg), seja em relação a sua satisfação pessoal, pois tem que lidar com pessoas inescrupulosas o tempo todo.

    Dificilmente alguém está plenamente satisfeito com seu trabalho ou com quanto ganha, pois suas necessidades sempre aumentam em relação a sua situação atual. Conheço colegas que dizem que, trabalhando na Polícia Civil, são pobres, mesmo tendo, pelo menos, dois veículos automotores.

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