E as fraudes em licitações dos coronéis do Kassab ? 29

Fraudes em licitações da PM usavam até a assinatura de motorista

REYNALDO TUROLLO JR.
ROGÉRIO PAGNAN
DE SÃO PAULO

14/07/2015 02h00

O esquema de fraudes em licitações no Comando-Geral da Polícia Militar de São Paulo, com desvios que envolveram ao menos R$ 10 milhões, segundo apuração inicial da própria polícia, utilizou até assinaturas de um motorista.

Foi o próprio motorista, o soldado Gerri Dener Zeferino, que informou aos superiores ter participado, em “duas ou três oportunidades”, da formalização de contratos que ele não sabia o que eram.

Zeferino foi ouvido em sindicância que apurou irregularidades no departamento de compras do Comando-Geral em 2009 e 2010.

No depoimento, o soldado disse que seu nome constava da lista de policiais que atuavam no departamento de compras porque, à época, era motorista do tenente-coronel Kooki Taguti, o chefe do setor.

Como ficava no quartel à espera de ordens, afirmou, ele era chamado algumas vezes para assinar papéis dos quais desconhecia o teor.

A sindicância da PM não apontou quais foram as licitações assinadas pelo motorista nem o montante envolvido.

Na documentação da sindicância, entretanto, não há nenhum registro de que Zeferino tenha sido questionado sobre quem pediu a ele que assinasse tais papéis.

Procurado pela Folha, o soldado não quis comentar o caso (leia texto nesta página).

Como a Folha revelou em junho, uma apuração da própria PM confirmou um esquema de fraudes em licitações da cúpula da corporação, que envolviam de papel higiênico e peças de carro até obras e serviços no quartel. Os pagamentos eram feitos sem a comprovação de entrega.

O então responsável pelos contratos do setor, o tenente-coronel José Afonso Adriano Filho, admitiu parte das fraudes e afirmou que tinha autorização de seus superiores.

Disse ainda que o dinheiro desviado era utilizado para quitar dívidas da própria PM.

A sindicância concentrou-se em 2009 e 2010, mas, como mostraram as reportagens, as mesmas empresas de fachada venceram licitações desde 2005, envolvendo mais de
R$ 21,5 milhões. O governo, então, determinou a reabertura das investigações, ampliando o período em análise.

‘PARA REGULARIZAR’

Outros oficiais do departamento de compras do Comando-Geral disseram, na sindicância, que parte dos processos licitatórios vinha pronta do setor chefiado por Adriano Filho. Assim, esses oficiais apenas assinavam os papéis.

Um deles, o capitão Gilberto Monteiro Freire, disse que, nas vésperas de auditorias, “os oficiais eram chamados para assinarem documentações em licitações que estavam tramitando, […] sem a devida documentação de origem, […] tudo para se regularizar os processos”.

Freire disse ainda que não havia uma comissão para receber os produtos –como é comum no serviço público– e que, em alguns casos, até soldados temporários eram usados para atestar o recebimento. Soldados temporários são jovens contratados por tempo determinado para funções administrativas.

OUTRO LADO

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou em nota que foi instaurado um IPM (Inquérito Policial Militar), por determinação do secretário Alexandre de Moraes, para apurar mais detalhadamente o esquema de fraudes em compras.

A nova apuração terá como foco “todos os fatos relacionados às contratações que não foram objeto da sindicância realizada pela PM.”

O IPM é presidido pelo coronel Levi Anastácio Felix, corregedor da Polícia Militar.

Ainda segundo a secretaria, todos os indícios de irregularidade foram encaminhados para outros órgãos, como Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado.

“Este mesmo material fará parte da instrução de processo no Conselho de Justificação da Polícia Militar, que definirá se o tenente-coronel [Adriano Filho, já aposentado] perderá a patente”, diz a nota. A perda de patente leva à perda dos benefícios.

O motorista Gerri Dener Zeferino não quis comentar o assunto. “Eu não lembro e não posso falar sobre isso”, disse.

A reportagem não conseguiu localizar o tenente-coronel Kooki Taguti, chefe de Zeferino à época, nos telefones registrados em seu nome.

*

A fraude
Dinheiro destinado à aquisição de produtos –muitos não eram entregues– e à contratações de serviço para o Comando-Geral da PM era desviado por meio de licitações fraudulentas

Período
Entre 2009 e 2010, no mínimo, mas operador do esquema atuava no departamento desde 2000

Comando-geral
Formado pelo comandante-geral (indicado pelo governador), subcomandante e oficiais do Estado-Maior; fica na região da Luz (centro de SP)

O operador
Tenente-coronel José Afonso Adriano Filho é apontado como operador. Ele era o responsável pelas finanças do Departamento de Suporte Administrativo do Comando-Geral

O que ele diz
Confirma parte doesquema, mas alega que o dinheiro era desviado para pagar dívidas da própria PM R$ 10 milhões é o montante envolvido nas licitações irregulares; não se sabe o destino exato do dinheiro.

Transcrito da Folha de São Paulo ; nos termos do artigo 46 da Lei nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998.

  1. Tenente-coronel Taguti: sem-vergonha, lixo, safado, pilantra! Fugindo da imprensa! Aparece, covarde!! Diga que estava naquele antro de BANDIDOS, o TJM, juntamente com os seus comparas, a me julgar (Processo 53.872/2009).

  2. escri13;

    Veja como a “reserva moral” é irremediavelmente cínica: no mesmo ano da roubalheira no “Cocomando-geral” (faz cagada até nas fraudes “Zeferinadas”), aparecem no TJM, por “sorteio”, o PILANTRA FARDADO acima qualificado, bem como, o outro, da mesma laia, Tenente-coronel JOSÉ ARMANDO ALENCAR, do balcão de negócios (Batalhão de Santo André), com “muita” moral para me julgarem pelo “crime” de “injúria”, no Processo decorrente do “trâmite” do documento que protocolei noutro antro (quartel do CRPM) em 24/04/09. O PATIFE, então Major Daniel César Simões Teixeira, me prendeu em “flagrante delito”, à vista das farsas que registrei no aludido expediente.

  3. ZEFERINO NÃO É INOCENTE. MOTORISTA DE CORONEL GERALMENTE É BABA OVO, PUXA SACO, CAGUETA E TUDO O QUE NÃO PRESTA.
    DEVE TER LEVADO ALGUM, POR ISSO NÃO LEMBRA DE NADA, ESTA DOENTE COM AMNÉSIA PROFUNDA.
    DAQUI A POUCO VIRA MAIS UMA “VITÍMA DO PCC”, AO SAIR DE CASA, ACABA SENDO EXECUTADO A TIROS POR BANDIDOS QUE CAÇAM NOSSO “HERÓIS”.
    COMO MORTO NÃO FALA, VAI ACABAR VIRANDO O LIDER DO ESQUEMA DO DESVIO DE VERBAS.
    COMO SERÁ A EXECUÇÃO A TIROS DE FUZIL OU PISTOLAS ?
    AI UM GRUPO DA MESMA QUADRILHA DOS ESTRELAS E GEMADAS IRÁ PROTESTAR CONTRA A MORTE DE MAIS UM “HERÓI”, VITÍMA DO CRIME ORGANIZADO QUE ATERRORIZA O POVO DE SÃO PAULO.
    CAI NO ESQUECIMENTO E COM A “MORTE” DO AUTOR DAS FALCATRUAS DA-SE A EXTINÇÃO DE PUNIBILIDADE.
    E TODOS OS OFICIAIS VIVERÃO FELIZES PARA SEMPRE COM SEU DINHEIRO OBTIDO COM MUITA HONESTIDAE E TRABALHO.

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