João Alkimin – Meu pai Sylvio Barbosa 11

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Difícil, hoje, precisar com detalhes dia, mês, ano e nomes os fatos acontecidos há tanto. Tudo, ou quase tudo, se perdeu na poeira do tempo, menos algumas lembranças que ficam cravadas na alma e não desaparecem nunca por mais que queiramos. Foi o que aconteceu comigo em relação à Mogi das Cruzes.
Que esta umbilicalmente ligada a historia de meu pai em sua historia como Magistrado , tendo sido por sete anos Juiz da Comarca.
Com o tempo, ganhou uma cadeira como Juiz no cobiçado Palácio da Justiça de São Paulo Ele arrebanhava amigos por onde passava mercê de sua honradez e devoção à lei. Mas jamais se esqueceu de Mogi das Cruzes. De quando em vez, para minha alegria, convidava: “Vamos até Mogi para matar as saudades?” E lá íamos nós, felizes, pegar a estrada para rever a pequena e bela Cidade. Foi nessa época que partilhei mais de seu convívio.
E sempre exemplar no cumprimento da lei, foi promovido a Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo – o topo da carreira. E assim permaneceu até que a morte o levou. Nos dias atuais, quando alguns magistrados maculam a imagem da Justiça, vale lembrar como agiam os Magistrados de outrora. Sylvio Barbosa, para citar um exemplo, quando chegava a época do Natal mandava confeccionar cartões nos quais “agradecia e devolvia” presentes enviados por empresas ou empresários. Lamentava no texto não poder aceitá-los “em razão do cargo”. E explicava para nós: “Eu não os conheço e se eles me mandam presentes agora, certamente irão cobra-los amanhã”. E assim, na porta de sua casa, era barrada a entrada de geladeiras, caixas de bebidas finas e outros presentes enviados possivelmente com segundas intenções. Foi assim a vida de Sylvio Barbosa, um Magistrado exemplar que plantou as primeiras sementes de sua carreira na pequena e bela Mogi das Cruzes.

João Alkimin

  1. De um filho para um pai, muito bom. Meu pai encontra-se com alzheimer e com 88 anos, por isso lembrarmos deles é um privilégio neste dia e em todos os demais.Parabéns Sr. João pela lembrança de seu pai.

  2. Caro João,
    Recordo-me do meu finado pai, Pedro Guimarães, que vive para sempre na minha memória;
    das pescarias que juntos fazíamos nas tardes de domingo;
    do dia maravilhoso em que ele retirou as rodinhas de apoio de minha primeira bicicleta.
    Este ano completou 20 anos de seu passamento, mas a saudade e a sensação de orfandade jamais cessaram.
    Que as pessoas que ainda possuem pais vivos aproveitem a data para homenageá-los.
    Pedro

  3. Boa noite!

    Senhoras e Senhores.

    João

    Hoje sou pai e quem sabe um dia avô. Feliz daquele que tem lembranças de seus entes queridos e feliz daqueles que possuem boas lembranças de um pai.

    Não tive esta sorte. Papai morreu vitima de latrocínio. Eu era criança.

    Aos Pais que hoje são homenageados vivos ou em memórias. Meus cumprimentos.

    Àqueles que jazem num leito à espera de Deus, não temas pois ele estenderá sua mão.

    Aos vivos, vivam bastante e deixem que outros vivam. Não sejam pedras nos sapatos dos outros.

    Àqueles que somente sabem fazer o mau para satisfação de seus egos obscuros, temam, pois seus dias estão contados.

    Caronte.

  4. Meu pai também já faleceu e, como o Caronte, eu era muito novo.

    Era militar da FAB, motorista de táxi que trocou num caminhão para transportar areia. Assim como meus avô paterno e avô materno, nunca soube o que eram férias, só conheceu as dívidas.

    E é muito bom saber que os honestos existem e que podem ser lembrados com orgulho num Brasil tão sem ética e sem moral.

  5. Parabéns pelo seu pai !
    Apesar de não estar presente em matéria, pode certeza que esta em alma.
    Excelente legado !

  6. Faltam-me palavras para agradecer ao Delegado Conde Guerra a homenagem, bem como a todos que postaram aqui ; e gostaria de lembrar que ele comecou a carreira como Delegado de Policia e disso sempre se orgulhou .

  7. joao alkimin:

    Parabéns por ter o que e a quem alimentar recordações do áureo período “agostiniano”.

    Pena é que entramos, sem perspectiva de saída, na era “franciscana” do é dando que se recebe.

    Que a justiça dos céus não se compare com a do tão “abnegado” Desembargador Otávio (ou Otátio?) Henrique de Sousa Lima, o libertador de tranqueiras!

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