Corregedoria da PM continua tentando confundir investigação sobre a chacina 29

Relato de briga de casal ajudou a prender PMs suspeitos por chacina

Zanone Fraissat/Folhapress
Um dos suspeitos é levado para a sede do DHPP, na região central de São Paulo
Um dos suspeitos é levado para a sede do DHPP, na região central de São Paulo

ROGÉRIO PAGNAN
LUCAS FERRAZ
DE SÃO PAULO

Uma briga de casal em Osasco, na Grande São Paulo, despertou o interesse de um vizinho, que registrou os detalhes da confusão ao lado.

A mulher, aos gritos, xingava o marido, um policial militar conhecido no bairro. Ela o havia identificado, a partir das roupas, nas imagens divulgadas na TV desde o dia 13 de agosto como um dos executores daquela que seria a maior chacina do ano no Estado de São Paulo.

As informações, repassadas à própria polícia pelo indiscreto ouvinte, que se transformou em uma testemunha protegida da investigação, ajudaram a prender nesta quinta-feira (8) os PMs suspeitos de envolvimento nos assassinatos em série, realizados há quase dois meses.

Foram presos pela suspeita de participar da chacina sete policias militares (dois deles em flagrante por porte ilegal de armas) e um guarda civil de Barueri (Grande SP).

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) também confirmou que os crimes, uma vingança aos assassinatos de um PM e um guarda civil na região de Osasco, começaram a ser executados dias antes, e não em 13 de agosto, quando foram mortas 19 pessoas.

Conforme a Folha revelou há duas semanas, a força-tarefa –formada pela Corregedoria da PM e pela Polícia Civil– que investiga a chacina trabalhava com a hipótese de que um mesmo grupo matou um total de 32 pessoas.

As mortes ocorreram em municípios da região metropolitana como Osasco, Barueri, Carapicuíba, Itapevi e Santana do Parnaíba.

Segundo o secretário de Segurança Pública do governo paulista, Alexandre de Moraes, os PMs queriam vingança e mataram 23 inocentes –ele disse que a força-tarefa ainda está investigando se o número de mortos chega a 32.

“Não temos dúvida de que a motivação dessas mortes foi uma junção de vingança da morte do policial e do guarda municipal. Nenhuma das 23 vítimas tinha qualquer relação [com o caso]”, afirmou.

O corregedor da PM, Levi Félix, disse que ainda não é possível precisar quantos agentes de segurança do Estado participaram dos crimes.

“Não há prova determinante da participação de qualquer um desses suspeitos. Os indícios decorrem de uma análise conjuntural. Cada mínimo detalhe, cada contradição, detalhe do álibi que não foi confirmado, serviu para convicção”, disse Félix.

Até as prisões desta quinta, a investigação da chacina foi marcada por divisões internas entre as polícias Civil e Militar e pela ausência de provas contundentes que levassem aos autores do crime.

Contando com o soldado da Rota Fabrício Emmanuel Eleutério, 30, detido desde agosto, são nove os agentes de segurança presos pela suspeita de realizar a chacina.

Como o processo está em sigilo, não foram divulgados os nomes dos PMs, o que impossibilitou localizar os respectivos advogados.

A mulher de um dos presos, localizada pela Folha, disse que a polícia estava fazendo o seu trabalho: “Não há o que falar, não foi meu marido. Infelizmente ele trabalhava no local onde aconteceram aquelas coisas”.

Ao todo, foram autorizados pela Justiça Militar e pela Justiça Comum de Osasco o cumprimento de 28 mandados de busca e apreensão em 36 pontos diferentes da Grande SP. Além de armas, foram apreendidos capacetes e celulares.

Nesta quinta-feira, também foram presos três outros PMs acusados de alterar a cena de uma chacina em Carapicuíba, na Grande São Paulo, em 19 de setembro, que deixou quatro jovens mortos. Eles foram assassinados de madrugada na porta da pizzaria onde trabalhavam.

SÓ UM DETIDO

Das oito pessoas presas pela força-tarefa sob suspeita de participação na chacina de agosto nesta quinta –seis por determinação da Justiça e duas em flagrante–, apenas uma estava na lista dos 19 suspeitos apresentada pela Corregedoria da PM ainda em agosto.

O único policial que figurava naquela lista, segundo a Folha apurou, é o sargento Edilson Camargo Sant’Ana, colega de trabalho do policial morto em um assalto em Osasco, no dia 7 de agosto, um dia antes do início da série de mortes. Sua mulher, localizada pela reportagem, disse que o marido é vítima de uma série de “mentiras”.

Ficaram de fora das buscas realizadas nesta quinta os sete policiais de Osasco que foram a um bar na noite do crime e, segundo a própria PM dizia, poderiam ter ido comemorar as mortes ocorridas no dia 13.

Segundo o corregedor da PM, coronel Levi Anastácio Félix, que também participou do anúncio das prisões dos policiais nesta quinta, nada foi provado contra eles e seus comandantes.

Todos os 19 suspeitos –18 PMs e um segurança particular– foram alvos de busca e apreensão numa ação isolada da PM que atropelou a força-tarefa liderada pela Polícia Civil.

A diretora do DHPP (divisão de homicídios), Elisabete Sato, admitiu, ao lado de Félix, que essa ação casou mal-estar entre as instituições. “Na época, fiquei um pouco estressada. Depois, nós conversamos bastante e, hoje, não existe rusga”.

Colaboraram THIAGO AMÂNCIO, FERNANDA ATHAS e SIDNEY GONÇALVES DO CARMO

O QUE PESA PARA A PRISÃO

  • Reconhecimento de imagens por testemunhas e depoimentos
  • Ligações telefônicas e mensagens suspeitas
  • Denúncias anônimas
  • Numeração de lotes de munição
  • Celulares desligados antes do início dos crimes

*

CRONOLOGIA

Sexta – 7.ago Cabo da PM Ademílson Oliveira, 42, é morto em assalto em Osasco

Sábado – 8.ago Três rapazes são mortos em Itapevi; uma pessoa é morta em Carapicuíba; cinco homens são assassinados em Osasco

Domingo – 9.ago Assassinato de outro homem, em Osasco

Segunda – 10.ago Um homem é assassinado em Carapicuíba

Quarta – 12.ago Guarda civil Jefferson Luiz da Silva, 40, é morto em assalto em Barueri

Quinta – 13.ago Um homem é morto em Itapevi; chacina em Osasco e Barueri com 19 mortes

Sábado – 22.ago Prisão administrativa do soldado da PM Fabrício Emmanuel Eleutério, 30

Sábado – 19.set Quatro adolescente são mortos a tiros em Carapicuíba

Quinta – 8 out. Dez policiais militares e um guarda municipal suspeitos de participar em chacinas são presos

Transcrito da Folha de São Paulo ; nos termos do artigo 46 da Lei nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998.‏

  1. GENTE !, COMO JÁ COMENTEI ANTERIORMENTE, ESTES INEXISTENTES PARTICIPANTES E ASSECLAS DESSE DESGOVERNO FICAM IDOLATRANDO ESSES CONTUMAZES REPÓRTERES E ÂNCORAS DE TV, EM DETRIMENTO DE DELATAR OS POLICIAIS MILITARES E O G.C.M. POIS A MÍDIA É TUDO PARA ELES. OCORRE QUE GOSTARIA DE PRESENCIAR SE ALGUMA DESSAS VÍTIMAS, OU SEJAM, O POLICIAL MILITAR TERMINANTEMENTE EXTERMINADO COVARDEMENTE NO POSTO DE GASOLINA E O G.C.M. FOSSEM UM ENTE QUERIDO DELES, DUVIDO QUE ELES ESTARIAM COM ESTE TIPO DE ATITUDE, OU SEJA ESTE TIPO DE BLA..BLA..BLA. O TAL DO “KOJAK” DISSE PUBLICAMENTE QUE A CADEIRA DELE É PASSAGEIRA, MEU AMIGO, VÁ COM DEUS !. E, ME AJUDEM AÍ Ó !….

  2. Quero apenas meu reajuste salarial referente o exercício de 2015, é justo e de direito, mais nada ! Parece que os Sindicatos estão coniventes com a trairagem do Governador para com os Policiais Civis; Sinceramente, eu nunca havia visto tanta conivência, omissão, prevaricação dos respectivos Presidentes sindicais como vejo hoje.

  3. EM MINHA OPINIÃO O CICLO COMPLETO SERÁ BENÉFICO PARA AS DUAS CORPORAÇÕES E PARA O CIDADÃO, HAJA VISTA QUE O POLICIAL MILITAR AO DEPARAR COM UMA OCORRÊNCIA DE FLAGRANTE, POR EXEMPLO DARIA SEQUENCIA A OCORRÊNCIA, SEM NECESSIDADE DE PASSAR PELO DISTRITO POLICIAL, AGILIZANDO, PORTANTO O ATENDIMENTO. POR EXEMPLO UMA OCORRÊNCIA QUE DEMANDE INVESTIGAÇÃO CONTINUARIA A CARGO DA POLICIA CIVIL, A CONSEQUÊNCIA É QUE NÃO SOBRECARREGARIA NENHUMA DAS PARTES. ACUMULO DE OCORRÊNCIA EM DP É SINÔNIMO DE CANSEIRA PRA TODO MUNDO (EXPERIENCIA PRÓPRIA). REFLITAM DE FORMA RACIONAL SEM RIXAS SENTIMENTAIS E VERÃO QUE É O MELHOR CAMINHO. REFLITA SEM PAIXÃO, DE FORMA RACIONAL.

  4. deixem eles fazeremn a merda e espalharem isso no papel….vamos ver o que da no judiciario……

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