60% dos paulistanos têm medo da PM, aponta Datafolha 133

LUCAS FERRAZ
ROGÉRIO PAGNAN
DE SÃO PAULO

06/11/2015 02h00

As polícias Civil e Militar despertam mais medo do que confiança na maioria dos paulistanos, segundo pesquisa Datafolha.

A desconfiança com os policiais, registrada em levantamento da semana passada na capital, representa uma piora em relação à pesquisa anterior, de junho de 2013.

Os números do Datafolha evidenciam o atual momento de desgaste na imagem das polícias, sobretudo a PM, que tem alguns de seus integrantes sob suspeita de participação em crimes como a chacina que, em agosto, deixou pelo menos 23 mortos em cidades da Grande São Paulo.

Atualmente, 60% dos paulistanos têm mais medo do que confiança na PM –eram 50% na pesquisa anterior, há dois anos, em meio às manifestações que tomaram as ruas de São Paulo pela redução da tarifa do transporte público e acabaram em confronto com policiais militares.

Infográfico: Medo x confiança na PMhttp://arte.folha.uol.com.br/graficos/P5Udt/?

Além das chacinas, crimes como o assassinato à queima roupa por PMs de dois jovens que já estavam rendidos na zona oeste da capital, em setembro, podem ter contribuído na piora da avaliação.

O atual índice, contudo, é menor do que a desaprovação histórica (74%) verificada pelo Datafolha no primeiro semestre de 1997, quando o caso da Favela Naval, em Diadema (SP), ganhou repercussão nacional com imagens de policiais militares espancando, extorquindo e assassinando moradores do local.

Em relação à Polícia Civil, a imagem não é muito melhor: 55% dos entrevistados disseram temer os integrantes da corporação, o pior índice em 20 anos.

Infográfico: Medo x confiança na Polícia Civilhttp://arte.folha.uol.com.br/graficos/7qrry/?

O temor às polícias Civil e Militar é generalizado entre os paulistanos, não importando a região da cidade onde eles vivem, o sexo e a faixa de renda. O quadro de desconfiança se mantém entre os mais escolarizados.

Quanto mais velho o entrevistado é, contudo, maior a confiança nos policiais.

Para quase um terço dos paulistanos, o medo provocado pelos policiais é igual ao dos bandidos. Entre os entrevistados, 49% disseram temer mais os bandidos, enquanto 21% responderam sentir mais medo dos policiais. Esse índice tem se mostrado estável desde o final da década de 1990.

Infográfico: Medo da polícia x dos bandidoshttp://arte.folha.uol.com.br/graficos/2h3Q8/?

Para especialistas, levará tempo para que a população mude sua percepção em relação às polícias. O principal caminho, dizem, é investir na formação de quadros mais qualificados nas corporações.

Segundo o sociólogo Álvaro Gullo, da USP (Universidade de São Paulo), a má imagem das polícias vem desde o final dos anos 1980, após a redemocratização do país.

“O problema básico é que falta treinamento adequado e preparação psicológica. A Polícia Militar é vista como violenta, a Polícia Civil, como corrupta”, disse.

O deputado Delegado Olim (PP), presidente da comissão de Segurança da Assembleia Legislativa de São Paulo, diz que, como delegado há 23 anos, vê com tristeza os números sobre desconfiança e medo da população.

Para ele, esse quadro só poderia ser revertido com muito trabalho.

“Mas está difícil isso, porque até as polícias estão brigando. Como vão mostrar um belo trabalho se as duas estão se matando?, indaga.

O deputado se refere a uma proposta em discussão na Câmara dos Deputados que pretende dar à PM a atribuição de investigar crimes, hoje exclusividade das polícias civis e federal. Os delegados são contrários a essa mudança.

CICLO COMPLETO PM com requintes de crueldade 40

        O 4º Tribunal do Júri da Capital condenou ontem (4) seis policiais militares a penas que variam de 14 a 18 anos de reclusão, acusados de homicídio duplamente qualificado – por motivo torpe e envenenamento. Segundo a denúncia, em novembro de 2008 dois jovens foram abordados pelos PMs, que os obrigaram a beber solvente. Um morreu e o outro conseguiu se salvar após fingir ter ingerido o líquido.

        “Dois dos réus praticaram crimes mais graves, por ação e não omissão como os demais. Por isso os efeitos da condenação com relação a eles devem ser diferenciados”, diz a sentença proferida pela juíza Liza Livingston. Um deles foi condenado a 18 anos de reclusão, 1 ano e 1 mês de detenção e ao pagamento de 60 dias-multa, e o outro a 18 anos de reclusão, 1 ano de detenção e 40 dias-multa.

        “A ordem dos réus para que as vítimas ingerissem substância entorpecente revelou total falta de compaixão e sensibilidade. Mesmo sabendo que se tratavam de vítimas primárias, de 18 e 19 anos de idade, decidiram impor-lhes sofrimento atroz por ingestão de tricoletileno. Agiram com crueldade e de forma ilegal, deixando de efetuar a prisão para dar vazão aos instintos agressivos”, afirmou a magistrada, que decretou ainda a perda do cargo de ambos.

        Os outros quatro policiais militares envolvidos foram condenados à pena de 14 anos de reclusão, 6 meses de detenção e 20 dias-multa. A pena privativa de liberdade será cumprida inicialmente em regime fechado.

        Comunicação Social TJSP – RP (texto) / AC (foto)
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