PM homicida deve ser investigado pela polícia judiciária 14

ACADEMIA DE POLÍCIA

Por Henrique Hoffmann Monteiro de Castro

Como já ressaltamos em outra oportunidade[1], as atribuições das instituições policiais encontram-se estampadas de forma cristalina na Constituição Federal, sendo também confirmadas pela legislação infraconstitucional, não havendo dúvidas acerca do papel de cada policial na tarefa de prevenir ou reprimir infrações penais. À Polícia Militar cabe a missão de polícia ostensiva e a preservação da ordem pública (artigo 144, parágrafo 5º da CF), enquanto à Polícia Civil e à Polícia Federal incumbem as funções de polícia judiciária e apuração de infrações penais (artigo 144, parágrafos 1º e 4º da CF).

Não por outra razão, a Lei 12.830/13 estabelece:

Artigo 2º (…)
Parágrafo 1º. Ao delegado de polícia, na qualidade de autoridade policial, cabe a condução da investigação criminal por meio de inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei.

Resta claro, pois, que a investigação criminal de crimes comuns deve ser feita pela polícia judiciária, tendo a Carta Maior autorizado a Polícia Militar a apurar apenas os crimes militares (artigo 144, parágrafo 4º, in fine da CF).

E dentre os crimes comuns certamente está o crime doloso contra a vida. Em razão da alteração da redação do parágrafo 4º do artigo 125 da Lei Fundamental pela Emenda Constitucional 45/04, o homicídio praticado por policial militar contra civil é considerado crime comum, e não crime militar:

Artigo 125 (…)
Parágrafo 4º. Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os militares dos estados, nos crimes militares definidos em lei e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, ressalvada a competência do júri quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças.

Nesse sentido, sobreveio a Lei 9.299/96, que modificou o artigo 9º do Código Penal Militar e o artigo 82 do Código de Processo Penal Militar:

Artigo 9º. Consideram-se crimes militares, em tempo de paz: (…)
Parágrafo único. Os crimes de que trata este artigo quando dolosos contra a vida e cometidos contra civil serão da competência da Justiça comum, salvo quando praticados no contexto de ação militar realizada na forma do artigo 303 da Lei 7.565, de 19 de dezembro de 1986 — Código Brasileiro de Aeronáutica.
Art. 82 (…)
Parágrafo 2º. Nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra civil, a Justiça Militar encaminhará os autos do inquérito policial militar à Justiça comum.

Destarte, sendo crime comum o homicídio praticado por PM contra civil, deve ser investigado pela polícia judiciária e julgado pela Justiça comum (Tribunal do Júri), conforme expressa disposição constitucional (artigo 5º, XXXVIII e artigo 144, parágrafo 4º da CF).

O Supremo Tribunal Federal, pelo Tribunal Pleno, já consolidou essa posição de que o homicídio praticado por miliciano contra civil é crime comum, sendo corolário lógico que o delito deve ser apurado pela polícia judiciária:

Todos os crimes que tratam o artigo 9º do Código Penal Militar, quando dolosos contra a vida praticados contra civil, são da competência da Justiça comum, os teve, implicitamente, como excluídos do rol dos crimes considerados como militares por esse dispositivo legal, compatibilizando-se assim como o disposto nocaput do artigo 124 da Constituição Federal[2].

O Superior Tribunal de Justiça não destoa:

O parágrafo único do artigo 9º do CPM, com as alterações introduzidas pela Lei 9.299/96, excluiu dos rol dos crimes militares os crimes dolosos contra a vida praticado por militar contra civil, competindo à Justiça comum a competência para julgamento dos referidos delitos[3].
Os crimes de homicídio imputados ao paciente foram todos praticados, em tese, contra vítimas civis, sem exceção, sendo pacífico o entendimento desta corte no sentido de que os crimes previstos no artigo 9º do Código Penal Militar, quando dolosos contra a vida e cometidos contra civil, são da competência da Justiça comum e, em consequência, da Polícia Civil a atribuição de investigar (…) Não caracterizada a natureza militar dos delitos imputados ao paciente, resta afastada a atribuição da Polícia Militar de proceder aos atos investigatórios, a qual pertence à Polícia Civil, conforme estabelece o artigo 144, parágrafo 4º , da Constituição Federal[4].

Não raras vezes a sociedade se depara com justiceiros travestidos de policiais, que forjam autos de resistência para acobertar homicídios e chacinas[5]. Tais execuções sumárias e desaparecimentos forçados são inclusive considerados pela Corte Interamericana de Direitos Humanos como graves violações a direitos humanos, devendo ser reprimidos com especial atenção[6].

Aliás, foi exatamente para combater o corporativismo na investigação e julgamento da violência militar que surgiu a Lei 9.299/96, como explica a doutrina:

Com relação ao direito à Justiça e à sistemática impunidade nos casos de violência da Polícia Militar, assegurada pelo fato de os agentes militares serem julgados por seus pares, no âmbito da Justiça Militar, cabe ressaltar que (…) as pressões internacionais decorrentes dos casos submetidos à Comissão Interamericana contribuíram para a adoção, em 1996, da Lei 9.299, que transferiu para a Justiça comum a competência para julgar os crimes dolosos contra a vida cometidos por policiais militares[7].

Pois bem. Conquanto a exegese dos mencionados dispositivos não enseje maiores dificuldades, surpreendentemente alguns militares, num exercício de malabarismo hermenêutico, insistem que a investigação de tais crimes comuns deve ser feita nas sombras dos quartéis, afrontando o posicionamento das cortes superiores.

Propositalmente, ignoram que a inserção do parágrafo 2º ao artigo 82 do CPPM teve por finalidade não criar uma persecução penal frankensteiniana e antidemocrática, iniciada por inquérito policial militar e culminada no Tribunal do Júri, mas tão somente determinar o encaminhamento à Justiça comum de todos os IPMs que estavam em trâmite na Justiça Militar antes da EC 45/04, para que fossem redistribuídos às delegacias de polícia com atribuição para o feito. Assim entende não apenas a doutrina[8], mas também os tribunais superiores:

Não é admissível que se tenha pretendido, na mesma lei, estabelecer a mesma competência em dispositivo de um código — o Penal Militar — que não é o próprio para isso e noutro de outro código — o de Processo Penal Militar — que para isso é o adequado[9].
Esta corte superior de Justiça adotou o entendimento de que, diante da incidência instantânea das normas processuais penais dispostas no artigo 2º do Código de Processo Penal, a Lei 9.299/1996 possui aplicabilidade a partir da sua vigência, de modo que todas as investigações criminais e processos em curso relativos a crimes dolosos contra a vida praticados por militar contra civil devem ser encaminhados à Justiça comum[10].

A Resolução 8/12 da Secretaria Nacional de Direitos Humanos não contraria os dispositivos constitucionais e legais ou tampouco a visão dos tribunais ao enunciar que o policial militar que matar civil deve ser apresentadoincontinenti na delegacia de polícia:

Artigo 2º. Os órgãos e instituições estatais que, no exercício de suas atribuições, se confrontarem com fatos classificados como “lesão corporal decorrente de intervenção policial” ou “homicídio decorrente de intervenção policial” devem observar, em sua atuação, o seguinte:
I — os fatos serão noticiados imediatamente a Delegacia de Crimes contra a Pessoa ou a repartição de polícia judiciária, federal ou civil, com atribuição assemelhada, nos termos do artigo 144 da Constituição.

No mesmo sentido está a Resolução Conjunta 2/15, do Conselho Superior da Polícia Federal e do Conselho Nacional dos Chefes de Polícia Civil.

Nesse ponto, lecionou com maestria o ministro Celso de Mello:

Essencial que se construa, com estrita observância do que dispõe a Carta Política, um sistema organizado de proteção social contra a violência arbitrária da Polícia Militar (lamentavelmente em processo de contínua expansão) e de imediata reação estatal (…) É preciso advertir esses setores marginais que atuam criminosamente na periferia das corporações policiais que ninguém, absolutamente ninguém — inclusive a Polícia Militar — está acima das leis (…) A Lei 9.299/96 (…) emergiu desse contexto evidenciador de violência criminosa constante que absurdamente impregna a atuação da Polícia Militar em situação de policiamento ostensivo, vocacionada a neutralizar focos perigosos de insubmissão policial-militar ao império da Constituição, da lei e da ordem democrática (…) Não mais competindo, à Justiça Militar, o processo e o julgamento de crimes dolosos contra a vida, praticados por policiais militares ou membros das Forças Armadas contra civil, nada pode justificar — especialmente ante as regras inscritas no artigo 144, parágrafo 1º, IV e parágrafo 4º da Carta Política — que tais infrações penais continuem sendo objeto de investigação, em IPM, pela autoridade policial militar, com evidente usurpação da atribuição investigatória constitucionalmente outorgada à Polícia Federal ou à Polícia Civil dos estados-membros, conforme o caso[11].

Ademais, militarizar a investigação significaria andar na contramão da história[12], num contexto em que a desmilitarização não apenas da apuração de crimes, mas do próprio policiamento ostensivo, vem sendo defendida por juristas[13], estudiosos das ciências sociais[14], militares[15] e instituições nacionais e internacionais de defesa dos direitos humanos, tais como IBCCrim[16], Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas[17], Corte Interamericana de Direitos Humanos[18], Anistia Internacional[19], Comissão Nacional da Verdade[20] e Secretaria Nacional de Direitos Humanos[21].

Não é apenas inconstitucional e ilegal, mas ilógico que a investigação de crime comum julgado no Tribunal do Júri persista militarizada. Portanto, eventual inquérito policial militar instaurado para esse fim é natimorto e anencéfalo, fadado ao fracasso, especialmente ao se considerar a nulidade de qualquer prova decorrente de medida cautelar solicitada em seu curso perante a Justiça Militar, juízo sobre cuja incompetência não paira controvérsia[22].

Destarte, todo e qualquer miliciano suspeito da prática de crime contra a vida de vítima civil deve ser imediatamente apresentado ao delegado de polícia do lugar mais próximo (artigos 304 e 308 do CPP). Eventual condução de PM homicida a destacamento militar pode acarretar a responsabilização — inclusive penal — do comparsa que pretender favorecer o suspeito. A possibilidade de que o fato tenha sido praticado em legítima defesa não elide a exigência de apresentação do miliciano à Polícia Civil, porquanto a análise de eventual excludente de ilicitude incumbe ao delegado de polícia, e não ao oficial de Polícia Militar, agente da autoridade policial[23] e ocupante de carreira não jurídica[24].

As advertências[25] aos milicianos que usurpam função pública e elaboram termo circunstanciado de ocorrência se encaixam como uma luva na presente discussão:

Todos os elementos informativos e probatórios produzidos por instituição diversa da polícia judiciária são inválidos, porquanto o ordenamento jurídico veda a utilização da prova ilícita (artigo 5º, LVI da CF e artigo 157 do CPP), proibição reafirmada pelos tribunais superiores[26] e pela doutrina[27] (…) Além disso, a partir do momento que um agente público exerce atribuição para a qual não está legalmente autorizado, deixa de cumprir suas funções precípuas com eficiência, malferindo esse postulado constitucional exigido da administração pública como um todo (artigo 37 da CF) e dos organismos de segurança pública em especial (artigo 144, parágrafo 7º da CF) (…) De mais a mais, quando o Brasil leva adiante investigações arbitrárias, afrontando as normas plasmadas no Pacto de São José da Costa Rica, fica sujeito a nova condenação pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, tal como ocorreu no Caso Escher[28], justamente porque um policial fardado usurpou as atribuições da polícia judiciária, o que gerou uma indenização de U$ 30 mil a ser arcada pelo cidadão brasileiro. Diga-se ainda que o policial que atuar à margem da Constituição poderá sofrer responsabilização pessoal, seja por improbidade administrativa (artigo 11 da Lei 8.429/92), seja disciplinar por seu próprio órgão, seja criminal por usurpação de função pública (artigo 328 do CP), como bem lembra a doutrina[29]e inclusive o Supremo Tribunal Federal[30].

Nenhuma garantia constitucional é pequena demais para ser jogada no lixo. A escuridão da caserna não é lugar adequado para se apurar a retirada da vida de um civil por militar. Afinal, na persecução penal, forma significa garantia[31], verdadeira condição necessária da confiança dos cidadãos na Justiça[32].


[1] CASTRO, Henrique Hoffmann Monteiro de. Termo circunstanciado deve ser lavrado pelo delegado, e não pela PM ou PRF. Revista Consultor Jurídico, set. 2015. Disponível em: <http://www.conjur.com.br/2015-set-29/academia-policia-termo-circunstanciado-lavrado-delegado>. Acesso em: 6.dez.2015.
[2] STF, Tribunal Pleno, RE 260.404, Rel. Min. Moreira Alves, DP 21/11/2003.
[3] STJ, CC 45.134, Rel. Min. Og Fernandes, DJe 07/11/2008.
[4] STJ, HC 47.168, Rel. Min. Gilson Dipp, DP 13/03/2006.
[5] Confira apenas alguns exemplos ocorridos em 2015:http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-09-29/video-flagra-pms-de-upp-forjando-auto-de-resistencia-apos-confronto.html;http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/12/mais-de-100-tiros-foram-disparados-por-pms-envolvidos-em-mortes-no-rio.html;http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/10/oito-pms-sao-presos-suspeitos-de-participar-da-chacina-na-grande-sp.html; http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/09/novas-imagens-mostram-acao-da-pm-que-terminou-em-morte-no-butanta.html; http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/09/pms-sao-presos-apos-video-mostrar-execucao-em-sp-diz-promotor.html.
[6] CIDH, Caso Gomes Lund e outros vs. Brasil, Sentença de 24/11/2010.
[7] PIOVESAN, Flávia. Direitos humanos e o direito constitucional. São Paulo: Saraiva, 2013, p. 256/257.
[8] SODRÉ, Filipe Knaak. Crime doloso contra a vida praticado por militar contra civil — quem tem atribuição para investigar? Boletim IBCCRIM, n. 268, mar. 2015.
[9] STF, Tribunal Pleno, RE 260.404, Rel. Min. Moreira Alves, DP 21/11/2003.
[10] STJ, RCH 25.384, Rel. Min. Jorge Mussi, DJ 14/02/2011.
[11] STF, ADI 1494, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 09/04/1997.
[12] CASTRO, Henrique Hoffmann Monteiro de; SANNINI NETO, Francisco.Antes de discutir o ciclo completo, é preciso desmilitarizar a polícia. Revista Consultor Jurídico, out. 2015. Disponível em: <http://www.conjur.com.br/2015-out-19/antes-discutir-ciclo-completo-preciso-desmilitarizar-policia>. Acesso em: 6.dez.2015.
[13]VIANNA, Túlio. Desmilitarizar e unificar a polícia. Revista Fórum, jan. 2013. Disponível em: <http://www.revistaforum.com.br/blog/2013/01/desmilitarizar-e-unificar-a-policia>. Acesso em: 7.set.2015.
[14] MOURÃO, Janne Calhau. Só nos resta a escolha de Sofia? Tortura, Brasília, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, 2010, p. 215-216; MANSO, Bruno Paes. O homem x. Uma reportagem sobre a alma do assassino em São Paulo. Rio de Janeiro: Record, 2005, p. 220-221/249.
[15] SOUZA, Adilson Paes de. A educação em direitos humanos na Polícia Militar. 2012. 156 f. Dissertação (Mestrado em Direito) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.
[16] Advertências à militarização da ideia de segurança pública. Editorial do Boletim do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, n. 206, jan. 2010. Disponível em: <http://www.ibccrim.org.br/boletim_artigo/4011-EDITORIAL-Advertncias-militarizao-da-ideia-de-segurana-pblica>. Acesso em: 08 set. 2015; “Ciclo completo de Polícia”: ou indevida investigação legal. Editorial do Boletim do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, n. 199, jun. 2009. Disponível em: <http://www.ibccrim.org.br/boletim_editorial/236-199-Junho-2009>. Acesso em: 08 set. 2015.
[17] Relatório do Grupo de Trabalho sobre o Exame Periódico Universal (EPU) do Brasil, de 2012.
[18] Caso Escher e Outros vs Brasil, Sentença de 06/07/2009; Caso Castillo Petruzzi e Outros vs Perú, Sentença de 30/05/1999.
[19] Anistia Internacional, Informe Anual 2014/15.
[20] Comissão Nacional da Verdade. Relatório. Volume I. Parte V. Conclusões e recomendações. p. 971.
[21] Resolução 8/12, que busca, dentre outras coisas, coibir a investigação de crimes comuns pelo Serviço Reservado da Polícia Militar (P2).
[22] STF, 110496, Rel. Min. Gilmar Mendes, DP 09/04/2013.
[23] NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2010, p. 827; TORNAGHI, Hélio. Instituições de Processo Penal. v. 1. Rio de Janeiro: Forense, 1959, p. 406.
[24] STF, RE 401243, Rel. Min. Marco Aurelio, DP 18/10/2010.
[25] CASTRO, Henrique Hoffmann Monteiro de. Termo circunstanciado deve ser lavrado pelo delegado, e não pela PM ou PRF. Revista Consultor Jurídico, set. 2015. Disponível em: <http://www.conjur.com.br/2015-set-29/academia-policia-termo-circunstanciado-lavrado-delegado>. Acesso em: 06 dez. 2015.
[26] STF, RHC 90.376, Rel. Min. Celso de Mello, DP 03/04/2007; STJ, HC 149.250, Rel. Min. Gilson Dipp, DJ 23/03/2011.
[27] CARVALHO, Ricardo Cintra Torres de. A inadmissibilidade da prova ilícita no processo penal. Revista Brasileira de Ciências Criminais, ano 3, n. 12, p. 172, out./dez. 1995.
[28] CIDH, Caso Escher e Outros vs Brasil, Sentença de 06/07/2009.
[29] BITENCOURT, Cezar Roberto. Juizados Especiais Criminais e Alternativas à Pena de Prisão. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1997, p. 58; MOREIRA, Rômulo de Andrade. A polícia rodoviária federal pode lavrar o termo circunstanciado? Jusbrasil, abr. 2015. Disponível em: <http://romulomoreira.jusbrasil.com.br/artigos/183091406/a-policia-rodoviaria-federal-pode-lavrar-o-termo-circunstanciado>. Acesso em: 06 set. 2015.
[30] STF, RE 702.617, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 31/08/2012.
[31] HASSEMER, Winfried. Critica al derecho penal de hoy. Bogotá: Universidad Externado de Colombia, 1998, p. 82.
[32] FERRAJOLI, Luigi. Direito e razão. São Paulo: RT, 2002, p. 496.

 é delegado de Polícia Civil do Paraná, mestrando em Direito pela Uenp, especialista em Direito Penal e Processual Penal pela UGF e em Segurança Pública pela Uniesp. Também é professor convidado da Escola Nacional de Polícia Judiciária, da Escola Superior de Polícia Civil do Paraná, da Escola da Magistratura do Paraná e da Escola do Ministério Público do Paraná e professor-coordenador do Curso CEI e da pós-graduação em Ciências Criminais da Facnopar.

  1. O título do texto já revela desconhecimento do Direito, porque polícia judiciária a polícia militar também é, pois atua em apoio à Justiça Militar. Homicídio de militar contra civil continua sendo crime militar, ainda que julgado por Tribunal do Júri.

  2. Jurisconsulto em 06/01/2016 às 11:59
    “O título do texto já revela desconhecimento do Direito, porque polícia judiciária a polícia militar também é, pois atua em apoio à Justiça Militar. Homicídio de militar contra civil continua sendo crime militar, ainda que julgado por Tribunal do Júri.”
    ————————————————–

    Meu deus! Quanta burrice!!!! Essa lavagem cerebral do burro branco é forte mesmo! Vocês querem levar tudo no grito!!! Homicídio de militar contra civil é crime militar só no seu planeta, seu alienado! Vc vive no fantástico mundo da PM, onde todos os seres humanos andam marchando, com os sapatos engrachados, fivela do cinto alinhado com os botões da camisa e ao invés de “apertarem” as mãos as pessoas “batem” continência umas para as outras e dizem: “sim senhor” e “não senhor”!!!!! Kkkkk. Vc é louco!!!!!! A brilhante Autoridade Policial do Estado do PR discorreu impecavelmente sobre o tema, fundamentando toda sua explanação a luz da lei! Você ficou com dúvida aonde meu filho? Fundamente à luz da lei sua afirmação de homicídio praticado por contra civil ser crime militar!
    O cara ainda tem a ousadia de dizer que a Autoridade desconhece o direito pois a PM também é polícia judiciária! Filho….nenhuma das duas são polícia judiciária, elas exercem função de polícia judiciária, ou seja, produzem provas para fomentar o processo judicial na elucidação de crimes, a PC nos crimes comuns e a PM (APENAS) para crimes militares praticados por PMs (esse é o único exemplo de quando a PM exerce função de polícia judiciária)!
    Todavia homicídio praticado por PM contra civis é considerado crime comum conforme entendimento do STJ, e a investigação deve ser realizada NECESSARIAMENTE pela Polícia Civil!
    Volte para seu fantástico mundo PM!
    Ao Delegado do PR parabéns pelo brilhante texto!!!! Como eu queria que esse Delegado fosse de SP!

  3. Zé, se liga no que vai abaixo. Não sou eu que escrevi, mas o conjunto de promotores, estes sim estudiosos da matérias, sem achismos. Saia da escuridão, meu filho.

    I ENCONTRO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO COM ATUAÇÃO PERANTE A JUSTIÇA MILITAR
    Brasília/DF, 11 de Junho de 2015.
    GRUPO I
    Tema: A investigação no caso de crime doloso contra a vida praticado por militar contra civil (art. 82, § 2º CPPM)
    CONCLUSÕES
    1. Em caso de morte decorrente de atuação da Polícia Militar, convencionou-se que a comunicação do crime deva ser feita, com cópia dos autos, à autoridade policial civil e ao Ministério Público, imediatamente.
    2. Cabe ao Promotor de Justiça comunicado da ocorrência de morte decorrente de intervenção policial, dar ciência ao Promotor
    de Justiça com atribuição junto à Vara do Júri e ao Promotor de Justiça oficiante perante a Justiça Militar, caso o agente estatal
    seja Policial Militar.
    3. É admissível a investigação simultânea pela Polícia Civil e pela Polícia Militar de morte decorrente de intervenção policial
    militar (por maioria)
    4. Em caso de morte decorrente de intervenção policial militar comunicada ao Ministério Público, cabe ao Promotor de Justiça
    com atuação perante a Justiça Militar ou perante a Vara do Júri zelar pela realização de todas as diligências necessárias à
    preservação da prova, dentre elas, o envio de todas as armas de fogo envolvidas no incidente ao órgão responsável pela perícia
    balística.

  4. Jurisconsulto, não adianta… É como jogar pérolas aos porcos… Esses débeis mentais não conseguem enxergar o que está escrito embaixo de seus focinhos… Afinal, 6 meses de “academia” (kkk), não ensinam a ciência do direito…

  5. Ao colega jurisconsulto,

    Então…. Vc deve ter procurado em toda internet e achou uma orientação de um encontro de promotores da justiça militar! Pois bem, todos sabem que promotores não legislam, essa orientação no terceiro ponto autoriza uma investigação simultânea da PM à investigação da PC. A competência legal admitida hoje para investigação de homicídio contra civis praticados por militares é da justiça comum, e se tratando de crime comum a investigação deve ser realizada OBRIGATORIAMENTE pela PC! O fato de uma orientação de promotores da justiça militar autorizar uma investigação paralela da PM nesses casos não altera a lei vigente! A PM pode fazer investigação, só que não produz nenhum efeito no âmbito jurídico! É o mesmo que a PM fazer lavratura de Termo Circunstanciado, ela pode fazer, só que não produz nenhum efeito legal! Pode haver resolução do SSP, lei estadual, etc…. A competência para legislar sobre matéria penal e processual penal é Federal! A PM sofre do mesmo mal do MP!!! Ambos indivíduos que compõem essas instituições são pessoas frustradas! Ambos gostariam de ser Delegados! Mas a solução é simples, ao invés de tentarem usurpar a função constitucional atribuída a PC, é só fazer concurso para entrar na nossa polícia! O problema de nosso país é que todos querem extrapolar os limites estabelecidos nas leis, até mesmo as instituições que um dia juraram seguir as LEIS!

  6. Esse delegado está louco, precisam fazer um texto ruim como esse para se afirmar como qualquer coisa…deveriam dispender esse tempo na elucidação de seus inquéritos.

  7. PMs …..não é tentando ridicularizar o tema que estarão certos! Podem esperniar, ironizar, falar mal, a lei vai continuar a mesma, até um dia quem sabe ser alterada!
    Homicídio de civil praticado por PM é considerado crime comum, segundo o STJ! E a investigação pertence a PC! Tanto é verdade que em SP todos esses casos vão para o DHPP! Ponto final!!!!
    Uma possivel investigacao da PM nestes casos não produz nenhum efeito legal, é o mesmo que nada!
    Não se alteram leis no grito!!!!

  8. Essa obsessão da PM na busca do Ciclo Completo só tem uma justificativa, querer encontrar uma razão para continuar com a sua existência. Trata-se de organização perdida no tempo e no espaço, guardando em suas vísceras todo o veneno do militarismo nefasto e criminoso que a originou. Trata-se de organização cujo gigantismo paquidérmico a tornou burocrática e morosa. Não consegue realizar sua atividade fim, o policiamento ostensivo, e deseja abraçar a atividade de outra ou de outras instituições.
    Fim do Militarismo já !

  9. Não era policial civil o chefe do DOPS?
    Kkk, vcs enganam os ignorantes…

  10. Se possuir cérebro, enuncie o nome de Policiais Militares envolvidos em atos ilícitos pós 64?

  11. Que pena dos delegados em 07/01/2016 às 9:50
    Se possuir cérebro, enuncie o nome de Policiais Militares envolvidos em atos ilícitos pós 64?
    —————————————————
    Que comédia, os caras realmente se julgam santos! Kkkkk
    Colega, voce está se referindo a que modalidades de crimes praticados por PMs? Homicídio, formação de milícias, desvios de verbas públicas, extorsão, furto a caixas eletrônicos, coação no curso do processo, etc, etc, etc.
    Diferente de vocês não os julgo, pois sei que corrupção existe em TODAS as instituições!!! O problema é que os PMs são falsos moralistas! Tomam uma notinha e forjam ocorrências diuturnamente e julgam os outros quando cometem algum ilícito, como se fossem grandes exemplos de moralidade! Kkkkkk
    Fora que se dizem jurisconsulto do direito e querem ser Delegado no tapetão! Kkkk
    São uns grandes comédias!!!!

  12. Não tomo posições e vou à cata de textos na internet para aboná-las, sou um estudioso do assunto, acompanho a doutrina séria (Ronaldo Roth e Jorge César de Assim, p. ex) e diuturnamente a produção jurisprudencial penal e penal militar. Vejo muita bobagem escrita de gente que nunca se aprofundou no Direito Penal Militar. Agem com o fígado. “O importante é ferrar com esses PMs”. É preciso estudar. Existe um CPM e um CPPM vigente. Estudá-los dá trabalho.

  13. PM=Muitos consideram ser a abreviatura de Polícia de Merda… Discordo totalmente. Não dá para ser polícia de merda porque, nesta humilde opinião, nem polícia é. Deixaram esses inspetores de quarteirão crecerem muito… Na minha época, esses gambés chegavam de cabeça baixa nas delegacias e pediam desculpas por existirem. Agora… não se achando! kkkkk Mas, quem nasce totó não chega nunca a rim tim tim. Esses caras têm que acabar… Militarismo é bom para os verdadeiros, como eu fui antes de entrar na polícia, os verde-olivas. Esses daí são comédias. Primeiro, cumpram com as obrigações, que cá prá nós não são tão difíceis assim: patrulhar.Deveriam fazer um pouco mais que vigias uniformizados já fazem. Nem isso esses manés fazem. Querem o quê? Cambada de manés!

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