Medo de ser assassinado atinge 3 em 4 brasileiros; 67% de jovens temem a PM…“Segundo a pesquisa, 59% teme ser vítima de agressão da PM, e 53%, da POLICIA CIVIL.” 196

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

02/11/201607h00

  • Marcello Sá Barretto/Agnews

    O número de assassinatos no país em 2015 caiu 1,2% em relação a 2014; no entanto, o medo de ser morto aterroriza o brasileiro

    O número de assassinatos no país em 2015 caiu 1,2% em relação a 2014; no entanto, o medo de ser morto aterroriza o brasileiro

O medo de ser assassinado ou de ser agredido por bandidos ou policiais atinge a maioria dos brasileiros, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (2) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os dados fazem parte do 10° Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que será divulgado nesta quinta-feira (3).

Segundo o levantamento, o medo de ser assassinado chega a 76% dos entrevistados. Apesar de ser vítima em mais de 90% desses crimes, os homens são menos amedrontados: 69% disseram que temem ser mortos, contra 83% das mulheres.

Outra constatação é que, quanto menor a renda, maior o medo da morte violenta, que chega a 78% entre os que ganham até cinco salários mínimos e 65%, nos que ganham acima de 10 salários.

Outro medo da população é o de ser vítima de agressão de criminosos. Na pesquisa, 85% disseram que temem ser agredidos por bandidos –índice que fica em 90% para as mulheres e 80% para os homens.

As mulheres também sofrem mais de outro grande medo: o de sofrer agressão sexual. Segundo a pesquisa, 85% temem ser vítimas. Já entre os homens, esse índice cai para 46%.

Medo da polícia

A pesquisa também revelou que, além do medo do bandido, a maioria dos brasileiros teme ser agredida pela polícia, especialmente a PM (Policia Militar).
Segundo a pesquisa, 59% teme ser vítima de agressão da PM, e 53%, da Polícia Civil. Esses índices crescem conforme diminui a idade, chegando a 67% entre jovens de 16 a 24 anos que temem ser agredidos pela PM.

“Existe uma dificuldade histórica entre juventude e polícia no mundo todo. Quase sempre a juventude é o publico que acaba sendo alvo da maior interação da polícia, e a conduta de jovens acaba sendo mais vigiada. Então, esse estranhamento precisa ser enfrentando caso a gente queira que a polícia goze da confiança e preste um bom serviço”, disse Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Além de temerem ser vítima, 70% dos entrevistados afirmam que os policiais brasileiros cometem excessos de violência na função. Entre os jovens de 16 a 24 anos, essa sensação sobe para 75%.

Por outro lado, 64% dos entrevistados acreditam que os policiais são caçados por criminosos. Em 2015, 393 policiais foram mortos, segundo os dados do Anuário.

Falta de estrutura e eficiência

O Datafolha também questionou a percepção dos brasileiros sobre a atuação das polícias. Ao todo, 63% acreditam que as polícias não têm boas condições de trabalho.

Sobre eficiência, 52% acreditam que a PC faz um bom trabalho esclarecendo crimes, enquanto 37% não acreditam –os 11% demais não sabem ou não responderam. Já a PM tem o crédito de 50% dos entrevistados, que afirmaram que ela garante a segurança da população. Já 42% discordam e dizem que ela é ineficiente.

“Os brasileiros são claros ao perceber que as policias são reconhecidas como uma instituição importante e que não têm estrutura. Mas ela diz que tem medo de sofrer violência, que há dificuldade de enfrentar o crime e há excesso de violência ao agir. Ou seja, a forma como a polícia está agindo não é aquela que a população gostaria. Temos que pensar que polícia nós queremos”, disse Lima.

Para a pesquisa foram ouvidas 3.625 pessoas, em 217 municípios, entre os dias 1º e 5 de agosto. A margem de erro é dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Recado aos Comandantes da PM: “para registrar as ocorrências é preciso primeiro parar de matar os outros sem motivo” 60

Para registrar as ocorrências é preciso primeiro parar de matar os outros sem motivo

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O único grande problema das Polícias Militares do Brasil acontece a noite, principalmente em locais ermos ou esquecidos pelo poder público que, elegantemente, os denomina de “comunidades” .

Nesses locais os PM’s do Brasil inteiro assassinam os hipossuficientes e ainda os rotulam de perigosos marginais montando cenários de crime que não ocorreram colocando armas e drogas nas vestes ou mãos das vítimas que acabaram de matar.

É só esse o pequeno probleminha que impede os integrantes das PM’s de registrarem as ocorrência. Quando o fizerem , vão falsear toda sorte de abuso e violência contra a população e se colocarem como valorosos homens da lei que agiram em defesa da sociedade.

Assinado: Oficial reformado formado no Barro Branco.

A FELONIA AVANÇA – Os sicários da FENAPEF querem ser autoridades sem prestação de concurso público e lançam seus perdigotos jurídicos contra os Delegados de Polícia do Brasil 32

perdigoto

STATUS GERAL

Policiais são contra uso exclusivo de termo “autoridade” por delegados

CONJUR – 1 de novembro de 2016, 14h26

Temendo uma concentração de poder nas mãos dos delegados, a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) luta para fazer prevalecer seu ponto de vista de que autoridade policial é um status de qualquer membro de polícia.

Por meio de nota técnica, a entidade aponta que as associações de delegados tentaram pelo Judiciário serem consideradas as únicas “autoridades policiais” e que agora as investidas continuam no Legislativo.  O debate gira em torno da definição que as leis e a Constituição dão para a expressão.

“As entidades representativas dos delegados de polícia lutaram em todas as esferas, inclusive judicial, contra a lavratura de termo circunstanciado de ocorrência (TCO) por policiais de outros cargos, tendo sido vencidas. Agora buscam no âmbito legislativo nova forma de obter, por meio de parlamentares (especialmente os que são delegados de polícia), alterações em leis esparsas para a apropriação exclusiva do atributo de autoridade policial somente para seus cargos”, escreveu a Fenapef em nota técnica.

A entidade ressalta que a Lei do Abuso de Autoridade (Lei 4.898/65) define que são autoridades todos os agentes públicos. A Fenapef também recorrer à Constituição, na qual não há qualquer definição ou restrição do atributo de autoridade policial, uma vez que o texto constitucional contém a expressão “autoridade policial” apenas uma vez, no capítulo que trata do Estado de Defesa e Estado de Sítio.

“A falta de definição ou limitação da ‘autoridade policial’ no texto constitucional expressa o ‘silêncio eloquente’ do constituinte originário, uma vez que o atributo é intrínseco a todos os policiais que executam o ‘múnus público’ da atividade de segurança pública do país definida na Constituição para os órgãos policiais (artigo144). Onde a Constituição Federal iguala, não cabe ao intérprete ou legislador diferenciar”, diz a federação.

Clique aqui para ler a nota da Fenapef. 

“Você tem que ter criatividade, ter preparo, e, no preparo, estão relacionamentos”, Márcio França vice-governador de SP sobre a mais que certa candidatura de Alckmin à Presidência 11

Márcio França pode assumir Governo do Estado em 2018

Vice-governador de SP fala, em entrevista exclusiva, sobre possível candidatura de Alckmin à Presidência

RAFAEL MOTTA – A TRIBUNA DE SANTOS 

Márcio França tem procurado conter a ansiedade para o momento, ainda distante, de se tornar governador do Estado. Esse dia chegará quando se concretizar algo de que afirma ter certeza: o titular, Geraldo Alckmin (PSDB), renunciará ao cargo em 2018 para disputar, pela segunda vez, a Presidência da República. Seria um movimento político indiscutível caso não se tratasse da agremiação tucana, conhecida por divisões internas que já a abateram em voos mais altos.

Se as diferenças serão minimizadas até maio próximo, quando filiados se reunirão em convenção nacional, pouco importa para França – presidente estadual do PSB e segundo o qual este e outros partidos (como PPS, PV e DEM) estão dispostos a dar apoio político à campanha presidencial de Alckmin – traduzido, sobretudo, em tempo de propaganda na televisão.

O vice-governador, que recebeu A Tribuna na última quarta-feira, na sede da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Informação, também falou em política regional. E mencionou o projeto de construção de termelétricas movidas a gás como alternativa econômica à Baixada Santista. Abaixo, confira a entrevista na íntegra:

França pode assumir o Governo em 2018, caso Alckmin concorra à Presidência (Foto: Diulgação)

Em 2010, o sr. foi cotado para assumir o Ministério do Turismo. Isso acabou não se concretizando e resultou numa aproximação sua do governador Geraldo Alckmin. Pensando em 2018, o que o sr. pretende: concorrer ao Governo do Estado com apoio dele ou, se ele se tornar presidente, assumir um ministério?

Eu acho que está muito simplificada essa forma. Eu venho de uma longa vida pública, uma trajetória de muitos anos. Em 2010, o Eduardo (Campos) se reelegeu governador em Pernambuco, e é nesse contexto que vale a análise. Quando o Eduardo se reelegeu com aquela votação extraordinária, eu intuí que o Eduardo tinha potencial para disputar a Presidência da República. A Dilma havia acabado de se eleger, nós tínhamos direito de indicar dois ministros. O Eduardo indicou um, e a bancada na Câmara e no Senado me indicou para o Ministério dos Portos – não foi o do Turismo. E a presidente Dilma, na época, preferiu que viesse alguém do Ceará. Daí, veio aquele rapaz que era prefeito de Sobral…

… Leônidas Cristino.

Então, quando ela fez essa opção, eu pedi autorização para o Eduardo e para a Executiva Nacional, que estava reunida lá, no Palácio, para vir para São Paulo me aproximar do governador Alckmin, porque eu intuí, naquele tempo, que o Alckmin poderia, eventualmente, abrir uma porta importante para a campanha presidencial do Eduardo. Por isso, eu vim para cá, para ser secretário de Turismo, na época. Conversei com o governador Alckmin, com quem eu não tinha grande relação, mas eu tinha pessoas em volta dele, que são meus amigos até hoje, vários deputados. Ele me deu algumas opções, e eu optei por Turismo, porque meu negócio tinha a ver com aproximação política, e não, administrativa. E eu disse claramente para o governador: “Eu quero aproximar o sr. do Eduardo. Eu acho que o Eduardo vai disputar a Presidência da República e acho que, onde o seu pêndulo pesar, é que vai ser a decisão”. Minha intuição é que São Paulo decidiria o processo. Aí, o governador aceitou, eu vim ser secretário de Estado… Toda a óptica era para o Eduardo. Quando chegou a eleição do Eduardo, o governador, com muita simpatia – porque ele tinha uma proximidade, algum traço de comportamento do Alckmin era parecido com o do Eduardo: a coisa da religião católica, a família, muito trabalhador, essa coisa do workaholic, os dois são muito parecidos nesse negócio. Então, eles se aproximaram muito, mas tinha o Aécio, candidato a presidente. Eu aprendi com o doutor Arraes, e eu levo isso muito a sério, que você deve olhar as coisas do universo para o seu mundo. Então, desde a minha primeira eleição, eu sempre olho a eleição presidencial para todas as eleições. Nem sempre dá certo, como foi o caso do Eduardo. Mas não muda. Quando o Eduardo faleceu, eu dei uma entrevista para vocês mesmos e disse que a minha cabeça funciona igual a um GPS – não, não, foi quando perdemos a eleição em São Vicente. Perdeu uma, vai para outra. O Eduardo faleceu, o Aécio sobrou como candidato, deu no que eu imaginei que fosse dar – a Dilma foi reeleita – e é claro que, na ausência do Eduardo, no nosso partido, meio que não sobrou um nome de referência nacional que, hoje, pudesse pleitear uma eleição presidencial. Eu não vejo, não enxergo no partido hoje. Porque foi um acaso, uma tragédia. Um moço com aquela idade, presidente do partido, candidato à Presidência e cai num avião é um negócio que não era previsível. Então, nós não tínhamos preparado uma segunda chance, um plano B. Então, na minha visão, a proximidade com o Alckmin, eu noto que o Brasil, neste instante, tem passado por momentos de euforias e depressões… Euforias e depressões… Essa instabilidade cansou o brasileiro. O brasileiro, que sempre procurava uma coisa assim meio show, hoje está em busca de estabilidade. Porque ele está cansado de ficar eufórico e depressivo. “Essa fórmula não dá certo. Eu quero uma coisa mais reta, mas que me dê garantias”. Quando você olha estabilidade na política brasileira, só um nome real sai automaticamente, que é o Alckmin. Escrevi um artigo na A Tribuna, saiu depois na Folha (de S. Paulo), teve muita repercussão, comparando o Alckmin aos traços da bandeira de São Paulo: retos, iguais – o comportamento do Alckmin –, reto, igual, repetido, previsível, estável. Ele fez São Paulo ficar assim. São Paulo tem o traço dele: ele é o homem que mais vezes foi governador de São Paulo. E a Folha replicou por causa disso: a palavra “picolé” de virtudes. E eu acho que esse moço tem uma característica meio única na política, dos que eu já convivi. Eu estou há muitos anos na vida pública, encontrei muita gente genial, carismática, convivi com Garotinho, doutor Arraes, com o Covas, enfim… Mas ele tem uma característica diferente: ele é meio “não político-político”, porque ele não tem os traços da política comum. Ele não é uma pessoa carismática, que você fala: “Me apaixonei por ele”, “Virei alckmista”, entendeu? Ninguém é alckmista. Aliás, nós criamos um grupo, agora, que se chama “Alckmistas”. Mas ele não é, assim, uma pessoa que tem um grupo que o cerca. Ele é estável. E Eduardo, um dia antes de falecer, num apartamento aqui em São Paulo, ele me falou: “Márcio, eu tô convencido de que Presidência da República, de tão importante, não é questão de tempo de televisão, não é questão de dinheiro, não é conhecimento. É destino”. Você vê: ele falou isso ‘hoje’, morreu no dia seguinte. Eu chego à conclusão de que, de alguma forma, deve estar no destino do Alckmin porque a composição nacional de hoje, o quadro nacional político, para quem conhece política, ele está, assim, num WO coletivo. Praticamente não há adversário, neste instante, para ele, como figura política. Vão surgir outros, é claro, mas hoje não há, nas coincidências dos fatores positivos que o cercam. E quando você está no foco de uma eleição presidencial, você não pode ter um segundo foco. Então, respondendo à sua pergunta: a eleição de governador… Eu estou eleito vice-governador. Eu não vou ser eleito vice-governador, eu estou eleito e, na medida em que o governador faça o movimento dele, eu cumprirei o que é correto pela regra do jogo, que é ficar no cargo de governador. Mas a prioridade é a eleição dele. Tudo o que for feito pela eleição dele é a prioridade, esse é o foco. Agora, se ele entender que isso é importante, eu vou cumprir o que ele achar que é importante porque, na política, se você não aceitar esse comando, você acaba dispersando. Ele tinha duas marcas: uma marca de gestor – São Paulo é o único dos grandes estados estável; não há ninguém aqui em São Paulo que pense que não vai ter salário; todos os grandes estados, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, tudo com problema grave de salário… Estima-se que pelo menos 20 estados não pagarão salário até o final do ano. Então, é claro que ele tem essa marca de gestor, de superação – ele é muito resiliente, o negócio da água no ano passado… Capacidade de resiliência. E tem essa coisa de honestidade. Eram os dois fatores. Mas o que era, digamos, uma dúvida? Se ele era um bom político, se ele tinha traquejo de política. A política veio com esse resultado eleitoral, que é acachapante, é um strike eleitoral: ganhar a Prefeitura de São Paulo no primeiro turno. Ganhar 560 prefeituras de 645. É um resultado, no meio de uma crise, onde a política, teoricamente, não elege ninguém, e todo mundo tinha dúvidas se ele era um bom político… Então, nacionalmente, não há nenhum fato nessa eleição passada que tenha chamado mais a atenção do que essa vitória do Alckmin. Claro, a vitória do Doria, mas em consequência da vitória do Alckmin. Só que não é a vitória do Doria. É a vitória do Gutti, em Guarulhos, a vitória do menino em Santo André, a vitória do outro em Osasco… Onde tem cidade grande… A única exceção em São Paulo, dos partidos que não estão no bloco orgânico do Alckmin, é São Vicente, que é PMDB, mas, enfim, tem a relação comigo, Rio Preto e Araraquara. São as três exceções em PMDB e PT. O resto foi um strike. Então, foi um belo resultado.

Com esse foco na disputa da Presidência da República, tendo Alckmin como candidato, e ele fortalecido pelo fato da eleição de João Doria em São Paulo, o sr. entende que ele deva concorrer à Presidência pelo PSDB ou o sr., enquanto presidente estadual do PSB, acredita que ele possa entrar no seu partido?

Eu entendo que o Alckmin é uma pessoa de atitudes previsíveis. Isso é um ativo positivo dele, essa previsibilidade. Ele é fundador do PSDB. Então, eu imagino que ele gostaria, e nós também, que ele fosse o candidato do PSDB. Nós estaríamos com ele na campanha presidencial. “Nós” somos sempre um bloco. Nós criamos um bloco aqui em São Paulo logo que eu cheguei: PSB, PV, PPS, DEM e outros partidos menores. Na Assembleia, nós somos 28 deputados estaduais. Todo mundo é Alckmin. Agora, caberá ao PSDB decidir se, dos três nomes que eles têm, se o nome que está mais preparado é o Alckmin. Se eu fosse do PSDB, certamente votaria nele. Acho que ele é o mais preparado, é o que tem melhores condições neste instante. Quais são os três nomes? Ele, Serra, Aécio. O Serra é um belíssimo quadro, preparadíssimo, tem todas as qualidades, mas, neste instante, está meio deslocado do eixo principal de comando, que ele não está comandando nenhum Estado. Está no ministério. (A idade) Tem um peso. Eu acho que o Aécio é extremamente simpático, tem um recall alto porque veio da outra eleição, mas é quase inaceitável você ir para uma disputa presidencial sem retomar o seu ambiente, o seu mundo. Ulysses dizia que “ninguém pode ser do mundo se não for da sua província”.

Já perdeu a eleição para a Presidência, tem dificuldades com a eleição em Belo Horizonte…

Ele precisava ter Minas de volta. Acho importante ganhar em Minas. É muito ruim ter ganho em São Paulo a eleição presidencial e ter perdido em Minas, fica uma coisa meio difícil de você explicar. E também tem uma vantagem: ele tem dez anos a menos do que o Alckmin. Quer dizer, ele tem mais tempo para esperar nesse formato da passagem (com mandatos de quatro anos e uma possível reeleição). Se eu fosse ele, nem pensaria duas vezes. Mas cada cabeça tem seu jeito de pensar, e eles vão ter uma convenção em maio do ano que vem. Nessa convenção nacional do PSDB, lá eles decidirão quem comandará o partido. Ali a gente saberá porque, pelo comando partidário, você sabe mais ou menos para onde que a banda toca. Eu imagino que, se for bem conversado, ele possa ficar no PSDB porque todo o arranjo nacional, hoje, tem a ver com tempo de televisão – o PSDB tem seis minutos, nós temos quatro e meio; PT e PMDB, na faixa de oito e meio; e, aí, quatro partidos na faixa de quatro e meio, que são PP, PR, PSD e PSB. Depois, tem uma terceira faixa que é menor: PTB, PSC, PRB, tudo com dois e pouco. Então, quem tiver nesse controle, onde você tem televisão, quando é a Globo, quando é uma televisão de poderio, você influencia não só a sua campanha: você influencia todas. Você vê o que aconteceu em Santos: a presença do 45 marcante influenciou na borda, bastante. Como aqui em São Paulo, o Doria: a borda. Antigamente, não. Quando era blocão, o cara levantava para jantar. Agora, não tem blocão: é pim, pim, pim, pim (som que usou para indicar as breves e constantes inserções eleitorais na televisão). Quando você percebe, já foi, já embutiu na sua cabeça.

Nessa previsibilidade que o sr. diz que Geraldo Alckmin tem, é de se esperar, então, que ele se mantenha no partido, mas só se puder comandá-lo? Já fica subentendido que há possibilidade de que ele saia do partido que ajudou a fundar, buscando a Presidência?

O que eu digo é o seguinte: acho difícil convencerem ele a não ser candidato à Presidência da República. Ele será candidato à Presidência da República, em minha opinião. Ele vai negar, claro, é tarefa dele, até porque ele é todo precavido. Ele jamais falaria: “Sou candidato a presidente”. Ele não vai fazer isso, eu conheço o jeito dele. Até um dia antes ele vai negar. Mas eu o conheço bastante: ele será candidato à Presidência da República. Se for candidato pelo PSDB, ótimo. Nós somaremos o nosso tempo com o dele, faremos uma grande composição, o PSDB terá uma grande chance de retomar (a Presidência), o PSDB teve uma grande vitória em vários lugares do Brasil

Mas, se o PSB está nesse bloco com o PSDB, e na possibilidade de o PSDB não querer lançar: “Ah, agora vai o Serra porque é a última oportunidade que ele tem”, como é que o PSB acolheria, eventualmente, o Alckmin, com o partido estando coligado com o PSDB?

É difícil entender porque nem todo mundo mexe com isso, mas é questão de tempo. Em maio, há convenção. Se ele controla ou tem acesso ao controle do partido, certamente ele será o candidato. Se ele não tem o controle, mas há um acordo entre os principais componentes de que ele será o candidato, também é o suficiente, ele não precisa ter o controle: basta ele ter a palavra. Na política, num certo nível, quando a pessoa dá a palavra, ainda está valendo. Agora, se ele não tiver a palavra e se ele não tiver o controle… Eu penso que os partidos são formados de um jeito, hoje em dia, que sempre defendi isso: a grande reforma não é a política, é a partidária. Os partidos não são democráticos. Porque o controle partidário é um livro. Em muitos lugares, os partidos não têm sede. Cidade grande: onde é que está a sede do PSDB em determinada cidade? Às vezes, não tem. Então, se tiver uma prévia, onde é que vai ficar a urna? Na casa do presidente. Quem vai votar nessa casa do presidente? Quem ele quiser (ri). É difícil: o filiado vai entrar na casa do sujeito? Claro que se você tiver o controle facilita muito. Quer dizer, eu tenho todo o direito de ter alguma desconfiança de que, se você não tiver esse controle, fica muito difícil você vencer uma prévia. A imprensa desconhece um pouco como funciona isso. Nos partidos, alguns são diretórios definitivos, mas boa parte tem diretórios provisórios. Os diretórios provisórios, você muda com uma canetada. Significa dizer o seguinte: vamos supor, na Paraíba, o sujeito é Márcio França; aí, eu sou candidato; eu quero ir para a prévia; meu adversário é o presidente do partido, vai e troca a provisória por outro; e, aí, passa a ser outro cara que não é Márcio França. Em abril de 18, é a janela das mudanças. É onde os parlamentares podem mudar (de partido) para ser candidatos de novo. Sempre sete meses antes do prazo final (da eleição). Os governadores e prefeitos não precisam disso, mas os deputados podem migrar do dia 1º ao dia 30 de abril de 18. Aí, eventualmente, pode acontecer uma grande mudança. Ninguém acha que pode. Mas ninguém achava que o Doria ia ganhar. Eu estava certo: ele ganhou. Eu acho que o governador… O Brasil precisa da estabilidade do governador. É difícil explicar, mas tudo o que podia ser feito para São Paulo, do ponto de vista de estabilidade, foi feito. Mas, daqui para a frente, nós temos que dividir esse conhecimento que a gente conseguiu adquirir aqui, de gestão, para o Brasil. Por que São Paulo tem estabilidade? Por que São Paulo tem superávit? Porque, hoje (quarta-feira) cedo, ele publicou um decreto proibindo todos os empenhos. Ele pegou todo mundo de surpresa. É claro que é chato, mas, por outro lado, é o seguinte: é para fechar a conta. Ele vai fechar a conta. Eu garanto que ele vai fechar com superávit.

E o que o sr. imagina para o Governo do Estado? Tem o foco na Presidência, mas, em nível estadual, o que ele pretende, para fazer um sucessor?

O projeto prioritário é o Alckmin. E eu vou cumprir aquilo que ele achar que é bom para mim e bom para o Estado.

Para 2018, quem o sr. vê como potenciais adversários do governador? Imagina, até, que, em dois anos, o ex-presidente Lula possa estar no páreo?

Acho que sim. O Lula é sempre uma fera, mas, digo assim: ou ele ou o pensamento dele. Na lógica, hoje, eu apostaria no Ciro Gomes, do PDT. Porque foi a estratégia que o PT usou em várias cidades: quando não tinha força, apoiava alguém de outro partido disfarçadamente, como se não fosse PT. Fez isso em Santos, com o PC do B. Então, eu imagino que eles vão de Ciro Gomes. É um quadro preparado, fala muito bem, é o maior orador que eu conheci no Brasil. Foi meu colega deputado, trouxe ele para morar em São Paulo porque eu tinha ideia de lançá-lo candidato a prefeito em São Paulo. Fui líder dele na Câmara. É um belo quadro. Nordestino…

Michel Temer, na sua avaliação?

Acho que pode ser candidato, sim, senhor. Acho, sim. Acho que é habilidoso, experiente, sabe a hora certa de anunciar as coisas, joga no meio-campo, toca, toca, toca, não corre… Entendeu?

Mesmo com uma agenda de temas tão carregada neste princípio, como PEC 241, reforma previdenciária, leis trabalhistas?

Se der, aprova. Se não der, não aprova, também. Mas eu digo: ele vai tocar isso, assim… Se o País voltar a crescer 1% no ano que vem, que é o previsível, e 3% em 18, aí, vai falar assim: “Peguei a situação assim, devolvi assim”. Quando se faz uma viagem, o que fica depois não são os detalhes, são os grandes… “Ah, minha alegria, naquele momento…”. O que vai ficar do governo Michel? Um homem que pegou um governo assim e devolveu assim. Ele é um quadro. Comanda o maior partido, não precisa se preparar para o partido, terá sempre o dele, no mínimo.

A idade, o sr. acha…

Acho que pesa um pouco, claro.

Em nível mais regional, que importância para o seu futuro político terá o desempenho de Pedro Gouvêa, seu cunhado, quando prefeito? Porque é dito que a Prefeitura anda mal em parte por incompetência do atual prefeito, e ele reclama de que o Estado não teria colaborado com ele o suficiente?

O Bili tem que ser estudado. Ele é uma figura. A Cidade de São Vicente sempre foi difícil. Ela é a cidade mais difícil para governar na região. Menor orçamento, muito problema, mas desde o início eu disse que esse moço era despreparado. Eu sempre disse isso. Perder não é problema, quando você perde para alguém que é preparado. Agora, ele é despreparado. Ele não tem nenhuma noção do que ele fez lá. Ele passou o tempo todo a falar que não vinham recursos do Estado… As duas maiores obras do Estado, de São Vicente, dos 500 anos, estão lá: o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e os viadutos (na Rodovia dos Imigrantes), somados, tem R$ 2,5 bilhões de obras lá. Só de ISS (Imposto sobre Serviços), tem R$ 75 milhões para a Prefeitura de São Vicente. É inacreditável. Se eu tivesse um décimo disso quando era prefeito, eu teria saído de lá para ser senador da República, entendeu? Agora, não adianta vento bom para mau velejador, porque ele não sabe para onde estende a vela. Não sabe para onde vai. Ele fez do discurso anti-Márcio o discurso do mandato dele. Ele achou que isso era suficiente. Ele teve a vitória pela coragem dele. Ele é inteligente e corajoso, embora despreparado. E esse despreparo custou caro para a Cidade. (…) Você tem que ter criatividade, ter preparo, e, no preparo, estão relacionamentos. Quando eu ganhei a eleição, o governador era o (Mario) Covas. Eu ganhei a eleição disputando contra o PSDB, inicialmente. Eu ganhei a eleição, o Koyu (Iha, ex-deputado federal) ligou para o Covas aqui em São Paulo, depois da eleição. Eu entrei na sala, de pé, com o Koyu, e o Covas estava despachando. Do jeito que ele estava (de olhos voltados aos papéis), ele ficou. E o Koyu falou: “Mario, esse rapaz que tá aqui é o prefeito de São Vicente, ganhou a eleição, e tal”. E ele (Covas) assim: “Ahn! Não vem me pedir dinheiro que não tem dinheiro pra nada”. Foi logo depois que o Estado estava quebrado, aquela história do Quércia. Aí, ele baixou (os olhos) de novo. E eu falei: “Governador, eu vim aqui oferecer um pouco de dinheiro de São Vicente, se o senhor precisar. Quero colaborar com o Estado de São Paulo”. Ele falou assim: “Você tá tirando sarro?”. Primeira vez que eu fui falar com o governador. “O sr. não deixa nem eu falar?” (ri). O tempo todo a gente criou um relacionamento excepcional. Eu nunca votei no Covas, nunca fui no partido dele, mas aprendi a lidar com ele, era o jeito dele. Não vou ficar encrencando. (…) Ele foi muito mal orientado.

Que orientações o sr. tem dado ao prefeito eleito?

Bastante. Eu acho que Pedro, a convivência comigo, eu o trato como se fosse um filho. A Lúcia (mulher de França) trata ele como se fosse um filho, porque eles perderam a mãe muito cedo, e a Lúcia ajudou a criá-lo. Eu falo: “Pedro, veja, você não quis ser candidato? Você não sabia que tem isso aqui? Então, primeira coisa: não vai falar mal de ninguém”.

Quando que depende a eficiência do Pedro, em São Vicente, para ajudá-lo politicamente?

Eu acho que não é para o meu futuro político: é para a minha vida. Eu moro em São Vicente. Então, você ir para a Cidade e ver a situação que está lá é muito ruim. É desmoralizante. E tudo o que eu fiz? Meu melhor momento de saúde, certamente, foi lá. Nunca mais vou ter aquele momento de saúde, pessoal, aquela energia. Então, você chegar lá na Cidade e ver todo mundo… Eu levei um tempão, vocês se lembram disso: aquela história de transferir a chapa do carro para São Vicente, as pessoas tinham vergonha de São Vicente. Autoestima… Tudo isso é meio psicológico. Ele (Bili) fez o contrário. Ele fez o discurso do Luca (Luiz Carlos Luca Pedro, prefeito pelo PT entre 1993 e 1996): “A Cidade não tem dinheiro, é pobre, cheguei lá, o pessoal não ajuda…”. Ele acha o quê? Que o pessoal vai ter pena dele? Ninguém tem pena. O único jeito é você fazer o contrário: você tem que ser um animador. É a pessoa que fala: “Olha, vai dar jeito. Tá com problema, mas vai solucionar”. O que eu falo para o Pedro é o seguinte: “É otimismo, tem que ter otimismo. Tem solução, vamos encontrar solução?”. “E se não tiver solução?”. “Se não tiver, vai ter”.

Em relação ao trabalho enquanto secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, o que há de prioridades para a Baixada Santista? Aproveito para perguntar da situação do prédio da Hospedaria dos Imigrantes, que deverá abrigar uma Fatec, mas no qual as obras não têm caminhado.

É uma obra de R$ 70 e poucos milhões, vai ser licitada no ano que vem para construção no final do ano ou começo de 18, provavelmente. O que tem de previsto, de mais rápido: tem duas Fatecs, a terceira Etec, em Santos, e a segunda Etec de São Vicente. Eu sentei com a Laura, e o Pedro concordou em inverter, em usar aquele prédio que eu consegui recursos para o Tripulantes do Futuro para levar uma Etec específica para coisas navais. O prédio está pronto, está vazio. Não é tão grande, mas já dá para fazer rápido, e a Paula Souza vai estudar começar no início do ano que vem, já. Depois, tem em Santos, onde era o posto fixo do Via Rápida – é um prédio, também –, nós vamos fazer uma das cinco Etecris do Estado de São Paulo. São escolas de tecnologia criativa, só aula de economia criativa. Um outro conceito, mais jovem, para cursos mais rápidos de economia criativa: vitrinista, produção de games, gestão de redes sociais, gastronomia, design, moda, só coisas assim. (…) Nós temos o maior programa de presos do Brasil: 288 mil metros quadrados de área pintada com esses presos; 5.740 alunos presos fizeram, vai chegar a 10 mil. Dos 15 mil presos em regime semiaberto, nós vamos treinar 10 mil neste ano. Eles fazem um treinamento, de um mês, de pintura e pequenos reparos. Depois, eles vão treinar na prática em algum ambiente de verdade. Então, eles pintam creches, hospitais, escolas. (…) E eles fazem isso pelo (programa) Via Rápida (Emprego) e, ao final do curso, eu dou a eles uma opção, se eles quiserem: abrir uma MEI no nome deles. Então, eles passam a ser microempreendedores individuais, dão nota fiscal. Quando sai da prisão e quer trabalhar, consegue: pequenos reparos e pintura. (…) Está sendo feito em Santos o maior laboratório metroferroviário do Brasil: R$ 5,7 milhões desta secretaria e R$ 5,7 milhões da USP (Universidade de São Paulo). É um laboratório de inovação, dentro de onde tem a USP, no (colégio estadual) Cesário Bastos. (A região) Vai passar por soluções ferroviárias: VLT e Porto. E tem que ter, portanto, tecnologia, entendimento para isso, que a USP está preparando.  Não sei (a data de início), porque a gente libera para a USP, que vai desenvolver inovação tecnológica nas áreas ferroviária e rodoviária urbana e portuária. E tem lá, também, o Parque Tecnológico de Santos (no antigo Colégio Santista). Santos, no futuro, tem a ver com essa questão de logística. Não há alternativa porque o Porto está lá. Eu vejo que a gente tem que direcionar um pouco, pela questão da Usiminas, em estender o Polo Industrial para um Polo Naval. Pela lógica: por ter aço e por ter porto.

É algo em que o Investe SP  poderia atuar, a fim de trazer empresas para a região?

Eu percebo nitidamente, e faz parte do programa do Pedro, um movimento em direção ao gás. Haverá uma mudança forte. O gás que vem ao Brasil é 70% consumido em São Paulo. Esse gás está vindo todinho da Bolívia, e a Bolívia tem contrato conosco até 18. Então, (em) 19, acabou, e eu estou pressupondo problemas para o futuro. E tenho certeza de que haverá uma mudança grave, porque o gás, para chegar aqui ao Brasil sem ser pela Bolívia, só tem um jeito: pelo mar. Ou por navios ou com gasodutos. Hoje, tem quatro projetos em andamento aqui na secretaria, que estão com confidencialidade, você não pode colocar detalhes, mas tem um em Peruíbe – bem avançado, com licenciamento ambiental, para fazer a primeira termelétrica; tem um em Cubatão, tem um em São Vicente e tem um estudo em Santos. São termelétricas. Conseguimos que o ministério (do Meio Ambiente) autorizasse a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado) a fazer licenciamento, e tem a Rota 4, que é o maior projeto privado do País, passa pela Baía de São Vicente e vai buscar gás no pré-sal. Traz para dentro da baía e vai até a divisa de São Vicente e Cubatão, onde teria uma outra termelétrica. E, fora isso, tem os navios. Por exemplo, em Peruíbe, tem um porto offshore para dar suporte a essa termelétrica. O que é? Você para um navio de gás liquefeito, transforma o gás, passa para dentro, vai até a termelétrica.

Isso implicaria também mais receita para as prefeituras…

É mais, também, uma questão de emprego, geração de negócios, novas empresas. Quando você tem uma termelétrica, do lado dela você forma outras coisas para fornecer aquilo. Eu aposto que, no futuro, o Litoral de São Paulo vai ser um grande hub da área de gás do País. Toda a bacia do pré-sal do Litoral de São Paulo tem mais gás do que petróleo. Há um movimento muito forte de grupos árabes, Omã, Emirados – eu tive várias reuniões sobre isso –, um grupo brasileiro grande, que é a Cosan, que é a principal operadora da Rota 4; um grupo gaúcho que tem, já, uma das concessões para isso; e um grupo de investidores estrangeiros que faz essa operação de Peruíbe. São grandes investimentos, todos voltados a essa área. É um agregado ao mundo portuário. Quando se tem uma termelétrica, precisa ter gás constantemente para abastecê-la. Então, como não vai ter mais o gás da Bolívia, você tem que buscar esse gás pelo mar. Um pedaço é Rota 4, quando estiver pronto – vai ser uma obra de quatro anos. O outro pedaço você tem de ter navios parando com gás liquefeito, eles encostam o gás do navio num outro navio, e esse navio passa até a termelétrica. Esse navio, portanto, de gás, tem todo um estudo de se pode ou não parar no Porto de Santos porque ele dá trabalho com calado (profundidade do canal de navegação) e tudo o mais.

Não pode ser mais uma aposta como foi o pré-sal?

No caso do gás, tem um componente diferente. Esse negócio da Bolívia é insubstituível. (…) Ele (o investimento) é 100% privado, então, você não dá o tempo (para a concretização) do privado. Mas eu posso garantir é que, em 18, acaba o contrato com a Bolívia.

Sinto que a Baixada tem um pouco de complexo: recursos não vêm para cá, projetos não vêm para cá. E a região, enquanto ambiente legalmente constituído, está fazendo 20 anos. O que falta para a Baixada dar esse salto?

Eu acho que falta uma coisa importante: nós não temos grandes espaços físicos. Então, nós temos que criar facilidades de espaços físicos. Acessos mais fáceis para alguns lugares, que nós não temos. As áreas maiores que estão vazias, ainda. E facilidades nos licenciamentos. Acho que isso assusta muito as pessoas. Quem pensa em Baixada pensa em demora, problema ambiental. Então, tenho que criar um mecanismo. O governador está criando um Via Rápida para empreendedor, como se fosse um Graprohab (para análise e aprovação de projetos habitacionais): você dá entrada num loteamento e (o processo) circula num ambiente só. Você fala assim: vou montar uma empresa grande em São Vicente. Tem que passar pela Cetesb… Quatro anos. Por que tem que demorar quatro anos? Demora (mais na Baixada do que em outras regiões do Estado) por restrições ambientais. Se você olhar, acho que tem muitas áreas nossas (que ficaram congeladas para investimentos). É uma injustiça com o Litoral. (…) O importante é, dentro das condições que nós temos lá, facilitar as questões ambientais.

Geraldo Alckmin reprova conduta de PMs atrabiliários : “Liberdade de expressão é liberdade de expressão. Goste ou não goste, é um direito das pessoas” 20

Alckmin diz considerar de ‘mau gosto’ peça que terminou com ator preso

‘Goste ou não, é um direito das pessoas’, disse o governador nesta terça.
Artista foi preso em Santos em peça que critica a atuação da PM.

Will SoaresDo G1 São Paulo

Alckmin falou sobre ação da PM no litoral após evento no Palácio dos Bandeirantes, na Zona Sul de SP (Foto: Will Soares/G1)Alckmin falou sobre ação da PM no litoral após evento no Palácio dos Bandeirantes, na Zona Sul de SP
(Foto: Will Soares/G1)

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou nesta terça-feira (1º) que vai pedir ao secretário de Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa, para apurar a ação da Polícia Militar de Santos que, no último domingo (30), prendeu um ator durante uma peça teatral com críticas à PM. Alckmin disse considerar a peça “de muito mau gosto”, mas que a liberdade de expressão tem de ser respeitada.

Liberdade de expressão é liberdade de expressão. Goste ou não goste, é um direito das pessoas”
Geraldo Alckmin (PSDB), governador

“Claro que a atitude deles [atores] foi de muito mau gosto. Você virar de ponta-cabeça a bandeira brasileira, ridicularizar quem está trabalhando, colocando até sua vida em risco para defender a sociedade, é de muito mau gosto. Agora, liberdade de expressão é liberdade de expressão. Goste ou não goste, é um direito das pessoas”, disse o governador após evento realizado nesta manhã no Palácio dos Bandeirantes, na Zona Sul da capital paulista.

O ator Caio Martinez Pacheco, que foi algemado durante a apresentação, afirma que sua prisão foi injustificável e diz que sofreu humilhação por ter sido retirado de seu ambiente de trabalho. O artista conta ainda que foi agredido no momento em que era colocado na viatura.

Artista foi detido por policiais militares em Santos (Foto: Reprodução)Artista foi detido por policiais militares em Santos,
no litoral de São Paulo (Foto: Reprodução)

O espetáculo “Blitz – O império que nunca dorme” era encenado no domingo pela Trupe Olho da Rua, na Praça dos Andradas. De acordo com o ator Caio Martinez Pacheco, o espetáculo foi fundamentado em pesquisas sobre o resultado da atuação da Polícia Militar.

Ele afirma ainda que a polícia interrompeu a peça no momento em que o Hino Nacional era tocado junto com uma canção de Gilberto Gil. Depois disso, o ator foi algemado e levado até o Palácio da Polícia, no Centro da cidade, onde permaneceu por cerca de quatro horas até ser liberado.

Em entrevista coletiva, Caio contou que apesar da Polícia Militar ter interrompido o espetáculo com o argumento de que ele desrespeitava símbolos nacionais, todo o material mostrado já havia sido aprovado pelo próprio Governo do Estado.

“Ele foi montado a partir de um edital do Governo do Estado de São Paulo que seleciona 15 espetáculos, propostas, por ano de montagens. São 350 projetos que são inscritos para selecionar 15 e ficamos em 2° lugar no edital de 2014 para realizar em 2015. Esse espetáculo estreou em setembro de 2015 no Festival Santista de Teatro, percorreu algumas unidades do Sesc, mais de nove cidades do Estado e alguns festivais de importância nacional. Agora, em 2015, inscrevemos esse projeto com o vídeo já pronto e todos os signos que a gente apresenta em espaço público para um outro edital do Governo de Estado de circulação de obras artísticas pelo Estado de São Paulo, e ele foi também contemplado em 2° lugar para circular por 11 cidades”, afirma.

Além da Polícia Militar, a Guarda Municipal foi acionada pela própria PM para prestar auxílio durante a abordagem. A organização da peça de teatro afirma que a manifestação cultural já havia sido encenada no mesmo local cerca de 20 vezes e que essa foi a primeira vez que algo ocorreu.

“No município fomos contemplados com o Facult, que é um programa também que dá uma pequena ajuda por meio de edital público. Esse projeto foi enviado para a Secretaria de Cultura, e o vídeo do espetáculo foi aprovado dentro de 170 inscritos. Também ficamos em 2° lugar para serem realizadas seis apresentações desse espetáculo em 2017, em Santos”.

Caio Martinez Pacheco foi detido e obrigado a prestar depoimento (Foto: Luna Oliva/G1)Caio Martinez Pacheco foi detido e prestou depoimento no Palácio da Polícia, em Santos (Foto:Luna Oliva/G1)

“Blitz – O império que nunca dorme” já foi encenado em várias cidades do Estado de São Paulo e retrata as ações da Polícia Militar de maneira histórica.

Eu fui humilhado no momento em que interromperam um espetáculo no qual eu pesquisei com dez pessoas, por um ano e meio, para poder fazer”
Caio Martinez Pacheco, ator

“A gente faz na peça um retrato histórico da instituição como, por exemplo, o grande número de jovens negros mortos. Também fazemos uma referência aos MCs mortos aqui. Isso numa linguagem muito leve, humorística, em praça pública, com um grau de atuação política muito dialética. A gente não entendeu por que ontem [domingo] ele foi interrompido de maneira brutal. Nem na ditadura militar os espetáculos foram interrompidos e os atores presos após as apresentações”, afirma Caio.

O boletim de ocorrência registrado após a detenção do ator diz que o grupo atuava de maneira desrespeitosa e descreve que contravenções contra símbolos nacionais, apreensão de objeto, desobediência e resistência foram presenciados durante a ocorrência. O documento diz que o Hino Nacional era tocado de maneira desrespeitosa e que as bandeiras do Brasil e do Estado de São Paulo estavam hasteadas de cabeça para baixo com caveiras coladas nas pontas.

“Foi uma cena muito triste. Fomos cercados por diversos policiais, alguns empunhando armas. Estava acontecendo uma cena que era uma referência à pacificação estatal onde a gente executava o Hino Nacional em paralelo com aquela música ‘Paz’ do Gilberto Gil, para criar essa dialética em relação à paz. O policial entrou em cena dizendo ‘desliga essa p*’ e depois acusou a gente de desrespeitar o Hino Nacional”.

Caio afirma ainda que foi agredido pelos policiais ao ser colocado na viatura da PM após ter realizado o que ele classifica como uma “resistência simbólica” e diz também que diversas outras pessoas foram ameaçadas por terem gravado toda a ação policial com celulares.

Palácio da Polícia em Santos, SP (Foto: Leandro Campos/G1)Ator foi detido e levado ao Palácio da Polícia
(Foto: Leandro Campos/G1)

“Eles chegaram na praça sem formular uma acusação, sem citar algum artigo no qual a gente estava enquadrado. Simplesmente disseram que eu estava detido para averiguação e, nesse momento, começaram a recolher os celulares que estavam na praça. Além disso, também ameaçaram de processar quem publicasse o material, e isso aconteceu com diversas pessoas”.

Durante a entrevista, Caio explicou que passou quase duas horas algemado de pé em uma sala no Palácio da Polícia antes de ser encaminhado para outro ambiente por agentes da Polícia Civil, que, de acordo com ele, ouviram ambas as partes e registraram um boletim de ocorrência antes de liberá-lo.

“Eu fui humilhado no momento em que interromperam um espetáculo no qual eu pesquisei com dez pessoas, por um ano e meio, para poder fazer. Estávamos fazendo sem nenhuma verba pública por um ano, no período entre dois editais. Estamos mantendo essa iniciativa e quando você é interrompido no exercício da sua profissão a humilhação está aí, o resto foi consequência de um momento horrível que estamos vivendo. A única medida que pude tomar era não baixar a cabeça e aceitar a situação”, conclui.

Artistas se reuniram na frente do Palácio da Polícia de Santos para acompanhar ator detido (Foto: Rodrigo Montaldi Morales / Arquivo Pessoal)Artistas foram ao Palácio da Polícia para acompanhar ator (Foto: Rodrigo Montaldi Morales / Arquivo Pessoal)

Outro lado
O comando do Policiamento da Baixada Santista afirma que pediu os registros documentais da ocorrência e analisará a conduta dos policiais militares. A oficial que se encontrava de serviço no comando dos PMs que participaram da ocorrência será ouvida. E os organizadores do evento também serão convidados a prestarem informações sobre a atuação dos policiais.

Depois disso, os procedimentos dos PMs serão avaliados, para verificar se os direitos e garantias constitucionais foram respeitados e se a ação policial atendeu os procedimentos operacionais padrão e legalidade.

Protesto
O Movimento Teatral da Baixada Santista emitiu uma nota na qual repudia a ação da Polícia Militar, que usou mais de seis viaturas com apoio da Guarda Municipal para algemar um “trabalhador da cultura a partir da censura após cinco minutos de um espetáculo de rua, em temporada na mesma praça há um ano, e que teve sua produção financiada pelo próprio Governo Estadual”.

Ainda de acordo com a instituição, a peça teatral reflete a violência policial, baseada em reportagens, teses acadêmicas e relatórios sobre a instituição policial brasileira. Entendendo a urgência do tema e a estética do grupo, o Governo Estadual contemplou a produção artística.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) manifestou repúdio pelo ato de violência entre os artistas e policiais militares durante a encenação da peça teatral. A OAB Santos informa ainda que os fatos devem ser apurados com prudência para evitar conflitos e mostra preocupação com relação à censura prévia pela manifestação da arte cultural, que deve ser livre.

Peça conta com apoio do Governo do Estado (Foto: Divulgação)