“Você tem que ter criatividade, ter preparo, e, no preparo, estão relacionamentos”, Márcio França vice-governador de SP sobre a mais que certa candidatura de Alckmin à Presidência 11

Márcio França pode assumir Governo do Estado em 2018

Vice-governador de SP fala, em entrevista exclusiva, sobre possível candidatura de Alckmin à Presidência

RAFAEL MOTTA – A TRIBUNA DE SANTOS 

Márcio França tem procurado conter a ansiedade para o momento, ainda distante, de se tornar governador do Estado. Esse dia chegará quando se concretizar algo de que afirma ter certeza: o titular, Geraldo Alckmin (PSDB), renunciará ao cargo em 2018 para disputar, pela segunda vez, a Presidência da República. Seria um movimento político indiscutível caso não se tratasse da agremiação tucana, conhecida por divisões internas que já a abateram em voos mais altos.

Se as diferenças serão minimizadas até maio próximo, quando filiados se reunirão em convenção nacional, pouco importa para França – presidente estadual do PSB e segundo o qual este e outros partidos (como PPS, PV e DEM) estão dispostos a dar apoio político à campanha presidencial de Alckmin – traduzido, sobretudo, em tempo de propaganda na televisão.

O vice-governador, que recebeu A Tribuna na última quarta-feira, na sede da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Informação, também falou em política regional. E mencionou o projeto de construção de termelétricas movidas a gás como alternativa econômica à Baixada Santista. Abaixo, confira a entrevista na íntegra:

França pode assumir o Governo em 2018, caso Alckmin concorra à Presidência (Foto: Diulgação)

Em 2010, o sr. foi cotado para assumir o Ministério do Turismo. Isso acabou não se concretizando e resultou numa aproximação sua do governador Geraldo Alckmin. Pensando em 2018, o que o sr. pretende: concorrer ao Governo do Estado com apoio dele ou, se ele se tornar presidente, assumir um ministério?

Eu acho que está muito simplificada essa forma. Eu venho de uma longa vida pública, uma trajetória de muitos anos. Em 2010, o Eduardo (Campos) se reelegeu governador em Pernambuco, e é nesse contexto que vale a análise. Quando o Eduardo se reelegeu com aquela votação extraordinária, eu intuí que o Eduardo tinha potencial para disputar a Presidência da República. A Dilma havia acabado de se eleger, nós tínhamos direito de indicar dois ministros. O Eduardo indicou um, e a bancada na Câmara e no Senado me indicou para o Ministério dos Portos – não foi o do Turismo. E a presidente Dilma, na época, preferiu que viesse alguém do Ceará. Daí, veio aquele rapaz que era prefeito de Sobral…

… Leônidas Cristino.

Então, quando ela fez essa opção, eu pedi autorização para o Eduardo e para a Executiva Nacional, que estava reunida lá, no Palácio, para vir para São Paulo me aproximar do governador Alckmin, porque eu intuí, naquele tempo, que o Alckmin poderia, eventualmente, abrir uma porta importante para a campanha presidencial do Eduardo. Por isso, eu vim para cá, para ser secretário de Turismo, na época. Conversei com o governador Alckmin, com quem eu não tinha grande relação, mas eu tinha pessoas em volta dele, que são meus amigos até hoje, vários deputados. Ele me deu algumas opções, e eu optei por Turismo, porque meu negócio tinha a ver com aproximação política, e não, administrativa. E eu disse claramente para o governador: “Eu quero aproximar o sr. do Eduardo. Eu acho que o Eduardo vai disputar a Presidência da República e acho que, onde o seu pêndulo pesar, é que vai ser a decisão”. Minha intuição é que São Paulo decidiria o processo. Aí, o governador aceitou, eu vim ser secretário de Estado… Toda a óptica era para o Eduardo. Quando chegou a eleição do Eduardo, o governador, com muita simpatia – porque ele tinha uma proximidade, algum traço de comportamento do Alckmin era parecido com o do Eduardo: a coisa da religião católica, a família, muito trabalhador, essa coisa do workaholic, os dois são muito parecidos nesse negócio. Então, eles se aproximaram muito, mas tinha o Aécio, candidato a presidente. Eu aprendi com o doutor Arraes, e eu levo isso muito a sério, que você deve olhar as coisas do universo para o seu mundo. Então, desde a minha primeira eleição, eu sempre olho a eleição presidencial para todas as eleições. Nem sempre dá certo, como foi o caso do Eduardo. Mas não muda. Quando o Eduardo faleceu, eu dei uma entrevista para vocês mesmos e disse que a minha cabeça funciona igual a um GPS – não, não, foi quando perdemos a eleição em São Vicente. Perdeu uma, vai para outra. O Eduardo faleceu, o Aécio sobrou como candidato, deu no que eu imaginei que fosse dar – a Dilma foi reeleita – e é claro que, na ausência do Eduardo, no nosso partido, meio que não sobrou um nome de referência nacional que, hoje, pudesse pleitear uma eleição presidencial. Eu não vejo, não enxergo no partido hoje. Porque foi um acaso, uma tragédia. Um moço com aquela idade, presidente do partido, candidato à Presidência e cai num avião é um negócio que não era previsível. Então, nós não tínhamos preparado uma segunda chance, um plano B. Então, na minha visão, a proximidade com o Alckmin, eu noto que o Brasil, neste instante, tem passado por momentos de euforias e depressões… Euforias e depressões… Essa instabilidade cansou o brasileiro. O brasileiro, que sempre procurava uma coisa assim meio show, hoje está em busca de estabilidade. Porque ele está cansado de ficar eufórico e depressivo. “Essa fórmula não dá certo. Eu quero uma coisa mais reta, mas que me dê garantias”. Quando você olha estabilidade na política brasileira, só um nome real sai automaticamente, que é o Alckmin. Escrevi um artigo na A Tribuna, saiu depois na Folha (de S. Paulo), teve muita repercussão, comparando o Alckmin aos traços da bandeira de São Paulo: retos, iguais – o comportamento do Alckmin –, reto, igual, repetido, previsível, estável. Ele fez São Paulo ficar assim. São Paulo tem o traço dele: ele é o homem que mais vezes foi governador de São Paulo. E a Folha replicou por causa disso: a palavra “picolé” de virtudes. E eu acho que esse moço tem uma característica meio única na política, dos que eu já convivi. Eu estou há muitos anos na vida pública, encontrei muita gente genial, carismática, convivi com Garotinho, doutor Arraes, com o Covas, enfim… Mas ele tem uma característica diferente: ele é meio “não político-político”, porque ele não tem os traços da política comum. Ele não é uma pessoa carismática, que você fala: “Me apaixonei por ele”, “Virei alckmista”, entendeu? Ninguém é alckmista. Aliás, nós criamos um grupo, agora, que se chama “Alckmistas”. Mas ele não é, assim, uma pessoa que tem um grupo que o cerca. Ele é estável. E Eduardo, um dia antes de falecer, num apartamento aqui em São Paulo, ele me falou: “Márcio, eu tô convencido de que Presidência da República, de tão importante, não é questão de tempo de televisão, não é questão de dinheiro, não é conhecimento. É destino”. Você vê: ele falou isso ‘hoje’, morreu no dia seguinte. Eu chego à conclusão de que, de alguma forma, deve estar no destino do Alckmin porque a composição nacional de hoje, o quadro nacional político, para quem conhece política, ele está, assim, num WO coletivo. Praticamente não há adversário, neste instante, para ele, como figura política. Vão surgir outros, é claro, mas hoje não há, nas coincidências dos fatores positivos que o cercam. E quando você está no foco de uma eleição presidencial, você não pode ter um segundo foco. Então, respondendo à sua pergunta: a eleição de governador… Eu estou eleito vice-governador. Eu não vou ser eleito vice-governador, eu estou eleito e, na medida em que o governador faça o movimento dele, eu cumprirei o que é correto pela regra do jogo, que é ficar no cargo de governador. Mas a prioridade é a eleição dele. Tudo o que for feito pela eleição dele é a prioridade, esse é o foco. Agora, se ele entender que isso é importante, eu vou cumprir o que ele achar que é importante porque, na política, se você não aceitar esse comando, você acaba dispersando. Ele tinha duas marcas: uma marca de gestor – São Paulo é o único dos grandes estados estável; não há ninguém aqui em São Paulo que pense que não vai ter salário; todos os grandes estados, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, tudo com problema grave de salário… Estima-se que pelo menos 20 estados não pagarão salário até o final do ano. Então, é claro que ele tem essa marca de gestor, de superação – ele é muito resiliente, o negócio da água no ano passado… Capacidade de resiliência. E tem essa coisa de honestidade. Eram os dois fatores. Mas o que era, digamos, uma dúvida? Se ele era um bom político, se ele tinha traquejo de política. A política veio com esse resultado eleitoral, que é acachapante, é um strike eleitoral: ganhar a Prefeitura de São Paulo no primeiro turno. Ganhar 560 prefeituras de 645. É um resultado, no meio de uma crise, onde a política, teoricamente, não elege ninguém, e todo mundo tinha dúvidas se ele era um bom político… Então, nacionalmente, não há nenhum fato nessa eleição passada que tenha chamado mais a atenção do que essa vitória do Alckmin. Claro, a vitória do Doria, mas em consequência da vitória do Alckmin. Só que não é a vitória do Doria. É a vitória do Gutti, em Guarulhos, a vitória do menino em Santo André, a vitória do outro em Osasco… Onde tem cidade grande… A única exceção em São Paulo, dos partidos que não estão no bloco orgânico do Alckmin, é São Vicente, que é PMDB, mas, enfim, tem a relação comigo, Rio Preto e Araraquara. São as três exceções em PMDB e PT. O resto foi um strike. Então, foi um belo resultado.

Com esse foco na disputa da Presidência da República, tendo Alckmin como candidato, e ele fortalecido pelo fato da eleição de João Doria em São Paulo, o sr. entende que ele deva concorrer à Presidência pelo PSDB ou o sr., enquanto presidente estadual do PSB, acredita que ele possa entrar no seu partido?

Eu entendo que o Alckmin é uma pessoa de atitudes previsíveis. Isso é um ativo positivo dele, essa previsibilidade. Ele é fundador do PSDB. Então, eu imagino que ele gostaria, e nós também, que ele fosse o candidato do PSDB. Nós estaríamos com ele na campanha presidencial. “Nós” somos sempre um bloco. Nós criamos um bloco aqui em São Paulo logo que eu cheguei: PSB, PV, PPS, DEM e outros partidos menores. Na Assembleia, nós somos 28 deputados estaduais. Todo mundo é Alckmin. Agora, caberá ao PSDB decidir se, dos três nomes que eles têm, se o nome que está mais preparado é o Alckmin. Se eu fosse do PSDB, certamente votaria nele. Acho que ele é o mais preparado, é o que tem melhores condições neste instante. Quais são os três nomes? Ele, Serra, Aécio. O Serra é um belíssimo quadro, preparadíssimo, tem todas as qualidades, mas, neste instante, está meio deslocado do eixo principal de comando, que ele não está comandando nenhum Estado. Está no ministério. (A idade) Tem um peso. Eu acho que o Aécio é extremamente simpático, tem um recall alto porque veio da outra eleição, mas é quase inaceitável você ir para uma disputa presidencial sem retomar o seu ambiente, o seu mundo. Ulysses dizia que “ninguém pode ser do mundo se não for da sua província”.

Já perdeu a eleição para a Presidência, tem dificuldades com a eleição em Belo Horizonte…

Ele precisava ter Minas de volta. Acho importante ganhar em Minas. É muito ruim ter ganho em São Paulo a eleição presidencial e ter perdido em Minas, fica uma coisa meio difícil de você explicar. E também tem uma vantagem: ele tem dez anos a menos do que o Alckmin. Quer dizer, ele tem mais tempo para esperar nesse formato da passagem (com mandatos de quatro anos e uma possível reeleição). Se eu fosse ele, nem pensaria duas vezes. Mas cada cabeça tem seu jeito de pensar, e eles vão ter uma convenção em maio do ano que vem. Nessa convenção nacional do PSDB, lá eles decidirão quem comandará o partido. Ali a gente saberá porque, pelo comando partidário, você sabe mais ou menos para onde que a banda toca. Eu imagino que, se for bem conversado, ele possa ficar no PSDB porque todo o arranjo nacional, hoje, tem a ver com tempo de televisão – o PSDB tem seis minutos, nós temos quatro e meio; PT e PMDB, na faixa de oito e meio; e, aí, quatro partidos na faixa de quatro e meio, que são PP, PR, PSD e PSB. Depois, tem uma terceira faixa que é menor: PTB, PSC, PRB, tudo com dois e pouco. Então, quem tiver nesse controle, onde você tem televisão, quando é a Globo, quando é uma televisão de poderio, você influencia não só a sua campanha: você influencia todas. Você vê o que aconteceu em Santos: a presença do 45 marcante influenciou na borda, bastante. Como aqui em São Paulo, o Doria: a borda. Antigamente, não. Quando era blocão, o cara levantava para jantar. Agora, não tem blocão: é pim, pim, pim, pim (som que usou para indicar as breves e constantes inserções eleitorais na televisão). Quando você percebe, já foi, já embutiu na sua cabeça.

Nessa previsibilidade que o sr. diz que Geraldo Alckmin tem, é de se esperar, então, que ele se mantenha no partido, mas só se puder comandá-lo? Já fica subentendido que há possibilidade de que ele saia do partido que ajudou a fundar, buscando a Presidência?

O que eu digo é o seguinte: acho difícil convencerem ele a não ser candidato à Presidência da República. Ele será candidato à Presidência da República, em minha opinião. Ele vai negar, claro, é tarefa dele, até porque ele é todo precavido. Ele jamais falaria: “Sou candidato a presidente”. Ele não vai fazer isso, eu conheço o jeito dele. Até um dia antes ele vai negar. Mas eu o conheço bastante: ele será candidato à Presidência da República. Se for candidato pelo PSDB, ótimo. Nós somaremos o nosso tempo com o dele, faremos uma grande composição, o PSDB terá uma grande chance de retomar (a Presidência), o PSDB teve uma grande vitória em vários lugares do Brasil

Mas, se o PSB está nesse bloco com o PSDB, e na possibilidade de o PSDB não querer lançar: “Ah, agora vai o Serra porque é a última oportunidade que ele tem”, como é que o PSB acolheria, eventualmente, o Alckmin, com o partido estando coligado com o PSDB?

É difícil entender porque nem todo mundo mexe com isso, mas é questão de tempo. Em maio, há convenção. Se ele controla ou tem acesso ao controle do partido, certamente ele será o candidato. Se ele não tem o controle, mas há um acordo entre os principais componentes de que ele será o candidato, também é o suficiente, ele não precisa ter o controle: basta ele ter a palavra. Na política, num certo nível, quando a pessoa dá a palavra, ainda está valendo. Agora, se ele não tiver a palavra e se ele não tiver o controle… Eu penso que os partidos são formados de um jeito, hoje em dia, que sempre defendi isso: a grande reforma não é a política, é a partidária. Os partidos não são democráticos. Porque o controle partidário é um livro. Em muitos lugares, os partidos não têm sede. Cidade grande: onde é que está a sede do PSDB em determinada cidade? Às vezes, não tem. Então, se tiver uma prévia, onde é que vai ficar a urna? Na casa do presidente. Quem vai votar nessa casa do presidente? Quem ele quiser (ri). É difícil: o filiado vai entrar na casa do sujeito? Claro que se você tiver o controle facilita muito. Quer dizer, eu tenho todo o direito de ter alguma desconfiança de que, se você não tiver esse controle, fica muito difícil você vencer uma prévia. A imprensa desconhece um pouco como funciona isso. Nos partidos, alguns são diretórios definitivos, mas boa parte tem diretórios provisórios. Os diretórios provisórios, você muda com uma canetada. Significa dizer o seguinte: vamos supor, na Paraíba, o sujeito é Márcio França; aí, eu sou candidato; eu quero ir para a prévia; meu adversário é o presidente do partido, vai e troca a provisória por outro; e, aí, passa a ser outro cara que não é Márcio França. Em abril de 18, é a janela das mudanças. É onde os parlamentares podem mudar (de partido) para ser candidatos de novo. Sempre sete meses antes do prazo final (da eleição). Os governadores e prefeitos não precisam disso, mas os deputados podem migrar do dia 1º ao dia 30 de abril de 18. Aí, eventualmente, pode acontecer uma grande mudança. Ninguém acha que pode. Mas ninguém achava que o Doria ia ganhar. Eu estava certo: ele ganhou. Eu acho que o governador… O Brasil precisa da estabilidade do governador. É difícil explicar, mas tudo o que podia ser feito para São Paulo, do ponto de vista de estabilidade, foi feito. Mas, daqui para a frente, nós temos que dividir esse conhecimento que a gente conseguiu adquirir aqui, de gestão, para o Brasil. Por que São Paulo tem estabilidade? Por que São Paulo tem superávit? Porque, hoje (quarta-feira) cedo, ele publicou um decreto proibindo todos os empenhos. Ele pegou todo mundo de surpresa. É claro que é chato, mas, por outro lado, é o seguinte: é para fechar a conta. Ele vai fechar a conta. Eu garanto que ele vai fechar com superávit.

E o que o sr. imagina para o Governo do Estado? Tem o foco na Presidência, mas, em nível estadual, o que ele pretende, para fazer um sucessor?

O projeto prioritário é o Alckmin. E eu vou cumprir aquilo que ele achar que é bom para mim e bom para o Estado.

Para 2018, quem o sr. vê como potenciais adversários do governador? Imagina, até, que, em dois anos, o ex-presidente Lula possa estar no páreo?

Acho que sim. O Lula é sempre uma fera, mas, digo assim: ou ele ou o pensamento dele. Na lógica, hoje, eu apostaria no Ciro Gomes, do PDT. Porque foi a estratégia que o PT usou em várias cidades: quando não tinha força, apoiava alguém de outro partido disfarçadamente, como se não fosse PT. Fez isso em Santos, com o PC do B. Então, eu imagino que eles vão de Ciro Gomes. É um quadro preparado, fala muito bem, é o maior orador que eu conheci no Brasil. Foi meu colega deputado, trouxe ele para morar em São Paulo porque eu tinha ideia de lançá-lo candidato a prefeito em São Paulo. Fui líder dele na Câmara. É um belo quadro. Nordestino…

Michel Temer, na sua avaliação?

Acho que pode ser candidato, sim, senhor. Acho, sim. Acho que é habilidoso, experiente, sabe a hora certa de anunciar as coisas, joga no meio-campo, toca, toca, toca, não corre… Entendeu?

Mesmo com uma agenda de temas tão carregada neste princípio, como PEC 241, reforma previdenciária, leis trabalhistas?

Se der, aprova. Se não der, não aprova, também. Mas eu digo: ele vai tocar isso, assim… Se o País voltar a crescer 1% no ano que vem, que é o previsível, e 3% em 18, aí, vai falar assim: “Peguei a situação assim, devolvi assim”. Quando se faz uma viagem, o que fica depois não são os detalhes, são os grandes… “Ah, minha alegria, naquele momento…”. O que vai ficar do governo Michel? Um homem que pegou um governo assim e devolveu assim. Ele é um quadro. Comanda o maior partido, não precisa se preparar para o partido, terá sempre o dele, no mínimo.

A idade, o sr. acha…

Acho que pesa um pouco, claro.

Em nível mais regional, que importância para o seu futuro político terá o desempenho de Pedro Gouvêa, seu cunhado, quando prefeito? Porque é dito que a Prefeitura anda mal em parte por incompetência do atual prefeito, e ele reclama de que o Estado não teria colaborado com ele o suficiente?

O Bili tem que ser estudado. Ele é uma figura. A Cidade de São Vicente sempre foi difícil. Ela é a cidade mais difícil para governar na região. Menor orçamento, muito problema, mas desde o início eu disse que esse moço era despreparado. Eu sempre disse isso. Perder não é problema, quando você perde para alguém que é preparado. Agora, ele é despreparado. Ele não tem nenhuma noção do que ele fez lá. Ele passou o tempo todo a falar que não vinham recursos do Estado… As duas maiores obras do Estado, de São Vicente, dos 500 anos, estão lá: o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e os viadutos (na Rodovia dos Imigrantes), somados, tem R$ 2,5 bilhões de obras lá. Só de ISS (Imposto sobre Serviços), tem R$ 75 milhões para a Prefeitura de São Vicente. É inacreditável. Se eu tivesse um décimo disso quando era prefeito, eu teria saído de lá para ser senador da República, entendeu? Agora, não adianta vento bom para mau velejador, porque ele não sabe para onde estende a vela. Não sabe para onde vai. Ele fez do discurso anti-Márcio o discurso do mandato dele. Ele achou que isso era suficiente. Ele teve a vitória pela coragem dele. Ele é inteligente e corajoso, embora despreparado. E esse despreparo custou caro para a Cidade. (…) Você tem que ter criatividade, ter preparo, e, no preparo, estão relacionamentos. Quando eu ganhei a eleição, o governador era o (Mario) Covas. Eu ganhei a eleição disputando contra o PSDB, inicialmente. Eu ganhei a eleição, o Koyu (Iha, ex-deputado federal) ligou para o Covas aqui em São Paulo, depois da eleição. Eu entrei na sala, de pé, com o Koyu, e o Covas estava despachando. Do jeito que ele estava (de olhos voltados aos papéis), ele ficou. E o Koyu falou: “Mario, esse rapaz que tá aqui é o prefeito de São Vicente, ganhou a eleição, e tal”. E ele (Covas) assim: “Ahn! Não vem me pedir dinheiro que não tem dinheiro pra nada”. Foi logo depois que o Estado estava quebrado, aquela história do Quércia. Aí, ele baixou (os olhos) de novo. E eu falei: “Governador, eu vim aqui oferecer um pouco de dinheiro de São Vicente, se o senhor precisar. Quero colaborar com o Estado de São Paulo”. Ele falou assim: “Você tá tirando sarro?”. Primeira vez que eu fui falar com o governador. “O sr. não deixa nem eu falar?” (ri). O tempo todo a gente criou um relacionamento excepcional. Eu nunca votei no Covas, nunca fui no partido dele, mas aprendi a lidar com ele, era o jeito dele. Não vou ficar encrencando. (…) Ele foi muito mal orientado.

Que orientações o sr. tem dado ao prefeito eleito?

Bastante. Eu acho que Pedro, a convivência comigo, eu o trato como se fosse um filho. A Lúcia (mulher de França) trata ele como se fosse um filho, porque eles perderam a mãe muito cedo, e a Lúcia ajudou a criá-lo. Eu falo: “Pedro, veja, você não quis ser candidato? Você não sabia que tem isso aqui? Então, primeira coisa: não vai falar mal de ninguém”.

Quando que depende a eficiência do Pedro, em São Vicente, para ajudá-lo politicamente?

Eu acho que não é para o meu futuro político: é para a minha vida. Eu moro em São Vicente. Então, você ir para a Cidade e ver a situação que está lá é muito ruim. É desmoralizante. E tudo o que eu fiz? Meu melhor momento de saúde, certamente, foi lá. Nunca mais vou ter aquele momento de saúde, pessoal, aquela energia. Então, você chegar lá na Cidade e ver todo mundo… Eu levei um tempão, vocês se lembram disso: aquela história de transferir a chapa do carro para São Vicente, as pessoas tinham vergonha de São Vicente. Autoestima… Tudo isso é meio psicológico. Ele (Bili) fez o contrário. Ele fez o discurso do Luca (Luiz Carlos Luca Pedro, prefeito pelo PT entre 1993 e 1996): “A Cidade não tem dinheiro, é pobre, cheguei lá, o pessoal não ajuda…”. Ele acha o quê? Que o pessoal vai ter pena dele? Ninguém tem pena. O único jeito é você fazer o contrário: você tem que ser um animador. É a pessoa que fala: “Olha, vai dar jeito. Tá com problema, mas vai solucionar”. O que eu falo para o Pedro é o seguinte: “É otimismo, tem que ter otimismo. Tem solução, vamos encontrar solução?”. “E se não tiver solução?”. “Se não tiver, vai ter”.

Em relação ao trabalho enquanto secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, o que há de prioridades para a Baixada Santista? Aproveito para perguntar da situação do prédio da Hospedaria dos Imigrantes, que deverá abrigar uma Fatec, mas no qual as obras não têm caminhado.

É uma obra de R$ 70 e poucos milhões, vai ser licitada no ano que vem para construção no final do ano ou começo de 18, provavelmente. O que tem de previsto, de mais rápido: tem duas Fatecs, a terceira Etec, em Santos, e a segunda Etec de São Vicente. Eu sentei com a Laura, e o Pedro concordou em inverter, em usar aquele prédio que eu consegui recursos para o Tripulantes do Futuro para levar uma Etec específica para coisas navais. O prédio está pronto, está vazio. Não é tão grande, mas já dá para fazer rápido, e a Paula Souza vai estudar começar no início do ano que vem, já. Depois, tem em Santos, onde era o posto fixo do Via Rápida – é um prédio, também –, nós vamos fazer uma das cinco Etecris do Estado de São Paulo. São escolas de tecnologia criativa, só aula de economia criativa. Um outro conceito, mais jovem, para cursos mais rápidos de economia criativa: vitrinista, produção de games, gestão de redes sociais, gastronomia, design, moda, só coisas assim. (…) Nós temos o maior programa de presos do Brasil: 288 mil metros quadrados de área pintada com esses presos; 5.740 alunos presos fizeram, vai chegar a 10 mil. Dos 15 mil presos em regime semiaberto, nós vamos treinar 10 mil neste ano. Eles fazem um treinamento, de um mês, de pintura e pequenos reparos. Depois, eles vão treinar na prática em algum ambiente de verdade. Então, eles pintam creches, hospitais, escolas. (…) E eles fazem isso pelo (programa) Via Rápida (Emprego) e, ao final do curso, eu dou a eles uma opção, se eles quiserem: abrir uma MEI no nome deles. Então, eles passam a ser microempreendedores individuais, dão nota fiscal. Quando sai da prisão e quer trabalhar, consegue: pequenos reparos e pintura. (…) Está sendo feito em Santos o maior laboratório metroferroviário do Brasil: R$ 5,7 milhões desta secretaria e R$ 5,7 milhões da USP (Universidade de São Paulo). É um laboratório de inovação, dentro de onde tem a USP, no (colégio estadual) Cesário Bastos. (A região) Vai passar por soluções ferroviárias: VLT e Porto. E tem que ter, portanto, tecnologia, entendimento para isso, que a USP está preparando.  Não sei (a data de início), porque a gente libera para a USP, que vai desenvolver inovação tecnológica nas áreas ferroviária e rodoviária urbana e portuária. E tem lá, também, o Parque Tecnológico de Santos (no antigo Colégio Santista). Santos, no futuro, tem a ver com essa questão de logística. Não há alternativa porque o Porto está lá. Eu vejo que a gente tem que direcionar um pouco, pela questão da Usiminas, em estender o Polo Industrial para um Polo Naval. Pela lógica: por ter aço e por ter porto.

É algo em que o Investe SP  poderia atuar, a fim de trazer empresas para a região?

Eu percebo nitidamente, e faz parte do programa do Pedro, um movimento em direção ao gás. Haverá uma mudança forte. O gás que vem ao Brasil é 70% consumido em São Paulo. Esse gás está vindo todinho da Bolívia, e a Bolívia tem contrato conosco até 18. Então, (em) 19, acabou, e eu estou pressupondo problemas para o futuro. E tenho certeza de que haverá uma mudança grave, porque o gás, para chegar aqui ao Brasil sem ser pela Bolívia, só tem um jeito: pelo mar. Ou por navios ou com gasodutos. Hoje, tem quatro projetos em andamento aqui na secretaria, que estão com confidencialidade, você não pode colocar detalhes, mas tem um em Peruíbe – bem avançado, com licenciamento ambiental, para fazer a primeira termelétrica; tem um em Cubatão, tem um em São Vicente e tem um estudo em Santos. São termelétricas. Conseguimos que o ministério (do Meio Ambiente) autorizasse a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado) a fazer licenciamento, e tem a Rota 4, que é o maior projeto privado do País, passa pela Baía de São Vicente e vai buscar gás no pré-sal. Traz para dentro da baía e vai até a divisa de São Vicente e Cubatão, onde teria uma outra termelétrica. E, fora isso, tem os navios. Por exemplo, em Peruíbe, tem um porto offshore para dar suporte a essa termelétrica. O que é? Você para um navio de gás liquefeito, transforma o gás, passa para dentro, vai até a termelétrica.

Isso implicaria também mais receita para as prefeituras…

É mais, também, uma questão de emprego, geração de negócios, novas empresas. Quando você tem uma termelétrica, do lado dela você forma outras coisas para fornecer aquilo. Eu aposto que, no futuro, o Litoral de São Paulo vai ser um grande hub da área de gás do País. Toda a bacia do pré-sal do Litoral de São Paulo tem mais gás do que petróleo. Há um movimento muito forte de grupos árabes, Omã, Emirados – eu tive várias reuniões sobre isso –, um grupo brasileiro grande, que é a Cosan, que é a principal operadora da Rota 4; um grupo gaúcho que tem, já, uma das concessões para isso; e um grupo de investidores estrangeiros que faz essa operação de Peruíbe. São grandes investimentos, todos voltados a essa área. É um agregado ao mundo portuário. Quando se tem uma termelétrica, precisa ter gás constantemente para abastecê-la. Então, como não vai ter mais o gás da Bolívia, você tem que buscar esse gás pelo mar. Um pedaço é Rota 4, quando estiver pronto – vai ser uma obra de quatro anos. O outro pedaço você tem de ter navios parando com gás liquefeito, eles encostam o gás do navio num outro navio, e esse navio passa até a termelétrica. Esse navio, portanto, de gás, tem todo um estudo de se pode ou não parar no Porto de Santos porque ele dá trabalho com calado (profundidade do canal de navegação) e tudo o mais.

Não pode ser mais uma aposta como foi o pré-sal?

No caso do gás, tem um componente diferente. Esse negócio da Bolívia é insubstituível. (…) Ele (o investimento) é 100% privado, então, você não dá o tempo (para a concretização) do privado. Mas eu posso garantir é que, em 18, acaba o contrato com a Bolívia.

Sinto que a Baixada tem um pouco de complexo: recursos não vêm para cá, projetos não vêm para cá. E a região, enquanto ambiente legalmente constituído, está fazendo 20 anos. O que falta para a Baixada dar esse salto?

Eu acho que falta uma coisa importante: nós não temos grandes espaços físicos. Então, nós temos que criar facilidades de espaços físicos. Acessos mais fáceis para alguns lugares, que nós não temos. As áreas maiores que estão vazias, ainda. E facilidades nos licenciamentos. Acho que isso assusta muito as pessoas. Quem pensa em Baixada pensa em demora, problema ambiental. Então, tenho que criar um mecanismo. O governador está criando um Via Rápida para empreendedor, como se fosse um Graprohab (para análise e aprovação de projetos habitacionais): você dá entrada num loteamento e (o processo) circula num ambiente só. Você fala assim: vou montar uma empresa grande em São Vicente. Tem que passar pela Cetesb… Quatro anos. Por que tem que demorar quatro anos? Demora (mais na Baixada do que em outras regiões do Estado) por restrições ambientais. Se você olhar, acho que tem muitas áreas nossas (que ficaram congeladas para investimentos). É uma injustiça com o Litoral. (…) O importante é, dentro das condições que nós temos lá, facilitar as questões ambientais.

  1. Se o Chuchú escapar da Lava Jato, só tem votos em São Paulo, nacionalmente vai levar trôlha. Em mesmo em SP, ou ele começa a melhorar a vida de suas Polícias (audiência de custódia NÃO) ou poderá apanhar mais do que pensa.

  2. Killer,

    A Lava Jato será o atestado de idoneidade moral e política do Alckmin!

    Sendo candidato ganhará de lavada em todo o Brasil .

    A Polícia Civil de São Paulo – PM , idem – não faz nenhuma diferença eleitoralmente falando, especialmente a parcela incumbida das escoltas: carcereiros, agentes e investigadores ( pequena parcela, aliás! )

    Menos meu caro! Estilingue não derruba caça de combate.

    O melhor a fazer é torcer ( ou rezar ) para que ele faça um sucessor mais simpático às necessidades dos policiais civis.

  3. Senhor Guerra

    O pior, que eu também imagino imagino isso, os disparos passarão de raspão e ele sairá ileso.
    E 2018 se aproxima, então só resta a fé em Deus…

    C.A.

  4. acredito eu que dependendo do fizer na prefeitura o jõao doria sera candidato e deixara o covinha na prefeitura vai ser uma briga de foice no psdbosta

  5. o sapo barbudo não esta morto,se não conseguirem enfiar alguma bronca nele
    ele se torna candidato natural e com toda propaganda feita não vai ter pra ninguem
    como diria o zagalo, voces vão ter que aguenta o sapo

  6. TA BRINCANDO,

    Tu tá brincando, né ?

    O melhor para o Lula é abandonar a política; fazer as pazes com os adversários e com o Judiciário ! Depois descansar!

  7. DR. o tempo é que vai dizer,na minha opinião tambem acho que ele tem
    que pendurar a chuteira e tentar sair numa boa. ninguem é eterno e avida passa rapido demais

  8. Márcio França pertence ao um partido golpista que anda a reboque do PSDB. Tanto que a Erundina e muitos de seus partidários deixaram o partido. Ele é tão bom que a baixada santista continua na merda com a criminalidade aumentando assim como a desigualdade social.

  9. DIÁRIO DOS ESQUECIDOS

    OBRIGADO MAÇANETAS

    Maçaneta é o termo utilizado na Polícia para designar o funcionário que não
    exerce as funções para as quais foi contratado. O maçaneta realiza
    atividades sem risco à sua própria integridade física. Espalhados por
    setores administrativos, tais como garagens, subfrotas, portarias,
    almoxarifados, expedientes, unidades de manutenções de informática e seção
    de armas e munições, estes indivíduos insistem em permanecer “escondidos”
    realizando funções burocráticas e administrativas, embora tenham sido
    aprovados em concurso público para o exercício de atividades de natureza
    policial. Normalmente são agraciados com os melhores horários, precoces promoções e possuem proteção especial de seus superiores. Os “postos” que ocupam são criados
    com o objetivo específico de alocá-los em razão de seu apadrinhamento e/ou
    covardia. Outras denominações são utilizadas como sinônimos. As mais comuns
    são: “puxa saco”, “cana zero”, “baba ovo”, “bunda mole”, “cagão” etc.
    Por muito tempo estes funcionários parasitas foram ignorados pelos
    policiais de verdade. Afinal, nunca se pôde contar com eles mesmo. Mas
    chegou a hora de reconhecermos o valor destes indivíduos e acabarmos com
    todas as rusgas.
    É tempo de admitirmos que o maçaneta representa tudo o que a Polícia Civil
    se tornou. Ele é o futuro.
    Para que expor-se em investigações policiais, ter que ser ouvido no Fórum a
    respeito de prisões e ocorrências, correr o risco de ter que utilizar a
    arma de fogo ou até mesmo poder colidir uma viatura… Tudo isso é coisa do passado.
    O amanhã pertence aos maçanetas. Eles nos ensinaram como devemos agir de
    agora em diante. Seus ensinamentos nos preparam para atingir na ativa, com integridade física e mental, os 65 anos de idade. Muito obrigado a todos os maçanetas!

  10. Guerra, quando tiver um tempo, por favor:

    Eu acho que o gov vai preferir o Dória que vai deixar a prefeitura no meio do mandato E do Dória eu só espero nada.

    Mas, o que o França faria de diferente do atual governador?

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