Desculpem a nossa burrice…( Quem possui bom senso não ingressa na PM ) 87

PM pede desculpas por impedir criança de ver jogo com rosto pintado

Adriano Wilkson

Do UOL, em São Paulo

21/11/201620h32

  • Reprodução

    Maria Eduarda, 7 anos, não conseguiu entrar no Allianz com o rosto pintado de verde e brancoMaria Eduarda, 7 anos, não conseguiu entrar no Allianz com o rosto pintado de verde e branco

A Polícia Militar de São Paulo pediu oficialmente desculpas por proibir a torcedora Maria Eduarda, de 7 anos, de entrar no estádio do Palmeiras domingo com o rosto pintado de verde e branco.

Por causa de uma norma contra torcedores violentos, a garota, acompanhada do pai, foi obrigada a limpar o rosto para entrar no Allianz Parque. O caso provocou reações indignadas na internet, o que motivou a corporação a lançar uma nota oficial se desculpando pelo ocorrido.

“Faltou bom senso ao policial que impediu a entrada da criança”, admitiu a PM. Opinião semelhante já havia dado um major da corporação no domingo mesmo, ao ser procurado pelo UOL Esporte. “Estão sendo adotados procedimentos para que situações semelhantes não mais ocorram”, prometeu a polícia.

A orientação geral em jogos de futebol no Estado é que torcedores não entrem com o rosto coberto, por máscaras ou pinturas faciais, de maneira que sejam mais facilmente identificados em caso de confusões dentro do estádio. Não se tinha tido notícia, porém, da norma haver sido aplicada anteriormente a uma criança. A orientação não consta de nenhuma lei.

O pai de Maria Eduarda, Edgar Nepomuceno, disse que foi informado por uma policial mulher sobre a necessidade de tirar a pintura do rosto da garota. Maria Eduarda chorou e só voltou a se animar quando o jogo começou. O Palmeiras venceria o Botafogo por 1 a 0 e ficaria a apenas um ponto do título do Brasileiro.

O caso de Maria Eduarda ganhou repercussão na internet e muitos torcedores o viram como uma ameaça ao ambiente festivo dos estádios. De acordo com Edgar, ele e a menina estarão no Allianz domingo, quando o Palmeiras pode confirmar o título contra a Chapecoense.

Veja a nota da Polícia Militar:

A Polícia Militar informa que, embora exista efetivamente a proibição de adentrar ao estádio com o rosto coberto, seja por meio de pintura, máscara ou outro meio que dificulte a identificação de pessoas pelas câmeras de segurança, a avaliação do Comando da PM é que faltou bom senso ao policial que impediu a entrada de uma criança, que risco nenhum poderia oferecer à segurança do evento. Estão sendo adotados procedimentos para que situações semelhantes não mais ocorram. A Polícia Militar pede desculpas pelo ocorrido.

CARTA ABERTA AOS POLICIAIS DO BRASIL…( Polícia: a “raça” mais ignorante, desunida e falsa da face da terra ) 64

CARTA ABERTA AOS POLICIAIS DO BRASIL

Policiofobia: O Brasil é o país onde o policial parece ser um ente alienígena

“Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada.” Edmund Burk police-scene

Há apenas uma coisa mais absurda do que um helicóptero ser derrubado por criminosos ou policiais serem assassinados às centenas por bandidos: não haver uma reação completa e organizada a esse mal.

E quando se fala em reação não se trata tão somente à reação bélica imediata à agressão (coisa já é feita na maioria dos casos). Os atuais ataques à policiais perpetrados por criminosos comuns ou pelo crime organizado são apenas um sintoma, não a doença. A cultura de subversão de valores que glamorizou o crime, promoveu a impunidade e criminalizou a atividade policial é a grande responsável pelo atual estado de coisas. Ela não apenas incutiu na mentalidade do marginal que ele é um injustiçado social (dando-lhe quase o “direito a delinquir”), como também promoveu a demonização do policial e o desmonte jurídico e político de sua atividade.

Quando uma categoria profissional é atacada a reação é imediata. Quando a PEC 37 ameaçou tirar o poder de investigação do Ministério Público em 2013 os membros do parquet estadual e federal reagiram de forma uníssona. Suas associações foram à imprensa e se manifestaram publicamente CONTRA tal medida. Quando se cogitou o chamado “crime de hermenêutica” na projeto de lei sobre abuso de autoridade (PLS 280/2016) todas as associações de magistrados reagiram. Houve abaixo-assinados, manifestações na mídia e no espaço político. A mesma coisa acontece quanto se ataca interesses de médicos, engenheiros, advogados e etc.

Quando se ataca a polícia nada disso é visto. Observamos inertes enquanto ONGs e políticos alinhados aos “injustiçados sociais” atacaram o Auto de Resistência. Ficamos mudos quando veio a “Audiência de Custódia” com a “boa intenção” de agilizar o processo penal, e hoje já está suficientemente clara a sua real intenção: ser promotora da famigerada política de desencarceramento que deixa livres bandidos perigosos que continuam livres e soltos pra assaltar e matar (como o caso do assaltante que matou o Policial Rodoviário Federal ontem à noite em Fortaleza. Ele já respondia por pelo menos dois homicídios e dois assaltos à mão armada). Considerável parte da mídia tem uma clara pauta antipolicial e aparenta atuar na prática como relações públicas de bandidos, sempre se apressando a condenar qualquer ação policial e usar toda a sorte de eufemismos para proteger bandidos.

Perdidos entre demandas meramente classistas, disputas institucionais de poder e divisões internas os policiais brasileiros são presas fáceis do politicamente correto por serem incapazes de se unir. Parece que estão eternamente condenados a expiar os pecados do Regime Militar e por isso simplesmente não reagem à injusta e sistemática campanha de desmoralização pública. Retratados como heróis nas séries televisivas dos anos 80 hoje são demonizados como corruptos e psicopatas em praticamente todas as produções culturais. A promoção da chamada policiofobia foi a responsável por fazer a sociedade não demonstrar nenhuma empatia em relação ao assassinato de seus protetores como acontece em qualquer país civilizado, onde a população sai às ruas para protestar e as autoridades lamentam publicamente o fato. O Brasil é o país onde o policial parece ser um ente alienígena, que não pertence nem ao estado, nem à sociedade.

Mas como cobrar solidariedade e defesa da sociedade se nos negamos a combater culturalmente nossos detratores? Nada acontece no âmbito social se não for precedido no âmbito cultural. Enquanto a cultura antipolicial avançou, sem resistência, nas casas legislativas e judiciárias, redações de jornais e universidades (a ponto de uma estudante PM ser expulsa da sala de aula por sua farda “agredir” os presentes) nos últimos anos nada foi feito de forma organizada para contrapor esse mal.

Ou os policiais de todas as forças se unem, deixando todas as diferenças de lado, e lutam juntos contra esse caos – não só com armas de fogo mas também com canetas, microfones e passeatas – e trazem a sociedade a reboque ou tudo estará perdido. É preciso que se preparem pessoas que sejam multiplicadores da cultural policial em todos âmbitos. Policiais precisam ocupar papel de protagonistas no âmbito da segurança pública publicando livros, escrevendo artigos, participando maciçamente das discussões legislativas fazendo do contraponto cultural uma verdadeira guerra de chão: ocupado culturalmente casa por casa, quarteirão por quarteirão para recuperar o terreno perdido.

Se continuarmos achando que o crime só se combate com o bico do fuzil, seremos aniquilados. Somos um milhão de operadores de segurança pública. Temos uma força enorme e somos naturalmente formadores de opinião. Chegou a hora de exigir respeito não só boicotando os veículos de (des)informação, entidades e pessoas que atuam na prática como relações públicas de bandidos como também restaurando o bom senso através da participação ativa da guerra cultural por corações e mentes, eliminando, de uma vez por todas, o espiral do silêncio que nos encurralou.

Por Filipe Bezerra,

Policial Rodoviário Federal, bacharel em Direito pela UFRN, pós-graduado em Ciências Penais pela Uniderp e bacharelando em Administração Pública pela UFRN. Email: filipecbezerra@yahoo.com.br