P2 pode ter sido emboscado e executado por policiais corruptos 9

Assassinato de cabo da PM foi crime profissional

O corpo de Luís Fernando da Silva Barros, de 38 anos, foi encontrado na tarde desta quinta-feira

EDUARDO VELOZO FUCCIA – A TRIBUNA DE SANTOS 
06/04/2017 – 21:15 – Atualizado em 06/04/2017 – 21:34
Corpo do policial foi encontrado na Serra do Mar. Vítima foi assassinada (Foto: Vanessa Rodrigues/AT)

Casado e pai de uma filha menor de idade, o cabo Luís Fernando da Silva Barros, de 38 anos, foi vítima de assassinato que chama a atenção pelo profissionalismo dos seus autores. Desaparecido havia 13 dias, o seu corpo foi achado na tarde desta quinta-feira (6) na Serra do Mar, em Cubatão.

O cadáver estava apoiado em um barranco com a cabeça para baixo e a mão esquerda sobre o peito. Calçando tênis, Barros vestia bermuda e camisa de tactel que aparentemente estavam intactas.

O estado adiantado de decomposição do corpo impediu apurar visualmente a provável causa da morte. A expectativa é a de que o exame necroscópico a ser feito no Instituto Médico Legal (IML) de Santos aponte o que determinou o óbito.

Projéteis ou cartuchos deflagrados não foram localizados durante varredura ao redor da vítima. Mas as buscas possibilitaram encontrar a mochila do policial a alguns metros, como se ela tivesse sido arremessada pelos matadores.

Antes da localização da vítima, pela manhã, policiais rodoviários haviam achado no meio da mata, na altura do km 45 da Pista Sul (descendente) da Via Anchieta, a moto Honda CG 125 Fan preta do cabo Barros.

Três equipes do Comando de Operações Especiais (COE), grupo de elite da Polícia Militar, foram acionadas, fizeram buscas na mata e localizaram o corpo da vítima às margens de uma estrada de serviço que liga o km 47+300 metros da pista de descida da Anchieta à Rodovia dos Imigrantes.

Pistola intacta

Improvável que as pessoas envolvidas na morte do cabo Barros tivessem apenas a intenção de roubá-lo ou cometeram o homicídio após, eventualmente, terem descoberto a sua condição de policial militar.

Aparentemente, nada foi roubado de Barros, inclusive a sua aliança de casamento, de ouro, e a pistola. Objeto de desejo de assaltantes, a arma de fogo, municiada, estava sobre os pés da vítima, junto com os seus óculos de grau.

Sumido desde o início da madrugada de 24 de março, quando saiu do 6º BPM/I, na Ponta da Praia, após trabalhar no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), Barros desapareceu com a sua moto.

O percurso que o policial faria do batalhão até a sua casa, na Aparecida, não demoraria mais do que cinco minutos, mas o cabo não chegou ao destino. Como se tivesse evaporado, sumiu sem deixar pistas. Dois dias após o desaparecimento, se ainda estivesse vivo, ele completaria 39 anos.

Entre várias hipóteses que não podem ser descartadas e devem ser investigadas, uma delas é a de que o policial foi atraído por alguém conhecido, sem desconfiar de que se tratava de emboscada.

Abordagem realizada de madrugada por desconhecidos, em tese, geraria uma reação da vítima, que estava armada. Porém, ela sumiu misteriosamente e, mesmo com a localização do corpo, o caso não fica menos intrigante.

No dia seguinte ao sumiço, um radar detectou a passagem da Honda Fan pela Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, no Jabaquara, Zona Sul de São Paulo. No entanto, é possível que o equipamento tenha realizado uma leitura equivocada da placa ou tenha flagrado um veículo clonado.

Apesar de a moto ser achada às margens da pista descendente da Anchieta, isso não significa que ela tenha se deslocado até a Capital e retornado. Para se chegar a esse trecho da rodovia não é necessário subir ao Planalto e voltar. No meio da Serra, na altura da Curva da Onça, é possível sair da Pista Norte e acessar a Sul.

Serviço reservado

Embora tivesse trabalhado no Copom no dia em que desapareceu, o cabo era lotado no P-2, Serviço Reservado da PM responsável pelo levantamento de informações úteis na prevenção e elucidação de crimes.

Barros atuava no Copom fora do período normal de trabalho, o que é permitido de acordo com as regras da Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial Militar (Dejem).

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) apura o crime junto com a Corregedoria da PM. Detalhes das apurações não são revelados para não prejudicá-las. O delegado Gaetano Vergine e o coronel Ricardo Ferreira de Jesus comandam, respectivamente, a Polícia Civil e a PM na região. Eles estiveram no local do encontro do corpo do cabo Barros, mas não concederam entrevista.