Morto não pode se defender – Policiais militares fazendo bico de segurança executam policial civil e forjam acusação de tráfico de drogas durante a festa “Electric Zoo” 148

Histórico:
O Delegado de Polícia do plantão da Deatur, Dr. Giuliano Soares, através do CEPOL, acionou a Corregedoria da Polícia Civil em função de um confronto com disparos de arma de fogo na festa “Electric Zoo”, no autódromo de Interlagos, na madrugada do dia 22/04/2017, envolvendo um policial civil, um policial militar e seguranças da empresa ESC Fonseca Seguranças, sendo certo que três pessoas ficaram feridas, e foram socorridos e levados, dois para o PS Grajaú (policiais), e um para o PS Pedreira (segurança).
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Imediatamente, a equipe de plantão da Corregedoria foi ao local a fim de tomar ciência dos pormenores da ocorrência. Recepcionados pela equipe da Deatur que estava de plantão no local do evento, capitaneada pelo Dr. Giuliano Sorge de Paula Silva, informou−se que um policial civil após discussão no banheiro da área VIP (camarote) da festa, desentendeu−se com um policial militar que fazia “bico” no local e seguranças da empresa responsável, tendo ambos efetuados disparos de arma de fogo, restando como feridos (atingidos), o policial civil, o policial militar e um dos seguranças da ESC.
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A equipe da Deatur apresentou as armas dos policiais envolvidos na ocorrência, bem como uma quantidade de droga apresentada, parte delas (cocaína − lacre 00956 e afetamina − lacre 00923) por outro policial militar que fazia “bico” no evento, Marco Túlio Prates Leme de Souza, e outra parte por policiais militares no Hospital/PS Grajaú, supostamente encontradas nas vestes do polícia civil por funcionários deste nosocômio. Outrossim, apresentaram−se carteira, telefone celular e funcional do polícia civil José Roberto Cunha Pauferro.
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Com essas informações esta equipe foi ao local da ocorrência, que estava sendo preservada por um dos policiais da Deatur. Notou−se que o local reservado ao camarote (área VIP), é restrito aos participantes em geral, sendo seu acesso realizado por catracas através de pulseira. Visualizou−se o banheiro reservado para as pessoas que participavam do camarote, cuja parte externa era feita por tapumes de madeira, havendo, no “toalet” masculino, um corredor com cerca de três secções para mictório, sendo visto no chão um estojo de calibre .40, similar a uma das munições que estava na arma do policial civil, bem como rastro de sangue que iniciava na última secção e se estendia pelo corredor. No lado externo, já próximo a entrada do banheiro feminino, encostado ao tapume de madeira, provavelmente local no qual o policial civil foi atingido e caiu no chão, havia marcas de sangue, e não se visualizou quaisquer estojos de arma de fogo.
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Em diligência junto ao PS Grajaú, conseguiu−se informalmente conversar com o policial militar Alexandre da Silva Laselva, que apresentou sua versão sobre
os fatos, consignando−se que ele recebeu alta médica e foi apresentado na Corregedoria pelo policiais militares, onde teve suas declarações formalizadas. Igualmente, o segurança, Renan Fernando Garcia Pereira, que foi atingido por um dos disparos efetuados na ocorrência, recebeu alta médica e também teve formalizada suas declarações, formalizando−se sua versão acerca da ocorrência.
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O policial civil, José Roberto Cunha Pauferro, é o único que, até o encerramento do presente registro, segundo informação levantada junto ao corpo médico/funcionários do referido Hospital, tem estado de saúde bastante delicado, permanecendo sedado no Hospital, em que pese estável por ora.
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Seguranças da empresa ESC Fonsecas Segurança, Raphael Vieira dos Santos, o qual exercia a função de supervisor do espaço da área VIP, bem como Sergio Lemos Junior, que era supervisor geral da segurança, que presenciaram a ocorrência, participando efetivamente da discussão com o policial civil, tiveram seus depoimentos formalizados em termos próprios.
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Da mesma forma, o chefe dos seguranças, Paulo Rogério Pereira da Fonseca, e o policial militar, Marcos Túlio Prates Leme de Souza, que supostamente também fazia “bico” de segurança no local, e que apresentou as armas dos policiais, e parte da droga para o delegado da Deatur, tiveram seus depoimentos reduzidos a termos.
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Os amigos que acompanhavam o policial civil na festa, e foram com ele ao banheiro quando iniciou−se a discussão que desencadeou no trágico final, apresentaram versões diametralmente opostas às apresentadas, especialmente, pelos seguranças Raphael e Sérgio, e o policial militar Alexandre Laselva. Todos tiveram, também, seus depoimentos consignados em assentadas.
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Durante a diligência, conseguiu−se chegar a qualificações de algumas testemunhas/partes que, ou presenciaram os fatos, ou comprometeram−se em ajudar
no prosseguimento das investigações, a saber: XXXXXXXXXXX, amiga do policial civil que presenciou a confusão fora do banheiro. XXXXXXX, representante da ID&T Brasil Eventos, produtora da festa, que se comprometeu apresentar as imagens degravadas das câmeras de segurança que captaram a ocorrência. A empresa de monitoramento GWA Systems, a qual se disponibilizou a auxiliar as investigações no que tange ao monitoramento do local (cartão de visita e encarte da empresa em anexo). A pessoa de XXXXXXXX, que diz testemunha ocular, pois passou no 27o. Distrito Policial e forneceu seus dados a um escrivão de polícia que entrou em contato com a Corregedoria da Polícia.
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Diante dos controversos fatos e provas ora apresentados, elabora−se o presente registro, requisitando−se exame pericial no sítio dos fatos (perito Victor VTR S−1098/ laudo 01−030−28066−17), bem como apreendendo e requisitando perícia nas armas dos policiais envolvidos, nas vestes que estes usavam (calças), ambas com marca de sangue e perfuração provável feita por projétil(eis), e nas substâncias psicotrópicas apresentadas. Outrossim, apreendeu−se a funcional do policial, assim como a carteira da arma de fogo que portava.
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Os pertences particulares do policial civil envolvido na ocorrência foram entregues, mediante recibo seu advogado, Dr. Leandro Giannassi, OAB/SP 211204, o qual ficou na ocasião da apresentação do policial, assim que tiver condições de saúde, habilitar−se formalmente nos autos. Encerra−se, assim, o boletim de ocorrência, submetendo−o ao trâmite administrativo interno com fito, s.m.j, de que seja dado devido seguimento às investigações em instrumento próprio.

HUMBERTO CESAR TEMOTEO RIBEIRO
DELEGADO DE POLÍCIA

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Observação: nenhum dinheiro foi encontrado com a vítima, não obstante a acusação – dos Pms  seguranças – de que estaria traficando .