PCC Clube do Crime – VI Facção criminosa oferece droga em consignação e ‘chuveirão’ na prisão Resposta


A força do ataque a sede da PROSEGUR no Paraguai
ROGÉRIO PAGNAN
Enviado Especial ao Rio de Janeiro, a Cuiabá (MT)
e a Presidente  Prudente (SP)
Droga com 15 dias de prazo para pagar e lucro livre para fazer o que quiser. Possibilidade de empréstimo de armas, sorteio de prêmio pela Loteria Federal e contatos em todos os Estados do Brasil, além de países como Bolívia, Colômbia, Paraguai, Venezuela. E, na prisão, direito a comida especial e “chuveirão”.

Esses são alguns dos argumentos utilizados pelos integrantes do PCC na tentativa de captação de novos integrantes no Estado do Rio, em uma campanha detectada pela polícia local no ano passado. Traficantes de pequenos morros, especialmente de cidades do interior e próximos à divisa com São Paulo, incluindo criminosos ligados ao CV, têm sido convidados a integrar a quadrilha paulista.

“Se alguém for invadir o morro, é só dizer que é do PCC e, com certeza, vão respeitar, porque o PCC é a maior facção do Brasil”, diz o criminoso Cledson Fernandes da Silva, o Léo ou Fantasma, em conversa por telefone monitorada pela Polícia Civil do Rio. “Vão ser respeitados em grande estilo”, completa, nessa mesma ligação.

Foram identificados “batismos” em cidades fluminenses como Magé, Rio Bonito, Rio das Ostras, Saquarema e Paraíba do Sul. “Se você não tem como entrar direto no vespeiro, você vai ocupando exponencialmente do interior para a capital. As coisas precisam passar por ali. São eixos de suprimento”, diz o delegado Antenor Lopes Martins Junior. “Se for analisar, em qualquer guerra é importantíssimo você controlar esses eixos. Não foi uma coisa à toa, por acaso.”

A venda de droga em consignação, oferecida pelo PCC aos criminosos, é algo incomum no mundo do crime. O mais comum é o pagamento à vista, até porque envolve grande volume em dinheiro e há sempre o risco de calote.

Outras conversas monitoradas pela polícia deixam claro que tais ofertas fazem parte da campanha de ampliação do PCC no Estado. Em uma delas, o próprio Fantasma cobra de um comparsa mais empenho em conseguir mais adeptos. Pergunta se “não tem nenhum ‘batismo’ para fazer”, porque nunca mais ele indicou alguém. “É para fazer convites.”

“Há um ano, peguei o Estado com 15 irmão [sic], hoje tem 80”, diz. “O Rio de Janeiro é uma potência. Nós temos estrutura, temos os irmãos de São Paulo tudo na pista no Rio de Janeiro. É só acreditar na caminhada.” O número de criminosos citado por Fantasma bate com a estimativa feita pela Promotoria de SP, que aponta 83 integrantes da facção paulista naquele Estado.

Nas conversas de convencimento, os novos “soldados” cooptados pelo PCC são avisados de que, uma vez “batizados”, podem até sair do grupo, mas não podem ingressar em outro, sob o risco de serem mortos. E alertam sobre a proibição de usarem crack. “Pode usar cocaína, maconha, balinha [ecstasy], mas com consciência.” Os criminosos explicam ainda a necessidade do pagamento de uma contribuição mensal, chamada “cebola”, que é usada para ajudar a família daqueles que estão presos.

Alfredo Maia – 6.jan.2017/Folhapress

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