3º DP de Santos fecha à noite 38

Unidade da Ponta da Praia deixou de atender a população a partir das 20 horas, nos feriados e finais de semana

EDUARDO VELOZO FUCCIA
10/05/2017 – A TRIBUNA
A redução do horário de atendimento começou na última segunda-feira (Foto: Fernanda Luz/AT)

O sucateamento da Polícia Civil pela falta de recursos humanos, principalmente, começa a gerar os seus mais fortes reflexos em Santos. Localizado em uma das regiões mais nobres da Cidade, o 3º DP fechou as suas portas à população no período das 20 às 8 horas e nos fins de semana e feriados.

A área do 3º DP abrange boa parte da orla, englobando os bairros Ponta da Praia, Embaré, Aparecida, Estuário e parte do Macuco. A redução do horário de atendimento da unidade policial começou na última segunda-feira, por tempo indeterminado.

Titular do distrito, o delegado Jorge Álvaro Gonçalves Cruz justifica que a medida foi tomada após um escrivão se lesionar em um acidente de moto e precisar se afastar do trabalho. Mais dois já se encontram de licença por motivos de saúde e deverão ser readaptados para outras funções, quando receberem alta médica.

A situação crítica, que não se resume ao distrito localizado na Ponta da Praia, lembra o ditado popular da coberta curta que deixa os pés descobertos de quem cobre a cabeça e vice-versa. Desse modo, remanejar policiais de outras unidades para suprir o deficit do 3º DP de Santos seria desfalcá-las e apenas transferir o problema.

Delegado do 3° Distrito Policial, Jorge Cruz
(Foto: Alexsander Ferraz/AT)

Internet

O delegado Jorge Cruz tenta minimizar a situação, informando que aumentou o número de casos que podem ser registrados pela internet, sem que a vítima necessite se deslocar em um primeiro momento para alguma repartição policial.

Por esse meio eletrônico é possível a comunicação dos seguintes casos: roubos e furtos de veículos; roubos, furtos e perda de objetos e documentos; injúria, calúnia e difamação; acidentes de trânsito sem vítima; desaparecimentos e encontros de pessoa.

Cruz também observa que o fechamento por tempo indeterminado do 3º DP durante a noite e nos fins de semana e feriados não deverá causar maior impacto, porque os casos de maior relevância e urgência, que exigem a intervenção de um delegado, já eram encaminhados à Central de Polícia Judiciária (CPJ).

Localizada no Palácio da Polícia, no Centro, a CPJ funciona diariamente, entre 20 e 8 horas, e nos feriados e finais de semana.

Desse modo, todos os flagrantes, termos circunstanciados e casos mais graves ocorridos na Cidade são registrados na central. Atualmente, apenas o 7º DP (Gonzaga) funciona durante a noite, mas sem delegado. Os 1º, 2º, 4º e 5º DPs permanecem fechados nesses períodos.

Raquel Kobashi Gallinati é presidente do Sindicato
dos Delegados de Polícia do Estado (Foto:Divulgação)

‘Desmonte’

O fechamento do 3º DP de Santos não surpreende Raquel Kobashi Gallinati, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindipesp). Desde o início do ano, ela e a sua diretoria elaboram um estudo para avaliar a falta de efetivo em todas as carreiras da Polícia Civil paulista.

“O Sindipesp já percorreu quase todas as 70 delegacias seccionais do Estado para constatar in loco e montar um raio X da falta de recursos humanos e materiais a que vem sendo submetida a Polícia Civil pelo Governo de São Paulo”, informa a delegada.

Segundo ela, um dos grandes problemas que apontam o “desmonte” da instituição é a escassez de pessoal. “Foi convocada parte dos aprovados nos concursos de 2013.

Os últimos, aliás, realizados para a contratação de policiais civis. Porém, a medida não resolveu o problema, pois não supre, por exemplo, o deficit de mais de 1.300 aposentadorias”.

A falta de estrutura para trabalhar que começa a emergir em Santos foi constatada pela presidente do Sindipesp no Interior e na Capital. “Há delegacias em péssimo estado, viaturas velhas, uma completa ausência de valorização do delegado de polícia de São Paulo, que tem o maior PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, mas paga, proporcionalmente, o pior salário de delegado do País”, denuncia Raquel.

A Secretaria Estadual da Segurança Pública foi procurada, mas não respondeu até a publicação desta matéria.

  1. a ética diz……

    não podemos prejudicar um irmãozinho……………………mandando o pra nasa…………..

  2. a vontade deles é aumentar as companias….
    para ter mais comandantes… promovidos…pra dirigi las………………

  3. ja faz um bom tempo que a PC somente investiga crime de autoria conhecida……

    motivo: não tem efetivo para investigar os crimes de autoria desconhecidos…

  4. Ok. Muito bom que os SINDICATOS façam estudos, visitas, etc. Mas tb precisam agir e, em nome das carreiras policiais, legitimados que estão, ingressar com AÇÕES JUDICIAIS para rever esta situação, haja vista que administrativamente não há solução. O plantão de RIBEIRÃO PRETO, assim como o de ARARAQUARA, irão atender, ao que consta, pelas áreas das suas SECCIONAIS, o que logo é capaz de ocorrer em todas elas, ou seja, só 01 PLANTÃO por SECCIONAL? ISSO É IMPRATICÁVEL! E, se não há solução administrativa, só resta a VIA JUDICIAL, ora bolas!

  5. Como faz falta o Escrivão de Policia. Fechou porque não tem Escrivão para atender, ouvir as partes, fazer o flagrante, o TC etc..Sem Escrivão a Polícia acaba

  6. O mais engraçado é o delegado se justificando. Seria medo de falar a realidade nua e crua e perder a famosa cadeira?

    Bom, embora eu não seja escrivão, eu reconheço que, sem ele, a PC fecha as portas.

  7. MAIS UMA VEZ CARTEIRA VERMELHA NAO GOSTA DE CARTEIRA PRETA

  8. Fechamento do 3º DP de Santos é “medida temporária”, diz Deinter-6
    Justificativa é que polícia aguarda que novos escrivães e investigadores concluam o curso de formação na Academia
    EDUARDO VELOZO FUCCIA 12/05/2017 – 11:00 – Atualizado em 12/05/2017 – 11:00

    Nota sobre o fechamento do DP foi divulgada na quinta-feira pelo delegado Barbosa
    O fechamento do 3º DP de Santos durante o período noturno e nos finais de semana e feriados por falta de funcionários é uma “medida temporária”, até que novos escrivães e investigadores concluam o curso de formação na Academia de Polícia.

    A explicação, por meio de nota divulgada à imprensa ontem à tarde, é do delegado Paulo Eduardo Barbosa, assistente do Departamento de Polícia Judiciária do Interior-6 (Deinter-6).

    O comunicado classifica o fechamento do distrito policial situado na Ponta da Praia de “mudança transitória”. O fechamento da unidade das 20 às 8 horas e nos feriados e fins de semana começou na última segunda-feira, sendo divulgado por A Tribuna na edição de quarta-feira.

    De acordo com Raquel Kobashi Gallinati, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindipesp), a Polícia Civil sofre um “desmonte” devido à escassez de pessoal.

    Barbosa disse que nos dias úteis, entre 8 e 20 horas, “o 3º DP de Santos continua a prestar atendimento ao público”. Sem especificar data, ele garantiu que o distrito policial voltará a funcionar 24 horas por dia, durante toda a semana, após o término do curso de formação dos novos escrivães e investigadores.

    “A preocupação da Polícia Civil na região, contando sempre com o apoio das prefeituras municipais, e neste caso em Santos, foi sempre garantir a melhor prestação de serviços”, destacou o delegado assistente do Deinter-6.

    Ainda conforme a nota institucional, “a população santista, enquanto esse quadro interino perdurar, conta com o atendimento 24 horas à sua disposição, seja na Central de Polícia Judiciária (CPJ), seja no 7º DP, no Gonzaga, repartição contígua e de fácil acesso geral”.

  9. Vai ter colega saindo no tapa e puxando o tapete de outros para não ir trabalhar nesse DP. Detalhe… PQ tem que ser alunos recém-formados da academia? PQ não desloca colegas de outras delegacias? Principalmente os encostados?

  10. O problema da segurança, não é só em SP, mas em todo o Brasil, é justamente os altos salários dos policiais.
    Lógico, se comparados aos salários dos outros profissionais.
    Na Baixada Santista, escrivão ganhando mais de 8 mil reais e delegados que nem compararem à delegacia, ganhando mais de 22 mil reais.
    PM (soldado) se aposentando com mais de 4 mil reais, procurem saber com quanto se aposenta um capitão ou coronel.
    Não tem cofre público que suporte isso.

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