Ai que burros da zero pra eles – PMs cantam: “Eu miro na cabeça e atiro para matar. Se munição eu não tiver, pancadaria vai rolar”; em plena avenida mais importante de Santos 51

Em exercício em Santos, PMs cantam que “miram na cabeça” e “atiram para matar”

Atitude vai contra as orientações da Polícia Militar; instituição afastou instrutores

Gabriel Oliveira – A TRIBUNA DE SANTOS
30/08/2018 – 15:43 – Atualizado em 30/08/2018 – 15:44

Em exercício na Avenida Ana Costa, no Gonzaga, em Santos, na manhã desta quinta-feira (30), policiais militares cantaram que miram na cabeça e atiram para matar. Se aplicada em confronto, a atitude vai contra as orientações da Polícia Militar, baseadas no Método Giraldi, que prega a preservação da vida. O comando da PM informou ter afastado os instrutores responsáveis pela atividade.

O vídeo, que circula nas redes sociais e chegou a A Tribuna, mostra uma tropa em treinamento na avenida, correndo e entoando cantos. Em um dos trechos, os policiais dizem: “Eu miro na cabeça e atiro para matar. Se munição eu não tiver, pancadaria vai rolar”.

O Método Giraldi, utilizado pela PM, diz que, em um confronto armado, “não há como escolher pontos de acerto no agressor; dispara-se na direção da sua silhueta”. Esse disparo contra o suspeito, conforme a diretriz, “não tem como finalidade matá-lo, mas, fazer cessar sua ação de morte contra a sua vítima”.

Usada pela PM paulista desde 1998, a doutrina prega a mudança de uma cultura de morte, “importada da instrução de tiro das Forças Armadas”, para uma “cultura de preservação da vida”. Tiros na cabeça costumam ser fatais.

Resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a conduta de funcionários responsáveis pela aplicação da lei, adotada pelo Brasil, estipula que, quando o “uso legítimo da força e de armas de fogo for inevitável”, um dos objetivos deve ser “minimizar danos e ferimentos e respeitar e preservar a vida humana”.

A Baixada Santista teve, no ano passado, número recorde de suspeitos mortos por policiais militares. Na semana passada, A Tribuna mostrou que os batalhões de São Vicente e Praia Grande estão entre os cinco mais letais do Estado, conforme relatório da Ouvidoria da Polícia de São Paulo.

Foi também em 2017 que ocorreu o recorde de PMs assassinados na região.

Em nota a A Tribuna, a Polícia Militar declarou que o canto dos policiais “não reflete os princípios adotados pela instituição, que defende a vida e a integridade física das pessoas”. “Os instrutores responsáveis foram afastados da atividade de docência e foi instaurado procedimento disciplinar para apuração”.

GAECO e CORREGEDORIA da PM estouram famoso ponto de caça-níqueis em São Vicente;( O maquineiro está foragido; gerentes foram presos ) 15

Operação do Gaeco fecha 10 casas de jogos de azar em Santos e São Vicente

Nos locais havia cerca de R$ 150 mil em espécie e 346 máquinas caça-níqueis

Eduardo Velozo Fuccia – A TRIBUNA DE SANTOS 
30/08/2018 – 17:50 – Atualizado em 30/08/2018 – 18:01
Máquinas caça-níqueis foram apreendidas durante a operação do Gaeco (Foto: Divulgação)

Uma operação realizada nesta quinta-feira (30) para reprimir jogos de azar resultou no fechamento de dez imóveis, em Santos e São Vicente, onde era explorada a contravenção penal. Também são apurados os crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva. Nos locais havia cerca de R$ 150 mil em espécie e 346 máquinas caça-níqueis.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, contou com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar e do Instituto de Criminalística de Santos para vistoriar os endereços das jogatinas.

O Gaeco denominou a operação de “Ipupiara” e requereu ao juízo da 3ª Vara Criminal de São Vicente oito mandados de prisões temporárias e 26 de busca e apreensão. Um dos alvos de prisão não foi localizado e já é considerado foragido.

Também com respaldo judicial, os agentes públicos destruíram as máquinas caça-níqueis para evitar a sua eventual reutilização. Na mesma ordem, a Justiça autorizou a doação, a entidades públicas ou assistenciais, dos bens achados nos cassinos clandestinos, como televisores, geladeiras, fogões e mantimentos.

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