Pajubá: das religões afro-brasileiras às travestis, e da gíria LGBT à Globo…( 23

Pajubá: das religões afro-brasileiras às travestis, e da gíria LGBT à Globo

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Ontem à noite, no horário nobre, a Rede Globo ensinou a seus espectadores as origens de algumas palavras de pajubá, “linguagem popular usada pela comunidade LGBT”. De fato, há palavras do pajubá que se ouvem com frequência de norte a sul do Brasil – nas ruas, em memes na Internet, nas novelas e seriados, em bares e cafés… Mas os dicionários não registram quase nenhuma delas. Mais grave que isso: sequer registram pajubá.

O pajubá (também chamado bajubá) é o socioleto que, resultante da incorporação de vocabulário de línguas africanas usadas em religiões afro-brasileiras, como o candomblé, que, usado inicialmente como antilinguagem por travestis, foi posteriormente disseminado entre toda a comunidade LGBT e simpatizantes.

pajuba-1

pajuba-2

pajuba-3

O pajubá surgiu nos terreiros de candomblé – adições de palavras africanas ao português ocorriam naturalmente, em regiões de mais forte presença africana no Brasil. Além do iorubá, palavras do quimbundo, quicongo e de outras línguas também marcavam presença, e o dialeto resultante da assimilação desses africanismos, por resultar incompreensível para aqueles que não o conheciam, passou a ser usado também como forma de comunicação entre travestis – grupo tradicionalmente marginalizado, que se beneficiava da possibilidade de falarem entre si em uma espécie de código não compreendido pela maioria da população.

Pouco a pouco, ao longo das últimas décadas, o pajubá acabou chegando às grandes cidades de todo o Brasil e algumas de suas palavras e expressões popularizaram-se, ao ponto de que algumas poucas das milhares de palavras do pajubá já são palavras do português corrente no Brasil.

É o caso de , por exemplo, com o significado de “ruim” – que se ouve por todos lados, e se lê, por exemplo, aquiaquiaquiaquiaquiaquiaqui) – mas que ainda não aparece em nenhum dicionário.

Entre as palavras do pajubá que deveriam ser dicionarizadas, por – como mostram rápidas pesquisas no Google – já terem extrapolado o grupo linguístico a que se restringiam, sendo já de compreensão e uso, em geral com fins humorísticos ou informais, por parte significativa da população brasileira, estão:

amapô – (do pajubá) s.f. 1 vagina; órgão sexual feminino; 2 mulher [variante: amapoa]

aqué (aqüé) – (do pajubá) s.m. dinheiro

babado – (do pajubá) s.m. acontecimento significante, podendo tanto ser bom quanto ruim; o mesmo que basfond/bafão

bafão – (de basfond, corruptela do francêss.m. notícia, novidade de especial importância; acontecimento significante, podendo tanto ser bom quanto ruim; o mesmo que babado

bafo – (derivação de bafão) s.m. notícia, novidade; acontecimento significante (sentido criado por analogia com bafão, como se esta fosse uma palavra no aumentativo)

bajubá – s.m. socioleto que incorporou vocabulário de línguas africanas ao português brasileiro; popularizado como antilinguagem empregada entre travestis [variante: pajubá] (Exemplos: aquiaquiaquiaquiaquiaquiaqui e aqui).

climão – s.m. saia justa, clima pesado ou tenso entre duas ou mais pessoas. (Ex: aquiaqui e aqui)

ebó – (do pajubá) s.m. macumba

edi – (do pajubá) s.m. ânus (aqui e aqui)

elza – (do pajubá) s.f. roubo    (Dar a elza – roubar)

fazer carão – fazer pose, ser esnobe, arrogante

gongar – v. tentar prejudicar; derrubar; torcer contra; ridicularizar.

horrores – adv. muito, demais; advérbio de intensidade. Ex.: “Bebi horrores” = “bebi demais”

jeba – (do pajubá) s.f. órgão genital masculino de proporções avantajadas; o mesmo que benga

mala – s.f. genitália masculina, especialmente quando visível sob a roupa (Ex: aqui e aqui)

montado(a) – adj. muito arrumado(a) (por exemplo, para sair), produzido(a) ao extremo

neca – (do pajubá) s.f. órgão genital masculino

picumã – (do pajubá) s.m. cabelo; peruca; cabeleira

racha – s.f. mulher

 – adj. desagradável, ruim (aquiaquiaquiaquiaquiaquiaqui)

Pajubá: das religões afro-brasileiras às travestis, e da gíria LGBT à Globo

  1. dialeto de lgbt tem que ser somente aos mesmos.
    quem não for , não tem obrigação nenhuma de saber algo sobre este assunto.

  2. Qual a importância desse assunto, que é restrito aos travestis, ser tratado por estudantes na prova mais importante do Brasil.
    Como diz o MITO estudante tem que aprender ciência, matemática, gramática, física, química, história, …

  3. Huuuummm…aiiiiii…gayzinho, viadinho..uuuiiii…aaaaii…opaaa!!! Desculpaaa! Nao pode falar deles. Afronta os “direitos” glbt’s. Tomar no c… VAAAAAIII BOLSOOOOONAAAAAROOOOOOI!!!!!

  4. Pega essa porrha de dialeto e enfia no c… hahahahaha!!! Meu dialeto é conservador, rico, formal. Aqui é HOMEM DE VERDADE!!!

  5. Ô bando de gente burra! “Pajubá” não é nada mais que gíria, dialeto cifrado de uma determinada camada social ou profissional. No caso, tomou-se o linguajar dos gays, mas poderíamos usar também o “pajubá” dos policiais. Ou vcs acham que tira, ferro, trezoitão,barca, calça-branca,cana, tranca, majura, coxinha, malaco, aço, canela-seca, bizu, ganso, agá, stive, capivara e tantas outras são conhecidas pela maioria da população? É gíria de tira e malandro, que, aos poucos, vai se incorporando no português do Brasil, que é o que a questão quis mostrar. A crítica só poderia partir de toscos como o “Mito” e dos mais toscos ainda que, por ora, o idolatram. Ainda bem que o ENEM, um exame extremamente bem feito (e que, aliás, também engloba matemática, física, química e biologia) não era obrigatório no tempo de alguns por aí, que nem passariam pelo mata-burros…

    • Falou, falou e não explicou nada.
      “Pajuba” dos policiais…
      Melhor seria dizer só “giria”.
      Pajuba não é espécie do gênero antiliguagem? A dos LGBT é o Pajuba. E a dos policiais? Como se chama a gíria dos policiais?
      Imagine você ministrando um curso! “Colegas, no Pajubá dinheiro é ‘aque’; no ‘Pajubá policial’ é ‘qsj’ ou ‘j’..”. Que “bafã…”, digo, que “BEÓ”!!

    • Finalmente alguém inteligente.

      Quem critica ou zomba deve chegar em casa falando “e aí, filha, logrou êxito na prova? Por que não respondeu o qtc, liguei pra saber seu qth, tem que ficar em qap, qrv” ou, se tem um português “rico e formal”, falando “olá, minha amada. Fizeste o repasto para cearmos? Sinto-me faminto após uma longa jornada laboral em precinto, onde conduzi diligências e atendi a diversas partes”.

      • KKK. Gíria, dialeto, metalinguagem, criptolinguagem, é por aí. Na Argentina, há o ‘lunfardo” da marginália portenha, que nos legou o gatuno, mina, afanar, milico, mango, patota,calote, cana, engrupir, fajuto, calote, cagaço, bronca, cana, tira e muitas outras que se tornaram de uso corrente para a maioria dos falantes dos idiomas e não somente de uma classe ou categoria. Já houve no ENEM questão sobre o “caipirês”, que não gerou tanta “indignação”. Mas, nestes tristes tempos…

    • Ou, se for escrivão, “comparece a esta casa a minha genitora, a qual relata ter ido ao supermercado, comprado diversos itens descritos em anexo a seguir e, ato contínuo, após chegar ao local dos fatos, ter feito uma refeição com este subscrito em companhia de outros indivíduos, i.e. filhos e netos, entre os quais as testemunhas qualificadas supra”.

  6. Pajubá O CARALHOO!!!! VAAAAAIIIII BOLSOOOOOONAAAAAAAROOOOOOO!!!!!! PELO MITO EU DERRAMO LÁGRIMAS, SANGUE E SUOR, SE PRECISO FOR!!! CHUPAAAAA PETRALHADA LGBT, FEMINAZIS E CIA. LTDA. VAAAAAIII BOLSOOOONAAAAAROOOOOOI!! MITOOOO!!!!

  7. Tem que se disseminar o dialeto jurídico, médico também, estudante do ensino médio tem que saber linguagem LGBT? Bolsonaro 2019.

  8. Tem que mudar essa M.E.R.D.A que estão querendo ensinar para os nossos filhos… Foraçando aprender dialeto LGBT….

    Quero ver o cara escrever uma redação com esse “dialeto” e conseguir entrar como Funcionário em uma multinacional?

    Vai no Santander, Bradesco, Microsoft, IBM e etc. Escrevi uma redação com esse dialeto, vai ser caso de piada no RH.

    Escreve uma redação para Juiz, Promotor, com dialeto de “trabalhadores de esquina”…. vai lá escreve !!!!

    • Esquerda Nunca mais!

      Ninguém quer forçar ninguém a aprender dialeto Gay ou dialeto do Candomblé.
      O que uma pessoa que pretende ter um bom emprego deve conhecer é o que é linguagem e as suas múltiplas e complexas expressões.
      Com efeito, na sua linha de raciocínio , pra que também questões de inglês; com interpretação de textos, inclusive!
      Quanto a ser piada no RH, cuidado!
      O diretor , diretora e responsáveis pelas entrevistas com o candidato podem ser gays, viu!

  9. Tudo bem, nao faz diferença alguma para mim, pois nao falo com VIADO!…HAHAHAHAHA. VAAAAIIII BOLSOOOOONAAAAAROOOOOO!!! BRAAAASIL!!!!

    • “Irmãozinho”,

      Tem certeza que você não fala com viado ?

      Pois vou te dizer uma coisa, no ano de 2001 , defendendo um policial homossexual que apresentava problemas funcionais reflexo dos problemas conjugais, assim disse para o meu superior:

      Dr., para nós ( heteros ) já é difícil a felicidade; o que dirá para quem casa escondendo a verdadeira orientação sexual…

      Tomei no meu cu!
      O Sexuanal era enrustido ( casado com uma gostosa, alias ) e entendeu como se eu lhe tivesse mandado uma indireta!

      Só fui entender uns três anos depois – quando o cara se matou – o motivo da perseguição e antipatia do dia pra noite!

      Ora, se fosse hoje e ele falasse algumas palavras do pajubá eu poderia sacar que ele era gay e ficaria com o meu bico bem fechado…kkk

      Toda cultura tem a sua utilidade prática!

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