Mao Tsé-Tung verde-oliva – Lobão recupera a inteligência e afirma: BOLSONARO VAI RUIR ! 18

Antes apoiador, Lobão vê Bolsonaro como um desastre: “Governo vai ruir”

Keiny Andrade/UOL

 

Imagem: Keiny Andrade/UOL

Maurício Dehò

Do UOL, em São Paulo

17/05/2019 11h22

O músico Lobão se tornou nos últimos anos um dos influenciadores da direita e, principalmente via redes sociais, vocalizou seu apoio à eleição de Jair Bolsonaro, em 2018. Agora, no entanto, ele se diz desapontado com o desenrolar do governo, que define como um “desastre”, e afirma que é “óbvio” que a atual gestão do país vai “ruir”.

Em entrevista ao “Valor”, o músico, que deixou de votar no PT após uma promessa não cumprida de Lula referente à educação, analisou o momento, criticando o modo de governar de Bolsonaro, cercado por seus filhos: “Eu tinha que optar por alguém e esse alguém foi o Bolsonaro. Mas ele mostrou que não tem a menor capacidade intelectual e emocional para poder gerir o Brasil. Isso está muito claro para mim e fico muito triste. É óbvio que o governo vai ruir.”

“O que está sendo falado à boca pequena é que vai haver uma junção dos partidos do Centrão com os militares para colocarem lá [nos ministérios] mais militares e dar uma engessada no Bolsonaro. Há uma tendência natural de os insultados e ofendidos se unirem. Os parlamentares vão apoiar. Está todo mundo querendo um mínimo de ordem e autoridade, o que não tem no governo. O Bolsonaro definitivamente não tem nem voz, nem inteligência política para isso. Está longe de ser um estadista. Tá uma zona ingovernável”, opinou o roqueiro.

Lobão não mediu críticas aos apoiadores de Olavo de Carvalho – de quem diz já ter lido quase todos os livros e com quem teve contato nos últimos anos. “Ninguém vai ficar com medo dessa meia dúzia de otários”, afirmou ele, referindo-se aos seguidores do escritor e guru de Bolsonaro. Lobão chegou a perder de 4 a 5 mil seguidores no Twitter após críticas a Olavo. “É óbvio que o Olavo vai acabar com esse governo, porque ele é uma pessoa muito autodestrutiva. Olavo é um sociopata. Não tem empatia por ninguém. É um ególatra.”

Sobre os filhos do presidente, também foi duro e disse que eles estão criando um “clima horroroso”. “Tanto o Bolsonaro quanto os filhos dele estão crentes que vão intimidar o Congresso ou qualquer pessoa porque tem um poder popular, entre aspas, que eles não têm. Acham que essa efervescência do Twitter é suficiente para não só resguardá-los quanto para intimidar seus adversários. Isso é uma mentira. O Twitter não vai segurar a onda deles. Não vai. Ele não pode ficar reinando no Palácio do Planalto, onde todo mundo diz que o Bolsonaro anda de bermuda e camisa falsificada de futebol, achando que o Twitter é o Brasil.”

Esses caras são malucos e não têm noção do que é cultura realmente. A cultura é dinâmica. Assim como Mao Tsé-Tung, que com a Revolução Cultural quis apagar a cultura chinesa, eles estão na antimatéria fazendo a mesma coisa, querendo ignorar tudo o que foi criado no século 20. Já foi, é patrimônio nosso. Temos que lidar e respeitar isso. Se quiser fazer, que faça melhor. Querer combater um erro com outro erro, ou com outro erro só que do outro lado, é uma imbecilidade atroz”, Lobão, sobre cultura.

Lobão afirma que o momento faz com que a direita corra risco de sofrer um duro golpe em sua reputação. “Essa facção sectária de fanáticos vai absorver toda a personalidade da direita — a esquerda vai capitalizar isso — e vai botar todo mundo no mesmo saco. E a gente vai virar todos ridículos por causa desses caras . (…) O Psol, o Ciro Gomes, o Lula, se sair da prisão melhor ainda para eles. É pouco provável que a situação volte a se reeleger. Bom, resta saber se o governo vai sobreviver a este ano ainda. Não vejo como o governo vai se sustentar até o fim do ano. É um desastre o que está acontecendo, sem alarmismo”,

Por fim, Lobão vê Bolsonaro, os filhos, Olavo e seus seguidores com uma “teimosia” que torna quase impossível uma mudança de rumo. E que, por isso, o fim pode estar próximo. “Se você fizer uma pesquisa de campo com os que votaram no Bolsonaro, 90% das pessoas estão decepcionadas. E não podia ser de outra maneira, porque isso está uma novela mexicana de quinta categoria, um melodrama horroroso e brega.”

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Qualquer idiota inútil poderia antever, antes das eleições, que Bolsonaro seria um desastre!

Bem feito, Brasil!

A gente ainda não sabe votar pra presidente…

“A gente somos mesmo inútil”! 

( A direita vai falar que o Lobão voltou a cheirar…rs )

Por que não restaurar a denominação SNI em vez de ABIN? – Bolsonaro é um lunático que só está jogando gasolina sobre o Brasil Resposta

Abin investigará candidatos a reitor e diretorias de universidades federais

DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

 

O poder de escolher reitores passou para as mãos do general Santos Cruz, ministro da Secretaria do Governo Imagem: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo*

17/05/2019 04h01

Em meio a acusações do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de que as universidades foram “tomadas pela esquerda”, um decreto publicado ontem institui um sistema para investigar a “vida pregressa” de candidatos a cargos públicos de confiança — como reitoria e diretorias de universidades federais — com o auxílio da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

O decreto não explica o que exatamente será objeto de investigação, nem quais critérios podem desqualificar um candidato.

Por lei, cabe ao presidente da República nomear os reitores das universidades federais – e de acordo com a Casa Civil do governo, isso não mudará.

Segundo o secretário-executivo do MEC (Ministério da Educação), Antonio Paulo Vogel, o decreto apenas colocou no papel uma prática que já ocorria.

“O sistema para nomeações de pessoal já existia. Abin e CGU [Controladoria-Geral da União] já são consultadas há anos para as nomeações, elas fazem uma análise formal. Inclusive na época dos governos anteriores. Não mudou nada, é rigorosamente a mesma coisa”, disse Vogel ao UOL.

Falta de clareza dá espaço para arbitrariedade, dizem professores

Mas professores e instituições de classe temem perseguição ideológica.

A professora da Faculdade de Educação da UnB (Universidade de Brasília), Catarina de Almeida Santos, diz que a legislação atual já proíbe pessoas que tenham cometido crimes contra o Estado de assumir cargos como a reitoria e vê no novo decreto espaço para arbitrariedades.

Ela prevê que filiações partidárias, participação em sindicatos ou até o tema da tese defendida virem elementos para que “um general ou presidente da República digam se alguém pode ou não se candidatar a tal cargo”.

Fernando Cássio, professor de Políticas Educacionais da UFABC (Universidade Federal do ABC), compara o novo instrumento, batizado pelo decreto de Sistema Integrado de Nomeações e Consultas, ao “SNI” – sistema de inteligência da ditadura militar.

“Vai ser um órgão de informação para fiscalizar pessoas e para fazer um filtro ideológico nas nomeações e exonerações”, afirma

Mais um degrau

Além das investigações, o decreto também estabelece novos responsáveis pela nomeação e exoneração de reitores e dirigentes de órgãos públicos como as universidades federais.

Diz o texto do decreto:

  • Compete à Secretaria de Governo da Presidência da República (chefiada hoje pelo general Santos Cruz) nomear “dirigente máximo de instituição federal de ensino superior” (reitor);
  • Compete a essa mesma secretaria “decidir pela conveniência e oportunidade administrativa quanto à liberação ou não das indicações” de reitores;
  • “Fica delegada ao Ministro de Estado Chefe da Casa Civil” — hoje, Onyx Lorenzoni – a função de “nomear e exonerar os ocupantes de cargos em comissão e designar e dispensar os ocupantes de cargos em comissão”. Isso se aplicará, por exemplo, a pró-reitores e outros dirigentes universitários.

Não está claro o papel da Secretaria de Governo no processo de escolhas de reitores, nem da Casa Civil para a direção. Pelo texto do decreto, fica subentendido mais um degrau entre a decisão da universidade e a assinatura em Brasília.

Procurado pela reportagem, o MEC disse que caberia à Casa Civil comentar as mudanças. A Casa Civil afirmou que o decreto “em nada interfere na autonomia das instituições de ensino, mas apenas disponibiliza um instrumento útil à decisão da autoridade”.

Como é hoje

Atualmente, as universidades submetem ao presidente da República uma lista com três nomes – escolhidos entre professores, funcionários e alunos -, a quem cabe a nomeação do reitor.

O presidente não é obrigado a escolher o mais votado da lista, mas a tradição é que o faça. Em 1998, FHC abriu uma crise na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) ao nomear um reitor que não era o primeiro da lista.

No caso de diretores e pró-reitores, a nomeação cabe à reitoria.

Não se sabe se o decreto, que entra em vigor em 25 de junho, mudará essa dinâmica.

“O primeiro da lista é a pessoa mais representativa dentro da comunidade para fazer a gestão, para liderar a universidade, principalmente nos momentos mais difíceis”, defende Reinaldo Centoducatte, presidente da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior).

Para especialistas, decreto fere a Constituição

Após serem nomeados pelo presidente da República, os reitores das universidades têm autonomia para escolher seus pro-reitores e diretores de faculdades. O decreto publicado muda essa conduta.

“Vai ser do ministro a prerrogativa de nomear todo mundo, quem de fato dirige a universidade. Os pró-reitores são pessoas públicas, que manifestam as suas opiniões, muitas vezes contrárias ao governo. Como fica se a caneta para exonerar está na mão do ministro da Casa Civil?”, questiona Fernando Cássio, professor de Políticas Educacionais da UFABC (Universidade Federal do ABC).

Ele afirma que a medida é inconstitucional.

“Isso é claramente uma violação do artigo 207 da Constituição federal [que estabelece autonomia universitária, inclusive administrativa]. Tira do reitor a possibilidade de nomear e transfere para um agente externo que não vive a universidade”, disse.

Catarina de Almeida Santos concorda. Segundo ela, o decreto fere o princípio de autonomia pedagógica, administrativa e financeira das universidades.

“Eles não estão falando só da questão do reitor, mas de querer nomear os decanos, a equipe interna de gestão. Há um processo de ilegalidade a ser discutido, (…)é uma coisa que fere a autonomia das unidades”, diz.

Em nota, a Casa Civil diz que “o Decreto faculta aos dirigentes das universidades e institutos federais de ensino a possibilidade de submeter os indicados à verificação de vida pregressa com base nas informações a serem registradas pelos órgãos de consulta, a saber, ABIN e CGU, para auxiliar no processo de escolha dos nomes que irão o compor o quadro funcional de cargos em comissão e funções de confiança da instituição. Ou seja, a submissão ao fluxo proposto pelo Decreto é uma opção”.

*Colaborou Ana Carla Bermúdez, do UOL, em Brasília