Como delegado fez o caminho da cadeia – a “gratificação de coração” de eventual passou a habitual e por fim: exigência oficial 9

MP acusa policiais civis de extorsão a fazendeiros vítimas de roubo

Seis agentes, que estão presos, teriam pedido dinheiro para localizar até cabeças de gado

SÃO PAULO
O delegado João Paulo de Oliveira Marques, em Cristais Paulista (SP) — Foto: Reprodução/EPTV

O delegado João Paulo de Oliveira Marques, em Cristais Paulista (SP) — Foto: Reprodução/EPTV

Seis policiais civis do interior de São Paulo estão presos preventivamente acusados pelo MP-SP (Ministério Público de São Paulo) de extorquir dinheiro de donos de animais e veículos agrícolas roubados ou furtados, para que as eles tivessem de volta seus pertences. Eles agiam, segundo promotores, em áreas rurais nas cidades de Rifaina (464 km de SP), Ituverava (413 km de SP) e Guará (400 km de SP).

Segundo denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), um delegado e cinco policiais civis mantinham um esquema em que cobravam dinheiro para que vítimas de roubos e furtos de animais, caminhões e veículos agrícolas, pagassem para conseguir de volta o que foi recuperado em investigações feitas pelos acusados.

Trator que supostamente foi negociado pela organização. Seis policiais civis do interior de SP, e um vereador, são acusados pelo MP de organização criminosa – Divulgação/MPSP

De acordo com mensagens trocadas entre o delegado e um investigador de Ituverava, em 29 de outubro do ano passado, eles comentam sobre o pagamento para a devolução de um trator roubado que foi recuperado em uma investigação feita pelos acusados.

Na conversa, o delegado, segundo o MP, pergunta em código se haverá pagamento para que devolvam o veículo. O investigador responde positivamente. No dia seguinte, após conversarem com o proprietário da máquina agrícola, os policiais recebem dois cheques, apreendidos pelo Gaeco, totalizando R$ 4.000.

O esquema foi descoberto pelo MP graças à interceptação das mensagens trocadas entre os suspeitos. “Os denunciados estavam em constante contato entre si, versavam sobre os recebimentos espúrios e seus valores com frequência, evidenciando que aqueles que tinham por obrigação reprimir o crime formaram verdadeira rede criminosa cujo objetivo central era o lucro fácil de dinheiro em razão de seu ofício”, diz trecho de documento assinado pelo promotor Rafael Queiroz Piola.

O grupo também é acusado de beneficiar o vereador João Batista Nogueira (PSDB), conhecido como “João do Guincho”, de Ituverava, dono de um pátio para onde os acusados sempre direcionavam veículos apreendidos em operações policiais, mesmo realizadas em outras cidades, também de acordo com o Ministério Público.

Por conta disso, os agentes recebiam “gratificações” do político, pois encaminhavam ao comércio do parlamentar, ainda segundo o Gaeco, veículos que poderiam ser guardados em outros pátios da região. Em um das interceptações do MP, foi constatado o pagamento de R$ 2.700 feito pelo político a policiais.

Os policiais e o vereador são acusados de organização e associação criminosa, além de corrupção passiva. As prisões ocorreram no mês passado. O político acabou solto por problemas de saúde.

Pagou para recuperar vacas

A reportagem apurou que um pecuarista de 65 anos teve 17 vacas e um bezerro furtados de sua propriedade, em 10 de setembro do ano passado, na área rural de Buritizal (436 km de SP). No dia seguinte, segundo boletim de ocorrência registrado pelo delegado acusado pelo MP, os animais foram  recuperados e devolvidos ao dono.

Porém, ainda de acordo com a denúncia do MP, o dono dos animais pagou R$ 8 mil aos policiais para que que as vacas e o bezerro fossem recuperados. As “bonificações” foram divididas entre quatro policiais civis.

A investigação do Gaeco identificou que a quadrilha é constituída por três “células”. Uma delas é chamada de “executiva”, composta por um delegado e um investigador. Ambos, segundo o MP, recebiam os pagamentos das vítimas e repassavam aos integrantes de outra célula, chamada de “subordinada.”

A terceira célula , chamada de “particular-empresário”, era constituída somente pelo vereador. Segundo o Gaeco, todos os veículos apreendidos pelas polícias Civil e Militar eram recolhidos pela empresa do político.

Respostas

Por telefone, o vereador João do Guincho (PSDB) afirmou que deu o dinheiro à polícia por conta de uma reforma que ocorria na delegacia de Ituverava. “Dei ajuda à delegacia para ajudar à comunidade. Interpretaram [MP] isso como se fosse uma propina que dei aos policiais para me favorecer no guincho”, explicou.

Em seguida, a ligação caiu e a reportagem não conseguiu mais falar com o vereador, pois, segundo uma gravação, a linha estava “impossibilitada para receber chamadas.”

​A Ouvidoria das polícias afirmou que vai instaurar um procedimento para acompanhar os desdobramentos do caso.

A Polícia Civil em nota diz que os agentes citados estão presos preventivamente. Também afirma que a Corregedoria da instituição, que apoiou a operação do Gaeco, instaurou um procedimento para apurar a conduta de todos os envolvidos.

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Tomar dinheiro de vítima e ainda no interior é pedir desgraça.

A parte – umas por justa indignação outras  por simples jactância –  contam para o padre para Deus e para o mundo. 

E é bem assim o caminho da desgraça:

Você cumpre o seu dever ;  vem alguém e diz – Dr. vou deixar um presentinho pro Sr. e para os seus policiais. 

Depois de duas ou três vezes a gratidão alheia acaba incorporada à renda da família. Tem os móveis novos, a geladeira; os smartfones dos filhos, etc.

Até que uma vítima pura e simplesmente diz – obrigado Dr. , e vira as costas para ir embora…

Surpreendida escuta o esbravejado – obrigado, não!

Cadê o nosso? 

A Federação dos Felões (Fenapef) quer investigação para apurar as condutas dos delegados aposentados: Edmilson Bruno e Leandro Daiello Resposta

Policiais federais vêem ‘indícios de irregularidade’ na BWA, comandada por empresário sequestrado pela polícia

Policiais federais vêem 'indícios de irregularidade' na BWA, comandada por empresário sequestrado pela polícia

A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) divulgou comunicado oficial em que afirma que há “indícios de que a BWA tenha cometido irregularidades” e cobrando investigação contra policiais envolvidos no caso de extorsão e sequestro contra o dono da empresa.

A BWA é comandada pelo empresário sequestrado por policiais recentemente a mando do investidor Guilherme Aire dos Santos.

A Fenapef, maior entidade da Polícia Federal com 14 mil filiados, cobra investigação sobre o envolvimento do ex-diretor-geral da PF, Leandro Daiello, e do ex-delegado Edmílson Pereira Bruno, em negociação com policiais civis e militares investigados pelo sequestro.

Diz a entidade, em nota oficial:

“A empresa de Bitcoins que contratou Daiello e Bruno é suspeita de ter cometido irregularidades. (…) As relações entre os delegados e as empresas precisam ficar esclarecidas para que não restem dúvidas sobre a lisura e o caráter republicano que devem permeá-las (…) A entidade aguarda a completa apuração dos fatos, que ainda estão sob investigação.”

O texto prossegue:

“O nome do órgão Polícia Federal não deve ser usado em ações de “consultoria” fora da instituição e dos limites éticos e legais.”

O ex-delegado da PF Edmílson Pereira Bruno, por sua vez, enviou comunicado se manifestando sobre o assunto e sobre as acusações que pesam contra ele:

“Eu, Edmilson Pereira Bruno, atuo na análise e investigação de gestão de risco, para diversas empresas. No caso em questão, por ser ligado à empresa quando da ocorrência do fato e, tendo em vista o reconhecimento de minha expertise em investigação criminal, me foi solicitado a atuação investigativa privada, visando identificar os autores dos crimes relatados pelo empresário”, diz o início do texto.

“Durante o transcurso do processo investigativo, em virtude da complexidade dos fatos e dificuldades encontradas é que solicitei o auxílio do advogado Leandro Daiello Coimbra. Quando concluída a investigação privada, os dados obtidos foram repassados aos advogados da empresa, para que pudessem informar às autoridades competentes do estado de São Paulo no sentido de complementar a representação criminal, feita anteriormente.”

Como noticiou o Cointelegraph, o ex-delegado da PF, que atua em favor do empresário de Bitcoin sequestrado por um grupo de policiais em São Paulo a mando de um ex-credor, disse à Corregedoria da Polícia Civil que os oficiais que realizaram a extorsão milionária contra a vítima, já gastaram o valor obtido com o crime.

Na última terça-feira (8), a Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo indiciou 12 envolvidos na suposta extorsão do empresário do ramo de criptomoedas. Edmilson Bruno e Leandro Daiello não estão entre eles.

https://br.cointelegraph.com/news/federal-police-see-signs-of-irregularity-at-bwa

Governo de SP faz homenagem a policiais ‘Nota 10’ 5

Integrantes das polícias Civil, Militar e Técnico-Científica são reconhecidos por atuação em ocorrências de destaque e bom desempenho

Qua, 09/10/2019 – 13h25 | Do Portal do Governo

resumo em 3 tópicos

  • Foram homenageados policiais da capital, Grande São Paulo e das regiões de Bauru, São José do Rio Preto, Baixada Santista e Piracicaba
  • Iniciativa da Secretaria da Segurança Pública está em sua 9ª edição
  • Objetivo reconhecer e estimular o bom trabalho policial em todo o Estado de São Paulo

O Governador João Doria e o Secretário da Segurança Pública, General João Camilo Pires de Campos, homenagearam nesta quarta-feira (9) 16 policiais militares, 10 policiais civis e dois técnico-científicos da capital, Grande São Paulo e das regiões de Bauru, São José do Rio Preto, Baixada Santista e Piracicaba com o certificado “Policial Nota 10”.

“Assim faremos em todos os meses, durante quatro anos, homenageando policiais que cumpriram as suas funções e foram além, com coragem e respeito aos protocolos das polícias Civil, Militar e Científica e Corpo de Bombeiros, que são os melhores protocolos do Brasil”, disse Doria.

Em sua 9ª edição, a iniciativa, criada pela Secretaria da Segurança Pública, tem como objetivo reconhecer e estimular o bom trabalho policial em todo o Estado de São Paulo. A solenidade ocorreu na sede do Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista.

“É com muita alegria que o sistema de segurança pública vê este evento singelo. Para cada um é extremamente marcante. Cada um, quando sai daqui, não leva somente um quadro assinado. Leva também uma lembrança para o resto da vida”, afirmou o Secretário.

Os casos que geraram destaques aos profissionais são de prisões de integrantes de organizações criminosas, traficantes e autores de crimes de tortura e roubo, além do salvamento de refém durante rebelião, de jovem que tentava suicídio e de homem após tombar de moto aquática no litoral paulista.

Também são reconhecidas médicas-legistas pela contribuição na elaboração de laudos periciais, na coleta de materiais biológicos em casos de violência sexual, bem como na busca de familiares de cadáveres identificados, mas não reclamados.

Polícia Militar

Uma das equipes homenageada é formada pelo tenente Gabriel Soufia, o cabo Pedro Henrique Gonçalves e os soldados Gilard Gomes Moura Oliveira e Bruno da Silva Ramos Couto, integrantes do 7° Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep). O grupo foi reconhecido por conter uma rebelião e salvar um agente que era feito de refém na Unidade Experimental de Saúde (UES), na Vila Maria, zona norte da capital paulista. A ação ocorreu em 4 de setembro.

O tenente Luis Olavo Campanhã Sant’Ana, o cabo Laerte Vilela da Silva Júnior e o soldado Júlio Cesar Carneiro Miranda foi outra equipe agraciada. Integrantes do 20° Batalhão de Polícia Metropolitano (BPM/M), sediado em Barueri, os PMs evitaram o suicídio de uma adolescente, de 14 anos, que ameaçava se jogar de um viaduto da cidade. O caso aconteceu em 17 de setembro.

O cabo Josias Figueira, do 4° Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I), sediado em Bauru, recebeu o certificado pela detenção de um adolescente, de 16 anos, no dia 29 de agosto. O jovem, armado, ameaçou matar a diretora e alunos de uma escola em Cabrália Paulista.

A dupla formada pelo cabo Luciano Henrique de Paula Pardim e o soldado Edmilson dos Santos Andrade, integrantes do 16° Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I), sediado em Fernandópolis, também foram condecorados. Os dois PMs foram reconhecidos pela prisão de cinco homens que assaltaram uma casa, na cidade de Macaubal. Um dos detidos era procurado pela Justiça. A ação ocorreu em 19 de setembro.

O último grupo da PM agraciado é composto pelo sargento Christian Lopes Francisco, os cabos Luis Paulo Alves dos Santos e Rafael Freire Ribeiro, bem como os soldados Cesar Silva Sanseverino, Danny de Jesus Almeida e Danielly Ferreira dos Santos, integrantes do 1° Subgrupamento de Bombeiros Marítimos. A equipe foi reconhecida pelo salvamento de um homem, de 42 anos, que caiu de uma moto aquática, em Santos, no dia 7 de setembro.

Polícia Civil

O delegado Pedro Luís de Souza e o investigador Walter Luiz Donofrio Sobrinho, do 80° Distrito Policial (Vila Joaniza), foram homenageados pelo esclarecimento de um crime de tortura contra um adolescente, de 17 anos. O jovem foi agredido por dois seguranças de um supermercado, na zona sul, após tentar furtar uma barra de chocolate. O crime ocorreu em julho e os dois autores foram indiciados e presos no mês de setembro.

A equipe formada pelo delegado Carlos Battista e o investigador Marcos Pereira, da 6ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico, foram agraciados pelo comando da Operação Cracolândia 2019. Realizada em 22 de agosto, a ação resultou na prisão de 17 pessoas e na apreensão de 21 quilos de drogas, três armas, cinco celulares e R$ 800.

Integram a terceira equipe da Polícia Civil condecorada o delegado Fábio Pinheiro Lopes e o investigador João Fernando Gomes de Faria, da Divisão Antissequestro do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope). A dupla foi reconhecida pela ação que resultou na prisão de um traficante internacional e mais dois criminosos, no dia 14 de setembro, em Angra dos Reis, no Estado do Rio de Janeiro. Com o trio, foram apreendidos um helicóptero, avaliado em cerca de R$ 7 milhões, uma lancha avaliada em aproximadamente R$ 6 milhões e um veículo, modelo Tucson.

Também receberam o certificado os investigadores Heinrich Gergard Werner Giebeler e Guilherme La Ferrera, da 3ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio (Disccpat), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). A dupla contribuiu para a prisão do homem responsável pela conexão entre traficantes da América Latina e uma organização criminosa. Ele foi preso em 7 de setembro, na cidade de Santo André, no ABC Paulista.

Por último, foram homenageados o delegado Alexandre Socolowski e o investigador Jorge Luiz Bizarro Teixeira, da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Rio Claro. Os policiais são reconhecidos pela operação “A Grande Família”, que permitiu desarticular uma das mais tradicionais quadrilhas voltadas ao tráfico de drogas na cidade.

Polícia Técnico-Científica

Representando a Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC), foram agraciadas Alessandra Rezzaghi Pettorutti e Eliete Coelho Bastos, médicas-legistas e assistentes da Diretoria Técnica de Departamento do Instituto Médico Legal (IML).

Alessandra é reconhecida pelo empenho na inspeção junto ao sistema de elaboração de laudos periciais, constatando prazos e evitando atrasos. Eliete foi condecorada pela atuação de destaque na elaboração do Procedimento Operacional Padrão (POP) para disciplina e coleta de materiais biológicos em perícia de violência sexual.

As duas médicas-legistas também receberam o certificado pela implementação do programa de integração e centralização para busca de familiares de cadáveres identificados, mas não reclamados.