Delegado baleado em briga com modelo fala pela 1ª vez: ‘Só tomei tiro’ 55

Do UOL, em São Paulo

07/06/2020 O delegado Paulo Bilynskyj fala pela primeira vez sobre após ser baleado em briga com modelo - Reprodução/Globo

O delegado Paulo Bilynskyj, atingido por seis tiros durante uma briga com a namorada Priscila de Bairros, falou publicamente sobre o caso publicamente pela primeira vez em entrevista que foi ao ar hoje no Fantástico.

“Eu achei que ia morrer. Que ninguém ia saber o que tinha acontecido”, contou Paulo. “Só tomei tiro. Não consegui chegar nem perto dela. Não consigo entender por que ela fez isso. Eu fecho os olhos e só vejo isso, ela atirando.”

Bilynskyj afirmou em um vídeo gravado no hospital que levou seis tiros de sua namorada depois de Priscila ver uma mensagem no celular dele que não gostou. Na versão do policial, ela teria se matado após atirar contra ele.

Com passagem pelo DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), atualmente o delegado é plantonista no 101º DP (Distrito Policial), no Jardim das Imbuias, zona sul de São Paulo.

O delegado Paulo Bilynskyj, 33, e a modelo Priscila Delgado de Bairros, 27 - Arquivo pessoal
O delegado Paulo Bilynskyj, 33, e a modelo Priscila Delgado de Bairros, 27

Imagem: Arquivo pessoal

Já a modelo foi encontrada ainda com vida no corredor do apartamento, com uma marca de tiro na altura do peito. Ela foi socorrida a um hospital próximo, mas não resistiu ao ferimento.

Priscila morava até abril em Curitiba, onde trabalhava com um primo.

Família de Priscila contesta delegado

Por outro lado, a família da modelo afirmou também na Globo que não acredita na versão apresentada pelo delegado e disse que ela não tinha contatos com armas.

“Eu continuo acreditando que não foi assim, que ela não se suicidou”, disse Vilmar Brunis de Bairros, pai da jovem, que negou que ela tivesse conhecimento sobre armas. “Só se ele a ensinou, nunca teve contato com arma nenhuma”.

O advogado da família contesta a versão de Paulo, e levanta outra hipótese. “Ele a desarmou e, com a mesma arma que disparou contra ele, disparou um único tiro mortal contra a Priscila. Eu não vejo essa possibilidade do suicídio”, diz José Roberto Rodrigues da Rosa.

O advogado ainda apresentou outra suspeita. “Nos chamou a atenção a foto em que a arma está com o carregador fora da arma e um cartucho que não está disparado ao lado. Aquele cenário é de atirador que acabou de usar a arma, não de uma pessoa leiga e que se matou com aquela arma”Foto de arma utilizada no caso do delegado Paulo Bilynskyj e da modelo Priscila de Bairros - Reprodução/Globo

 

Governo paulista tenta conter bolsonarismo na PM…( Policiais civis majoritariamente são bolsonaristas, mas são irrelevantes na quantidade e qualidade ) 20

Governo paulista tenta conter bolsonarismo na PM

  • Estadão Conteúdo
  • [07/06/2020] [17:33]

Presidente da República, Jair Bolsonaro| Foto: Alan Santos/PR

O governo de São Paulo tem se empenhado para conter o que chama de “contaminação” do bolsonarismo na Polícia Militar e manter a neutralidade e o caráter apartidário da instituição. As principais preocupações são o comportamento de policiais em manifestações nas ruas e as postagens de integrantes da ativa da PM em redes sociais e em aplicativos, como o WhatsApp.

São compartilhados desde ataques ao governador João Doria (PSDB) a teses defendidas pelo bolsonarismo, como o fim do isolamento social durante a pandemia. Na última semana, grupos de policiais foram invadidos por postagens que chamavam de “maconheiros”, “terroristas” e “arruaceiros” os manifestantes que desejam sair às ruas contra o governo de Jair Bolsonaro.

Há, entre os bolsonaristas da ativa mais fanáticos, um major, sargentos e cabos que compartilham postagens de deputados da “bancada da bala” na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. “Vejo de forma estarrecedora colegas apoiando ou criticando o governo”, afirmou o coronel da reserva da PM Glauco Carvalho, que comandou o policiamento da capital.

A presença de oficiais e praças da reserva e familiares de policiais em manifestações na Avenida Paulista de apoio ao presidente e contra o governador, hoje opositor contundente de Bolsonaro, reforça a preocupação no Executivo estadual. “O desafio de manter a política longe dos quartéis é grande. Há limites à liberdade de expressão, mas temos mantido a situação sob controle. A PM trabalha para o cidadão, não é polícia de governo, mas de Estado”, afirmou o secretário executivo da PM, coronel Alvaro Batista Camilo.

O comando da corporação se reuniu nesta semana, após a manifestação no domingo passado, que terminou em confronto entre a tropa de choque e manifestantes contrários a Bolsonaro – a maioria torcedores de times de futebol – na Avenida Paulista. O Estado de São Paulo apurou que os coronéis verificaram erros em procedimentos operacionais, como a decisão de deixar livre uma bolsonarista que perambulava com um bastão de beisebol.

A exemplo do domingo passado, bolsonaristas e críticos do governo devem novamente sair às ruas hoje na capital. Como a Justiça proibiu que ambos os grupos se manifestassem na Avenida Paulista, os movimentos contrários ao governo remarcaram seus atos para o Largo da Batata, em Pinheiros. No domingo passado, cinco manifestantes foram detidos e dois ficaram feridos, ambos PMs aposentados que apoiam o presidente.

Associação

Apontada como um dos focos do bolsonarismo na PM, a associação Defenda PM congrega cerca de 2 mil oficiais. Ela é presidida pelo coronel Elias Miler da Silva, hoje chefe de gabinete do senador Major Olimpio (PSL-SP), adversário político de Doria, mas que rompeu com Bolsonaro. “A associação é apartidária. Mas os associados podem ter suas preferências políticas”, afirmou o coronel Ernesto Puglia Neto, secretário executivo da associação. “Nós nascemos para defender institucionalmente a PM.”

Em seu site, no entanto, a entidade mantém na página de abertura a seguinte frase: “Governador João Doria: despreparado para SP, despreparado para o Brasil”. Mantém ainda um artigo sobre a Covid-19 no qual dá aval a todas as teses do presidente sobre a doença, criticando o uso da ciência como palavra final no combate ao vírus.

Uma das razões da adesão dos policiais ao bolsonarismo é a identificação do presidente com a pauta corporativista das polícias. Segundo o coronel Carlos Alberto de Araújo Gomes, que presidiu até maio o Conselho Nacional dos Comandantes Gerais das PMs e dos Corpos de Bombeiros Militares, entre essas pautas estão o que os policiais chamam de maior proteção jurídica aos PMs. O pacote envolve a aprovação de uma lei orgânica das polícias, a possibilidade de a corporação registrar ocorrências de menor poder ofensivo e uma maior participação das PMs na definição de políticas públicas.

Para Araújo Gomes, no entanto, o possível aumento de candidaturas de policiais – a maioria ligada ao bolsonarismo – não significa a existência de contaminação política das polícias. “Isso se deve ao reconhecimento da sociedade pela função relevante exercida por esses homens.” Segundo ele, mesmo o motim de policiais no Ceará, em janeiro, não teve uma causa nacional, mas, sim, estimulada por fatores locais.

Renato Sérgio de Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, disse que o motim cearense só não se espalhou pelo País em razão da repulsa da população às ações dos rebelados e pelo fato de o governo local ter aprovado lei proibindo anistia. Segundo Lima, uma ruptura da disciplina hoje só aconteceria em razão de evento extraordinário.

Para o coronel Carvalho, essa possibilidade é improvável. Primeiro, porque as Forças Armadas se opõem. “As maiores polícias ainda têm instrumentos de controle.” Apesar de haver na tropa um sentimento majoritariamente pró-Bolsonaro, o coronel identifica um distanciamento recente de parte da oficialidade da PM do bolsonarismo após a demissão de Sérgio Moro da pasta da Justiça e das negociações do governo com o Centrão. “As pessoas mais atentas sabem o significado desses fatos.”

Doria cria grupo contra ‘gabinete do ódio’ em SP 3

Doria cria grupo contra ‘gabinete do ódio’ em SP

Após ser alvo de ofensas e ameaças nas redes sociais, governador entrou com cinco notícias-crime pedindo instauração de inquéritos

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2020 | 22h00

Alvo de ataques nas redes sociais por ter se tornado opositor do presidente Jair Bolsonaro e por ter defendido medidas de isolamento social no início da pandemia do novo coronavírus, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), montou uma força-tarefa para dar resposta às ofensas. Uma agência de comunicação analisa, por meio de um software, tudo o que foi falado sobre ele. Quando é possível identificar de onde partiu o ataque, cabe ao advogado Fernando José da Costa preparar ações pedindo reparação judicial.

Costa foi contratado por Doria para levar à Justiça os autores de ofensas mais graves, ameaças e fake news. Ele já apresentou cinco notícias-crime solicitando a instauração de inquérito policial. Entre elas está a ação contra a militante bolsonarista Sara Winter, que foi acusada por 31 crimes de difamação e 1 crime de ameaça na semana passada. Segundo auxiliares do governador, o movimento “Fora Doria”, que pede o impeachment do governador, está sendo inflado por robôs.

LJoão Doria

O governador de São Paulo, João Doria Foto: Ernesto Rodriques / Estadão

O movimento é apoiado por seguidores de Bolsonaro. Nos protestos de domingo, 7, o pequeno grupo de apoiadores do presidente que ocupou a esquina da Avenida Paulista com a Rua Pamplona, na região central, levou faixas contra o governador. Três pedidos de impeachment de Doria já foram arquivados na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Um dos casos mais graves já levantados pela equipe de Doria foi uma ameaça de morte e de invasão da sua casa ocorrida em março, um dia após reunião de governadores em que o tucano repudiou o pronunciamento de Bolsonaro, feito em rede nacional, sobre as medidas adotadas pelos governadores para combater o coronavírus. O  governador registrou um boletim de ocorrência e a Polícia Civil está investigando as ameaças. A casa foi cercada e protegida pela Polícia Militar.

Entre as denúncias de fake news apresentadas, a primeira é contra uma mulher que propagou em grupos de WhatsApp notícias inverídicas sobre a quantidade de casos confirmados de covid-19 e dizendo que o governador iria decretar “toque de recolher”, o que em nenhum momento prosperou.

Outra medida judicial faz referência à divulgação da postagem feita no Instagram por uma usuária identificada como Rosalina, em que ela escreveu um número de CPF que seria do governador e pedia para seus seguidores comprarem chips telefônico em nome dele. O advogado também ingressou com notícia-crime contra Antonio Carlos Bronzeri pela incitação ao crime de resistência, por sua particpação em um ato em que incitava o descumprimento das medidas de isolamento. Bronzeri não foi localizado para comentar o assunto.

Costa também entrou com notícia-crime referente aos tweets do perfil Let’s Dex, por difamações e sobre a veiculação de um vídeo no Youtube, no canal “Marco Angeli”, onde teriam sido praticados crimes contra a honra do governador, além da contravenção penal de produzir pânico ou tumulto. Os perfis não responderam.

Sara Winter

Um dos alvos de Doria, a ativista de direita Sara Fernanda Giromini, a Sara Winter, em postagem no Facebook xinga o governador de “oportunista”, “sádico”, “covarde” e “botox ambulante”. Sara é um dos 29 alvos da operação da Polícia Federal realizada dia 27 e determinada pelo Supremo Tribunal Federal no inquérito das fake news. Após a ação da PF, Sara gravou um vídeo no qual disse que vai “infernizar” a vida do ministro do STF. Sara não foi localizada. No último dia 1º, ela ironizou o pedido de Doria. O inquérito do STF também mirou uma espécie de filial do “gabinete do ódio”, estrutura da Presidência usada para difamar adversários, que atua na Alesp.

Para o advogado Renato Opice Blum, especialista em direito digital que atua em alguns casos de Doria, a legislação é incompleta sobre fake news. “Não tem a abrangência que deveria ter porque é uma lei antiga, salvo na questão eleitoral, que mudou”, disse. Ainda segundo Blum, na parte eleitoral a punição para grupos de pessoas que se reúnem para divulgar notícias falsas tem pena de 2 a 8 anos de prisão. “É um crime de menor potencial ofensivo. Se o sujeito for réu primário vai pagar uma cesta básica ou prestar algum serviço para a comunidade no máximo”

A advogado detalhou as  formas de se criar ondas artificiais nas redes sociais. A primeira  é a indexação das plataformas, como o Google. Nesse caso um dos principais critérios de alavancagem é a identificação de blogs e sites que estão discutindo determinada questão e referenciando um assunto.