Marielle: preso em casa de R$ 1,9 mi, bombeiro será investigado por lavagem 4

Gabriel Sabóia e Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio*

10/06/2020 13h37

O sargento do Corpo de Bombeiros Maxwell Simões Corrêa, 44, preso na manhã de hoje por suspeita de ter ajudado a ocultar armas de um dos acusados de matar Marielle Franco, em março de 2018, mora em um condomínio de luxo do Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio de Janeiro.

De acordo com policiais que cumpriram o mandado de prisão, a casa de luxo possui três andares e seria avaliada em R$ 1,9 milhão —a defesa do suspeito diz que o imóvel é alugado por ele. O bombeiro possui uma BMW X6 na garagem, no valor de R$ 170 mil. O alto padrão de vida do suspeito é mais um elemento na investigação conduzida pela Polícia Civil —ele será investigado pelo crime de lavagem de dinheiro.

Uma BMW X6, avaliada em R$ 170 mil, foi apreendida na operação

Imagem: José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo

Investigadores apontam que ele teria sido o responsável por esconder por uma noite armas pertencentes ao sargento da reserva da PM Ronnie Lessa —acusado de ser o autor dos disparos que mataram Marielle—, antes de um de seus comparsas descartá-las no mar para evitar a apreensão. De uma dessas armas, podem ter partido os disparos que mataram a vereadora e o motorista Anderson Gomes.

Segundo investigação, Ronnie e Maxwell seriam próximos há ao menos sete anos. Os laços entre os dois ficam claros por uma ocorrência policial de 2017: na ocasião, Lessa foi atingido por um disparo no pescoço em uma tentativa de assalto. Ao seu lado, estava o bombeiro, que ingressou no Grupamento de Busca e Salvamento da Barra Tijuca em 1998.

Alessandro Carvalho Neves, identificado como autor do crime, teria abordado a dupla em uma moto, perto de um quiosque da Barra da Tijuca, e anunciado o assalto. Lessa se desequilibrou por usar uma prótese na perna esquerda e caiu no chão. Maxwell, que iria almoçar com Lessa naquele dia, reagiu com tiros.

Polícia Civil realiza operação em casa de bombeiro suspeito de envolvido na morte de Marielle Franco - José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo
Polícia Civil realiza operação em casa de bombeiro suspeito de envolvido na morte de Marielle Franco

Imagem: José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo

Dois disparos acertaram Lessa no pescoço e um deles atingiu a perna de Maxwell. O bombeiro ainda conseguiu acertar um tiro nas costas do assaltante, que fugiu, sendo preso posteriormente. Tempos depois, o assaltante foi condenado a 13 anos e quatro meses de prisão.

“Sem ele, seria impossível o descarte das armas”, diz delegado

O delegado responsável pelo caso, Daniel Rosa, afirmou que, sem a participação do bombeiro, o grupo não teria conseguido realizar o descarte das armas.

“Ele atuou junto com os demais comparsas no descarte de fuzis na praia da Barra da Tijuca, mais especificamente no quebra-mar. Ele tem participação fundamental no caso. Sem a conduta dele, esse resultado não teria ocorrido”, disse o policial que detalhou a ação criminosa.

“Ele é o proprietário do automóvel que fez o transbordo das armas, eles retiraram as armas da casa e passaram para o automóvel que ficou em um [estacionamento] de um mercado aqui na Barra e, horas depois, fizeram o transbordo dessas caixas, com seis fuzis, ao mar da Barra, onde contrataram um barqueiro, foram até as ilhas e descartaram todo material bélico”, disse.

Rosa afirmou que o descarte dos armamentos poderia ajudar na solução de outros crimes. “É um fato grave, pois se esses fuzis fossem recuperados seriam submetidos a confronto balístico e certamente desvendaríamos outros crimes pelo uso dessas armas.”

Até o momento, 66 pessoas foram presas por envolvimento nos assassinatos de Marielle e Anderson —entre pessoas envolvidas direta ou indiretamente no caso.

O que diz a defesa do bombeiro preso na operação

O advogado Leandro Meuser, que representa Maxwell, contestou a versão de que os bens dele são incompatíveis com a sua renda. Segundo ele, o bombeiro tem empresa própria e poderia comprovar a renda complementar com extratos do imposto de renda.

Mauser não soube contudo detalhar qual atividade seu cliente desempenhava. “Se ele for acusado de lavagem de dinheiro, a renda dele vai ser comprovada no momento apropriado”, disse.

Segundo o defensor, a casa onde Maxwell mora é alugada. Ele também minimizou a relação entre o bombeiro e Ronnie Lessa. “Eles se conhecem, mas não são próximos.”

O advogado disse só ter sido procurado hoje de manhã para representar o bombeiro.

*Com Marcela Lemos, colaboração para o UOL, no Rio

“Defenda PM e Bolsonaro”. Eles se merecem. 7

Autor: Amigo do 9. andar da Brigadeiro Tobias 

Preliminarmente, Cel. Miler e Maj Olímpío são oficiais da mesma turma de Barro Branco(Aspirantes 1982).

O Olímpio é um parceiro das forças de segurança deste Estado, independentemente da instituição. Sempre se disponibilizou a apoiar, incondicionalmente, as pautas por melhores condições de trabalho e salarial das entidades de classe das instituições deste Estado.

O mesmo não pode ser dito em relação ao Cel. Elias, aluno mediano no Barro Branco, que decolou na carreira por ser lobista da PM no Congresso Nacional, graças a sua qualidade de bom articulador.

Ao passar para a reserva(aposentadoria) criou a entidade “DEFENDA PM”, cujo proposta básica não é defender as atribuições legais e constitucionais da PM, pelo contrário, é invadir as atribuições de outras instituições, com flagrante infração às disposições legais e constitucionais existentes, criando demandas absolutamente desnecessárias e infundadas para dar a PM a atribuição legal e constitucional que ela não tem.

Sem sombra de dúvidas, a PM presta relevantes serviços à população deste Estado, mas é inegável os recorrentes casos de abusos, muitos dos quais com resultado morte, repercutidos em parte pela mídia nacional, decorrentes de abordagens violentas, com flagrante violação dos protocolos existentes.

A existência de uma polícia judiciária, de natureza civil, para apuração de infrações penais protagonizadas por PM’s, é indispensável para a defesa do cidadão e do Estado Democrático de Direito. É a garantia de transparência que deve existir na apuração quanto à legalidade da atuação policial.

Não deve pairar dúvidas sobre a verdade real dos fatos, o que só é possível numa investigação imparcial, não maculada por nenhum interesse corporativo.

Para que amanhã ou depois, o cidadão não tenha que fazer parte da entidade “DEFENDA SE DA PM”, devemos ficar atentos às decisões judiciais e movimentações legislativas que possam acarretar o esvaziamento das atribuições legais e constitucionais das instituições existentes, e, por via reflexa, o enfraquecimento do controle na atuação dos integrantes das PM’s em todo o Brasil.

Como policial, não votei no Dória, e acertei em ter feito essa opção. Mentiu quando na campanha se comprometeu a recompor a precária situação salarial dos policiais no Estado, o que persiste até hoje. Em São Paulo, tanto policiais ativos como inativos, recebem um dos piores salários do Brasil.

Votei no Bolsonaro e me arrependi muito por isso. Sua bandeira de combate à corrupção, com a qual me identificava muito e acreditava que aconteceria, com a indicação de Sérgio Moro para o Ministério da Justiça, foi esgarçada em apenas um ano e meio de governo. Sérgio Moro pediu exoneração em razão, entre outras coisas, da flagrante e suspeita ingerência de Bolsonaro na Polícia Federal. Somando-se a isso, a inusitada negociação de cargos no 1º e 2º escalões da administração com o centrão (segmento”barganhento” da Câmara dos Deputados, que tem entre seus integrantes, vários condenados e processados por atos de improbidade administrativa).

O eventual envolvimento do filho Senador na chamada “rachadinha”, o firme propósito de indicar o outro, Deputado Federal, para a embaixada dos EUA, corroborado pela péssima atuação de vários ministros (relações exteriores, meio ambiente e educação), com verbalizações inoportunas, bem como sua própria oratória, repleta de palavras de baixo calão, vez ou outra com posturas que afrontam a liturgia do cargo que ocupa, são algumas das razões que fundamentam meu arrependimento. Sem falar na indisfarçável indiferença às milhares de mortes de brasileiros pela covid-19, bem como a enorme capacidade de desagregação em tudo o que põe a mão ou comenta.

Felizmente, as instituições se mostram muito mais consolidadas nos dias de hoje. A “ruptura”, conforme palavras do filho, é algo muito improvável que aconteça. Somos uma democracia consolidada. A bem da verdade, somos muito mais do que 70%.
Não é uma minoria que além de não ver, não enxergou o que o despreparo e a insensatez de quem detém o poder pode acarretar. Nada vai impedir o Brasil de corrigir seus erros e seguir seu destino como uma das grandes nações do mundo.

Levantamento mostra que a corrupção destruiu os pilares da PM: Praça tem mais poder do que Oficial 19

Levantamento do GLOBO mostra que soldados e sargentos da PM têm carrões de até R$ 102 mil

Com salários de R$ 2,3 mil e R$ 4 mil, eles dirigem modelos que custam até 43 vezes o valor dos vencimentos

RIO — Se fosse usada como parâmetro para avaliar a remuneração na Polícia Militar, a frota particular estacionada em pátios ou nos arredores de batalhões colocaria em xeque a retórica dos baixos salários. Isso porque não faltam veículos caros — alguns de luxo, com valor de mercado em torno de R$ 100 mil — em nome de sargentos e até mesmo de soldados. O GLOBO visitou, ao longo de uma semana, unidades da PM no Centro e em bairros das zonas Sul, Norte e Oeste, e checou a propriedade de vários carros. O levantamento foi passado à Secretaria estadual de Segurança, que, este ano, abriu sindicâncias para apurar o patrimônio de cerca de cem policiais.

UMA MÁQUINA QUE VALE MAIS R$ 100 MIL

É no 9º BPM (Rocha Miranda) que está lotado um sargento proprietário de um Hyundai Azera 3.0 V6 ano 2013. O carrão, de acordo com a tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) custa pelo menos R$ 102 mil. Na madrugada do último dia 20, um outro sargento do mesmo batalhão invadiu, de arma em punho, um depósito da Secretaria municipal de Ordem Pública para recuperar sua picape Toyota Hilux ano 2006, que havia sido rebocada. O veículo está avaliado em aproximadamente R$ 62 mil.

Luxo em Rocha Miranda: propriedade de um sargento, o Hyundai Azera 3.0 V6 ano 2013 está avaliado em R$ 102 mil pela tabela Fipe Foto: Sérgio Ramalho / O Globo
Luxo em Rocha Miranda: propriedade de um sargento, o Hyundai Azera 3.0 V6 ano 2013 está avaliado em R$ 102 mil pela tabela Fipe Foto: Sérgio Ramalho / O Globo

O endereço que consta no registro de propriedade do Hyundai Azera fica na Rua Tacaratu, quase em frente ao 9º BPM. A casa informada no documento, contudo, não serve de moradia. O imóvel tem finalidade comercial — nele, é possível comprar cestas básicas ou alugar mesas e cadeiras para festas. Em um telefonema para a casa, um homem que atendeu a ligação questionou se o sargento estava sendo investigado pela equipe de reportagem e desligou em seguida.

SEM PREOCUPAÇÃO COM MULTAS

Muitas vezes, faltam vagas na Rua Tacaratu para tantos carros de PMs. Por isso, é fácil encontrar automóveis parados em fila dupla, como aconteceu no último dia 25. Sem se preocupar com multas, um sargento do 9º BPM ocupou parte da pista para estacionar sua picape cabine dupla Mitsubishi L 200 Triton 3.2 ano 2010, avaliada em R$ 80 mil. Com um detalhe: uma carreta para transporte de motocicletas estava acoplada ao veículo.

Como tem sido difícil estacionar em frente ao 9º BPM, alguns policiais param seus carros a aproximadamente 50 metros da entrada do batalhão, na esquina da Rua Tacaratu com a Estrada do Sapê. Ali, também no último dia 25, um soldado conseguiu parar sua SUV Hyundai Santa Fé V6, ano 2008 e com preço médio de R$ 52 mil, sob a sombra de uma amendoeira. Um colega da mesma patente não teve tanta sorte: seu Kia Cerato 2011, estimado em R$ 41 mil, ficou ao sol.

Soldado ‘esbanja’ em Olaria: a SUV Honda CR-V 2008, cujo preço médio é R$ 54 mil, pertence a um soldado. Salário-base de sua patente é de R$ 2.326,54 Foto: Antonio Scorza / Agência O Globo
Soldado ‘esbanja’ em Olaria: a SUV Honda CR-V 2008, cujo preço médio é R$ 54 mil, pertence a um soldado. Salário-base de sua patente é de R$ 2.326,54 Foto: Antonio Scorza / Agência O Globo

Já um soldado do 16º BPM (Bangu) não precisa procurar vaga na rua: ele costuma parar sua Renault Duster 16 D, fabricada este ano e com valor de mercado entre R$ 49 mil e R$ 62 mil (segundo a Fipe), no estacionamento interno do batalhão. Em setembro, a unidade foi um dos alvos da Operação Amigos S.A., que, deflagrada pela Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública e pelo Ministério Público estadual, levou à prisão 26 policiais, incluindo seis oficiais.

Em Bangu, vaga cativa no pátio: Renault Duster fabricada este ano e com valor de mercado entre R$ 49 mil e R$ 62 mil. Picape de soldado foi flagrada estacionada dentro do batalhão Foto: Antonio Scorza / Agência O Globo
Em Bangu, vaga cativa no pátio: Renault Duster fabricada este ano e com valor de mercado entre R$ 49 mil e R$ 62 mil. Picape de soldado foi flagrada estacionada dentro do batalhão Foto: Antonio Scorza / Agência O Globo

No 16º BPM, o gosto por carrões não parece ser algo limitado a praças e sargentos. Investigações revelaram que, poucas semanas antes da realização da Amigos S.A., um major trocou um Citröen Pallas avaliado em R$ 65 mil por uma picape Dodge Journey que custou R$ 120 mil. Hoje, três meses depois da operação, veículos caros voltaram a ocupar as vagas que ficam no interior e em frente ao batalhão. Na lista de possantes, a marca Toyota figura entre as favoritas e foi a escolhida por um sargento, que dirige pelo pátio um modelo Corolla 2013 de quase R$ 70 mil.

AUTOMÓVEIS EM NOME DE TERCEIROS

Dimensionar a frota de luxo dos PMs não é tarefa fácil. Os muros altos de vários batalhões dificultam a visão dos veículos parados nas áreas internas. Porém, muitos não se preocupam em esconder seu patrimônio. É o caso de um soldado do 16º BPM (Olaria), que tem vaga cativa na Rua Jorge Martins para sua SUV Honda CR-V 2008, cujo preço médio é R$ 54 mil.

Outro obstáculo para investigadores é a grande quantidade de veículos registrados em nome de parentes, principalmente mulheres dos policiais. Um sargento do Batalhão de Choque, por exemplo, é casado com a proprietária de uma caminhonete Amarok CD 4×4 High ano 2012, avaliada em R$ 102 mil. Por sua vez, um policial do 2º BPM (Botafogo) tem o hábito de dirigir a SUV Dodge Jouney SXT 2009 da companheira. O carro está cotado em R$ 56 mil.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, desde o início do ano, a Corregedoria-Geral Unificada (CGU) apura cerca de cem casos de suposta incompatibilidade entre salários e bens acumulados por PMs. O órgão informa que os sinais de riqueza mais comuns são justamente veículos, seguidos de imóveis. Ainda segundo a secretaria, o sargento do 16º BPM que dirige um Toyota Corolla já está sendo investigado pela CGU.

A Polícia Militar destaca que, em cada batalhão, há uma comissão — composta pelo subcomandante, por outros três oficiais e por integrantes do setor de inteligência — encarregada de investigar supostos casos de enriquecimento ilícito na tropa. “Essa análise é checada com os bens declarados no Imposto de Renda. Caso ocorra alguma irregularidade, os comandantes enviam a investigação para a Corregedoria da PM, que remete os documentos à CGU, para que a sindicância patrimonial seja instaurada’’, diz uma nota da corporação.

A PM informa também que o salário-base de um soldado é R$ 2.326,54 e de um cabo, R$ 2.679,74. Os vencimentos de um sargento variam de R$ 3.132,58 a R$ 4.070,85. A corporação ressalta que a renda pode aumentar de acordo com triênios, gratificações, cursos e outros benefícios. O GLOBO fez pedidos aos batalhões da Polícia Militar citados nesta reportagem para ouvir os proprietários dos veículos, mas não obteve respostas do comando dessas unidades.