PM – A TROPA DE CHOQUE DE BOLSONARO 3

atlas do bolsonarismo

A TROPA DE CHOQUE DE BOLSONARO

Pesquisa inédita traça perfil de policiais que, em postagens públicas nas redes, defendem ideias como fechamento do Supremo e do Congresso

RENATO SÉRGIO DE LIMA E SAMIRA BUENO

08ago2020_10h56

Foto: Alf Ribeiro/Folhapress

“Gilmar Mendes é um vaga****. Bolsonaro tá certo sim se quiser mandar tropas pra fechar o STF”

 “Maia é um bandido!!! Esse Congresso Nacional tem que fechar as portas, só tem rato!!!!”

Na naturalização do realismo fantástico que toma conta do país, frases como as que servem de epígrafe deste artigo são banalizadas e nem sempre transmitem com clareza da gravidade do que está sendo dito; nem sempre é possível perceber as consequências do que está sendo dito e, sobretudo, as consequências de expressá-las publicamente.

As duas frases acima foram extraídas das redes sociais por um amplo estudo que o Fórum Brasileiro de Segurança Pública está desenvolvendo, cujos primeiros resultados foram recentemente divulgados. São comentários públicos de policiais brasileiros aceitando que instituições da República como o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) sejam fechadas e que o presidente Jair Bolsonaro intervenha para romper com a ordem constitucional democrática do Brasil.

E esses não são casos isolados, infelizmente. Frases como essas são compartilhadas sem pudor por ao menos 12% de policiais militares, 7% de policiais civis e 2% de policiais federais que possuem contas nas redes sociais e interagem publicamente em grupos e páginas do Facebook. São, se extrapolada a amostra do estudo, estatisticamente representativas de um grupo de cerca de 15,3 mil policiais analisados, de um total de 141.717 policiais pesquisados.

E este número pode ser ainda maior, pois a pesquisa só analisou postagens públicas e não captou manifestações em perfis privados. Se aceitássemos que os policiais que se manifestam publicamente nas redes são um retrato dos demais, estamos falando, em relação aos 885.730 mil integrantes efetivos das polícias disponíveis nos Portais da Transparência, de algo como ao menos 120 mil policiais convertidos para discursos golpistas.

Ou seja, a tropa de choque de Bolsonaro nas polícias seria, hoje, equivalente a ⅓ do efetivo ativo das Forças Armadas. E, com um agravante, trata-se de uma tropa experiente e treinada, com acesso a material bélico e com poucos canais formais de controle externo. Se optarem pelo enfrentamento, dificilmente as demais forças de segurança e defesa do país, se aceitassem se contrapor a elas, conseguiriam subjugá-las sem grandes baixas e risco de convulsão social e guerra civil.

Nesse movimento e no entusiasmo muitas vezes panfletário, os próprios militares das Forças Armadas vão contra a doutrina de defesa nacional engendrada quando da criação da Escola Superior de Guerra (ESG) e que tinha, como parâmetro, a manutenção da integridade territorial do Brasil e o controle da capacidade bélica e da autonomia das polícias. Isso foi feito para se evitar novas crises como a Revolução Constitucionalista, de 1932, que antagonizou tropas federais e a Polícia Paulista.

No atual quadro, além de questões operacionais e tecnológicas associadas a um conflito, uma nova crise pode nascer de onde menos se espera, já que a tropa de choque bolsonarista está distribuída em todo o território nacional e não se resume a uma única corporação. A população está submetida à incerteza e, mais do que defender que um golpe é iminente, é nosso objetivo explicitar os riscos envolvidos e mobilizar os olhares para eles.

E isso não significa rotular todos os policiais apoiadores de Bolsonaro de golpistas, pois esse número seria ainda maior, porém incorreto e injusto. Nem todo policial que acredita em Bolsonaro é golpista, mas a parcela radicalizada e que reproduz discursos antidemocráticos preocupa e deveria ser objeto, essa sim, de monitoramentos de inteligência para se avaliar os riscos reais à institucionalidade democrática.

Assim, a adesão ao bolsonarismo não seria um problema para a ordem social democrática se parte do universo policial e das instituições de segurança não flertasse com a extrema direita e com concepções reacionárias, como demonstram grandes teóricos sobre polícia no mundo, como Robert Reiner, Jerome Skolnick, dentre outros. Uma pesquisa de Robert Reiner com policiais ingleses ainda na década de 1970 indicou que 80% da força policial se descrevia como conservadora, sendo que 18% destes alinhados à extrema direita e, muitas vezes, manifestamente contrários as pautas LGBTI+, marcados ainda pelo racismo e pelo tratamento discriminatório a dependentes químicos.

Os exemplos recentes da Alemanha e da França, que detectaram e agiram para conter movimentos extremistas formados por policiais e ex-policiais desses dois países, comprovam esse fenômeno e mostram que não há exagero em cobrar controle e, por que não, autocontrole daqueles que representam a face mais forte do Estado. Todavia, no Brasil, a questão não é de apenas convergência ideológica dos policiais; temos que considerar que as polícias, sobretudo as militares, gozam de uma grande autonomia operacional e caracterizam-se por um forte insulamento institucional e pela baixa transparência em relação aos seus protocolos e mecanismos internos de supervisão.

O problema está, portanto, no imponderável: no cálculo político que desconsidera variáveis que não estão totalmente claras e/ou que se acreditam ausentes. A nosso ver, esse é o principal risco da radicalização policial. Polícias são instituições de Estado e não podem servir ao projeto de poder A ou B. Elas são o braço armado do Estado em tempos de paz e, se não reguladas, viram-se contra, até mesmo, os seus integrantes que destoam do pensamento hegemônico, a exemplo da lista de policiais antifascismo produzida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e distribuída às Unidades da Federação.

Aliás, o debate sobre a lista está concentrado no Ministério da Justiça, mas poucos se deram conta de que a justificativa mobilizada pela pasta informa que a ação se dá no âmbito do SISBIN, Sistema Brasileiro de Inteligência, coordenado pelo Gabinete de Segurança Institucional, cujo titular, general Augusto Heleno, é peça-chave do bolsonarismo. Dito de outro modo, se o MJSP produziu o relatório e informou ao GSI, a questão é ainda mais grave, pois é o reconhecimento de que o SISBIN foi acionado para espionar adversários políticos e nada foi feito para coibir tal prática.

Se o GSI não foi informado, o argumento do ministro André Mendonça se fragiliza ainda mais, pois a operação não contaria, em tese, com o guarda-chuva legal do SISBIN e não poderia ser usada em uma investigação criminal – lembremos que a Operação Satiagraha foi anulada pelo Judiciário exatamente por produzir provas por meio da cooperação de agentes de inteligência e policiais.

Mas o ponto mais sensível é que, no caso da lista dos policiais antifascismo e ex-secretários nacionais, houve, em tese, o compartilhamento das informações com as unidades da federação, para a apuração de eventuais desvios de conduta e procedimentos administrativos. E, voltando à gravidade da adesão de policiais ao bolsonarismo mais radical, essa lista não foi denunciada por nenhuma secretaria e/ou polícia estadual, nem mesmo as subordinadas a governadores de oposição.

Em suma, estamos submetidos a um sistema de segurança profundamente opaco e com instituições policiais quase sem nenhum controle efetivo sobre o que elas podem ou devem fazer. E, pior, um sistema no qual as demais instituições ou se omitem ou aceitam que policiais sejam autônomos e decidam eles próprios seus mandatos e suas atribuições. Isso é perverso tanto para a população que tem que conviver com padrões operacionais geradores, muitas vezes, de mais violência, quanto é cruel até mesmo com os próprios policiais, cuja atividade cotidiana fica dependente de fatores que muitas vezes os punem de forma seletiva ou injustificada.

Por fim, soa repetitivo mas necessário lembrar que, em uma democracia, não basta o voto; as instituições precisam acreditar na transparência, na prestação de contas e na importância dos mecanismos democráticos de controle e supervisão do poder. Se nada for feito por elas para conter manifestações antidemocráticas, pouco adiantará lamentarmos a atual hegemonia do sectarismo de extrema direita no país e os avisos sobre os riscos do discurso salvacionista de Bolsonaro engolir os Robespierres do Congresso e do STF que hoje lhe dão sustentação política e instaurar um novo “regime do Terror” – só que agora no Brasil.

Caquistocracia bolsonarista – o governo dos piores líderes com o apoio dos mais desqualificados cidadãos 7

Caquistocracia, o pior de nós

É raro um governo sintetizar a podridão de uma sociedade, mas acontece

No dia 19 de abril de 2018, comecei esta coluna com o seguinte parágrafo: “Caquistocracia: governo exercido pelos piores indivíduos de uma sociedade. A palavra já andou borboleteando por aí, mas não consta de nenhum dicionário de português que eu conheça. Talvez devesse constar”.

Desde então a palavra ganhou alguma circulação e pipocou em dicionários, inclusive no Houaiss, mas a verdade é que ainda não estava madura. Palavras correm atrás da realidade, não na frente. Naquele momento, Jair Bolsonaro era apenas um azarão na corrida presidencial.3

Talvez nem ele imaginasse que iria, alguns meses depois, conquistar pelo voto o direito de instituir a caquistocracia emplumada em que hoje o Brasil se esfola e se despedaça.

Não é uma caquistocracia qualquer. A experiência caquistocrática brasileira aspira seriamente ao título de mais completa e ousada da história. Tudo indica que a hora da palavra chegou.

Em inglês, o termo “kakistocracy” existe –e é marginal– há séculos. Em 2018, o pretexto para falar dele aqui foi o interesse momentâneo que tinha despertado depois de aparecer no ataque de um ex-diretor da CIA, John O. Brennan, ao governo de Donald Trump.

Fazia sentido: o bufão perverso que ocupa a Casa Branca é, com muitos topetes de vantagem, mais merecedor do mimo do que predecessores como Ronald Reagan e Barack Obama, que também chegaram a ser agraciados com a palavra na guerra retórica da política.

Historicamente, “caquistocracia” está aí para isso mesmo. Com seu jeito de comédia erudita, junta dois elementos gregos –“kakistos”, superlativo de “kakos” (mau, ruim), e “kratía”, poder– num xingamento sofisticado, uma hipérbole insultuosa.

Não é uma palavra que cientistas sociais costumem levar a sério em suas reflexões, como democracia, autocracia, aristocracia e outras da família. Tem mais a ver com a volatilidade do insulto lusófono “canalhocracia”, dicionarizado pela primeira vez por Cândido de Figueiredo em 1913.

Entende-se. É raro que a caquistocracia possa ser tomada ao pé da letra para nomear um governo que, de fato, reúne aquilo que de mais vil e grotesco um grupo humano tem para oferecer, sua pior versão possível, o esgoto exibido na sala de estar. Até por razões de sobrevivência social –o componente necessário de autodestruição e loucura é grande demais.

Acontece, porém. Não há termo mais adequado a um governo em que os responsáveis pela saúde promovem a morte, os gestores da educação a vandalizam, os encarregados de preservar o meio ambiente o devastam, os timoneiros das relações exteriores colhem achincalhe mundo afora –e o presidente se chama Bolsonaro.

O curioso é que o mais catastrófico governo de nossa história, responsável por 100 mil mortos e contando, não se contenta em ser a apoteose da caquistocracia. Faz questão de agitar essa bandeira o tempo todo, para ninguém esquecer.

Aparentemente, não basta tocar em frente o projeto de entregar a gente inepta –ou coisa pior– tudo o que se deseja destruir. Deve-se frisar, de preferência com escárnio, a intencionalidade do bota-abaixo. A nomeação de uma blogueira de turismo para a Funarte é só o episódio mais recente.

Pensando bem, talvez caquistocracia corra o risco de soar como um eufemismo meio aguado no atual estágio da calamidade brasileira. Terá chegado a hora do neologismo “tanatocracia” –governo da morte?

Sérgio Rodrigues

Escritor e jornalista, autor de “O Drible” e “Viva a Língua Brasileira”.

Deus nos livre, mas se for parado pela PM, reze! 5

Jovem morto em ação policial fazia manobras com motos, reprimidas pela PM

Gustavo Vinícius Pereira dos Santos, 25, assistente administrativo que participa de "bololôs" por lazer e era amigo de Rogério, morto por um PM no domingo (9) - Marcelo Oliveira/UOL

Gustavo Vinícius Pereira dos Santos, 25, assistente administrativo que participa de ‘bololôs’ por lazer e era amigo de Rogério, morto por um PM no domingo (9) Imagem: Marcelo Oliveira/UOL

Do UOL, em São Paulo

12/08/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Rogério Ferreira Júnior, morto a tiros em abordagem da PM, se divertia com motos
  • Ele e outros moradores faziam manobras e barulho com o escapamento
  • Diversão é comum na periferia e sofre dura repressão
  • Amigo e líder comunitário relatam que jovem assassinado era trabalhador

O estudante Rogério Ferreira da Silva Júnior, 19, morto a tiros durante uma abordagem policial no Parque Bristol, na zona sul de São Paulo, era praticante do “bololô”, lazer que consiste em fazer barulho com o escapamento e malabarismos com motocicletas. Segundo adeptos da cena, a atividade sofre intensa repressão policial na periferia da capital e são comuns agressões e danos às motos.

Na tarde do último domingo, Dia dos Pais, não foi diferente. Era aniversário de Rogério, que pediu emprestada a moto nova do amigo Guilherme Porto, seu vizinho, para participar da brincadeira, quando a PM chegou à avenida dos Pedrosos, atrás do CEU Parque Bristol, e o derrubou da moto.

Poderia ser mais uma abordagem “corriqueira” da polícia, mas o soldado da PM Guilherme Tadeu Giacomelli, 22, com seis meses de atividade nas ruas, atirou e disse ter se assustado com o adolescente durante a abordagem. Rogério morreu no pronto-socorro.

Apesar de mortes, como a de Rogério, não serem comuns nas ações da PM contra os “bololôs”, os “esculachos” (abordagens policiais com xingamentos e agressões) da Polícia Militar contra os praticantes das manobras são usuais. A derrubada de motos como parte da abordagem também.

Derrubando moto

“Os PMs chegam ‘esculachando’ a molecada e derrubando moto. Muitos jovens acham normal apanhar da polícia desde que a moto não seja apreendida, mas não é normal. Se há infração de trânsito, tem que multar. Falta diálogo”, conta o educador Marcelo Dias, que dirige a ONG Novos Herdeiros Humanísticos.

Marcelo Dias, preso injustamente por 6 meses em 2018, milita em ONG da zona sul de São Paulo que auxilia famílias vítimas da violência policial - Marcelo Oliveira/UOL - Marcelo Oliveira/UOL
Marcelo Dias, preso injustamente por 6 meses em 2018, milita em ONG da zona sul de São Paulo que auxilia famílias vítimas da violência policial

Imagem: Marcelo Oliveira/UOL

A ONG atua na região e integra a Rede Protetora, um conjunto de organizações que promove os direitos humanos e denuncia casos de violência policial na região da zona sul conhecida como Fundão do Ipiranga, formada pelos bairros limítrofes com o ABC paulista.

Dias foi vítima de brutalidade policial e acusado de tráfico de drogas sem provas. Passou seis meses preso com base no testemunho de policiais militares. Absolvido por falta de provas, hoje está 100% envolvido com a ONG e a defesa dos direitos humanos em sua comunidade. A instituição ajudou no apoio à família de Rogério e no protesto realizado ontem pelos organizadores do bololô do Bristol.

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“Faz parte da nossa missão preservar a vida em sua totalidade. Estamos solidários à família e a esse movimento. Que este caso, infelizmente, eduque o nosso povo a buscar por Justiça. Abrimos os caminhos para que se mobilizem, mas agora a comunidade é quem tomará a frente”, disse.

“Se for parado pela PM, reze”

“Foi o segundo caso de violência policial em cerca de três meses ali na região”, conta o assistente administrativo Gustavo Vinicius Pereira dos Santos, 25, formado em recursos humanos e que está fazendo pós-graduação. Além do trabalho fixo na recepção de uma unidade básica de saúde, ele complementa a renda como motorista de aplicativo.

“Nada justifica um policial matar ou dar tapa na cara de ninguém”, disse o jovem, que também foi vítima de violência policial.

Gustavo voltava para casa de carro depois de uma balada e havia consumido álcool. Ele admitiu a infração, mas, em vez de ser multado e ter o carro apreendido, foi agredido pelo policial.

“A comunidade sofre repressão constante por falta de um local adequado para o nosso lazer. Porque não podem disponibilizar um estacionamento, com food trucks, banheiros, uma ambulância e policiamento para que a galera possa fazer as manobras em segurança? Para rico tem eventos assim, porque para nós não?”, questiona.

Parque Bristol, na zona sul de São Paulo, onde morava e foi morto Rogério Ferreira da Silva Júnior, 19, durante abordagem policial - Marcelo Oliveira/UOL - Marcelo Oliveira/UOL
Parque Bristol, na zona sul de São Paulo, onde morava e foi morto Rogério Ferreira da Silva Júnior, 19, durante abordagem policial

Imagem: Marcelo Oliveira/UOL

“Ninguém é vagabundo. São jovens que estão produzindo, trabalhando para ter uma moto, ‘dar um grau’ [como são chamadas as manobras com motos]. São entregadores, motoboys, pedreiros, que curtem um lazer no domingo à tarde, horário em que está todo mundo acordado. A distribuição de brinquedos que fizemos nas comunidades no Natal ninguém vê”, diz.

“No fim de semana, queremos ter o nosso lazer: fumar um narguilé, beber, curtir um funk ou participar de bololô, mas, em dia de semana, todo mundo tem seu uniforme e é um brasileiro padrão. Quem é bandido, quer ostentar na noite, se drogar, não dar rolê de moto à tarde”, afirma.

“Perdi um amigo. Eu estou traumatizado. Todo mundo sabe que o Rogério era um cara trabalhador. Já tinha me ajudado em eventos, trabalhado também de ajudante de pedreiro. Ele se virava. Ele já teve uma moto de 100 cilindradas, mas agora estava sem. Por isso, na homenagem a ele estava escrito RP 100 [veja o post do Instagram acima]. Tem a ver com a motinho que ele tinha.”

Gustavo acrescenta que nem todas as abordagens policiais são violentas. “Eu já fui parado de moto, sem a CNH, mas estava com a carteira de trabalho no bolso e fui liberado, mas eu confesso que, ultimamente, tenho medo de morrer numa abordagem policial. Se alguém for parado em rua escura, tem que rezar o pai-nosso”, diz.

Novo protesto marcado

O jovem diz que seguirá mobilizado em busca de justiça e que neste final de semana haverá protesto novamente em homenagem a Rogério. “Só quero que o autor dessa morte responda conforme a lei. Que se cumpra a lei que ele jurou defender. O lema da PM é servir e proteger, não é matar”, afirma Gustavo.

O UOL questionou a assessoria de imprensa da Polícia Militar sobre qual a estratégia da PM para os bololôs e se a derrubada de motocicletas faz parte de algum padrão de abordagem. A assessoria disse que questionaria o batalhão local. Segundo a assessoria da PM, contudo, a estratégia da corporação nesses casos é semelhante à dos pancadões (festas de funk a céu aberto), mapeando os locais em que acontecem os eventos.

A morte de Rogério é investigada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil.

O PM Guilherme Tadeu Figueiredo Giacomelli é um assassino covarde , se assustou O CARALHO! – Esse porta voz da PM é outro exemplo do corporativismo mafioso nas polícias! Vergonha, um inocente pode ser assassinado por um despreparado cuja prisão seria injusta! 16

PM que matou estudante tinha 6 meses de patrulhamento na rua, diz delegado

Câmeras flagraram a ação - Reprodução/TV Globo

Câmeras flagraram a ação Imagem: Reprodução/TV Globo

Josmar Jozino

Colunista do UOL

11/08/2020 20h23

O DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), apurou que o soldado da Polícia Militar Guilherme Tadeu Figueiredo Giacomelli, 22, investigado por ter atirado e matado o estudante Rogério Ferreira da Silva Júnior, 19, durante abordagem no último domingo, ingressou há seis meses no patrulhamento de rua. O caso ocorreu no Sacomã, zona sul de São Paulo.

O DHPP é um departamento da Polícia Civil. Giacomelli está sendo investigado em um inquérito do DHPP e em um inquérito policial militar (IPM), instaurado pela Polícia Militar. Quando há casos de morte envolvendo PMs, é a Polícia Civil que fica responsável pela investigação e, se necessário, por levar o processo à Justiça.

Segundo o diretor do DHPP, Fábio Pinheiro, Giacomelli é novato, não tem muita experiência como policial militar e teria se assustado durante a abordagem ao atirar em Rogério, pensando que ele pudesse estar armado.

O nome dele consta como investigado no boletim de ocorrência registrado pelo delegado Ricardo Travassos da Silva, da Polícia Civil.

Giacomelli e o PM Renan Conceição Fernandes Branco, 34, da Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas), da 4ª Companhia do 46º Batalhão, perseguiram o estudante no Sacomã. Rogério foi baleado na avenida dos Pedrosos, altura do número 200.

O estudante levou um tiro disparado por Giacomelli. Os PMs alegaram que deram sinal para o rapaz parar, mas ele não obedeceu. Afirmaram ainda que, na avenida dos Pedrosos, Rogério colocou a mão na cintura e fez menção de atirar. Ele não estava armado.

O estudante foi socorrido por populares no pronto-socorro do Sesi, mas não resistiu.

Veja como foi a abordagem da PM

Band Notí­cias

O delegado Silva mencionou no boletim de ocorrência que a versão dos PMs bate com as provas e depoimentos de testemunhas colhidos no dia do fato.

Porém, Pinheiro disse que o DHPP procura por imagens de câmeras de segurança e outras testemunhas para poder elucidar o caso.

O departamento apurou também que o jovem não tinha antecedente criminal. A moto que ele ocupava, emprestada pelo amigo Guilherme dos Santos Porto, um vendedor de 19 anos, não tinha queixa de furto nem de roubo, e estava em situação regular.

Porto disse ao UOL que Rogério queria passear de moto. “Ele deixou o carro dele comigo e foi dar umas votas de motocicleta. Minutos depois encontrei ele caído, baleado. Perdi um amigo de infância. A ficha parece que não caiu ainda”, desabafou.

Segundo Porto, o estudante era órfão de pai, e ajudava a mãe, os dois irmãos mais novos e a irmã mais velha no sustento da casa.

Porto disse que Rogério fez curso de cabeleireiro e estava se especializando em pigmentação capilar. “O sonho do meu amigo era montar um grande salão”, contou o vendedor.

Porto afirmou esperar por justiça. “Mataram um inocente. Vamos brigar por justiça quanto tempo for necessário”, disse.

Registro da ação

Câmeras de segurança registraram a ação. O advogado Ariel de Castro Alves, conselheiro do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), afirmou que as imagens mostram indício de execução.

O UOL ligou para o escritório dos advogados Charles dos Santos Cabral Rocha e Alessandra Almeida de Sousa, defensores dos policiais militares, mas não conseguiu contato com eles.

O tenente-coronel Emerson Massera, porta-voz da PM, informou que o soldado Guilherme Giacomelli entrou na corporação em dezembro de 2018, estudou um ano no curso de formação de soldado e tem seis meses de patrulhamento na rua. Já o PM Renan Branco está na instituição desde 2016.

Segundo Massera, o soldado Guilherme “infelizmente errou” e pode ter se assustado com o episódio dos três PMs que foram mortos dias antes em uma abordagem”. “Isso pode tê-lo deixado assustado. Ele está sendo investigado, vai responder a inquérito, mas não pode ser massacrado. Se for preso, agora, nesse momento, vai ser uma injustiça.”

Questionada sobre o caso, a Secretaria Estadual da Segurança Pública reafirmou a nota enviada à imprensa ontem. “Todas as circunstâncias relacionadas aos fatos são apuradas pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e por meio de inquérito policial militar (IPM), instaurado pela PM. Os policiais envolvidos na ocorrência foram afastados do policiamento operacional. A equipe do DHPP realiza oitivas de testemunhas e familiares do rapaz. A Corregedoria da PM acompanha as investigações”, diz a nota.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Para lembrar, mesmo neste momento de tristeza, como a PM costuma tratar policiais civis 8

Nilton gomes Sou policial civil aposentado e já fui policial militar por 10 anos, acho muito inoportuno o comentário do colega acima nessa hora de dor, principalmente para as famílias desses políciais, o colega deveria respeitar o momento e ficar calado.

 

Com todo respeito Nilton, mas neste momento de dor se a Polícia Civil continuar rastejando pra PM muitos de vocês serão algemados e espancados quando de eventuais abordagens.

Bastará dizer que é policial civil !

A morte desses três PMs servirá de pretexto para toda a sorte de abusos.

Aliás, que há anos praticam quando se trata de policiais civis!

Ficará pior !

Policial civil jamais entrega funcional e arma para outro policial, salvo superior hierárquico! 31

Fernandão DISE Na realidade os 3 PMs que perderam a vida nesse QRU, só demonstraram a gana de querer ferrar um policial civil , o que acabou custando-lhes a vida, nos meus 30 anos de policia civil para mi não existe isso de policia puxar numero de arma de policia, se identificou , PT SAUDAÇÕES, mas os mikes achando que realmente se tratava de um PC, o que lhes fizeram deixar de lado procedimentos de segurança , ate pq se soubessem que a funcional era falsa e se tratava de mala ja estaria algemado e encontrariam a outra arma, mas afrouxaram a revista e os procedimentos pq cientes de que se tratava de um charlie , e ja tinham tirado a arma e a funcional , foram pesquisar com o intuito e a gana de atrasar o lado do PC, so que não contavam e desacreditaram que do outro lado poderia ter um apetitoso que com uma glock 9mm portada nas costas viesse a dar cabo dos 3 antigoes tatiqueiros, fica demonstrado claramente a vontade de atrasar o lado dos PC, mas dessa vez a pica foi para o lado oposto, com certeza se fosse realmete um PC por estar alcoolizado dirigindo , abordando ja estaria em flagrante delito, detido, respondendo um PA e possivelmente com o pé na rua , pela inveja de pseudos colegas que tb ficaram naquelas filas enormes na acadepol mas não conseguiram entrar para a PC o que acarreta nessa rusga eterna.

Não concordo que seja por inveja; já foi o tempo  em que policiais militares poderiam ter inveja de policiais civis…

DE REGRA:  FILHA DA PUTAGEM , PURA ! 

Não sei se foi esse o espírito do caso em questão , mas a rotina e querer sim atrasar o lado e arrumar pretexto para um baculejo no automóvel . 

PM , muito mais do que inveja , nutre preconceito: todo PC é folgado e ladrão!  

Eu amo o povo da China, graças ao chinês o brasileiro pobre ainda possui um pouco de diversão , vestimenta e algum trabalho 17

China: oito coisas que todo mundo deveria saber - Endeavor Brasil

Observe cada produto que você consome: originais , genéricos e os contrafeitos…

Tudo made in China!

O melhor produto americano ou europeu é produzido , com rigorosa qualidade, na China.

Por sua vez, o empresário brasileiro é tão ordinário que nem sequer é capaz de imitar o mais falso dos produtos falsificados…

Desde a Ditadura Militar querem subsídios, reserva de mercado, proibição de importações , tudo isso para nos entregar lixo vendido a peso de ouro!

Por sorte , a maioria foi a falência !

A China , há muito tempo , no comércio , dá mais empregos e renda para os brasileiros  do que todas as multinacionais aqui estabelecidas há décadas.

Olhem para as nossas cidades !

Nem é necessário dizer sobre o nosso agronegócio…

Viva a China e viva aos chineses !

DEFENDA-SE DA PM – O mais do mesmo.Mais sangue, mais despreparo, mais covardia e mais “assassinatos” completamente injustificáveis. Haja retreinamento. 3

Infelizmente, o mais do mesmo. Enquanto a “Defenda PM” se dedica a judicializar questiúnculas sobre atribuição institucional para apuração de determinadas infrações penais, os recorrentes “assassinatos” protagonizados por PM’s continuam. Como desgraça pouca é bobagem, num deles a vítima fazia aniversário no dia em que foi executada.

Em apenas uma semana, em pleno “retreinamento” da PM para melhoria dos protocolos de “espancamento, de passamento, de fuzilamento, etc.”, dois motociclistas são covardemente “assassinado” com o mesmo “modus operandi”, ou seja, mata primeiro e depois mente no histórico do RDO. Só esqueceram que o monitoramento por câmeras não mente nunca.

Por outro lado, uma inédita ocorrência de execução sumária de uma guarnição inteira da PM por um averiguado, numa simples abordagem de rotina. Fiquei 37 anos na polícia e nunca soube de algo semelhante. Com todo respeito à memória dos policiais, como toda a guarnição fica junta, checando informações de arma e identidade do averiguado e nenhum deles, para a própria segurança da guarnição, fica na contenção do averiguado, mormente quando outro indivíduo o acompanhava?
Realmente, algo de muito errado acontece, e com certeza não é retreinamento que vai corrigir.
Me ajuda aí “Defenda PM”!

Por: amigo da ACADEPOL!

Não há limites para a covardia e desonestidade funcional de parcela de Delegados do DHPP 31

Nem mesmo a covardia da PM e a cultural desfaçatez do oficialato supera a tibiez de certos delegados alisadores da PM.

E fica cada vez mais claro que a maioria das resistências são fraudulentas.

Quando bandido reage leva alguém consigo!

Três policiais morreram em vão, pois em seguida seus colegas mostraram o motivo de a sociedade não se importar com as mortes de PMs.

 

Pesquisa demostra que PMs são culturalmente inferiores em relação aos policiais Civis e Federais; disso – pior formação intelectual – resulta tanto ódio pelos diferentes e esse amor apaixonado por Bolsonaro…Diga-se, “amor de corno manso”! 11

PMs amam Bolsonaro e sertanejo tanto quanto odeiam LGBTs, mostra pesquisa

07/08/20 por Caê Vasconcelos – Ponte Jornalismo

Para Dennis Pacheco, pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, dados demonstram a “subcultura das ruas e do cotidiano policial”

PMs posam para foto com bolsonarista em manifestação pró-Bolsonaro, em 1 de outubro em 2018 | Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Fãs de sertanejo, apoiadores de Bolsonaro e odiadores da população LGBT+. Esse é o perfil de parte dos policiais militares brasileiros. Quem mostra isso é o estudo “Política e fé entre os policiais militares, civis e federais“, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com a empresa de inteligência de dados Decode Pulse, que analisou interações públicas de perfis de policiais militares, policiais civis e policiais federais no Facebook.

Confira os primeiros resultados da pesquisa

Os pesquisadores usaram informações dos portais de transparência dos estados e da União para chegar em 885.730 policiais da ativa ou aposentados. A partir daí, localizaram 141.717 perfis de policiais no Facebook, dos quais sortearam 879 contas. Ao todo, foram analisadas 2.893.101 menções relacionadas à segurança pública no Facebook entre janeiro e junho de 2020.

Dennis Pacheco, pesquisador do FBSP, explica que o ponto central das mensagens é a pauta anti-LGBT, seguida pelos elogios ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ambos os discursos são mais presentes entre policiais militares do que entre policiais civis ou federais.

Leia também: Violência contra protesto antifascista mostra de que lado a PM está

No total dos cargos mapeados, 69,2% eram de praças (soldados, cabos e sargentos). Dentro da corporação da Polícia Militar também há diferenças: o ódio aos LGBTs e o apoio ao presidente estão mais presentes nos praças: 92% do total de comentários contrários às pautas LGBTI foram feitos eles. Cerca de 41% desses PMs interagem com grupos bolsonaristas.

O apoio maciço da PM ao presidente Jair Bolsonaro não se reflete da mesma foram em outras grupos policiais. A maior ausência nesses grupos está entre os delegados da Polícia Civil: 93%. Cerca de 90% dos policiais civis de outras carreiras também não estão presentes em grupos bolsonaristas.

Entre os oficiais da PM, 65% não interagem em ambientes bolsonaristas. Entre membros da Polícia Federal, 88% dos delegados não estão em grupos bolsonaristas e 87% dos demais cargos também estão fora desses ambientes.

O ódio contra LGBTs também é menor entre policiais civis e policiais federais. Entre os policiais civis, apenas 5% deles está em ambientes bolsonaristas radicais contrários às pautas LGBTs. Entre os policiais federais não há qualquer tipo de interação contrária a esses grupos.

Nos ambientes bolsonaristas, a análise foi feita de duas formas: bolsonaristas, grupo com participação expressiva de seguidores de páginas relacionadas a políticos de direita, e bolsonaristas radicais, grupo com participação expressiva de páginas declaradas de fãs e militantes do presidente Bolsonaro.

“A baixa aceitação da institucionalidade democrática é o que mais preocupa, porque acarreta posicionamentos dos policiais mais alinhados a uma ideologia conservadora e tradicionalista do que a cadeia de comando. E isso é o que mais assusta, já que estamos falando em uma força de 700 mil pessoas armadas no país”, explica Pacheco.

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Diante disso, o estudo aponta que um em cada quatro praças da Polícia Militar demonstrou adesão nas redes sociais a pautas da extrema direita, identificadas com a agenda radicalizada do governo Jair Bolsonaro.

Ponte já mostrou diversas vezes o aparelhamento da PM pela extrema direita. No período eleitoral de 2018, ficou evidente a conduta partidária da PM paulista, em que os policiais tiraram fotos com apoiadores de Bolsonaro e expulsaram jovens negros das periferias que faziam um “rolezinho” no Masp.

No mesmo ano, a Ponte contou que o coronel Marcelino Fernandes, ex-corregedor da PM, que era responsável por investigar os crimes cometidos por policiais militares até o começo de 2020, apesar de se dizer “um defensor dos direitos humanos”, era apoiador de Bolsonaro, afirmava que Brilhante Ustra não era torturador e que Brasil não teve ditadura.

Em 2020, o posicionamento político voltou com força, quando um ato antifascista foi reprimido com violência enquanto uma bolsonarista, que carregava um taco de beisebol, foi retirada com delicadeza do ato.

A Ponte também contou que, no Rio de Janeiro, policiais que atuam em uma Unidade de Polícia Pacificadora nas favelas fazem apologia à violência nas redes sociais, ostentando armas e zombando do luto de moradores nas periferias.

Entre os assuntos mais compartilhados por policiais militares, 49% são comentários sobre política institucional, 24% tratam de comentários contrários à pauta LGBT+, 14% são de temas relacionados à sociedade civil, como a pandemia e a segurança pública, e 12% são direcionados a instituições democráticas, em que aparecem majoritariamente menções ao fechamento do Congresso Nacional e do STF (Supremo Tribunal Federal).

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Para Pacheco, o fato de a diversidade ter avançado ao longo do tempo, com as lutas por direitos humanos, sociais e civis dos movimentos LGBTs, negros e de mulheres “mexe muito no quanto essa visão tradicionalista era sólida, mas hoje não é mais, por isso existe esse apego muito grande a visão patriarcal de mundo”.

Um exemplo disso são os ataques sofridos pelo PM Leandro Prior, que, em 2018, foi ameaçado de morte ao ser fotografado dando um selinho no namorado. Um ano depois, em 2019, Prior foi impedido de pedir o noivo em casamento com a farda da Polícia Militar. Este ano, foi perseguido por criticar Bolsonaro nas redes sociais.

Por isso, argumenta Pacheco, não dá para dizer que a ideologia representa a militarização das polícias. “É algo muito mais da subcultura das ruas do que da estrutura da PM, do fazer polícia e do cotidiano policial. Embora estejamos falando de um número baixo, de 25%, mas é quem lida com a população”.

Uma parte da pesquisa mapeou preferências musicais e elas também apresentaram uma tendência: 34% dos PMs têm predileção por sertanejo. Na sequência, aparece o rock com 20% e o gospel com 16%. Entre os policiais civis, o sertanejo também é o estilo musical mais ouvido, cerca de 30%, seguido pelo gospel, 16%, e pela MPB, 14%. Já os policiais federais ouvem mais rock, 44%, e o sertanejo fica em segundo lugar, com 28%.

As principais bandeiras defendidas pelos policiais militares são o conservadorismo nos costumes e valores (42%), patriotismo ou nacionalismo (32%), pacifismo (11%), bandeiras religiosas (9%) e apoio a causas sociais e em defesa dos direitos humanos (6%).

Para Pacheco, esse resultado em relação ao ódio aos LGBTs, é pior em relação à população trans, que é mais criminalizada e vulnerável. “Eu como LGBT e negro não me sinto à vontade para contar com a polícia em um caso de necessidade”, confessa.

O pesquisador avalia como um “choque” a mensuração dos discursos, já que “uma coisa é você saber que as polícias têm ideologia conservadora e outra coisa é ter a mensuração nos dados”. “Muito mais importante do que combater essa visão de mundo é regulamentar a atividade policial, já que sem isso o policial acha que pode fazer o que bem entender”.

“Se você não tem uma regulamentação, o Judiciário pode dizer que foi legítima defesa, resistência ou desacato em todos os casos, o policial se torna mais potente do que qualquer direito humano ou civil na medida em que a atividade dele não requer o respeito institucional”, completa.

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O fato de o racismo não aparecer diretamente nessa pesquisa, avalia Pacheco, também é um indicador: dentro dessa visão de mundo, o racismo é tão naturalizado que não é necessário falar.

“Você não falar sobre o racismo é a maior arma para que o racismo continue consolidado, para que as ações policiais que se voltam especialmente contra populações negras continuem assim”, aponta.

“As ações nunca foram ditas como racismo, supostamente, sempre foram amenizadas como atitude suspeita, tráfico de drogas, estar no lugar errado, andar de certa forma. Sempre foi a criminalização da pobreza e da negritude”, finaliza.

Pletora de brutalidades: o ódio, a indiferença, o egoísmo fizeram do Brasil uma terra sombria de gente feia, suja e ignorante por vocação 2

Bom. Por onde começar?
Talvez apontando o óbvio que ulula.
O primeiro legente, ao ver essas linhas, algures, praguejará: – C…, lá vem ele. O chato. O delegado que gosta de escrever. Ô sujeitinho atrevido. Pernóstico. Perifrásico. Como pode, um mero policial querer-se intelectualizado? É realmente muita petulância. Ele deveria fazer como a maioria, policiais ou não, e usar o pronome “mesmo” como se pessoal fosse, e parar de encher o saco.
Dizer o quê? Afora a parte do “mesmo” e do “querer-me intelectualizado”, condescendo com todo o resto – fazendo a óbvia ressalva de que policiais há que dão de 10 a 0 em muitos sedizentes especialistas.
Mas, de facto, eu devia fechar-me em copas e deixar o mundão sem minhas despiciendas considerações. Ocorre que eu não me contenho. Assoma-me uma comichão, e vejo-me premido a falar, a escrever.
Como efeito, malgrado o achincalhe e a risadaria geral, eu volto à carga. Por minha conta e risco. Digam-me chato. Já me reconheço como tal. Mas não pelos motivos epidérmicos. Por outros. Da minha escrita, não abro mão. Afinal, parafraseando o célebre João Ubaldo Ribeiro, não se faz exigível uma faculdade de letras para escrever “pletora”.
Feitas essas ponderações, prometo ser breve. H á pouco, eu estava em casa, na região central de São Paulo. Súbito, uma efusão, expressa em gritos de júbilo, irrompe janela adentro. No meu alheamento, supus tratar-se de uma manifestação. Tão recorrente nessa nossa contemporaneidade arrevesada.
Advertiram-me que não. Era a algaravia promovida por torcedores do Corinthians e do Palmeiras. Rivais de há muito. E empedernidos. Dei de ombros e prossegui no que vinha fazendo. Nada, a rigor.
Ao depois, ocioso que estava. Passei a ler as notícias pela internet . Logo saltou aos olhos a titulação de uma matéria em caixa alta. Em síntese: nosso Brasil atingira o tétrico montante de cem mil mortos pela covid-19.
Minhas sinapses agitaram-se. Eu me atrevi fazer uma ligação que, talvez, me torne ainda mais chato aos olhos da geral. Causou-me espécie este algo paradoxal: o grito vociferado de torcedores e o silêncio tumular pela marca tristemente atingida.
Continuei ruminando. Talvez fosse pedir demais certa circunspecção pelos cem mil brasileiros que tiveram a vida ceifada. Um minuto de silêncio, quiçá. Mero simbolismo? Nem discuto. Mas talvez um mínimo verniz para mascarar nosso lado selvático.
É claro que há uma outra perspectiva. O brado do time vencedor e o urro do perdedor podem ser uma manifestação catártica. Algo mais ou menos símile ao que houve no carnaval de 1919, e tão bem retratado pelo insuperável Nelson Rodrigues.
A peste espanhola estava no seu estertor, e a festa pagã nunca foi tão orgiástica. Talvez por ter sido pós-apocalíptica. Guardada as devidas proporções, faço a relação. E não concluo, ao final, se a manifestação dos torcedores exprime indiferença ou algo à guisa de catarse.
Mas de uma coisa eu sei: todos nós devíamos ficar compungidos com a marca taciturna dos cem mil. E, francamente, não sei se isso que ocorre. Talvez um muxoxo. A mim, todavia, a mim me parece que os brasileiros perdemos muito do nosso humanismo.
São tantas as enormidades que nos assacam. São tantas as nódoas que sobre nós recaem. E há tanto tempo. Sagramos, reparem, como a última nação, recalcitrante, a abolir a hediondez da escravatura. E isso, “porca miseria” nos remete a alguns vídeos recentes, em vales adjacentes.
Mas claro. A psique coletiva de um povo não passa incólume por tudo isso Brutalizamo-nos. Querem ver? Mesmo à frente, no enfrentamento de um vírus virulento, neófito para nós, e com potencial arquicomprovado de ceifar vidas aos borbotões, não houve entre nós brasileiros um armistício.
Singrem pela internet, e constatarão. Nunca estivemos mais beligerantes. A doxa vigente é a do ódio. Esmeramo-nos em reproduzir uma clivagem irreversível. E pior: de um modo a constranger a mais rematada caricatura. É um pastiche.
Os à esquerda, eles reproduzem uma dogmática que ignoram. Os à direita, também. É até difícil discernir as respectivas mundividências. É só uma maçaroca fermentada no ódio. Um ódio que não cede. Não cede mesmo ante cem mil mortos.
Mas não é só. Estamos em pleno mês de agosto. Atribuímos uma cor a esse mês específico. O lilás. Um simbolismo, e prenhe de semântica. Tudo para conscientizar acerca do antigo martírio da violência doméstica.
Por essas placas, mulheres são seviciadas e mortas amiúde. E não suponham que isso se dá por descaso dos órgãos oficias. Ao contrário. A polícia civil de São Paulo faz um trabalho incessante e digno de aplauso. E o faz todo santo dia.
Eu mesmo não tenho como computar quantas prisões em razão desse tipo especialmente nefasto de crime já fiz. O ministério público também não poupa esforços. Nem o legislativo, que mantém atual a tecnologia legislativa.
Ainda assim, em pleno mês de agosto – o mês elegido para conscientizar o brasileiros acerca desse problema nevrálgico – os casos pululam. Cada qual mais tristemente impressionante que o outro.
E redigo: seria injusto atribuir tal fato a uma inação dos órgãos competentes. Infelizmente, tudo parece expressão de uma insensibilidade que nos caracteriza como povo.
Infelizmente, brasileiros, parece, tornamo-nos insensíveis a simbolismos.

Dr. João – Delegado de Polícia

Parabéns ao Jornal Nacional, a Globo, a Folha e ao Estadão…Bolsonaro é um ser desprezível , medíocre , desonesto, incompetente e covarde…Neste governo o Exército do Brasil acabará ganhando a imagem de ser um seleiro de golpistas corruptos , oportunistas e incompetentes!…Sorte ainda termos um Congresso e um STF formados por civis! 6

Bolsonaro, o Covarde, diz que não tem controle, mas quer comandar ...

 

Bolsonaro quer acabar com o STF, pois assim poderá se apropriar de todo o Brasil para si , para os filhos , para os militares e milicianos!

Levantamento aponta que 41% dos Praças das PMs são olho de vidro: prendem a vítima , soltam o ladrão e acreditam na honestidade do marido da Micheque! 3

Levantamento aponta que 41% dos praças da PM no país são bolsonaristas

8.jun.2020 - PMs em ato bolsonarista em Copacabana - JORGE HELY/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

8.jun.2020 – PMs em ato bolsonarista em Copacabana Imagem: JORGE HELY/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

Igor Mello

Do UOL, no Rio

07/08/2020 08h42

Pesquisa inédita obtida com exclusividade pelo UOL mostra que parte considerável dos policiais brasileiros usa as redes sociais para interagir com páginas e grupos bolsonaristas —que por vezes propagam pautas antidemocráticas, como a defesa do fechamento do Congresso Nacional e do STF (Supremo Tribunal Federal).

De acordo com o estudo feito pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) em parceria com a empresa de inteligência de dados Decode, a adesão ao bolsonarismo é relevante sobretudo entre os policiais militares —41% dos PMs de baixa patente (soldados, cabos, sargentos e subtenentes) interagem com o grupo político do presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido).

Essa penetração é bem menor entre servidores da Polícia Civil e da Polícia Federal.

Entre os policiais apoiadores de Bolsonaro, há uma parcela que defende inclusive pautas mais radicais —12% dos PMs, 7% dos policiais civis e 2% dos policiais federais apoiam o fechamento do Congresso Nacional e do STF (Supremo Tribunal Federal). Isso representa um contingente de mais de 95,8 mil agentes de segurança pública dispostos a colaborar, segundo cálculo feito pelo UOL com base nos dados do estudo.

Isso é muito grave, porque temos um efetivo bastante grande. Pessoas armadas que representam o poder público, mas mesmo assim não sentem nenhum constrangimento de defender a ruptura das instituições que dão a eles esse poder de polícia

Renato Sérgio de Lima, sociólogo e presidente do FBSP

“A grande maioria desses comentários é de praças da PM. Eles são os verdadeiros cabos e soldados que colocam em risco as instituições”, diz Lima, referindo-se como exemplo a uma declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho de Jair Bolsonaro, durante palestra em um curso preparatório para concursos em 2018. Na ocasião, o parlamentar afirmou que era fácil fechar o STF.

Para chegar ao resultado, os pesquisadores listaram, com base em informações dos portais de transparência dos estados e da União, 885.730 policiais da ativa ou aposentados. Localizaram então os perfis no Facebook de 141.717 policiais. Foram então sorteadas como uma amostra 879 contas, obedecendo regras estatísticas semelhantes às usadas em pesquisas eleitorais, e mapeadas as interações públicas desses policiais em grupos e páginas.

O presidente do FBSP ressalta que não há problema que policiais tenham afinidade com forças políticas conservadoras, mas destaca que eles não podem flertar com ideias golpistas ou replicar discursos que configuram crime.

Não há nada de errado que esses policiais tenham adesão a ideais conservadores. O problema são esses que interagem com ambientes mais radicalizados, que não somente são conservadores, mas podem ser considerados reacionários ou sectários. Aí começa a preocupar, porque há riscos à institucionalidade democrática

Em junho, o UOL revelou que mais de 7.000 PMs aproveitaram-se de uma brecha na legislação para disputarem eleições entre 2010 e 2018. A participação de PMs na política foi turbinada nas últimas eleições presidenciais, marcadas pela onda conservadora que elegeu Bolsonaro: o número de PMs eleitos subiu de 7 para 34, enquanto o número de candidaturas cresceu 30% em relação a 2010.

Essa politização das PMs também teve reflexo na repressão de atos políticos de oposição ao presidente durante a pandemia. Documentos obtidos pelo UOL mostraram que a PM do Rio sistematicamente associou partidos políticos de oposição ao governo federal a atos de vandalismo.

Discursos homofóbicos e contra direitos humanos

Entre os policiais brasileiros, são os PMs que adotam com mais frequência discursos contra os direitos humanos e de teor homofóbico, segundo apontam os dados coletados no estudo.

Segundo o levantamento, os comentários contrários às pautas LGBTQ+ são os mais frequentes entre eles —24% de todas as interações feitas por PMs tinham conteúdo homofóbico.

Um dos comentários discriminatórios encontrados pela pesquisa teve como tema a escolha de Thammy Miranda, um homem trans, para protagonizar a campanha publicitária do Dia dos Pais da Natura. Um PM escreveu: “Tem que boicotar eles já. Como que colocam um travesti na propaganda de Dia dos Pais? Eles têm filhos?”, mostra o relatório.

Essas pautas são estimuladas por cidadãos comuns em grupos dedicados à PM. De acordo com a pesquisa, 13% das interações nesse tipo de ambiente do Facebook estimula que os policiais tenham ações mais violentas. Em três anos, esses grupos tiveram um total de 4,2 milhões de posts.

Por outro lado, o estudo identificou que há um grupo de policiais se manifestando em defesa de pautas progressistas nas redes sociais, como condenação à violência contra a mulher e combate à violência policial. Esse tipo de posicionamento em apoio a causas sociais —geralmente identificadas com a esquerda— foi constatado em 12% dos perfis de policiais civis, 6% dos PMs e 3% dos policiais federais.

Para Renato Sérgio de Lima, a existência desse tipo de posicionamento, ainda que seja minoritário, mostra que a segurança pública não é um campo monolítico em termos de posicionamento político-ideológico: “A polícia não é imutável ou pertence a um único grupo social”, contextualiza.

Em julho, o UOL mostrou que o Ministério da Justiça elaborou um dossiê sobre atividades políticas de 579 servidores federais e estaduais da segurança pública associados ao movimento antifascista..