Salário provoca êxodo de Delegados de Polícia

MATÉRIA DE CAPA DO JORNAL CORREIO POPULAR DE CAMPINAS/SP – 08/10/2007.

Publicada em 8/10/2007
Cidades

Salário provoca êxodo de delegados
Baixa remuneração em SP leva à migração para outras carreiras ou estados; déficit na região é de pelo menos 50 policiais

Carla Silva

DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
Os baixos salários, a falta de estrutura e a sobrecarga de trabalho têm provocado um efeito devastador no funcionamento da Polícia Civil de São Paulo. Ganhando pouco e trabalhando muito – na maioria das vezes em condições precárias -, o Estado está assistindo ao êxodo de delegados para outras carreiras ou para outros estados, onde a remuneração é maior. De acordo com estimativas do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, o Estado tem hoje uma defasagem de pelo menos 600 profissionais. No Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-2), que abrange 38 cidades da região de Campinas, faltam pelo menos 50, segundo estimativas do sindicato da categoria. Este ano, oito deles, a maior parte da Capital, pediram demissão para procurar oportunidades em outras carreiras jurídicas ou simplesmente para se candidatar à mesma vaga em outro Estado brasileiro. O fenômeno também atingiu quem ainda nem começou a trabalhar. Este ano, a Academia da Polícia Civil formaria 220 novos delegados, se 20 deles não tivessem pedido dispensa pelos mesmos motivos.Numa tentativa de conter a sangria, o governador José Serra (PSDB) enviou para a Assembléia Legislativa na semana passada um pacote que chamou de “valorização dos policiais” . Aprovado, o conjunto de medidas prevê reajuste salarial para a categoria de até 22,67%. Assim, o salário bruto do delegado em início de carreira passa a ser de R$ 3.680,00. Pelo pacote, os delegados que acumulam a chefia de mais de uma unidade policial receberão gratificação proporcional aos dias trabalhados no acúmulo da função.Mas a medida está longe de ser uma solução. Mesmo com o reajuste, o salário do delegado paulista está entre os dois piores do País. Só ganha da Paraíba, que paga a seu delegado o salário R$ 3,6 mil por mês. A diferença é que o Orçamento de 2006 do Estado de São Paulo foi de R$ 81,2 bilhões e o da Paraíba atingiu R$ 3,9 bilhões. Comparado com colegas de outros estados brasileiros, a diferença é gritante. O delegado que trabalha no Distrito Federal, ganha R$ 12.448,00 – remuneração similar a da Polícia Federal. No Paraná, o salário é superior a R$ 9 mil.”Estamos falando de uma carreira que exige os mesmos requisitos de um juiz, promotor, procurador do Estado, mas não recebemos como tal. Além disso, temos colegas que são responsáveis por até três distritos simultaneamente” , criticou o presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, José Mateus Leal. Para ele, o salário de um delegado em São Paulo não poderia ser menor que R$ 9 mil. Ele lembrou que 1% de todos os homicídios praticados no mundo ocorrem na cidade de São Paulo, de acordo com o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado na semana passada.O acúmulo de função à qual o sindicalista se refere é uma das causas de outro problema: o afastamento dos policiais civis, neste caso incluindo-se os investigadores, escrivães e outras funções administrativas. “Dois mil deles estão fora, em licenças médicas” , afirmou o sindicalista.Em Vinhedo, por quase dois anos, apenas um delegado respondia pela delegacia do município, Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran). Durante esse período, colegas de trabalho dele passaram pela cidade, mas não permaneciam por muito tempo. Atualmente, um delegado de Campinas foi deslocado para auxiliar o colega de Vinhedo, que mesmo assim, ainda é responsável por duas delegacias – a do município e a Ciretran.Em Campinas, não é raro encontrar um delegado que, durante o dia, atue em seu distrito policial ou delegacia especializada e, à noite, responda por um plantão. “Você tem de estar à disposição 24 horas. Você somente descansa no dia seguinte dessa maratona. Isso se não acontecer nada na delegacia que é de sua responsabilidade. Senão, temos de voltar a trabalhar” , contou um delegado.DificuldadesO delegado de um distrito policial de Campinas que não quis se identificar por temer algum tipo de retaliação, assim como todos os outros ouvidos para esta reportagem, conta como é o sua rotina. “Não é raro quando tenho que me desdobrar em três para dar conta do recado. Se eu deixar o serviço acumular, estou perdido, porque, no final do mês, tenho de dar satisfações à minha chefia” , relatou. “Quando chego, tenho de despachar os boletins de ocorrência. Isso significa analisar cada um deles para saber se instauro inquérito, arquivo, convoco pessoas para prestar depoimento e por aí vai” , contou.Paralelamente a esse trabalho, é necessário atender as pessoas que procuram a delegacia. “Muitas vezes, as orientações não são criminais. Boa parte delas são referentes a problemas relacionados à defensoria pública ou defesa do consumidor” , disse o delegado. A isso, muitas vezes, é somado o fato de ele ainda ter de estar à frente de um flagrante policial ou inquéritos. No caso do 1 Distrito Policial, por exemplo, há 2.453 inquéritos instaurados, divididos entre quatro delegados. Cada um trabalha em média com 600 deles. Se forem contabilizados os boletins de ocorrências e termos, esse número aumenta para 750.Nas delegacias especializadas, a realidade é um pouco diferente. “Não fazemos atendimento ao público, pois o principal foco é a investigação. Hoje, chego para uma equipe de investigação e passo um caso para ser solucionado. Amanhã, é outro e, no final do mês, são dezenas. Não trabalhamos como a polícia federal, que muitas vezes fica meses em cima de um único crime” , relatou outro delegado, em tom crítico. “A criminalidade cresceu e nós não acompanhamos. Por isso, há casos que, quando não são investigados por falta de estrutura ou policiais, ficam mal feitos” , afirma.

CONCURSO Resposta

A Polícia Rodoviária Federal publicou o edital do concurso que prevê 340 vagas – 194 serão para o estado do Pará e 146 para Mato Grosso. O salário é de R$ 5.084,00 para trabalhar 40 horas semanais.

RESPOSTA DE UM DOS MILHARES DOS INJUSTIÇADOS E HONESTOS ESCRIVÃES DESTE ESTADO

Sr. Ruberval…
Não gostei de suas afirmações.
Meu nome é Júlio Ricardo Zeferino, sou Escrivão de Polícia 4ª classe lotado no 2º D.P. de Cubatão.
Esclareço ao senhor que meus meus vencimentos e os da minha esposa, são sufientes para mantermos uma vida digna e honesta. Moramos em uma pequena casa muito humilde no bairro Macuco em Santos e possuimos um Fiat Elba ano1993, o qual adquirimos antes que eu entrasse para a Polícia.
O Sr. foi leviano em suas afirmações, pois chamou à todos os agentes policiais de corruptos e ladrões.
“Não se tem notícia de algum agente policial, independente de cargo ou função, que more em uma casa simples. De onde vem tanto dinheiro que abastece as contas bancárias destes Servidores Públicos?”
Existe um verdadeiro exército de “Julios” na Polícia, disso o sr. pode ter certeza.
Se hoje a Polícia está assim, não é culpa dos Policiais e sim do sistema que se arrasta por mais de 30 anos e o sr. e mais uns outros milhares, senão milhões, foram causa disso.
Vou lhe fazer uma pergunta, mas gostaria que o Sr. responde à si mesmo…de cara no espelho…O sr. nunca deu ou ofereceu um trocadinho para o guarda???? Ou disse…”vamos conversar….” Se não…de que planeta o sr. veio?
Sem hipocrisia amigo…
Mas cuidado com suas palavras, pois o que o sr. disse no “Estado”, pode lhe render uma avalanche deprocessos.

Terminou o curso na Acadepol: Virou ladrão? – Corregedoria independente ou morte! 17

Nunca foi novidade!
Dom 07/10/07 08h19 ruberval , ruberval@estadao.com.br
Terminou o curso na Acadepol: Virou ladrão!Isto não é novidade. Todos sabem e nada fazem. Mas o que se esperar de um Delegado de Polícia que, quando era plantonista em uma delegacia qualquer, se beneficiava de dinheiro vindo de corrupçã e acharques. Basta ir até qualquer Delegacia de Polícia para elaborar um simples Boletim de Ocorrência que logo será convidado a contribuir com alguma coisa. Sempre foi assim mas nos últimos tempos tem piorado muito.Não se vê um agente policial, independente de cargo ou função, que não possua um veículo considerado acima dos chamados “carro populares”. Não se tem notícia de algum agente policial, independente de cargo ou função, que more em uma casa simples.De onde vem tanto dinheiro que abastece as contas bancárias destes Servidores Públicos?Não há o menor interesse dos Corregedores em apurar os fatos que envolvem policias corruptos. Basta tentar saber o que aconteceu com os policias que foram “filmados” na região conhecida como CRACOLANDIA acharcando e espancando.
O leitor de O Estado exagera quando fala que a maioria possui carros e casas acima do que se classifica como “populares”.
Também, ao afirmar terminou a academia virou ladrão.
Talvez desconheça a realidade da grande maioria dos policiais civis deste Estado.
A maioria paga aluguel de casa simples.
Mas que a Corregedoria-Geral fez “olho- de- vidro” para os grandes esquemas de corrupção não há quaisquer dúvidas. Faltou-lhe independência; além do enfraquecimento do Corregedor-Geral quando da criação da aludida Delegacia-Geral adjunta. De segunda autoridade na hierarquia policial passou a mero diretor de departamento.

Só na Seccional de Santos!- 4a. classe faz correição em Unidades de 1a. classe 17

Se servir pro teu blog, use, já que é uma vergonha !
Como vc. sabe o Paulinho é assistente e 4a. classe, então, nas correições, como o Arakaki está de licença, o Paulinho se reveza com a Míriam e faz a correção de fato.
Ou seja, ele verifica todos os procedimentos e livros e depois o Brito, Seccional, vem e carimba. A Míriam como 2a. classe pode ser comissionada e chefiar uma unidade, agora ele !
Ora, como um 4a. classe pode correicionar uma unidade policial ?
É a mesma coisa que o cabo fiscalizar o Capitão, só que na PM isso não ocorre, por isso que eles estão mil anos na nossa frente.

A IRREGULARIDADE EM QUESTÃO – TÍPICA DO NEPOTISMO – IMPLICARIA, PELA HIERARQUIA MILITAR, EM 1º tenente supervisionando os trabalhos de diversas companhias e batalhões. Será que ninguém representa em virtude de o Delegado em questão ser filho de vereador e irmão de deputado estadual?

"ONDE ESTÁ A POLÍCIA?" 17

ONDE ESTÁ A POLÍCIA????” Luciano Hulk
PREZADOS AMIGOS, Com esta indagação, o empresário e apresentador, LUCIANO HUCK, da Rede Globo, postou em Jornal de grande circulação em São Paulo, usando (e abusando) de sua influência (pessoal e econômica), um artigo, em que “clama” pela Polícia, exige a “Tropa de Elite”, e pede a presença do “Capitão Nascimento”…Na semana passada, o famoso empresário, teve seu ROLEX roubado, em um sinal de trânsito, por um motociclista, que emparelhou com seu veículo, apontou um revólver 38 para sua cabeça, e exigiu a entrega do relógio. E para meu “espanto”, alega o apresentador, que “está na hora de discutir Segurança Pública”…É engraçada a capacidade de certas pessoas, de só olhar o próprio umbigo. Enquanto “os outros” são roubados em sinais, nas ruas, nos ônibus, tudo bem… Bastou o Sr Huck ser vítima de um crime, que aliás, pelo menos aqui no Rio, acontece a séculos, para ser “hora de discutir Segurança Pública”… SERIA MESMO CASO DE SEGURANÇA PÚBLICA, Sr. HUCK ????Em primeiro lugar, a Polícia no Brasil é POLÍTICA. Seja no âmbito federal ou estadual, é POLÍTICA, e como tal, faz POLÍTICA DE ESTADO !! Então eu pergunto, a questão seria, “ONDE ESTÁ A POLÍCIA”, ou ONDE ESTÃO OS POLÍTICOS, Sr. HUCK ??? É claro que é mais fácil falar mal da Polícia, não é mesmo, Sr. HUCK ??”A Polícia não faz nada”, ou “a Polícia não prende”, é o que estes “babacas” mais falam, quando perdem um reloginho, ou um brinquedinho importado… Esquecem que tal qual a “banana”, a Polícia prende sim !!! Mas tal qual o ”mamão”, quem solta estes vermes na rua, é a JUSTIÇA !! E por que o Sr. HUCK, não questiona o “poder laxativo dos mamões”, em seu artigo ??? Porque falar mal da Polícia, é mais fácil !! E além de ser mais fácil, não dá processo, e nem dor de cabeça.Deveria o Sr. HUCK observar mais seus pares, os ARTISTAS, como o Sr. ANTHONY, por exemplo, o Sr. D2, Dona NARCISA, BONINHO, e tantos outros, que sustentam o tráfico com seu vício… Ou alguém duvida que o aumento da violência esteja ligado as drogas ??? SEGUE…..
Alguém tem dúvidas de que o “brinquedinho” do Sr. HUCK não esteja a esta altura em alguma “boca de fumo”, trocado por pó ??MEUS AMIGOS, não estou aqui para questionar a violência, e o infortúnio porque passou o Sr. HUCK, ou minimizá-la… Até porque, caso o assaltante, num ato de covardia extrema, atirasse, o Sr. HUCK deixaria órfã uma inocente criança, uma jovem viúva, e não veria o nascimento de seu segundo filho. E aí eu pergunto, quantos pais de família, EM SITUAÇÃO FINANCEIRA MUITO PIOR QUE A DO Sr. HUCK, deixam suas famílias órfãs em assaltos, em crimes cometidos que tem a droga como “pano de fundo”, só para que o “playboyzinho”, o “artista”, possa enrolar seu baseado ???Reclama o Sr. HUCK em seu artigo, que Bogotá, na colômbia, melhorou muito, e eu até concordo !! Esquece o Sr. HUCK, que lá não existe uma REDE GLOBO, celeiro de excelentes “figuras humanas”, como diria FAUSTÃO, a endeusar figuras como o Sr. ANTHONY, que pego em uma boca de fumo no Rio Grande do Sul, ganha de presente um papel de destaque na novela das oito, como bonzinho, é claro, o “MAITRE VIRIATO”, e de quebra, ainda o aval do DESEMBARGADOR SIRO DARLAN, no Programa do FAUSTÃO, atestando sua capacidade de pai, em um processo controverso de adoção, conseguido através do poder econômico, e da mídia, leia-se REDE GLOBO.Lá em Bogotá, não existe uma REDE GLOBO, a endeusar MARCELO D2, ou MV BILL, que quando em entrevista em uma favela carioca, sabedor de um sequestro em andamento no local em que estava, não comunicou as autoridades… QUEM DERA O SEQUESTRADO NÃO FOSSE ALGUM EXECUTIVO DA GLOBO !!!!!!!!!Lá em Bogotá, não existe uma REDE GLOBO, a manter um artista trabalhando junto a jovens, mesmo após ter sido pego em flagrante com drogas, e reincidente, o Sr. CHARLES PARAVENTTI. É por essas e outras, Sr, HUCK, que nunca chegaremos a ter a “paz” que reina na prodigiosa Bogotá….

Engana-se o AMIGO LEITOR, se imagina que eu seja contra os artistas da GLOBO… NADA DISSO !!!! O que eu não gosto, é de “babaquinhas” que acham tudo “moderno”, tudo ‘bonitinho”, tudo “politicamente correto” mas na hora em que a “PICA ENTRA”, fica chorando pelos quatro cantos, colocando a culpa em tudo e em todos…. PRINCIPALMENTE A POLÍCIA, A PRIVADA DA SOCIEDADE !!MEUS AMIGOS, A hora de se discutir Segurança Pública, já passou há muito tempo, Sr. HUCK… SÓ O Sr. QUE NÃO VIU !!!A hora agora, é da MÍDIA, da qual o Sr. HUCK tb faz parte, parar de “endeusar” bandidos, traficantes, e afastar da Mídia, aqueles que tem comprovada ligação com drogas, com o tráfico… senão Sr. HUCK, não haverá “Capitães Nascimentos” suficientes para dar jeito na situação …..Este texto eu li na comunidade “TROPA Do Wagner Montes” e achei relevante citá-lo aqui na comunidade, temos que divulgar aos “quatro cantos” o que está acontecendo com o nosso Brasil!

Resposta do ex-capitão do BOPE Capitão Pimentel:
‘Não há contrato social que permita ter rolex’
Nós estamos todos juntos nessa luta para ter uma polícia mais bem preparada, elucidativa, investigativa e cidadã. Temos certeza disso. Agora, sei que você não defende a polícia do capitão Nascimento, porque essa é a polícia da tortura, do saco plástico, da execução extrajudicial. Você diz, no entanto, que pensa em escolher entre mais e melhores escolas ou a polícia do capitão Nascimento. Eu quero propor um meio termo: as escolas, sim, mais preparadas, as políticas sociais entrando nos morros e áreas carentes, e uma polícia profissional, de dar orgulho ao brasileiro. Todos nós sabemos que não há contrato social no Brasil hoje que possibilite a alguém andar com tranqüilidade com um Rolex. A riqueza virou `crime´. Inverteram os valores, amigo Huck: trabalhar e ganhar dinheiro honestamente te torna alvo do banditismo. Por isso, temos de estar juntos em defesa de uma polícia mais bem paga, mais bem preparada.A gente sabe que não é o caso da polícia do capitão Nascimento e todos sabemos por que ele está se tornando um herói – apesar do José Padilha, de mim, do Mantovani jamais termos pensado em colocar heróis no filme `Tropa de Elite´. Heróis já existem na vida real – são os policiais honestos, que precisam todos os dias enfrentar uma corporação falida e um sistema viciado. Heróis são trabalhadores mal remunerados, que passam fome, mas não aderem ao crime. Meu amigo Huck, tenho certeza de que um dia nós vamos chamar a tropa de elite e vamos ser atendidos. Ou, melhor ainda, nem vamos precisar chamar a tropa de elite. Não estaremos em pânico para tanto. Você é um cara do bem e, tenho certeza, vai saber tirar deste episódio triste (para os dois lados) a força para continuar a fazer o que você já faz, que é dar o melhor para um País que ainda tem futuro.
Ex-capitão do Bope e roteirista de `Tropa de Elite´, em resposta a artigo de Luciano Huck publicado na `Folha de São Paulo.”

CONCLUSÃO: quando o assunto for caça-níqueis e jogatina em geral, os instrumentos hierárquicos não merecem confiança 1

Corregedoria e Polícia Civil negam falta de respaldo à ex-delegada
São José dos Campos
O corregedor-geral da Polícia Civil do Estado de São Paulo, Ruy Estanislau Silveira Mello, disse que a Corregedoria-Geral, em todos os momentos em que ex-delegada Audrey Kanaan de Oliveira Sampaio precisou, foi disponibilizado o “respaldo total” à atuação da então delegada-assistente da Corregedoria da Polícia Civil de São José dos Campos.”Ela (Audrey) sempre teve total respaldo da Corregedoria-Geral, ela teve o respaldo total de São Paulo, através da Corregedoria Auxiliar de São José e do delegado divisionário das Corregedorias Auxiliares, dr. Francisco Alberto Souza Campos”, afirmou.O corregedor-geral negou represálias após a apreensão de máquinas caça-níqueis em São José.”De tempos em tempos, o diretor faz mudanças, não está contente com alguns trabalhadores dele e resolve trazer outros de confiança. É (saída de Dini) rotineira, se o diretor não concorda com um subordinado, ele troca”, disse Silveira Mello, que negou ter feito um acordo para transferir Audrey após a apreensão das máquinas, em outubro de 2004.Ele confirmou que a sala de reconhecimentos da Corregedoria-Geral não foi disponibilizada para o reconhecimento dos policiais. “Havia uma ordem judicial para que fosse feito na Corregedoria de São José”, declarou.
POLÍCIA CIVIL – O diretor do Deinter-1 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior), Claudinê Pascoetto, negou que tenha feito um acordo para que Audrey fosse transferida. “Nunca pensei em transferí-la, ela não é minha subordinada”, afirmou.
Segundo o diretor do Deinter-1, ela não poderia ser transferida por ser casada com um funcionário público.Pascoetto afirmou que não haverá tolerância quanto a irregularidades praticadas por policiais civis.”Eu sofri pressão, inclusive doValeParaibano, pela transferência de 14 policiais civis (em janeiro). Eu não transijo e não vou transigir. Quem não seguir na linha, está fora”, declarou.A pressão citada pelo diretor do Deinter-1 se refere ao fato de o jornal ter publicado matérias relatando a decisão da polícia em transferir os policiais.O delegado seccional de São José, Djahy Tucci Júnior, afirmou que foi dado à doutora Audrey o apoio necessário. “Eu dei todo o apoio, tudo que pediram de apoio, foi dado”, afirmou.”Foi uma moça que foi ouvida na seccional e não pelo delegado seccional. Não a conheço, ela foi acompanhada por dois advogados e o expediente foi entregue para a Corregedoria-Geral.”O delegado-corregedor de São José, Paulo Roberto Galvão, declarou que não comentaria o assunto. O ex-delegado divisionário das Corregedorias Auxiliares de São Paulo Emerenciano Dini e o ex-ouvidor da Polícia do Estado, Itajiba Cravo, não foram localizados para comentar o assunto.

A CORREGEDORIA – GERAL DA POLÍCIA CIVIL (nada confiável segundo o relato abaixo) 2

Bastidores do Crime
Ex-delegada acusa boicote da Polícia Civil
Reclamando de falta de apoio, a mulher que durante dois anos comandou investigação contra policiais deixa o cargo
São José dos Campos
Após oito anos na Polícia Civil, a advogada Audrey Kanaan de Oliveira Sampaio, 32 anos, pediu exoneração do cargo de delegada-assistente da Corregedoria da Polícia Civil de São José dos Campos na última quinta-feira.Na prática, ela deixou os quadros da Polícia Civil. Durante dois anos, ela comandou um inquérito que culminou com a prisão temporária de sete policiais civis da cidade e um advogado de Pindamonhangaba.Em entrevista ao ValeParaibano, a ex-delegada rompe o silêncio e afirma ter sofrido um “boicote” da própria Polícia Civil durante os dois anos de investigação do caso, que apura o suposto envolvimento de policiais civis em crimes de extorsão mediante sequestro, tortura, tráfico de drogas e concussão. “Saí para manter meus princípios”, declarou.Leia abaixo os principais trechos da entrevista:ValeParaibano – Qual foi o motivo que a levou a pedir exoneração do cargo?Audrey Kanaan de Oliveira Sampaio – Estava havia dois anos na Corregedoria e, desde sempre, claro, minha função seria fazer investigações de abusos cometidos por policiais, crimes cometidos por policiais. E desde então, sempre sofri uma pressão velada, nunca tive ameaças diretas, nunca.Mas tinha constantemente informações confiáveis, algumas vindas até de integrantes mesmo da polícia com quem eu tenho contato, no sentido que eu tomasse cuidado porque iriam me prejudicar profissionalmente.Por exemplo: me remover da Corregedoria e me colocar subordinada à polícia local, que a própria Corregedoria investiga.E que também, agora, mais ao final dessas investigações, que iriam inclusive atentar contra a minha vida e a do meu marido, que é juiz de Direito da 3ª Vara Criminal aqui (São José).Bom, então não houve um fato isolado, isso veio vindo, nunca dei ouvido a isso, mas começa a tomar um volume.Por exemplo: ano passado, outubro de 2004, oValeParaibano até cobriu uma matéria na qual apreendemos 169 máquinas caça-níqueis aqui em São José.Coincidência ou não, no dia seguinte à apreensão dessas máquinas em São José pela Corregedoria, o delegado divisionário das Corregedorias Auxiliares em São Paulo [Emerenciano Dini], que é superior direto da Corregedoria Auxiliar daqui, caiu.No dia seguinte, ele foi transferido e se encontra no DAP (Departamento de Administração e Planejamento).Coincidência ou não, algumas semanas, duas semanas depois dessa apreensão de máquinas caça-níqueis, tentaram efetivamente me tirar da Corregedoria.Seria um acordo entre o corregedor-geral em São Paulo [Ruy Estanislau Silveira Mello] e o diretor do Deinter-1, Claudinê Pascoetto, de me “permutarem” com uma delegada aqui de São José, do plantão. Ela viria para o meu lugar e eu iria para o plantão de São José.Isso só não foi consumado, a minha transferência, que seria uma espécie de punição, só posso inferir isso, por conta de eu ter procurado o ouvidor da polícia, na época o dr. Itajiba Cravo, e ele, consciente de tudo que estava acontecendo aqui, até porque ele estava acompanhando pessoalmente, se empenhando para acabar com esse escândalo dos caça-níqueis, ele interviu e isso foi revertido.Então isso não é só alegação, pode ser comprovado com o dr. Itajiba e com o próprio divisionário que caiu, dr. Emerenciano Dini. Ele foi testemunha de toda a pressão que eu sofri e ele, inclusive, sofreu na pele e caiu naquela oportunidade.Era o dr. Emerenciano Dini, em São Paulo, que dava respaldo para nós delegados aqui da Corregedoria Auxiliar atuarmos. Ele nos dava total respaldo, falava: “vá em frente, tem máquina? apreendam, qualquer coisa eu estou por trás de vocês”, e ele caiu, perdemos nosso maior respaldo.Agora, há duas ou três semanas, o dr. Israel Dias Antunes, delegado-assistente da Corregedoria, foi removido pelo titular, dr. Paulo Roberto Galvão, sem qualquer motivação, sem nada, simplesmente transferido, removido de lá.ValeParaibano – Com relação a essa investigação, quais as pressões que a senhora sofreu?Audrey Kanaan – Essa investigação começou em 2003, através de uma denúncia, houve uma investigação paralela do Ministério Público, que eu nem tinha conhecimento.Essa investigação (do MP), mandada para mim, unida com a minha, frutificou. Nós conseguimos ir adiante, ouvimos muitas pessoas e redundou até na prisão em flagrante desses policiais.Bom, eu relatei esses autos no final de maio, dia 30 de maio, 31 de maio eu mandei para Justiça. Saíram as prisões no dia 2 de junho, à noite. Dia 3 de junho, o dr. Paulo recebeu os mandados para cumprimento.Os senhores têm acompanhado que tem até um procedimento do MP para apurar um eventual vazamento na informação com relação às prisões. No dia 3, um policial se apresentou, Marcos Rodolfo [dos Santos], o “Skinhead”.Se apresentou na seccional e qual não foi minha surpresa quando eu fiquei sabendo no final da tarde, que havia uma testemunha na seccional sendo ouvida pela Delegacia Seccional, que imputava, conforme boatos, coação à minha pessoa.Ela (testemunha) teria sido coagida para prejudicar os policiais ou coagida para não mudar o depoimento em que prejudicava policiais, (coagida) por mim.Então isso é um absurdo, é ilógico e pode ser comprovado nos autos. Infelizmente os autos agora estão sob sigilo, decretado pelo juiz e até pelo meu dever funcional de sigilo, eu não posso revelar.Posteriormente, assim que tiverem acesso aos autos, vocês (imprensa) vão poder confirmar isso.Essa testemunha foi lá (Corregedoria) em um primeiro momento, acusando vários policiais por diversos delitos gravíssimos e, algumas semanas depois, voltou, acompanhada de um advogado retificando tudo que havia dito.Está nos autos, ela foi ouvida novamente, alterando tudo que havia dito antes, falando que havia dito (denúncia) por pressão de um bandido tal. Tranquilo, a ouvi da mesma forma que ouvi da primeira vez.Então isso foi um absurdo, primeiramente porque: de onde surgiu essa testemunha que foi depor na seccional no dia da prisão?Ué, o inquérito não estava correndo sob sigilo? As prisões não deveriam ter sido até então sigilosas, independente do vazamento que houve, ou não? Como que ela (testemunha) surgiu lá? Por quem ela foi levada?A seccional a ouviu lá sem nenhum inquérito, não havia nenhum procedimento instaurado para aquela oitiva. Então, isso já me decepcionou, me desiludiu. Bom, passando adiante. Há duas, três semanas o dr. Israel foi embora.E a gota d’água foi agora esse reconhecimento pessoal. O que aconteceu? Quando os autos voltaram do Fórum já com as prisões decretadas, havia uma determinação judicial a pedido do MP de que todos os policiais fossem presos e submetidos a reconhecimento pessoal por todas as vítimas.Não só os policiais que tiveram decretada sua prisão, como outros que tiveram menção nos autos, suspeitos.Bom, ordem judicial cumpre-se, não se discute. Nós não temos na Corregedoria uma estrutura para diligências desse vulto, eram 13 policiais mais um advogado, mais inúmeras pessoas para compor número para o reconhecimento nas formas da lei, 12 vítimas e testemunhas para fazer o reconhecimento, dentre as quais três presos, que iriam vir com três escoltas diferentes de vários presídios, havia testemunhas fora do município, fora da região.Diante disso, a necessidade de fazer um ato desse vulto, dessa complexidade e da falta de estrutura, eu consultei o meu chefe.Formalmente, está nos autos um ofício, sobre como proceder, para ver se ele me indicava um local apropriado para isso. Ele me respondeu, por ofício, que eu indicasse um local porque ele não tinha.Então, eu contatei a Corregedoria-Geral em São Paulo, fiz um contato lá, explicando todo o caso, expondo as dificuldades e questionando sobre a disponibilização de uma sala lá para esse ato.Nós sabíamos que há uma sala lá própria para reconhecimento, com vidro apropriado, não permite o reconhecedor ser visto…consultei e qual não foi minha surpresa quando ouvi a resposta que cada um deveria se virar com a estrutura que tem. Que desconheciam qualquer sala, mas também que eu tinha que me virar.O que eu fiz? Vou me virar. Comecei a me virar, falei: “bom, vai ser na Corregedoria mesmo, não tinha outro lugar”.Fizemos o reconhecimento das 10h até as 17h30 em um banheiro de dois metros por três no máximo, um cubículo, a testemunha em cima de um banquinho, o vitrô fechado por papelão, um buraquinho no papelão, eu em outro banquinho, ao lado do vaso sanitário, equilibrada o dia inteiro se contorcendo naquele banheiro.O reconhecimento foi acompanhado por 5 promotores e 12 advogados, todos para dar legitimidade ao ato. Tinha mais de 70 pessoas dentro da Corregedoria.Fiz do jeito que dava. Apesar de toda a dificuldade, de toda essa falta de respaldo, isso eu posso adiantar, que o reconhecimento foi um sucesso. Foi de acordo com a prova que estava sendo formada nos autos, só veio a somar com a prova.Apesar de tudo isso, deu tudo certo. Isso graças ao apoio, exclusivo do MP e da Magistratura, da minha instituição, não.O que aconteceu com a minha instituição. Dia 24 (junho), uma sexta-feira, o reconhecimento era na terça, dia 28, o dr. Paulo Galvão, meu titular, vem com um ofício no qual ele determina que eu altere o lugar do reconhecimento para a Delegacia Seccional.Na hora, eu me desesperei. Como é que vou intimar todo mundo? É inviável intimar todo mundo, numa sexta-feira à tarde para a segunda-feira, às 9h, que as testemunhas deveriam reconhecer.Estava tudo preparado (terça-feira na Corregedoria), todo aparato montado, com todas as dificuldades e limitações que a gente tinha e, de repente, o dr. Paulo, após um acordo com o dr. Tucci [Djahy Tucci Júnior, delegado seccional de São José], vem e determina que eu faça na seccional.Além da impossibilidade de intimar todo mundo e prejudicar o ato, não ia dar para intimar, ainda teria o problema de, em sendo na seccional, as vítimas e testemunhas teriam receio de comparecer e, comparecendo, iriam ter receio de reconhecer. Nenhuma testemunha iria se sentir à vontade, não é um local neutro.O reconhecimento, que era a finalização de dois anos de uma investigação árdua, só não foi prejudicado porque eu, recebendo essa determinação do dr. Paulo Galvão, eu oficiei para o juiz da causa, Eduardo Sugino, da 2ª Vara (Criminal) de Taubaté, comunicando que estava sendo determinado por meu superior hierárquico que mudasse o local, sendo que imediatamente o dr. Sugino me mandou, por fax, um ofício determinando, aí com ordem judicial dele, que o local fosse mantido na sede da Corregedoria, porque todo mundo já estava requisitado e intimado.Por isso que falo, que graças à Magistratura e ao MP, o inquérito pôde se encerrar de uma forma lógica e imparcial. Não tivemos em momento algum respaldo de ninguém da instituição, seja o nosso superior direto, seja a Corregedoria em São Paulo.
Alex Brito/28JUN2005

AUMENTO! 34

Gente saiu o nosso tão esperado e “incrível” aumento, foram tantas conversações, tantas discussões que parecia que mudaria a vida de todo mundo, mas por incrível que parece, para a nossa “surpresa”, ele foi o que foi.

O “aumento!” será a partir de setembro (retroativo) e ficará na enorme soma de R$ 100,00 a R$ 140,00 (para os policias de segunda classe), investigadores e praças incluídos e de R$ 700,00 a R$ 900,00 (para os policias de primeira classe), delegados e oficiais.
Os aposentados e pensionistas!? Coitados, estes são policias de terceira classe, para eles só o bagaço da laranja.

Dois detalhes não se pode deixar de comentar ainda:

1º – As entidades de classe parecem somente se preocupar com a mensalidade de seus associados, pois nas discussões que se seguiram na Assembléia Legislativa só foi vista por esse que vos fala o pessoal da Baixada Santista, fora eles nem sinal de associações e sindicatos, se com pressão os trabalhos já não são assim tão efetivos, imagine-se sem ela;

2º – Há de se destacar e elogiar a figura do Deputado Major Olímpio, uma voz solitária na defesa ferrenha das condições econômicas da classe policial.

Abraços.

Paulo

AUMENTO PARA QUEM NÃO PRECISA

CCJ aprova aumento salarial para ministros do STF
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou nesta terça-feira, por unanimidade, aumento de 3,14% no teto salarial de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), referente à reposição da inflação em 2006.
A decisão, que ainda terá que ser aprovada no Plenário da Câmara, se estende a todo o Judiciário, com forte impacto no orçamento do governo.
O projeto de lei enviado pelo STF em julho de 2006 previa 5% de reposição da inflação sobre o teto salarial dos ministros.
Atualmente, o salário dos ministros é de R$ 24,5 mil. Com a reposição de 3,14% concedida pelos deputados, o salário mensal dos ministros do STF sobe para R$ 25.269.

E PARA POLÍCIA 0%.

PARECE QUE O ANIVERSARIANTE, ESTÁ ESCONDENDO A CABEÇA NO BURACO PARA VER SE O PERIGO PASSA !

Na mitologia popular, o avestruz é famoso por esconder sua cabeça na areia ao primeiro sinal de perigo. O escritor romano Plínio o Velho é notado por suas descrições do avestruz em sua Naturalis Historia, onde ele descreve o suposto hábito dos avestruzes de esconder a cabeça em arbustos. Nunca houve observações registradas deste comportamento e um contra-argumento comum a isto é que uma espécie que exibisse tal comportamento não sobreviveria por muito tempo. O mito pode ter surgido do fato de que, de uma certa distância, quando avestruzes se alimentam eles parecem estar enterrando sua cabeça na areia pois eles deliberadamente engolem areia/pedras para ajudar a esmagar sua comida. Quando deitados ou se escondendo de predadores, eles são conhecidos por deitar sua cabeça e pescoço rente ao chão. Quando ameaçados, avestruzes fogem, mas podem também ferir seriamente seus inimigos através de coices por meio de suas poderosas pernas.

A farsa da avaliação de desempenho Resposta

A farsa da avaliação de desempenho
CARLOS GIANNAZI
O governo precisa é valorizar o magistério, garantindo de fato evolução funcional e salário condizente com a importância do cargo
O ARTIGO publicado neste espaço no último dia 21 pelo secretário de Estado de Gestão Pública de São Paulo, Sidney Beraldo, anuncia a intenção do governador José Serra de implantar no funcionalismo público a alardeada avaliação e remuneração por desempenho, concebida por alguns governos como a grande panacéia que solucionará a crise que há muito vem prejudicando a população usuária dos serviços públicos e de seus servidores no Brasil. Crise representada pela falta de investimento na valorização salarial e na formação continuada, nas precárias condições de trabalho, de infra-estrutura material e humana e, ainda, na constante tentativa de governantes e setores da elite econômica de eleger sempre os servidores públicos como o “bode expiatório” da falência do Estado e da crise fiscal. O secretário, adepto e influenciado por uma visão empresarial, de mercado e neocolonial, tenta justificar a “nova” metodologia pelo receituário neoliberal, até querendo, equivocadamente, comparar a realidade brasileira com a de países anglo-saxões. A cobaia da experimentação será a área da educação, em que os professores recebem salário-base médio de R$ 680 e trabalham em condições extremamente precárias, com superlotação de salas de aula, falta de material pedagógico e humano, excessivas e longas jornadas de trabalho, adoecimento, desgaste emocional e, somando a tudo isso, uma vertiginosa violência a massacrar todos no ambiente escolar que, por princípio, deveria ser o lugar da construção da civilidade. As políticas salariais de bônus e gratificações adotadas nos últimos anos pelo próprio governo tucano não só fracassaram como também destruíram a carreira do magistério paulista, tendo como conseqüência o que revelou a última avaliação do MEC, classificando a rede estadual de São Paulo como uma das seis piores do Brasil. Como exigir melhor desempenho dos professores em condições aviltantes de trabalho? Sabemos muito bem o que está por trás da proposta de remuneração por desempenho: não dar reajuste para os servidores, legitimar o desrespeito à data-base, que já venceu em 1º de março, fortalecer o controle e a punição e ainda culpar os professores pelo fracasso escolar. O governo precisa é valorizar a carreira do magistério, garantindo de fato evolução funcional e salários condizentes com a importância do cargo, a fim de estimular os atuais professores e atrair outros que gostam e querem sobreviver da docência. Para tanto, perdoem-me o necessário trocadilho, é preciso ter decência. Por isso, faz-se necessária, sim, uma avaliação, mas do desempenho deprimente e inócuo das políticas salariais adotadas para os servidores públicos, em especial os da rede estadual de ensino, já que serão eles as primeiras vítimas do experimento tecnocrático que trata os educadores como trabalhadores de uma empresa, de um banco e/ou aqueles que labutam por produção. O trabalho com educação é absolutamente distinto e obedece a outra lógica, muito diferente da empresarial, fabril, de linha de montagem. Educação é um processo contínuo, permanente e interativo, no qual, além de conteúdos, são trabalhados valores éticos, habilidades, visão de mundo, competências, formação da cidadania crítica, respeito ao bem social comum, solidariedade humana etc. Isso não se mede ou se afere com estatísticas lineares, índices mercadológicos ou métodos da “qualidade total”.A sanha avaliativa -representada por avaliações externas, como Saresp, Prova Brasil, Saeb, Enem (o ex-Provão) e as novas Provinha Brasil, criada pelo PED, e a Prova São Paulo, da Prefeitura de São Paulo- fornecerá os critérios para premiar professores e escolas que atingirem as metas requentadas anunciadas recentemente pela Secretaria Estadual de Educação. Uma delas é a implantação do ensino fundamental de nove anos, que não é meta do governo estadual, e sim obrigação constitucional já incorporada pela Lei de Diretrizes e Bases. Só para citar mais uma, a implantação da recuperação, que já existe, é inerente ao processo ensino-aprendizagem e também figura na LDB. Chega de avaliações. A educação já está com overdose delas. O que ela precisa, com os professores, é de mais investimento. Para isso, o governador José Serra poderia oferecer um bom exemplo de desempenho e um interesse em solucionar a grave crise que assola a educação estadual orientando a sua base governista na Assembléia Legislativa para derrubar os vetos do seu próprio partido às emendas que aumentam os recursos para as escolas públicas do Estado de São Paulo.
CARLOS GIANNAZI, 45, mestre em educação pela USP e diretor (licenciado) de escola pública, é deputado estadual (PSOL), membro da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa de São Paulo.

GRÃO DE AREIA

Um pequenino grão de areia
Que era um pobre sonhador
Olhando o céu viu uma estrela
Imaginou coisas de amor.
Passaram anos, muitos anos

Ela no céu, ele no mar
Dizem que nunca o pobrezinho
Pôde com ela se encontrar
Se houve ou se não houve alguma coisa entre eles dois

Ninguém soube até hoje explicar
O que há de verdade é que depois, muito depois,
Apareceu uma estrela no mar

O MINISTÉRIO PÚBLICO NOS QUER ETERNAMENTE SOB A DITADURA DA CORRUPÇÃO?

Ministério Público e polícia disputam poder.
Procurador ameaça com ação no STF; delegado diz existir casta intocável.
Fausto Macedo

“Se a PEC da polícia passar, no dia seguinte vai ser alvo de ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal”, avisou ontem o procurador de Justiça José Carlos Cosenzo, presidente da Associação dos Ministérios Públicos (Conamp). Segundo ele, “a PEC vai criar um trem da alegria inimaginável, porque outras carreiras policiais, civis e militares terão reajustes automáticos de vencimentos e isso vai criar um grande problema para todos os governadores”.”Isonomia de salários é a meta”, bradou Amaury Portugal, presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Federal em São Paulo. “A PEC restabelece um regime jurídico que, na década de 1990, igualava salários de delegados federais e procuradores da República”, afirmou.Segundo Portugal, “embora os delegados exerçam funções típicas das carreiras jurídicas (juízes e promotores), não são reconhecidos por essa qualidade, o que reflete no seu regime salarial”. Ele assinala que um procurador da República “ganha no ápice da carreira cerca de R$ 25 mil, mais adicionais e gratificações”.Delegado da PF em final de carreira, explica Portugal, ganha R$ 15 mil. “Todas as gratificações, adicionais de periculosidade e ganhos por sentença judicial, além de outras verbas dos delegados, foram suprimidas pela implantação do subsídio como forma de salário cheio”, argumenta o presidente do sindicato federal. “A diária de um policial federal é vergonhosa, R$ 120, e nunca é paga adiantadamente como manda a lei. O governo é o que mais burla a lei e não cumpre seus compromissos.”O líder dos delegados federais acusa promotores e procuradores de quererem “formar uma casta intocável, com os privilégios de carreira jurídica e altos salários”. “Não aceitamos essa postura do Ministério Público, como também somos manifestamente contra a sua ingerência na investigação criminal, que é prerrogativa do delegado”, ataca.Cosenzo rebate: “A PEC 549 é um contra-senso porque os delegados reconhecem o poder de investigação do Ministério Público.” De acordo com o procurador, “eles sustentam que não podem ganhar menos que os promotores porque atuam nas mesmas circunstâncias ou sob os mesmos parâmetros”. “A inconstitucionalidade é clara até pelo fato de que, se conquistarem a equiparação, quem vai conseguir aumento de vencimentos para eles será o procurador-geral. Terão de se submeter ao regime remuneratório do MP, que prevê que eventuais reajustes só podem ser pleiteados por meio de projeto de lei de iniciativa exclusiva do procurador-geral.””Os governadores vão ter que resolver um problema de graves conseqüências e proporções”, alerta Cosenzo. “Em São Paulo, por exemplo, se o governo tiver que dar aumento para os 2 mil promotores de Justiça, vai ter que estender a 150 mil policiais. Os delegados vão ter que carregar junto os oficiais da Polícia Militar bacharéis em Direito”, diz. O procurador diz ver razão na luta dos delegados por bons salários, pois “eles são merecedores de condição melhor” e “a polícia é muito mal remunerada”. “Mas a vinculação é inconstitucional. O Supremo tem inúmeras decisões nesse sentido”, ressalva.

CONCLUSÃO: POUCO IMPORTA 150 MIL POLICIAIS( famílias de políciais), SOFRENDO PRIVAÇÕES .
IMPORTA, APENAS, QUE 2000 PROMOTORES JAMAIS SEJAM AFETADOS FINANCEIRAMENTE.
PROBLEMA É O GENOCÍDIO DE PARCELA DO POVO.
E GRAVE É UMA POLÍCIA CORRUPTA E VIOLENTA – DIRIGIDA HÁ VINTE ANOS POR PROMOTORES DE JUSTIÇA – FAZENDO REPASSE DOS LUCROS PARA GRUPOS DE PODER.