Peritos criminais federais com o fim de beneficiar Temer fazem providencial protesto insinuando suposta invalidade de áudio por ausência de laudo…Qual a contrapartida? 25

Anexar áudio de Temer sem perícia foi inaceitável, dizem peritos da PF

RUBENS VALENTE
LETÍCIA CASADO
DE BRASÍLIA

20/05/2017 18h22

Em nota divulgada neste sábado (20), a APCF (Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais) considerou “inaceitável” que a PGR (Procuradoria Geral da República) tenha anexado o áudio da conversa mantida entre o presidente Michel Temer e o delator Joesley Batista sem uma perícia técnica por peritos federais.

Afirmou ainda que é “temerária” a homologação de acordos de delação premiada “sem a devida análise pericial”.

Jorge Araújo/Folhapress
Movimentação de agentes federais em frente à casa de Joesley Batista, do grupo JBS, em São Paulo
Agentes federais em frente à casa de Joesley Batista, do grupo JBS, em São Paulo

Antes de anexar o áudio ao pedido de abertura do inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal), acolhido pelo ministro Edson Fachin, a PGR submeteu o áudio ao setor técnico do órgão, mas não para uma perícia técnica completa na Polícia Federal.

A associação recomendou “o envio imediato” do áudio e do equipamento usado na gravação para uma perícia completa no INC (Instituto Nacional de Criminalística).

“Inaceitável que, tendo à disposição a perícia oficial da União, que possui os melhores especialistas forenses em evidências multimídia do país, não se tenha solicitado a necessária análise técnica no material divulgado, permitindo que um evento de grande importância criminal para o país venha a ser apresentado sem a qualificada comprovação científica”, diz a APCF.

A associação disse que, “ao se ouvir o áudio, percebe-se a presença de eventos acústicos que precisam passar por análise técnica, especializada e aprofundada, sem a qual não é possível emitir qualquer conclusão acerca da autenticidade da gravação”.

Desde que a gravação veio a público, nesta quinta-feira (18), surgiram dúvidas sobre a idoneidade do material, pois há sinais perceptíveis de interrupções na conversa.

A pedido da Folha, um perito apontou que houve “edição” no material. Outro perito, Ricardo Molina, que não fez um laudo sobre o tema, apontou a necessidade de se periciar também o aparelho utilizado na gravação.

A Folha apurou que Joesley Batista não entregou o equipamento utilizado para a gravação. Segundo a revista “Época”, ele teria utilizado um equipamento não detectável por aparelho de raio-x, pois tinha medo de ser flagrado na tentativa de gravar o presidente no Palácio do Jaburu.

A PGR não enviou o áudio para a Polícia Federal, segundo a Folha apurou, porque considerava que essa era uma etapa posterior na investigação, depois de aberto o inquérito, e que eventuais dúvidas poderiam dirimidas ao longo da apuração.

Em nota enviada nesta sexta-feira (19), a PGR informou: “A Procuradoria-Geral da República informou que foi feita uma avaliação técnica da gravação e concluiu que o áudio revela uma conversa lógica e coerente.

A gravação anexada ao inquérito do STF é exatamente a entregue pelo colaborador e que sua autenticidade poderá ser verificada no processo”.

Policiais são proibidos de fazer greve, mas poderão acionar o Poder Judiciário para que seja feita mediação com o Poder Público, decide o STF…( O que é que os Sindicatos estão aguardando para pleitear a recomposição salarial ? ) 64

Policiais são proibidos de fazer greve, decide o STF

Flávia Teixeira Ortega, Advogado
Policiais so proibidos de fazer greve decide o STF

O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública. É obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do CPC, para vocalização dos interesses da categoria.

Nesse sentido: STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. Orig. Min. Edson Fachin, red. P/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860).

Os servidores públicos possuem direito à greve?

SIM. Isso encontra-se previsto no art. 37, VII, da CF/88: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: VII – o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica; Este inciso VII afirma que o direito de greve dos servidores públicos será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. Esta lei, até o presente momento, não foi editada.

Mesmo sem haver lei, os servidores públicos podem fazer greve? SIM. O STF decidiu que, mesmo sem ter sido ainda editada a lei de que trata o art. 37, VII, da CF/88, os servidores públicos podem fazer greve, devendo ser aplicadas as leis que regulamentam a greve para os trabalhadores da iniciativa privada (Lei nº 7.701/88 e Lei nº 7.783/89).

Nesse sentido: STF. Plenário. MI 708, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 25/10/2007.

Assim, duas conclusões podem ser expostas:

  1. Mesmo não havendo ainda lei tratando sobre o tema, os servidores podem fazer greve e isso não é considerado um ato ilícito;
  2. Enquanto não há norma regulamentando este direito, aplicam-se aos servidores públicos as leis que regem o direito de greve dos trabalhadores celetistas.

Caso os servidores públicos realizem greve, a Administração Pública deverá descontar da remuneração os dias em que eles ficaram sem trabalhar?

Regra: SIM. Em regra, a Administração Pública deve fazer o desconto dos dias de paralisação decorrentes do exercício do direito de greve pelos servidores públicos.

Exceção: não poderá ser feito o desconto se ficar demonstrado que a greve foi provocada por conduta ilícita do Poder Público. STF. Plenário. RE 693456/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 27/10/2016 (repercussão geral) (Info 845).

A greve é um direito de todos os servidores públicos?

NÃO. Existem determinadas categorias para quem a greve é proibida.

Os policiais militares podem fazer greve?

NÃO. A CF/88 proíbe expressamente que os Policiais Militares, Bombeiros Militares e militares das Forças Armadas façam greve (art. 142, 3º, IV c/c art. 42, § 1º). O art. 142, § 3º, IV, da CF/88 não menciona os policiais civis. Em verdade, não existe nenhum dispositivo na Constituição que proíba expressamente os policiais civis de fazerem greve.

Diante disso, indaga-se: os policiais civis possuem direito de greve?

NÃO. Apesar de não haver uma proibição expressa na CF/88, o STF decidiu que os policiais civis não podem fazer greve. Aliás, o Supremo foi além e afirmou que nenhum servidor público que trabalhe diretamente na área da segurança pública pode fazer greve.

Veja a tese que foi fixada pelo STF:

O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública. STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. Orig. Min. Edson Fachin, red. P/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860).

Mediação

Apesar de os policiais não poderem exercer o direito de greve, é indispensável que essa categoria possa vocalizar (expressar) as suas reivindicações de alguma forma. Pensando nisso, o STF afirmou, como alternativa, que o sindicato dos policiais possa acionar o Poder Judiciário para que seja feita mediação com o Poder Público, nos termos do art. 165 do CPC:

Art. 165. Os tribunais criarão centros judiciários de solução consensual de conflitos, responsáveis pela realização de sessões e audiências de conciliação e mediação e pelo desenvolvimento de programas destinados a auxiliar, orientar e estimular a autocomposição.

Nesta mediação, os integrantes das carreiras policiais serão representados pelos respectivos órgãos classistas (ex: sindicatos, no caso de polícia civil, federal etc.; associações, no caso de polícia militar) e o Poder Público é obrigado a participar.

Sobre este tópico, o STF fixou a seguinte tese:

É obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do CPC, para vocalização dos interesses da categoria. STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. Orig. Min. Edson Fachin, red. P/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860).

Fonte: dizer o direito.

Advogada, formada em Direito pela Centro Universitário (FAG), na cidade de Cascavel – Paraná; inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Paraná – sob o n. 75.923; Pós-Graduada pela Faculdade Damásio, com título de especialista em Direito Penal (“Lato sensu”). Atua prestando serviços de assessoria e consultoria jurídica a pessoas físicas e jurídicas, nacionais e estrangeiras, dos mais variados setores de atividades; jurista no Jusbrasil e possui uma página no facebook (facebook.com/draflaviatortega).

Folha de São Paulo encomenda perícia feita a toque de caixa para inocentar Michel Temer 26

Áudio de Joesley entregue à Procuradoria tem cortes, diz perícia

Danilo Verpa – 13.fev.2017/Folhapress
SAO PAULO - SP - 13.02.2017 - Entrevista Joesley Batista, dono da JBS, durante entrevista a Folha na sede da empresa em Sao Paulo. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress, MERCADO) ***EXCLUSIVO***
Empresário Joesley Batista, dono da JBS, durante entrevista à Folha na sede da empresa em São Paulo

JOSÉ HENRIQUE MARIANTE
SECRETÁRIO-ASSISTENTE DE REDAÇÃO
MATHEUS MAGENTA
EDITOR DE CULTURA
DAIGO OLIVA
EDITOR-ADJUNTO DE IMAGEM

19/05/2017 21h53

Uma perícia contratada pela Folha concluiu que a gravação da conversa entre o empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer sofreu mais de 50 edições.

O laudo foi feito por Ricardo Caires dos Santos, perito judicial pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Segundo ele, o áudio divulgado pela Procuradoria-Geral da República tem indícios claros de manipulação, mas “não dá para falar com que propósito”.

Afirma ainda que a gravação divulgada tem “vícios, processualmente falando”, o que a invalidaria como prova jurídica.

“É como um documento impresso que tem uma rasura ou uma parte adulterada. O conjunto pode até fazer sentido, mas ele facilmente seria rejeitado como prova”, disse Santos.

Segundo disse à Folha a Procuradoria, a gravação divulgada é “exatamente a entregue pelo colaborador e sua autenticidade poderá ser verificada no processo”.

“Foi feita uma avaliação técnica da gravação que concluiu que o áudio revela uma conversa lógica e coerente”, declarou a Procuradoria na noite desta sexta (19).

A gravação não passou pela Polícia Federal, que só entrou no caso no dia 10 de abril. O áudio, feito pelo empresário na noite de 7 de março, foi entregue diretamente à PGR e é anterior à fase das ações controladas.

Em um dos trechos editados, o empresário pergunta ao peemedebista sobre sua relação naquele momento com o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso pela Lava Jato. As duas respostas de Temer sofreram cortes.

O trecho na gravação divulgada permite o seguinte entendimento:

“Tá.. Ele veio [corte] tá esperando [corte] dar ouvido à defesa.. O Moro indeferiu 21 perguntas dele… que não tem nada a ver com a defesa dele”

“Era pra me trucar, eu não fiz nada [corte]… No Supremo Tribunal totalidade só um ou dois [corte]… aí, rapaz mas temos [corte] 11 ministros”

Em depoimento posterior à PGR, Joesley disse que nesse momento o presidente dizia ter influência sobre ministros do STF.

“Ele me fez um comentário curioso que foi o seguinte: ‘Eduardo quer que eu ajude ele no Supremo, poxa. Eu posso ajudar com um ou dois, com 11 não dá’. Também fiquei calado, ouvindo. Não sei como o presidente poderia ajudá-lo”, afirmou.

Em outro trecho cortado, o empresário, enquanto explica a Temer que “deu conta” de um juiz, um juiz substituto e um procurador da República, declara: “…eu consegui [corte] me ajude dentro da força-tarefa, que tá”.

No momento mais polêmico do diálogo, quando, segundo a PGR Temer dá anuência a uma mesada de Joesley a Cunha, a perícia não encontrou edições. O trecho, no entanto, apresenta dois momentos incompreensíveis, prejudicados por ruídos.

Em entrevista à Folha, outro perito, Ricardo Molina, que não fez uma análise formal do áudio, declarou que a gravação é de baixa qualidade técnica.

Para ele, uma perícia completa e precisa obrigaria a verificação também do equipamento com que foi feita a gravação.

“Percebem-se mais de 40 interrupções, mas não dá para saber o que as provoca. Pode ser um defeito do gravador, pode ser edição, não dá para saber.”

Para o perito judicial Ricardo Caires dos Santos, não há hipótese de defeito.

Procurada para comentar o assunto, a assessoria da JBS disse que a empresa não vai comentar.

Conforme revelou o Painel nesta sexta-feira (19), o Planalto decidiu enviar a peritos a gravação, desconfiando de edição da conversa.

Comprovada a existência de montagem, o governo vai reforçar a tese de que Temer foi vítima de uma “conspiração”.

Juíza debocha da prisão em flagrante de assassinas de investigador, nega prisão preventiva e ainda ordena apuração de conduta funcional do Delegado de Polícia 32

Justiça liberta mulheres envolvidas no assassinato de policial civil em São José

Mesmo com a confissão, de que doparam a vítima a mando do autor do homicídio, elas foram liberadas em uma audiência de custódia no dia seguinte ao crime. Justiça diz que não houve flagrante.


 

 

Alessandro Alvarenga foi morto em São José e corpo deixado em galpão (Foto: Divulgação/DIG)

Um dia após o crime, a Justiça libertou nesta sexta-feira (19) as duas mulheres que confessaram à polícia participação na morte do policial civil Alessandro Alvarenga, de 46 anos. Ele foi assassinado a tiros e o corpo foi encontrado morto com sinais de tortura em um galpão na madrugada desta quinta-feira (18) em São José dos Campos.

Logo após o homicídio, a Polícia Civil conseguiu chegar até as suspeitas, de 23 e 18 anos – uma delas mantinha relacionamento com o policial. Elas foram presas em flagrante, preventivamente, e em depoimento, contaram que foram contratadas por um homem para atrair o policial até um motel da cidade, onde ele foi vítima de uma emboscada.

No local elas diseram que doparam Alvarenga e acionaram o homem que o matou – elas receberiam dinheiro em troca da ação. O assassino está foragido.

Mesmo com a confissão, elas foram liberadas pela juíza Naiara Assis Barbosa durante audiência de custódia que aconteceu de manhã desta sexta-feira. A legislação prevê que antes de ser encaminhado a um presídio, o preso tenha direito a uma audiência de custódia, onde a Justiça avalia se é necessário manter a prisão.

O Tribunal de Justiça informou em nota que as mulheres foram soltas, por questões formais, na medida em que não se verificou, no caso concreto, uma situação de flagrante, pelos critérios previstos no Código de Processo Penal. “O Promotor de Justiça requereu o relaxamento do flagrante, por entender ausentes os seus requisitos”, disse..

A Polícia Civil também foi procurada, por meio do delegado Hugo Pereira, mas ele preferiu não comentar a decisão.

Crime

Segundo as mulheres, ela chamaram o policial a ir com as duas para o motel e lá o doparam com uma droga conhecida como ‘Boa noite Cinderela’. Depois esperaram o homem que, segundo a versão delas, matou o policial.

O corpo dele foi encontrado na madrugada desta quinta e as duas mulheres presas contaram que ele foi torturado – ele tinha sinais de agressão por todo corpo e levou uma marretada na cabeça. A morte, segundo a perícia, foi causada por tiros na cabeça. O corpo foi levado depois do crime no morel para o galpão no Parque Industrial.

De acordo com a Polícia Civil, o autor já foi identificado. Ele seria amigo da vítima e teria pedido R$ 18 mil emprestado para a compra de um caminhão. O acordo era que ele devolvesse o dinheiro, o que não aconteceu. Em depoimento, as mulheres contaram que o policial estaria cobrando a dívida e essa teria sido a motivação para o crime.

A polícia faz buscas pelo autor, que teria sido visto pela última vez na rodoviária de Jacareí.

A vítima trabalhava no 50 º Distrito Policial em São Paulo como investigador, mas estava afastado das funções. Ele era divorciado e pai de três filhos.

Aécio Neves foi flagrado tomando dois milhões da Friboi que foram depositados na conta do senador dono do helicóptero da cocaína 73

Aécio Neves foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro foi entregue a um primo do presidente do PSDB, numa cena devidamente filmada pela Polícia Federal. A PF rastreou o caminho dos reais. Descobriu que eles foram depositados numa empresa do senador Zeze Perrella (PSDB-MG).

 

Grampo revela que Aécio pediu R$ 2 milhões a dono da JBS

Gravação foi entregue por Joesley Batista à PGR. Entrega de dinheiro a primo do senador foi filmada

POR LAURO JARDIM / GUILHERME AMADO

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) – Valter Campanato/Agência Brasil

Joesley Batista entregou à PGR uma gravação que piora de forma descomunal a tempestade que já cai sobre a cabeça de Aécio Neves. No áudio, o presidente do PSDB surge pedindo nada menos que R$ 2 milhões ao empresário, sob a justificativa de que precisava da quantia para pagar despesas com sua defesa na Lava-Jato.

O diálogo gravado durou cerca de 30 minutos. Aécio e Joesley se encontraram no dia 24 de março no Hotel Unique, em São Paulo. Quando Aécio citou o nome de Alberto Toron, como o criminalista que o defenderia, não pegou o dono da JBS de surpresa. A menção ao advogado já havia sido feita pela irmã e braço-direito do senador, Andréa Neves. Foi ela a responsável pela primeira abordagem ao empresário, por telefone e via WhatsApp (as trocas de mensagens estão com os procuradores). As investigações, contudo, mostrariam para a PGR que esse não era o verdadeiro objetivo de Aécio.

O estranho pedido de ajuda foi aceito. O empresário quis saber, então, quem seria o responsável por pegar as malas. Deu-se, então, o seguinte diálogo, chocante pela desfaçatez com que Aécio trata o tema:

— Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança — propôs Joesley.

— Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho — respondeu Aécio.

O presidente do PSDB indicou um primo, Frederico Pacheco de Medeiros, para receber o dinheiro. Fred, como é conhecido, foi diretor da Cemig, nomeado por Aécio, e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014. Tocava a área de logística.

Quem levou o dinheiro a Fred foi o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, um dos sete delatores. Foram quatro entregas de R$ 500 mil cada uma. A PF filmou uma delas.

No material que chegou às mãos de Fachin na semana passada, a PGR diz ter elementos para afirmar que o dinheiro não foi repassado a advogado algum. As filmagens da PF mostram que, após receber o dinheiro, Fred repassou, ainda em São Paulo, as malas para Mendherson Souza Lima, secretário parlamentar do senador Zeze Perrella (PMDB-MG).

Mendherson levou de carro a propina para Belo Horizonte. Fez três viagens — sempre seguido pela PF. As investigações revelaram que o dinheiro não era para advogado algum. O assessor negociou para que os recursos fosse parar na Tapera Participações Empreendimentos Agropecuários, de Gustavo Perrella, filho de Zeze Perrella.

Não há, portanto, nenhuma indicação de que o dinheiro tenha ido para Toron.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/brasil/grampo-revela-que-aecio-pediu-2-milhoes-dono-da-jbs-21353924#ixzz4hNa42hE4
stest

“Michê” Temer é chefe de organização criminosa e deverá ser preso sem delongas…ELEIÇÕES JÁ! 61

Dono da JBS gravou e revelou  conversa com o “presidente” tratando de assuntos pouco republicanos: PROPINAS!

 

Dono da JBS grava Temer dando aval para compra de silêncio de Cunha

Joesley Batista e o seu irmão Wesley confirmaram a Fachin o que falaram a PGR

POR LAURO JARDIM

Dono da JBS grava Temer dando aval para compra de silêncio Cunha – Ailton de Freitas / Agência O Globo

RIO — Na tarde de quarta-feira passada, Joesley Batista e o seu irmão Wesley entraram apressados no STF e seguiram direto para o gabinete do ministro Edson Fachin. Os donos da JBS, a maior produtora de proteína animal do planeta, estavam acompanhados de mais cinco pessoas, todas da empresa. Foram lá para o ato final de uma bomba atômica que explodirá sobre o país — a delação premiada que fizeram, com poder de destruição igual ou maior que a da Odebrecht. Diante de Fachin, a quem cabe homologar a delação, os sete presentes ao encontro confirmaram: tudo o que contaram à Procuradoria-Geral da República em abril foi por livre e espontânea vontade, sem coação.

É uma delação como jamais foi feita na Lava-Jato: Nela, o presidente Michel Temer foi gravado em um diálogo embaraçoso. Diante de Joesley, Temer indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). Posteriormente, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley. Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: “Tem que manter isso, viu?”.

Aécio Neves foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro foi entregue a um primo do presidente do PSDB, numa cena devidamente filmada pela Polícia Federal. A PF rastreou o caminho dos reais. Descobriu que eles foram depositados numa empresa do senador Zeze Perrella (PSDB-MG).

Joesley relatou também que Guido Mantega era o seu contato com o PT. Era com o ex-ministro da Fazenda de Lula e Dilma Rousseff que o dinheiro de propina era negociado para ser distribuído aos petistas e aliados. Mantega também operava os interesses da JBS no BNDES.

Joesley revelou também que pagou R$ 5 milhões para Eduardo Cunha após sua prisão, valor referente a um saldo de propina que o peemedebista tinha com ele. Disse ainda que devia R$ 20 milhões pela tramitação de lei sobre a desoneração tributária do setor de frango.

Pela primeira vez na Lava-Jato foram feitas “ações controladas”, num total de sete. Ou seja, um meio de obtenção de prova em flagrante, mas em que a ação da polícia é adiada para o momento mais oportuno para a investigação. Significa que os diálogos e as entregas de malas (ou mochilas) com dinheiro foram filmadas pela PF. As cédulas tinham seus números de série informados aos procuradores. Como se fosse pouco, as malas ou mochilas estavam com chips para que se pudesse rastrear o caminho dos reais. Nessas ações controladas foram distribuídos cerca de R$ 3 milhões em propinas carimbadas durante todo o mês de abril.

Se a delação da Odebrecht foi negociada durante dez meses e a da OAS se arrasta por mais de um ano, a da JBS foi feita em tempo recorde. No final de março, se iniciaram as conversas. Os depoimentos começaram em abril e na primeira semana de maio já haviam terminado. As tratativas foram feitas pelo diretor jurídico da JBS, Francisco Assis e Silva. Num caso único, aliás, Assis e Silva acabou virando também delator. Nunca antes na história das colaborações um negociador virara delator.

A velocidade supersônica para que a PGR tenha topado a delação tem uma explicação cristalina. O que a turma da JBS (Joesley sobretudo) tinha nas mãos era algo nunca visto pelos procuradores: conversas comprometedoras gravadas pelo próprio Joesley com Temer e Aécio — além de todo um histórico de propinas distribuídas a políticos nos últimos dez anos. Em duas oportunidades em março, o dono da JBS conversou com o presidente e com o senador tucano levando um gravador escondido — arma que já se revelara certeira sob o bolso do paletó de Sérgio Machado, delator que inaugurou a leva de áudios comprometedores. Ressalte-se que essas conversas, delicadas em qualquer época, ocorreram no período mais agudo da Lava-Jato. Nem que fosse por medo, é de se perguntar: como alguém ainda tinha coragem de tratar desses assuntos de forma tão descarada?

Para que as conversas não vazassem, a PGR adotou um procedimento inusual. Joesley, por exemplo, entrava na garagem da sede da procuradoria dirigindo o próprio carro e subia para a sala de depoimentos sem ser identificado. Assim como os outros delatores.

Ao mesmo tempo em que delatava no Brasil, a JBS mandatou o escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe para tentar um acordo de leniência com o Departamento de Justiça dos EUA (DoJ). Fechá-lo é fundamental para o futuro do grupo dos irmãos Batista. A JBS tem 56 fábricas nos EUA, onde lidera o mercado de suínos, frangos e o de bovinos. Precisa também fazer um IPO (abertura de capital) da JBS Foods na Bolsa de Nova York.

Pelo que foi homologado por Fachin, os sete delatores não serão presos e nem usarão tornozeleiras eletrônicas. Será paga uma multa de R$ 225 milhões para livrá-los das operações Greenfield e Lava-Jato que investigam a JBS há dois anos. Essa conta pode aumentar quando (e se) a leniência com o DoJ for assinada. (Colaborou Guilherme Amado)

Leia mais: https://oglobo.globo.com/brasil/dono-da-jbs-grava-temer-dando-aval-para-compra-de-silencio-de-cunha-21353935#ixzz4hNXxfasM
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TOGAS DE OURO 6

TOGAS DE OURO

Supersalários e desigualdade de gênero entre os magistrados paulistas

POR SÉRGIO SPAGNUOLO
 
GRÁFICO: SÉRGIO SPAGNUOLO_VOLT DATA LAB

Em 2016, os 2 591 juízes e desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo ganharam, em média, 42 mil reais líquidos por mês. Ainda que o teto salarial da magistratura paulista fosse de 30,4 mil reais, muitos deles conseguiram ultrapassar o limite legal de vencimentos porque somaram vantagens extras – como subsídios, indenizações e gratificações –, que não entram na conta.

A maior bolada mensal foi recebida pelo desembargador José Carlos Gonçalves Xavier de Aquino. Apenas em novembro, ele embolsou 130 mil reais.

A desigualdade salarial entre gêneros também é visível na Corte que, até hoje, jamais foi presidida por uma mulher. Juízes homens ganham em média 44 mil reais por mês – 13,5% a mais do que as mulheres (38 mil reais mensais). No caso de desembargadores, a diferença é maior: homens faturaram 55 mil reais por mês, 16,5% a mais do que as mulheres, que ganham em média 46 mil reais.

Dez anos da “Crônica do 1530”, publicada no Fórum da ADPESP…( Ao menos os vencimentos dos delegados são um pouco melhores do que em 2007; as prerrogativas funcionais, também ) 25

Originalmente  publicada no site da ADPESP no dia 17 de maio de 2007 ,  esta manifestação  resultou primeiramente na minha remoção compulsória pelo “nosso próprio bem” de Santos para Hortolândia e, depois , um verdadeiro inferno funcional até a nossa demissão em maio de 2011. Só agora , passados 10 anos , me livrei de todos os processos administrativos e criminais em nosso desfavor desde então. Para quem ainda não sabe: 1530 dizia respeito às quinzenas de cada dia 15 e 30 do mês ( o pixuleco policial). O Flit embora criado no dia 26 de março daquele ano – pois já se vislumbrava o fim do canal de conversação  criado na ADPESP – se tornou visível ao público apenas no dia 21 de maio; como resposta ao nosso afastamento do 7º DP , as intimidações  e, também,  da notícia da remoção compulsória para “plagas menos inóspitas “. O resto é história!

CRÔNICA DO 1530

por robertocguerra em 17/05/2007 às 17:52

Não é amor pela cadeira, muito menos pela carreira…

É amor pelos 1530 limpinhos que os respectivos chefes de investigadores providenciam religiosamente.

Não fosse isso a maioria já estaria encostada em suas confortáveis poltronas residenciais, em vez de incrustada nas titularidades em geral.

Se bem que, policialmente falando, a maior parte sempre foi do encosto… Encosto no sofá…No balcão…Nos subalternos…Nas bolas dos superiores…

E um encosto na vida dos colegas sérios e competentes, os quais deixam para trás rapidinho.

Pois quem trabalha não tem tempo para roubar e fazer politicalha.

Gostaria de lembrar o nome de um colega que por volta de 1998, distribuiu um manifesto acerca da venda da Carreira, em face das promoções imerecidas, alertando para os efeitos deletérios em curto prazo. ( na verdade promoções vendidas )

Quem lembrar e buscar cópia favor publicar… eu não encontro o documento.

Sempre assim… quando quero não acho; só não procuro dinheiro já que não tenho guardado em lugar algum…risos.

O amor a cadeira é tanto que a Seccional de Santos se acha esculhambada; todos aqui se dizem afilhados do Coronel Erasmo Dias ou de familiares do Mário Covas; além de familiares de deputado recentemente eleito. ( Nem mencionei o nome, mas era o atual prefeito de Santos Paulo Barbosa ( PSDB ) , genro do então delegado seccional Elpídio Laércio Ferrarezzi, demitido pelo Geraldo Alckmin em 2014, quando da solicitação de sobrestamento do PAD  )  

Então fazem aquilo que bem entendem: titular do Guarujá acumula o município com o Curso Superior de Polícia… nesse ínterim seu tira favorito bêbado – que foi, por pouco tempo, nosso encarregado em CIRETRAN – mata carcereiro.

Pouco antes o titular vindo da Academia estava despachando em botequim na companhia do “chefe de confiança”.

E falo do Dr. Spagna Laporte sem nenhum rancor pessoal.

Está acumulando o Curso para classe especial e a sede do Guarujá com o consentimento de outrem… como sou um sujeitinho pérfido… vislumbro, também, o acúmulo de dinheiro.  ( Na verdade, meu próprio Titular nos revelou um acertamento relativo à divisão de propinas )

O Guarujá “é boca rica”.

Aqui nada é de graça; é a regra… às exceções, desde já, o meu perdão.

Ou será que o Curso Superior de Polícia foi tão avacalhado que não há necessidade de dedicação exclusiva por cerca de oito meses?

O meu perdão aos cegos, inclusive.

Em Cubatão o Titular do Município acumula a CIRETRAN… coisa impensável e abominável anos atrás. ( Ciretran , legalmente é de classe inferior à classe do município ; assim não seria admissível um delegado de 1a. classe ocupar cumulativamente uma delegacia de 2a. )

Mas implementada sob a batuta do Dr. Tanganelli…autoridade muito rigorosa: com os “zezinhos” como eu. ( Todas as Ciretrans foram negociadas, mesmo as pequenas )

Deve ter quase dois metros ( força de expressão ) , mas não me chamou para dizer na minha cara “que eu chefiava uma quadrilha”. ( Segundo nos foi dito  pelo delegado Pedro dos Anjos quando de nossa remoção de Cubatão para Santos eu – segundo o Tanganelli – seria chefe de uma quadrilha no 2º DP daquela cidade; sem esquecer que depois de eu providenciar o fechamento de um Bingo intrujaram drogas na delegacia  fazendo-se uma denuncia anônima para o Diretor. Uns dias antes eu havia encontrado outro pacote sob o beiral da janela do meu banheiro privativo…Quem seria o Zorro ? )

Quadrilha esse Senhor trouxe e deixou por cá; e depois, ainda, levou gente boa para o Denarc ( o tempo mostrou que alguns não eram lá tão gente boa; até um delegado filho de ex-DGP foi demitido na forma qualificada  ) …levando ( de volta ) parcela do seu lixo também.

Gente séria… muito profissional “em merchandising”. ( muita média para pouco resultado e muita arrecadação )

E, especialmente, na concussão via GERCO ( resultante na demissão de vários policiais vindos do DENARC para Santos )

Dirão: despeitado filho de uma puta e cagüeta…

Se fosse, ainda sim, seria natural da minha parte.

Pois se é para roubar: a todos a parte que lhes é devida.

As minhas razões não importam, interessam os fatos.

Não querem greve   e muito menos “o chio”.( o nosso grupo de delegados deu início às discussões que resultaram no movimento grevista de 2008 )

E, menos ainda, que se desmontem os grandes esquemas de corrupção.

Por isso  acabaram com o Fórum ( espaço da ADPESP reservado a debate entre Delegados )  mentindo desavergonhadamente.

E velho mentiroso e sem vergonha é o fim da picada…digo velhos….A palavra idoso emprego para gente respeitável. ( A velhacaria da ADPESP ficou na bronca; mentiram sobre os motivos do encerramento do Fórum  )

E Santos é sede de Departamento… presumindo-se seguir o uso e costume da DGP, posto a legislação não seja obedecida.

Assim, posso acreditar não ser diferente noutros Departamentos.

O Senhor Governador deveria conhecer a Polícia, ou então deixar o seu suposto projeto de chegar a Presidência para outra encarnação.

E como há diletantes nesta Carreira…

Trabalhando por amor….

Por espírito público….Gente rica….Empresários bem sucedidos….Herdeiros….herdeiros de Delegados.

Mas qual o tipo de Delegado que deixa fortuna para os filhos?

Podem me fornecer a receita?

_____________________________________________

Com o passar dos anos acabei descobrindo que os que mais me prejudicaram não foram os homens maus , foram os supostos honestos ( os corregedores ) que se diziam atingidos pelas minhas revelações, posto terem sido jogados na vala comum .

Expressamente afirmaram que eu deveria ter pensado neles ( os bons ) antes de dar publicidade a certas práticas internas.  Conversa!

Não sem motivo se diz que o inferno está lotado de gente boa, né ?

Japoneis Kagonemim , bonzinho e blavo , no ?

Sakana i mentiloso , né ?

Galantido plomoçom  ?

Polícia Militar de SP prepara compra inédita de armas no exterior 43

Cris Faga – 11.abr.2017/Fox Press Photo/Folhapress
SAO PAULO SP, SlP 11/04/2017ASSALTO JOALHERIA: Joalheria MV do n 73 da Barão de Paranapiacaba é assaltada na tarde desta terça (11) em São Paulo. Não houve vítimas. (Foto: Cris Faga/Fox Press Photo) *** PARCEIRO FOLHAPRESS - FOTO COM CUSTO EXTRA E CRÉDITOS OBRIGATÓRIOS ***
Policial militar segura arma após assalto a joalheria no centro de São Paulo

ROGÉRIO PAGNAN
FOLHA DE SÃO PAULO

Após duas décadas utilizando pistolas de uma mesma marca, alvo de questionamentos técnicos, a Polícia Militar de São Paulo prepara uma licitação internacional para comprar novo armamento.

A previsão é adquirir 5.000 pistolas.40 para a tropa de choque, que inclui a Rota (grupo de elite da polícia).

A Polícia Militar já obteve autorização do Exército para a compra internacional e aguarda parecer final da Procuradoria Geral do Estado.

Por ser algo inédito em São Paulo, a corporação também realizou audiência pública em março para apresentar detalhes técnicos do armamento que pretende adquirir.

Segundo a gestão Geraldo Alckmin (PSDB), nove empresas mostraram interesse na disputa. Com efetivo próximo de 90 mil agentes e orçamento de R$ 14,8 bilhões por ano, a PM paulista é a principal compradora de armas do país –desembolsou R$ 29 milhões nos últimos cinco anos.

A autorização do Exército é considerada um entrave porque, pelo Estatuto do Desarmamento, de 2003, não é permitido adquirir armamento importado quando existe similar nacional, como ocorre com as pistolas.

O mercado brasileiro, porém, é considerado restrito –tendo a Taurus como principal fornecedora e contratada em São Paulo muitas vezes por dispensa de licitação.

Editoria de Arte/Folhapress
LICITAÇÃO DE PISTOLASOpção nacional teve resultados piores do que importada em teste do Ministério da Justiça

A PM obteve a liberação do Exército para lançar uma disputa internacional porque a Taurus foi impedida de realizar novos contratos com a corporação por dois anos.

A sanção foi imposta à empresa pelo governo paulista em outubro passado, após problemas na execução de um contrato para fornecimento de 6.000 submetralhadoras.40.

A empresa não teria conseguido resolver os problemas técnicos das armas, por uma compra realizada em 2013. Procurada, a Taurus não quis comentar seu impedimento. Disse apenas, em nota, que acompanha a licitação da PM (leia abaixo).

FAVELA NAVAL

A compra de pistolas pela PM de São Paulo teve início em 1997, logo depois do episódio conhecido como “Caso da Favela Naval”, reportagem exibida pela Rede Globo que mostrou cenas de extorsão e homicídio praticados por policiais militares em favela de Diadema, no ABC paulista.

A aquisição de novo armamento fazia parte de um processo de recuperação de imagem, que também passava pela renovação de procedimentos e cor da farda.

Na época, a principal arma utilizada pelos policiais eram os revólveres calibre.38.

Em 1997, um grupo de oficiais foi montado pela PM para realização de testes para escolha da melhor pistola disponível no mercado. Entre os participantes estavam Nilson Giraldi, hoje coronel da reserva, e Olímpio Gomes, que, além de major, é atualmente deputado federal pelo SD-SP.

“Das 12 pistolas avaliadas, a Taurus foi a pior delas. Um lixo. A melhor foi a Glock [austríaca], que custava U$ 800. Acabamos comprando a Taurus por US$ 1.400 sob a justificava de prestigiar a indústria nacional”, diz Olímpio.

POLÍCIA FEDERAL

Nos últimos anos, outras instituições, como a PF (Polícia Federal), foram atrás de armamento importado.

O governo federal montou em 2013 um grupo de estudos para analisar as armas nacionais diante de notícias pelo país de acidentes com armas.

A partir do estudo, ao qual à Folha teve acesso, foram sugeridas, entre outras medidas, a realização de licitação internacional, já que a qualidade do produto nacional estaria em “patamares inadequados e inferiores às demandas operacionais” necessários.

OUTRO LADO

Procurada, a empresa Taurus não quis comentar os motivos que levaram a Polícia Militar de SP a impedi-la de participar de novas licitações no Estado. Em nota, disse apenas que acompanha o caso. “[A Taurus] procura sempre contribuir para o aparelhamento das forças policiais e, seguindo essa política, acompanha o processo de licitação da PM-SP.”

Na resposta aos questionamentos, a empresa não admite nenhum tipo de problema em suas armas. Diz que as notícias a esse respeito fazem parte de uma campanha. “A empresa é alvo de uma campanha difamatória, movida por interesses comerciais e financeiros, que lança mão de informações incorretas para atingir sua reputação.”

Ainda sobre a qualidade das armas, a nota da empresa diz que “o Exército Brasileiro fez avaliação completa do processo produtivo da Taurus e de suas armas e não encontrou falhas de projeto ou fabricação que sejam responsáveis por acidentes com armas de fogo.”

“Laudos técnicos realizados de acordo com as normas em vigor também têm confirmado a ausência de responsabilidade da Taurus por tais incidentes.”

Procurada, a Secretaria da Segurança não deu os detalhes que levaram ao impedimento da Taurus. Mandou para a reportagem trecho de um publicação do Portal da Transparência, que já havia sido enviada à Folha pelo Palácio dos Bandeirantes na última sexta (12), na qual diz que a sanção se deu “pela inexecução total ou parcial do contrato”.

O secretário da Segurança, Mágino Alves Barbosa Filho, também não quis falar sobre o assunto.

Alckmin diz que está preparado para ser o candidato do PSDB a presidente 135

Governador ressaltou, no entanto, que ainda é cedo para tratar das eleições

DA ESTADÃO CONTEÚDO

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou estar preparado para ser o candidato do PSDB à eleição presidencial de 2018. Alckmin, contudo, ressaltou que ainda é cedo para tratar das eleições. “Ocorrem em ano par e estamos em ano ímpar”, que é segundo ele, muito importante para o País, pois várias reformas estruturais precisam ser aprovadas pelo Congresso, como a trabalhista, a da Previdência Social e a política. “Estou preparado”, disse.

O governador ressaltou que defende não só prévias dentro do partido, como também eleições primárias, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos. “Ainda é cedo para tratar de eleição em 2018 mas preparação é importante e nada é feito de improviso”. Ele fez os comentários após participar de evento com investidores que celebra os 15 anos de negociações dos ADRs de Sabesp na Nyse.

Governo pagará bonificação para policiais civis e militares 51

segunda-feira, 15/05/2017 – 14:00

Mais de 4,8 mil policiais receberão pagamento de bonificação

O investimento total pago para os meses de janeiro, fevereiro e março de 2016 foi de R$ 2.372.250,00

O pagamento do bônus do primeiro trimestre de 2016 vai beneficiar 4.876 policiais civis e militares do Estado de São Paulo. No total, a bonificação representou um investimento de R$ 2,3 milhões. O pagamento está previsto para acontecer na segunda-feira (15).

Foram beneficiados policiais que atuam em áreas em que houve redução dos índices de vítimas de letalidade violenta (homicídio doloso e latrocínio), roubo e furto de veículo e roubo em geral no trimestre.

Ao todo, foram favorecidos com a bonificação 3.432 policiais militares e 1.444 policiais civis. O valor mínimo pago individualmente para os agentes foi de R$ 250 e o valor máximo chegou a R$ 500.

Criado em 2014 a partir de sugestões da sociedade civil, o Programa de Metas e de Bonificação Policial é uma das ações do projeto São Paulo Contra o Crime. O objetivo principal é premiar o esforço dos policiais na redução da criminalidade.

Programa de Metas e Bonificação

O Programa de Metas e de Bonificação Policial é baseado em um modelo de gestão desenvolvido em conjunto pela Secretaria da Segurança Pública, comando das polícias e Instituto Sou da Paz. Um dos pilares do programa é a adoção da meritocracia na gestão das polícias, uma prática comum na iniciativa privada.

A escolha dos indicadores estratégicos levou em conta aspectos como a incidência e o impacto social de cada tipo de crime. São eles o número de vítimas de letalidade violenta – que inclui vítimas de homicídios dolosos e de latrocínios – a quantidade de roubos e furtos de veículos e de roubos em geral.

Para atingir as metas, as polícias têm que desenvolver planos de ações em conjunto e atuar de forma integrada. A bonificação é condicionada ao resultado em 104 áreas paulistas de atuação compartilhada (como batalhões, distritos policiais e equipes médico-legais e de perícias) e pode variar de acordo com o desempenho geral do Estado.

Assessoria de Imprensa e Comunicação da Secretaria da Segurança Pública

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segunda-feira, 15/05/2017 –

Ciro Gomes sobre Sérgio Moro: ‘isso não é juiz” 52

Ciro Gomes: Lula racha país em bases odientas, rancorosas e violentas

13/05/201718h59

  • BBC

    Ciro Gomes

    Ciro Gomes

Paulista de nascimento e cearense de criação, Ciro Gomes já foi prefeito, deputado estadual, deputado federal, governador e ministro dos governos Itamar Franco e Lula. Hoje ele enche a boca para dizer que tem 37 anos de vida pública e é a pessoa mais preparada para ser presidente do Brasil.

“Mais que todos”, afirma, sem modéstia, dizendo que o fato de aparecer estacionado em torno de 5% nas pesquisas de intenção de votos, é “provisório”.

Hoje no PDT, ele já passou por sete diferentes partidos. Defende-se dizendo que falta identidade partidária a “100% dos políticos brasileiros”, inclusive ao ex-presidente Lula.

Dono de um estilo franco e impulsivo que há anos lhe rende a fama de “destemperado”, ele admite que tem medido mais as palavras. Ao falar do deputado federal Jair Bolsonaro lembra que este lhe deu um voto na disputa presidencial de 2002 e diz que atualmente ele cumpre um papel importante ao atrair os antipetistas, afastando-os dos tucanos.

Mas Ciro Gomes continua sem poupar adjetivos mais contundentes quando se refere a nomes como o do presidente Michel Temer, do ex-presidente Lula, e do prefeito de São Paulo, João Doria. Diz que não sabe ao certo “se Temer chefia uma quadrilha ou um bando de patetas”. Doria, por sua vez, é um “farsante”. E Lula, para ele, “é o grande responsável por este momento político trágico que o Brasil está vivendo”.

Questionado se tem medo de “bater” em Bolsonaro, Ciro dispara: “Eu tenho medo de quê, mulher? Eu tenho coragem de mamar em onça. A guerra entre a turma dele e a minha na internet é uma coisa selvagem. Mas eu não. Tu achas que vou me preocupar com isso? Estou preocupado é com o Brasil”, disse à BBC Brasil, em Londres.

Na Inglaterra, o ex-governador participa do Brazil Forum UK, evento que reúne neste fim de semana acadêmicos, políticos e economistas para falar do Brasil. Ele diz que não quer se encontrar com o juiz Sérgio Moro, um “garoto” deformado pelo “aplauso e pela juventude” que “sucumbiu” e foi arrastado por Lula para a arena política. Ele afirma estar mais interessado na palestra do economista André Lara Resende, um dos criadores do Plano Real.

Leia a seguir trechos da entrevista concedida por Ciro Gomes à BBC Brasil em Londres.

BBC Brasil: Como o senhor prefere ser chamado? Ministro, ex-governador, tem alguma preferência?

Ciro Gomes: Ciro. Ciro é minha preferência. Se você quiser ser agradável, gentil, você chama pelo maior cargo de acesso popular que a pessoa terá tido.

BBC Brasil: Então é governador.

Ciro Gomes: Isso. Mas eu prefiro Ciro.

BBC Brasil: O senhor estava trabalhando para a Transnordestina Logística, da CSN. Largou o emprego logo após a posse do governo então interino Michel Temer e voltou a fazer política em tempo integral. O senhor se considera uma antítese do que muito eleitor parece estar procurando neste momento? Já que está na moda eleger iniciantes ou aqueles que insistem em dizer que não são políticos?

Ciro Gomes: Alguns defeitos assim chamados meus, da minha vida pública, tipo uma certa franqueza, uma certa aspereza nas palavras, hoje são vistos como um valor, como não-hipócrita. E esse é um valor procurado. Mas eu, evidentemente, não aceito entrar nessa onda mentirosa, mistificadora de que um político não faz política ou quem faz política é um não-político. Isso é tudo uma leitura de marketing barato para tentar ser idiota e presumir que o povo é idiota. Na verdade, eu represento um projeto alternativo para o Brasil há muitos anos. Esse projeto tem se aperfeiçoado, tem se aprofundado, tem um pouco mais de lucidez, com os pontos nevrálgicos da questão socioeconômica brasileira e isso faz a diferença da minha personalidade no processo de debate no Brasil.

BBC Brasil: Falando em se colocar como uma terceira via, ou como uma possibilidade, o senhor tem dito que só sai candidato à presidente da República se o seu atual partido, o PDT, quiser. Mas as pesquisas mais recentes colocam o deputado federal Jair Bolsonaro e o prefeito de São Paulo, João Doria, como os únicos em condições de competir com o ex-presidente Lula. Como o senhor avalia esses resultados? O fato de o senhor estar estanque nos 5% das intenções de votos hoje pode ser motivo suficiente de o PDT desistir de lançar o seu nome?

Ciro Gomes: Sei bastante bem com minha experiência o que isso significa. Uma pessoa que pensa o que eu penso, que fala o que eu falo, que tem os conflitos que eu tenho ao longo de uma vida de 37 anos de experiência… Não tenho sequer um inquérito para ser absolvido e isso não é nada mais que uma obrigação, mas nesses tempos horríveis que o Brasil está vivendo é um adicional de atributos que o país está procurando. Essas pesquisas, com a experiência que tenho, não representam absolutamente nada, a não ser o retrato desse momento. E esse retrato é o de um povo machucado, 14,3 milhões de desempregados, quase 9 milhões de brasileiros empurrados para a informalidade, para o biscate, o trabalho na rua. A política para essas pessoas é um ruído, associado com esse escândalo de corrupção e, na hora própria, isso vai se alterar profundamente. Isso não quer dizer que eu inverta as coisas, mas isso tudo é provisório.

BBC Brasil: E quando é a hora própria quando a gente pode começar a considerar as pesquisas, de fato?

Ciro Gomes: No Brasil, quando você começa a colocar na prateleira as alternativas concretas, reais e suas personas políticas, seus acompanhamentos e seus signos. O que que representa A, B, C ou D… Você vai ver claramente que isso só vai acontecer lá para julho de 2018. Hoje, por exemplo, se você fizer uma pesquisa espontânea, que você não induz as pessoas a repetirem o nome mais conhecido, o nome mais comentado presentemente, você vai ver que está todo mundo ali meio que japonês.

BBC Brasil: Mas tem algo que pesa contra o senhor que é a rejeição. Pesquisa recente, divulgada essa semana, colocou o senhor com 56% de rejeição. O senhor se considera um adversário de si mesmo?

Ciro Gomes: Não, não. Hoje você deveria ler as pesquisas com uma mistura de notoriedade, ou seja, de nível de conhecimento, menção espontânea, que é preferência, e rejeição espontânea, que é aquela que conhece, mas não aceita. Evidentemente, a minha rejeição nesse momento é que eu não sou conhecido. Não estou no elenco de opções das pessoas, apesar de estar na estrada há tanto tempo e de ter sido candidato.

BBC Brasil: O senhor atribui a rejeição à fama de destemperado?

Ciro Gomes: Eu deveria merecer. Mas sou atacado não pelo que falo eventualmente de sangue quente. Eu realmente sou uma pessoa indignada. Na verdade, é uma coisa que se faz para desqualificar o que digo de sangue frio. Eu vivo contando aos brasileiros com números aquilo que é uma grande perversão do nosso país: o estado nacional brasileiro está montado como mecanismo de transferência de renda de quem trabalha e produz para quem especula. Só que os especuladores são dez mil famílias abastadas do país que controlam a grande mídia, que controlam os financiamentos das campanhas, as mediações tradicionais do país.

BBC Brasil: O senhor acha que essas posições mais à esquerda repercutem ou soam de forma diferente para quem compartilha dessas ideias? Minha pergunta é: quem é de direita ou mais conservador, tolera determinadas coisas, por exemplo, o Bolsonaro, e quem é de esquerda tem um pouco mais de resistência?

Ciro Gomes: Com certeza. Eu sou considerado um comunista para a direita e sou considerado um direitista para a esquerda. Ou seja, estou na posição correta.

BBC Brasil: O que o senhor é? Como o senhor se define?

Ciro Gomes: Sou um socialista democrático em permanente revisão. No Brasil, até os adjetivos esquerda e direita são mal versados. Se você olhar, por exemplo, a economia política do PT, dos 13 anos Lula-Dilma, foi extremamente conservadora. Evidentemente com políticas sociais compensatórias de largo alcance que não estavam previstas no Consenso de Washington ou no Tatcherismo. No Brasil tem essa peculiaridade, é uma política social compensatória aquilo que qualifica a solidariedade aos mais pobres.

BBC Brasil: Se eu entendi direito, o senhor acha que o Estado tem um papel importante a cumprir, principalmente para fazer justiça social. Mas do ponto de vista da moral e dos costumes, o senhor tem posições claras sobre aborto, união homoafetiva…

Ciro Gomes: É claro. A gente precisa aprender no século 21 a ser tolerante, a respeitar a diversidade, a respeitar as diferenças. E o chefe de Estado tem que dar exemplo disso. Evidentemente não tem que ser candidato a guru de costumes. Eu respeito a sociedade brasileira como ela é. Temos uma igreja católica que é extremamente solidária com os pobres, mas extremamente cripto-conservadora nesses termos de costumes. O chefe de Estado tem que entender isso, tem que compreender e respeitar isso. Mas, evidentemente, ninguém vai contar com minha opinião para estigmatizar seja quem for diferente, seja por qual razão.

BBC Brasil: Se o senhor tiver que se definir: união homoafetiva, a favor ou contra?

Ciro Gomes: Eu pessoalmente já tenho uma opinião disso publicada em todas as áreas e a ideia é ser tolerante. Respeito a tolerância e a diferença, respeito todas as formas de amor. Acho que a mulher tem direito ao respeito a seu próprio corpo. O aborto é uma tragédia humana, social, mas, antes de tudo, é uma tragédia de saúde pública. As ricas fazem [aborto] na hora que querem nas clínicas clandestinas, sem problemas, e as pobres estão morrendo. Tenho certeza que se o Estado acolhesse, aconselhasse, oferecesse uma adoção, se fizesse a mediação dos traumas familiares que as adolescentes experimentam ao se verem grávidas sem planejar, a quantidade de abortos cairia profundamente.

BBC Brasil: Retomando o que o senhor disse, que é um comunista para a direita e um conservador para a esquerda, o senhor acha que o seu desempenho por ora nas pesquisas pode estar relacionado ao fato de ter passado por vários partidos? As pessoas têm um pouco de dificuldade de identificar o senhor…

Ciro Gomes: Em absoluto, se tem um político que tem uma linha de vida coerente, sou eu. Agora, de novo, como não podem dizer que sou um imoral, envolvido em corrupção, num escândalo, seja qual for. Como não se pode dizer que não fui um governante eficiente. Fui o mais popular, o melhor aprovado prefeito das capitais ao meu tempo. Quando ministro da Fazenda, administrei a economia brasileira e entreguei com inflação zero, praticamente com pleno emprego. Tem que se inventar um estigma qualquer…

BBC Brasil: Mas lhe falta identidade partidária?

Ciro Gomes: Falta a todos os políticos brasileiros, a 100% deles.

BBC Brasil: Ao Lula também, por exemplo?

Ciro Gomes: Absolutamente. Olhe o que o Lula dizia, o que pensava e o que o PT representava antes do poder e o que é hoje. Veja a enorme distância entre uma coisa e outra. Veja o que o PSDB representava, quando nós fundamos o PSDB, e veja o que é hoje. Só mudo de partido para me manter coerente com minha linha de raciocínio, princípios, minha integridade moral e com meus compromissos ideológicos. Veja como os critérios são diferentes. Pergunto qual político, tirando aqueles que não fizeram seu próprio partido como o Lula, que fez sua própria central sindical, qual o político brasileiro não mudou de partido nos últimos 20 anos? Nenhum. A Marina esteve em três partidos nos últimos três anos.

BBC Brasil: O senhor já passou por 7 partidos. Sete é muito.

Ciro Gomes: Mas eu tenho 37 anos de vida pública.

BBC Brasil: Vamos dividir 37 por 7…

Ciro Gomes: Não é essa a questão não. Já fui incoerente alguma vez na vida? Veja uma opinião minha dita há 25 anos e compara com hoje.

BBC Brasil: Falando em incoerência. Numa entrevista, em maio do ano passado, na qual lhe perguntaram se queria ser candidato e se o senhor concorreria contra o Lula, o senhor disse que se o ‘Lula for, melhor ainda’. Em entrevistas mais recentes, percebi que o senhor tem adotado uma outra posição. O senhor mudou de ideia do ano passado pra cá?

Ciro Gomes: Não. Se você reparar, é a mesma. Os fatos são complexos. Enquanto isso, uma certa imprensa nacional brasileira gosta muito de resumo e explicitações maniqueístas. Às vezes pago um pouco por isso. Não faz mal, estou acostumado. Eu só dependo de uma circunstância para ser candidato ou não: o PDT, o meu partido decidir que eu sou. Dito isso, tenho dito que não gostaria de ser candidato se o Lula for. Por que? Não é propriamente uma homenagem a ele, é porque na hora em que for candidato ele racha o país em bases odientas, rancorosas, violentas, como nós estamos assistindo aos lulistas e antilulistas. E o país não tem ambiente para discutir seu futuro. O Brasil precisa desesperadamente de um projeto novo, de novas práticas, de experimentar novas premissas do jogo político. Desesperadamente, precisamos disso.

BBC Brasil: Desculpa insistir com o senhor, mas o senhor falou claramente: se for com o Lula, melhor ainda…

Ciro Gomes: Às vezes você diz isso no calor da emoção. Mas eu estou dizendo a você que eu tenho me preparado para ser presidente do Brasil. Correndo o risco de ser mal compreendido, eu duvido que alguém tenha treinado mais do que eu, tenha se qualificado mais do que eu ou conheça mais do que eu as alternativas para o país. Mas isso é minha presunção. O povo brasileiro está hoje induzido por essa novela moralista, explosiva, em tempo nobre da televisão, a olhar o mundo pelo filtro do lulismo e do antilulismo. Isso acaba com o país.

BBC Brasil: Falando nesse escândalo que está desde 2014 no noticiário, o senhor já foi professor de direito constitucional. O senhor acha que há tempo hábil para condenar o Lula em segunda instância e tirá-lo do jogo eleitoral?

Ciro Gomes: Nenhuma chance. Nem seria justo que acontecesse. Pelos tempos processuais brasileiros. Veja que o Lula está acusado em cinco processos e em nenhum deles ele foi julgado em primeira instância ainda. Não é provável. Nesse processo em que ele depôs recentemente, ele tem 86 testemunhas para serem ouvidas. Demora bastante.

BBC Brasil: Como o senhor avaliou o depoimento dele em Curitiba, ao juiz Sergio Moro? E o juiz?

Ciro Gomes: Ele é um campeão da psicologia popular e o Moro um garoto. Não duvido que tenha boa fé, boa intenção. Esse negócio de aplauso demais e juventude acabam deformando demais as pessoas. Eu sei bem o que estou falando. O Lula trouxe o Moro para o campo dele, onde ele reina. O Moro seria um rei se fosse um juiz, um juiz severo, restrito aos autos, às leis, aos códigos. Aí ele seria absolutamente imbatível, mas não… Ele preferiu trocar ideias com o Lula, aceitar ser visualizado em capas de revista como antagônico. Onde o juiz é antagônico, ele já perdeu. O juiz só merece respeito e acatamento se ele for um magistrado, se ele for a terceira parte, isenta, obediente à lei, severo na presunção da inocência dos acusados, garantidor da ampla defesa, do contraditório, e justo na hora de afirmar a sentença. Ele arrastou o Moro para a política.

BBC Brasil: O senhor acha que o Moro sucumbiu?

Ciro Gomes: Sucumbiu completamente. Se ele condenar o Lula, todos os simpatizantes do Lula e nós outros que observamos o direito do ponto de vista profissional, acharemos injusto. A questão básica é a seguinte: como é que as capas das revistas nacionais põem num ringue um réu contra o juiz, isso já matou o juiz. O juiz não pode lutar, ele observa a luta, sentado numa cadeira, fora. O antagônico não pode ser o juiz. A direita brasileira é basicamente imbecil. Faz isso, acabou.

BBC Brasil: Mas o senhor acha que o Sergio Moro tinha como se afastar disso?

Ciro Gomes: Claro, bastava que ele fosse um juiz. Parar de usar gravatinha borboleta, de circular por aí afora onde há holofotes, confraternizando com potenciais réus aos risos, isso não é juiz.

BBC Brasil: Os depoimentos mais recentes da Lava Jato têm citado diretamente o ex-presidente Lula e a ex-presidente Dilma. O fato da mulher do marqueteiro João Santana dizer que era informada dos avanços da Lava Jato por meio de mensagens cifradas numa conta de email que elas compartilhavam, muda a imagem que o senhor tem da Dilma?

Ciro Gomes: Não. Delação premiada é um instituto muito precário da forma como está prevista na lei. A gente copiou uma lei dos Estados Unidos, aliás no governo da Dilma. A delação premiada não vale nada até determinação concreta de outra prova. Está explícito na lei que ninguém pode ser condenado tendo como única razão a delação premiada. Só no nosso país, nesse momento fasci-histórico em que estamos vivendo, é que um delator parece ter palavra da lei, palavra definitiva. Isso arrebenta com princípios universais como a presunção de inocência e a garantia da ampla defesa e do contraditório.

BBC Brasil: O senhor está dizendo que as pessoas estão sendo forçadas a incriminar Dilma e Lula?

Ciro Gomes: Não estou dizendo isso. Estou dizendo que a prisão provisória no Brasil está sendo abusada. Você manter uma pessoa no cárcere sem trânsito e julgado e oferecer diariamente, ou ‘madrugadamente’ para fazer uma brincadeira… o meganha acordar você de madrugada na cela e oferecer uma determinada situação se você assinar a delação.

BBC Brasil: Isso está acontecendo?

Ciro Gomes: Está acontecendo nos cárceres de Curitiba.

BBC Brasil: Aconteceu com quem?

Ciro Gomes: Tem acontecido. Já ouvimos denúncia disso muitas vezes.

BBC Brasil: O senhor chegou a conversar com o presidente Lula sobre sucessão, sobre Lava Jato?

Ciro Gomes: A última vez em que nos encontramos, apesar de eu estar muito entristecido, porque a dona Marisa era também uma amiga pessoal. Eu estive no hospital antes dela morrer e depois fui ao enterro. Nas duas ocasiões o Lula quis falar de política. Eu disse: Rapaz deixa isso pra outra hora. E de Lava Jato também, muito zangado, muito aborrecido, se sentindo perseguido, e tal.

BBC Brasil: O senhor recentemente disse que não queria ser vice de ninguém, mas nem do Lula, ou principalmente do Lula?

Ciro Gomes: Principalmente do Lula. Não há menor chance. Eu não concordo com a visão dele. Acho que nesse momento a candidatura dele desserve ao país e desserve a ele próprio. É evidente, para que amanhã não haja uma contradição no que eu estou dizendo, que na eleição você vota no que você quer, mas também naquilo que você nega. Então, eu no primeiro turno serei candidato, se o meu partido quiser, e no segundo turno, se eu não estiver presente, vou votar naquele que me parecer vizinho às minhas ideias e convicções.

BBC Brasil: O senhor ainda acha que o Lula brincou de Deus e que ele é o grande responsável por tudo o que está acontecendo?

Ciro Gomes: Sem dúvida! O grande responsável por este momento político trágico que o Brasil está vivendo é o Lula, por que foi ele quem botou o Michel Temer na linha de sucessão. Ele que emponderou esse lado podre do PMDB, entregando, por exemplo, Furnas, e as “burras” de dinheiro de Furnas, pro seu Eduardo Cunha subornar parlamentares e virar presidente da Câmara. Isso eu fui dizendo pra ele muitas vezes durante o processo todo. Por exemplo, quando circulou a notícia de que seria dada Furnas pra ele, eu fui ao Lula pessoalmente. Abri a biografia do Eduardo Cunha como ladrão, ladrão da Telerj, ladrão da Cedae, ladrão do fundo de pensão da Companhia Habitacional do Rio de Janeiro. E ele me disse categoricamente que estava sendo chantageado e que não daria, e no dia seguinte nomeou.

BBC Brasil: Ele disse que estava sendo chantageado?

Ciro Gomes: Isso. Mas que não daria Furnas, e deu.

BBC Brasil: Vamos pensar num cenário com o senhor como presidente. O senhor já disse que o PMDB seria automaticamente afastado para a oposição…

Ciro Gomes: O primeiro indício de que o meu governo fará história é que o PMDB será, pela primeira vez na história, oposição. E eu vou partir para destruir isso.

BBC Brasil: Como é que isso pode ser possível? Porque ninguém nunca conseguiu governar sem o PMDB. O Lula começa, mas em 2003 …

Ciro Gomes: Ninguém conseguiu governar? Não é verdade não. O Itamar Franco governou sem essa escória. E eu servi a esse grande brasileiro como seu ministro. E um exemplo prático: Quando o Hargreaves (Henrique Hargreaves, ministro da Casa Civil de Itamar Franco), foi acusado de corrupção, Itamar o afastou, apesar de ser homem de confiança estrita dele, mandou apurar preventivamente e depois desagravou o Hargreaves e voltou. E essa é a chave. No Brasil, já que o PT e o PSDB impuseram micro projetos de poder, se você tiver um projeto de nação tem que conseguir comunicar as bases desse projeto ao conjunto da sociedade, aí, o nível de chantagem a que você se obriga a se submeter será muito reduzido.

BBC Brasil: Mas ainda assim, da forma como o modelo brasileiro está estruturado, o presidente é muito dependente do Congresso, quase refém.

Ciro Gomes: Ótimo que seja. O presidente não deve ser dono da bola, nem dono da verdade. Ele deve negociar com a sociedade, deve negociar com sua representação legítima. Eu não tenho nenhuma dificuldade nisso. Eu fui Deputado Estadual duas vezes, fui Deputado Federal, eu tenho muita experiência. Então o problema não é negociar, é em que linguagem você negocia. Quais são os limites de ética, de projeto e de valores com os quais você transige e aqueles em que você passa a linha e daí é pra trás. E o Brasil não pode mais transigir pois está demonstrado que não dá em nada. Aliás, o Fernando Henrique perdeu a eleição para o Lula e a Dilma acabou com a democracia brasileira. Ambos caíram, ambos os projetos ruíram em desmoralização. Olha aí o que resta do PSDB. Ainda vai se defender que esse é o modelo?. Só uma elite estúpida como a nossa.

BBC Brasil: O senhor acha que o PMDB é responsável por essa degradação?

Ciro Gomes: Não, o PMDB não. O PMDB apenas representa, na sua maioria, porque tem muita gente boa lá também, no (plano) simbólico, uma escória que hoje é hegemônica na política brasileira. Mas isso também inferniza muitos outros partidos.

BBC Brasil: Mas perturba também quem está ocupando a cadeira no Palácio do Planalto.

Ciro Gomes: Mas isso é porque se entregou, ao longo dos últimos vinte anos, o poder a essa gente, poder central. Quem era o líder do governo Fernando Henrique no Senado?

BBC Brasil: Romero Jucá.

Ciro Gomes: O Romero Jucá foi líder no governo Lula e no governo Dilma. Então como é que pode? Está certo isso? Olha o que está acontecendo com o nosso país. Tem que mudar.

BBC Brasil: Mas é justamente por isso que eu pergunto. Eles não conseguiram se livrar do PMDB.

Ciro Gomes: Não conseguiram, não. Eles quiseram subornar políticos para ter mais tempo de televisão e quiseram amordaçar as possibilidades de CPI. Essas são as duas únicas razões pelas quais se montou essa máquina de podridão no país, que está sangrando o Brasil. E não deu certo. Se tivesse dado certo, OK. É uma sabedoria, é uma transigência, uma concessão que se faz ao realismo político. Eu sou do ramo. Eu não sou uma mocinha que chegou ontem ao bar. Eu conheço tudo isso aí. Mas isso é mentira. Isso é a ciência do fracasso. É o oposto.

BBC Brasil: Será possível um dia?

Ciro Gomes: Para sua geração é difícil. Mas repare, eu fui governador do Ceará, fui prefeito, tinha cinco vereadores em 41, o meu partido tinha. Governei praticamente com unanimidade. Então eu conheço o ramo. Agora se você fizer uma negociação correta… No caso brasileiro, as grandes mediações passam pelo pacto federativo, pelos governadores dos Estados. Se você fizer uma negociação ao redor de qualidade de teses. Você já na campanha deve comover as pessoas a votar em aliados seus. Aliás é o que tem acontecido no Brasil. Porque senão nós ficaríamos na seguinte pergunta irrespondível: Qual foi a reforma que o Fernando Henrique propôs e que este Congresso não deixou passar? Nenhuma! Qual foi a grande reforma do Lula que o Congresso não deixou passar? Nenhuma!

BBC Brasil: É, mas a reforma da Previdência passou com o Mensalão, por exemplo.

Ciro Gomes: Sim, mas é por que? É como eu estou tentando demonstrar. Os interesses reais não estão ali. Então você tem hoje um interesse real no Brasil que é plutocrata. É o baronato comandando sem legitimidade nenhuma. Mas a grande pergunta é como é que um deputado vota contra os interesses da classe trabalhadora assim tão despudoramente? É a presunção de que o povo é idiota. E eles vão ver que o povo não é. Eu vou lhe dizer, a reforma da Previdência como está não passa. Assim como está, não passa. Não passa. Passou na Comissão porque ela é escolhida a dedo. Mas no Congresso não passa, como está. Eles vão descaracterizar, vão tentar livrar a cara, mas não passa. Nós já ganhamos essa parada com a greve geral.

BBC Brasil: Falando em personagens de peso e no Congresso, vamos falar sobre o deputado Jair Bolsonaro. Ele tem crescido, tem se destacado e ganhado uma visibilidade que nunca teve e ele está na Câmara há muitos anos. O senhor já chamou o Bolsonaro de tosco e disse que ele é franco. Também disse que ele ocupa uma função tática porque ele atrai parte daqueles que estavam alinhados com o PSDB. O senhor acha que quem verbaliza sem pudor uma posição extrema, controversa, é bom ou ruim?

Ciro Gomes: Para o país? É bom, claro. Sou um democrata visceral, de raiz. E fato ou não, há no Brasil um conjunto de pessoas – rapazes normalmente com um grave problema afetivo em casa, com crise de autoridade com o pai ausente – que precisa se expressar, categorias que inferiorizem os outros para que eles não se sintam tão nada. Eu entendo isso com meu coração. O Jair representa isso. Ele fala com franqueza, com um certo caráter tosco, essas coisas. Ele cumpre um papel, na minha opinião, importante, porque ele aclara, ele tira o véu. E, basicamente, ele dá uma parada técnica, um pit stop, para esse eleitorado conservador que votava por antipetismo visceral no PSDB e que percebeu que o PSDB é uma grande fraude.

BBC Brasil: Há quem diga que o senhor mede um pouco as palavras para falar do Bolsonaro.

Ciro Gomes: Eu meço primeiro e vou te explicar porquê. Primeiro, por isso que acabei de te dizer e segundo, porque ele votou em mim na eleição de 2002.

BBC Brasil: O senhor tem medo de bater nele?

Ciro Gomes: Eu tenho medo de quê, mulher? Eu tenho coragem de mamar em onça. A guerra entre a turma dele e a minha na internet é uma coisa selvagem. Mas eu não. Tu achas que vou me preocupar com isso? Estou preocupado é com o Brasil.

BBC Brasil: Já o Doria… o senhor tem uma posição bem diferente em relação a ele.

Ciro Gomes: Porque esse é um farsante, perigoso. Certa elite brasileira, desencantada com a podridão do PSDB oficial, está embalando um novo Collor. É um farsante, perigoso para o país.

BBC Brasil: Por que o senhor acha que ele é um farsante?

Ciro Gomes: Ele é um cara que encheu a burra de ganhar dinheiro com lobby. Como o cara é milionário e não tem uma roça, não tem um comércio, nunca produziu um parafuso? É uma fortuna, rodando de jatinho por aí afora. De onde veio esse dinheiro? Eu sei, lobby.

BBC Brasil: Lobby do bem ou lobby do mal?

Ciro Gomes: Lobby puro e mal. Lobby de dinheiro público. Dinheiro dos cofres públicos de cofres públicos do PSDB, dos governos controlados pelo PSDB de São Paulo, Minas Gerais e muitos outros. Esses piqueniques todos são negócios de aproximação de empresário e de político, que é a arte dele. Ele foi presidente da Embratur e eu era prefeito de Fortaleza. Agora vem se apresentar de não-político? É um farsante.

BBC Brasil: Essa mesma relação perniciosa que a gente vê com as empresas investigadas pela Lava Jato?

Ciro Gomes: Rigorosamente a mesma coisa. É o velho patrimonialismo brasileiro. Na Embratur, ele contratou empresa de eventos. A turma do PSDB adora roubar assim. Aí o PT aprendeu e começou a roubar também. Essas coisas de eventos, cursos de capacitação, pega-se bilhões de reais.

BBC Brasil: Falando em PMDB, vamos falar um pouquinho de Michel Temer, que o senhor definiu como um chefe de governo de patetas.

Ciro Gomes: Estou na dúvida se é quadrilha, pateta ou outra coisa pior. Quadrilha é muito grave, pateta é tão grave quanto. Por que pateta? O Brasil toma uma traulitada num produto de exportação relevantíssimo, que emprega 700 mil pessoas no setor de proteínas animais e o cidadão convoca às pressas os embaixadores dos principais (países) importadores para comer numa churrascaria onde só vende carne importada. O camarada chama a imprensa nacional e internacional para fazer uma fala em homenagem ao dia internacional das mulheres e ele diz que as mulheres são quem melhor sabem escolher preço em supermercado. Isso é uma patetada. Agora ele convocou as Forças Armadas norte-americanas, violando uma tradição de 300 anos, salvo na II Guerra Mundial, para fazer manobras conjuntas com as forças brasileiras, na Amazônia e na fronteira com Venezuela. Isso é muito grave. A quem interessa isso? Aí veja, eu tenho que ser destemperado… Alguém tem que matar o carteiro porque ninguém está falando nada.

BBC Brasil: O senhor também já teve alguns momentos controversos, por exemplo…

Ciro Gomes: Eu falo cinco horas por dia, todo dia, há 30 anos. Se eu tenho cinco, sete momentos controversos, quem não tem?

BBC Brasil: O senhor falou da infeliz frase do Temer em relação ao dia da Mulher e eu me lembrei, automaticamente, de quando perguntaram da Patrícia Pilar para o senhor.

Ciro Gomes: Você nunca viu eu falando isso na vida.

BBC Brasil: Inventaram aquela frase?

Ciro Gomes: Editaram claramente e foi a Globo. O que importa é a versão da Globo, não a realidade. Inventaram agora esse negócio de pós-verdade. Eu chamo de mentira. Um psiquiatra americano, contratado pela campanha do José Serra, sugeriu que minha vaidade se feriria se as pessoas insistissem que a Patrícia Pillar tinha uma relevância central na minha persona politica. Era o amor da minha vida, minha conselheira, e minha companheira de tudo. E foi isso que disse. Aí, ferido, 150 vezes após a mesma pergunta, sempre pela Globo, eu disse a bobagem. Disse ela é minha mulher, minha parceira, minha tudo e, além do mais… aí falei a bobagem. Nunca mais ninguém esqueceu. Eu não tenho um inquérito. Tinha direito a três pensões vitalícias que me dariam R$ 86 mil. Sou o único político brasileiro que não aceita receber nenhuma. Isso nunca foi comunicado ao povo brasileiro. Estou em Londres, falando à BBC Brasil, e de que você lembra? Você não citou que eu não recebo pensão.

BBC Brasil: Não citei que o senhor não recebe pensão, mas lembrei que o senhor teve um inquérito da farra das passagens aéreas na Câmara.

Ciro Gomes: Não. Nunca respondi a nenhum inquérito na vida.

BBC Brasil: Mas abriram uma investigação, não?

Ciro Gomes: Sim. Eu dei uma boa esculhambada. Eu viajei com para os Estados Unidos com minha mãe. Eu paguei minha passagem e ela a dela. E a TAM trocou. E depois soltou uma nota oficial se responsabilizando. Mas nunca respondi a inquérito nenhum. Veja sua pesquisa. Abri mão das pensões de R$ 86 mil.

BBC Brasil: E o senhor vive de que hoje?

Ciro Gomes: Faço palestra. Sou advogado, tenho um escritório de advocacia. Trabalho para uma universidade como consultor.

BBC Brasil: Voltando aos assuntos dos inquéritos. O senhor como secretário de Saúde do Ceará, foi denunciado pelo Ministério Público envolvendo terceirização. O que aconteceu? O juiz não acatou. A denúncia morreu, foi arquivada?

Ciro Gomes: Sim, claro. Nunca respondi a um inquérito, nenhunzinho, sequer para ser absolvido. Assumi a secretaria de Saúde do Ceará porque meu irmão (ex-governador Cid Gomes) havia construído 20 UPAs que estavam sem funcionar, dois hospitais que estavam sem funcionar, 150 ambulâncias da SAMU prontas, sem funcionar, e ele pediu para eu colocar aquilo em ordem porque o Ministério Público não deixava e os médicos estavam com medo. Eu fui lá e fiz. Tudo isso passou a funcionar do dia para a noite. Aí um babaca lá, desses que infernizam a vida brasileira, resolveu fazer isso (apresentar a denúncia). E aí? Qual é a malversação? Criei uma cooperativa de socorristas e coloquei a SAMU para funcionar em todos os municípios do Ceará. Salvei milhares de vidas e estou orgulhoso disso. Denúncia arquivada.

BBC Brasil: Tem uma investigação antiga rolando, na qual o senhor teria contratado uma empresa de inteligência…

Ciro Gomes: Você foi ler isso na Folha de S.Paulo, que simplesmente inverteu.

BBC Brasil: O senhor diz isso porque foi hackeado, correto? Explica essa história para entendermos o que aconteceu.

Ciro Gomes: É simples. Lá na paróquia, no meu Ceará, um grupo de canalhas hackeou meu computador e começou a replicar meus e-mails ou falar coisas que tinham como premissa informações privadas minhas, de e-mail. Eu não tenho segredos. Acessaram de fato. Eu representei na polícia. A polícia fez uma perícia, uma investigação, e descobriu todo mundo. E isso está lá, rolando o processo. E a Folha simplesmente inverte.

BBC Brasil: E a suposta suspeita de que o senhor teria contratado a Kroll é infundada?

Ciro Gomes: Nunca aconteceu comigo. A acusação foi contra meu irmão. Não foi comigo. Trocaram Ciro por Cid.

BBC Brasil: Isso é muito comum? Atribuir suspeitas contra o senhor relacionadas ao seu irmão?

Ciro Gomes: Não, meu irmão também é limpo. Lá em casa a gente toca de ouvido de olho fechado.

BBC Brasil: O senhor acha que a ex-presidente Dilma, do ponto de vista econômico, errou ainda mais?

Ciro Gomes: Foi um desastre completo indo e voltando. Quando deu-se o desfinanciamento desse nível de consumo eles reagiram como se fosse a crise de 2008, quando os preços das commodities estavam lá em cima. O Brasil não teve tanto problema porque bastava enfrentar o colapso do crédito internacional com nossos bancos, o BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica, com alguma renúncia fiscal. Era claramente uma boa resposta. Só que dessa vez (com Dilma), o problema foi o desfinanciamento estratégico do país, que tem um padrão de consumo importado, que apresenta déficits gigantescos e que eram mascarados como boom de commodities. Quando as commodities caíram foram fazer renúncia fiscal e foram arrebentando o país. É inacreditável. E para resolver o problema chamaram o Levy, que é quinto nível e em experiência anterior no serviço público quebrou o Rio de Janeiro, para ser o ministro da Fazenda do Brasil. Dá vontade de rir para não chorar. Na maior depressão da história, coloca a maior taxa de juro na história.

BBC Brasil: O senhor veio a Londres para participar de uma mesa com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e o ex-ministro Jaques Wagner. Tem verdades a serem ditas tanto ao PT e o DEM?

Ciro Gomes: Claro. Não vim para conversar com eles, vim para conversar com estudantes brasileiros e com os acadêmicos britânicos que têm curiosidade sobre o Brasil. E vou dar um depoimento que representa minha experiência. Vou demonstrar a estupidez retórica e a manipulação de valores falsos por essa história de presidencialismo de coalizão. Atributam ao Congresso os problemas do Brasil, mas os problemas do Brasil são do Executivo. Falta de imaginação, de projeto, falta de seriedade, esses sim são os problemas.

BBC Brasil: E com a sociedade civil?

Ciro Gomes: Essa é essencial. Sem a sociedade envolvida, cúmplice, não vamos resolver esse conflito distributivos. Brinco sempre: toda vez que você olhar um tatu em cima de um toco, pode apostar que alguém botou porque tatu não sobe em toco. Então tudo que está errado não está assim porque tinha um manual de fazer certo, está errado para atender a interesses minoritários, organizados e informados, que constrangem a grande mídia e que formam a opinião das pessoas.Paulista de nascimento e cearense de criação, Ciro Gomes já foi prefeito, deputado estadual, deputado federal, governador e ministro dos governos Itamar Franco e Lula. Hoje ele enche a boca para dizer que tem 37 anos de vida pública e é a pessoa mais preparada para ser presidente do Brasil.

Deputados, advogados, assessor do vice-governador e jornalista são alvos de escutas fraudulentas executadas pela PM 25

ARAPONGAGEM PANTANEIRA

Deputados, advogados, assessor do vice e jornalista são alvos de escutas ilegais em MT

Gaeco arquivou procedimento, mas PGR manteve investigação que será mostrada no Fantástico

Da Redação

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Um amplo esquema de “arapongagem” envolvendo autoridades no Estado teria contado com a participação de agentes do Setor de Inteligência da Polícia Militar. As escutas telefônicas ilegais em Mato Grosso são investigadas pela Procuradoria Geral da República e serão tema de uma reportagem especial do programa Fantástico, da Rede Globo, prevista para ir ao ar no próximo domingo (14).

FOLHAMAX teve acesso com exclusividade a um trecho da investigação. O esquema tinha origem no setor de investigação da Polícia Militar de Mato Grosso.

Oficialmente, a PM tratava como alvo uma quadrilha especializada em tráfico de drogas.

A PM pediu em 2014 autorização a um juiz que atuava na comarca de Cáceres, região da fronteira com a Bolívia. Hoje, o magistrado está atuando na capital.

Em meio a uma lista de possíveis traficantes, estavam números de políticos, empresários, médicos e outras pessoas que sequer teriam relação com o esquema ilícito. Essas pessoas tinham “codinomes” quase que semelhantes aos seus nomes originais.

O magistrado, ao ler o teor da investigação policial, autorizava as escutas contra todos os alvos. O relatório aponta que o magistrado não teria conhecimento do esquema, conhecido como “barriga de aluguel”, em grampos.

Além de casos relacionados a quadrilha de tráfico de drogas, o grupo também utilizou uma investigação contra assaltantes de supermercados para grampear números de políticos. Esta inclusão de novos nomes ao sistema de arapongagem aconteceu em meados de 2015.

Um dos alvos do grampo ilegal foi a deputada estadual Janaína Riva (PMDB), oposição ao Governo do Estado. Ela atendia pelo codinome “Janir” e teve dois números grampeados. “Esses interlocutores vêm fomentando consideravelmente a mercancia de drogas em nosso Estado, notadamente pasta base de cocaína oriundo de Cáceres e região, e notadamente os índices de violência na região Oeste de Mato Grosso, baixada cuiabana e região Sul do Estado, necessitando um maios acompanhamento do Estado”, justifica o relatório da PM no pedido de escuta telefônica.

A lista tem, pelo menos, 120 alvos das escutas telefônicas. Nos documentos, pode-se pode constatar números de telefones de deputados federais e estaduais, coronéis da PM e médicos.

Um dos assessores do vice-governador Carlos Fávaro (PSD) também está entre os “grampeados”. O relatório ainda aponta que a esposa de um deputado do PMDB, dezenas de assessores parlamentares também foram “grampeados”.

O jornalista José Marcondes, o “Muvuca” (PHS), também foi alvo sendo que agentes o monitoravam praticamente 24 horas por dia. Outro alvo é um vereador licenciado que ocupa uma secretaria na prefeitura de Cuiabá.

Um ex-servidora do Estado, com iniciais T.S, também foi grampeada. No entanto, o conteúdo de suas escutas devem integrar outro inquérito.

Ainda foram alvos das escutas três advogados. Um deles, José do Patrocínio, foi alvo durante a campanha eleitoral de 2014, quando tinha como clientes políticos do PMDB, e respondia pela coordenação jurídica da campanha de Lúdio Cabral (PT) do Governo do Estado.

Outro advogado “grampeado” trabalha como assessor de um desembargador de Câmara Criminal do Tribunal de Justiça. O terceira atual na área ambiental.

Em entrevista ao FOLHAMAX, Patrocínio confirmou ter sido grampeado. Ele disse ter tomado conhecimento do esquema quando foi procurado pela equipe de reportagem do Fantástico. “Não tinha ideia de que isso ocorreu. Foram dois números em meu nome, sendo que um deles é do celular utlizado pela minha esposa. Isto é revoltante e irei tomar as medidas cabíveis”, declarou.

DENÚNCIA

O esquema chegou as autoridades por meio de uma denúncia anônima recebida pelo então secretário de Segurança Pública, Mauro Zaque, no final de 2015. Ele tratava de eventual existência de interceptações telefônicas clandestinas no âmbito da Polícia Militar.

De acordo com o Governo do Estado, a denúncia chegou a ser encaminhada ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado), que decidiu pelo arquivamento por insuficiência de evidências. No final de 2016, a denúncia chegou a Procuradoria Geral da República, que deu andamento as investigações. Ele deve gerar um grande escândalo no Estado.

Na tarde desta quinta-feira, o secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, pediu exoneração do cargo. Ele afirmou que voltará a atuar na advocacia e citou este caso.

Segundo o agora ex-secretário, a denúncia foi feita pelo ex-secretário de Segurança, Mauro Zaque, e se ex-adjunto Fábio Galindo. Em outubro de 2015, após receberem os relatos dos fatos, eles encaminharam a denúncia ao governador Pedro Taques.

Palocci é coagido pela força-tarefa a afastar o advogado José Roberto Batochio, insinua jornalista da Folha de São Paulo 12

Palocci decide fazer delação e afasta advogado contrário ao acordo

Danilo Verpa – 26.set.2016/Folhapress
SAO PAULO - SP - 26.09.2016 - Veiculo chega a sede da PF em Sao Paulo. O ex-ministro da Casa Civil e da Fazenda Antonio Palocci (PT) foi preso temporariamente na manhã desta segunda-feira (26) na 35ª fase da Operação Lava Jato, em São Paulo. A nova fase da operação, intitulada Omertà, investiga indícios de uma relação criminosa entre o ex-ministro e a empreiteira Odebrecht... (Foto: Danilo Verpa/Folhapress, PODER) ORG XMIT: LAVA JATO
O ex-ministro Antonio Palocci, durante fase da Lava Jato em 2016

MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO

12/05/2017 17h49 – Atualizado às 18h15

O ex-ministro Antonio Palocci decidiu negociar um acordo de delação premiada com os procuradores da Operação Lava Jato. Na tarde desta sexta (12), ele avisou seu advogado de defesa, o criminalista José Roberto Batochio, que ele terá de se afastar do caso, o que deve ocorrer ainda hoje.

A negociação do acordo será feita por dois advogados de Curitiba, Adriano Bretas e Tracy Reinaldet. Os dois já haviam sido contratados por Palocci, mas, sem maiores explicações, o ex-ministro rompeu o acerto inicial. Nesta semana Palocci retomou as conversas com Bretas e Reinaldeti e decidiu que partiria para a delação. Réu em dois processos em Curitiba, Palocci teme que suas condenações possam ultrapassar os 30 anos de prisão.

A Folha apurou que o afastamento de Batochio foi uma exigência da força-tarefa da Lava Jato porque o criminalista é contrário a esse tipo de acordo.

A colunista Mônica Bergamo havia antecipado nesta sexta (12) que o ex-ministro tinha retomado as negociações com o advogado Adriano Bretas sobre delação.

O próximo passo para Palocci será desistir do pedido de habeas corpus que está para ser julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal). O ministro Edson Fachin decidiu que o pedido não será julgado pela segunda turma do Supremo, que soltou quatro investigados da Lava Jato em menos de uma semana: o ex-ministro José Dirceu, os empresários Eike Batista e José Carlos Bumlai e o ex-tesoureiro do PP João Cláudio Genu. A decisão de Fachin foi vista pela defesa de Palocci como uma manobra para evitar mais uma derrota.

Pesou na decisão de Palocci a operação que a Polícia Federal deflagrou nesta sexta (12), em torno de repasses do BNDES para o grupo JBS, num total de R$ 8,1 bilhões. Palocci é apontado nas investigações como um dos intermediários dos financiamentos que geraram supostas propinas para o PT. Uma das hipóteses investigadas pela PF e pelos procuradores é que o partido ficava com parte dos repasses do BNDES.

Outra influência na decisão de Palocci foi a delação da Odebrecht. Documentos apreendidos pela Polícia Federal, depois incluídos no acordo da Odebrecht, apontam que o ex-ministro foi responsável por administrar repasses no valor de R$ 128 milhões entre 2008 e 2013.

Palocci era chamado de “Italiano” nos comunicados internos da Obebrecht sobre repasses para o PT. O ex-ministro ficou negando por meses que era o “Italiano”, mas o codinome foi confirmado por Marcelo Odebrecht, ex-presidente do grupo que leva o seu sobrenome.

Ex-ministro da Fazenda de Lula e chefe da Casa Civil de Dilma, Palocci foi preso em setembro do ano passado numa fase da Lava Jato chamada Omertà, que quer dizer “lei do silêncio” no linguajar dos mafiosos italianos e era, ao mesmo tempo, uma referência ao apelido que o ex-ministro tinha nos registros da Odebrecht.

A delação de Palocci é vista com potencial explosivo para atingir o sistema financeiro porque ele era o principal interlocutor do PT junto aos bancos. Ele deve também citar alguns dos maiores empresários do país, como Joesley Batista, da JBS, e Abílio Diniz.

Uma auditoria interna do Pão de Açúcar apontou que uma empresa de Palocci recebeu R$ 5,5 milhões do grupo entre 2009 e 2010 sem comprovação de que os serviços de consultoria que justificavam o pagamento fossem comprovados. Procuradores suspeitam que o pagamento possa ter alguma relação com a campanha de Dilma Rousseff (PT), de 2010, na qual foi eleita presidente pela primeira vez.

Procurado pela Folha, o grupo JBS informou que não iria se manifestar.

Abílio Diniz afirma em nota que a auditoria que apontou a inexistência prestados por Palocci foi realizada pelo grupo Casino e no período analisado (2009-10) ele não exercia função executiva na empresa. Ocupava o conselho de administração junto com o francês Jean Charles Naouri. Segundo a nota, a relação do Pão de Açúcar “sempre foi com o escritório de Márcio Thomaz Bastos, nunca com Antonio Palocci”.

Diniz diz que “o contrato da Projeto Consultoria, de Antonio Palocci,com o escritório de Márcio Thomaz Bastos, inclusive, já foi objeto de investigação, tendo sido encerrado por não apresentar indícios de irregularidades”.