RANÇOSAS MANIFESTAÇÕES CONTRA A POLÍCIA MILITAR(como fazer inimigos externos e cultivar descrédito)

“Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007

SOBRE A CARTA DOS OFICIAIS DA P.M.
FIQUEI ABSOLUTAMENTE INDIGNADO COM A CARTA DA ASSOCIAÇÃO DOS OFICIAIS DA POLÍCIA MILITAR E ENVIEI O E-MAIL ABAIXO AO PRESIDENTE DA ADPESP – ASSOCIAÇÃO DOS DELEGADOS DE POLÍCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO.APESAR DE NÃO TER DEFENDIDO OS TERMOS DA CARTA DO DR. GAMA, QUANDO ENVIADA, ACHO QUE A POSTURA DA A.O.P.M. FOI DE EXTREMA ARROGÂNCIA, INTROMIÇÃO E PREPOTÊNCIA, DEMONSTRANDO CLARAMENTE INTENÇÃO DE CENSURAR E CONTROLAR AS MANIFESTAÇÕES E OPNIÕES DOS DELEGADOS.
QUEM ELES PENSAM QUE SÃO?* * * * * * * * * * * * * * * * * *Ilmo. Dr. Sergio M. Roque,
Acabei de tomar conhecimento no site http://www.aopm.com.br/ de carta endereçada à V. Sa. e fiquei pasmo com tamanha arrogância e agressividade. Vejamos os termos:
“Ao Sr. Presidente da ADPESP
Dr. Sérgio Marcos Roque
1. Tendo em vista divulgação no site dessa entidade, no item Notícias, com conteúdo deselegante, irresponsável e inconseqüente, sob o título “Carta aberta ao Governador” , assinada pelo Delegado Marcos Antonio Gama, dirigimo-nos a V.Sª. visto o excelente relacionamento entre nossas Associações, representantes dos interesses profissionais comuns, já demonstrados em inúmeras ocasiões, e não acreditando que o conteúdo desse documento expresse o pensamento da categoria.
2. Também, causa-nos estranheza o fato de matéria tão aviltante ter sido inserida em veículo oficial de divulgação dessa entidade, sem aprovação de responsabilidade de quem de direito.
3. Ao nosso entender, o comportamento desequilibrado desse cidadão, Delegado Marcos Antonio Gama, não pode afetar excelente relacionamento entre as nossas entidades, pelo que solicitamos a manifestação de V.Sª.
Aproveito a oportunidade para renovar os votos de elevada estima e apreço.Cel. Res. PM Salvador Pettinato Neto
Presidente Interino – AOPM”

Apesar de não concordar com o conteúdo demasiadamente emocional da carta-desabafo do Dr. Gama, entendo que os termos da missiva acima transcrita são ofensivos para com a classe dos Delegados, além do próprio Dr. Gama.A carta-cobrança da AOPM demonstra justamente o contrário do que afirma, qual seja, o de que nunca mantivemos qualquer espécie de “bom relacionamento” com os oficiais da PM, mas sim sempre fomos por eles usados e sugados. Não é verdade, tampouco, que possuam “interesses profissionais comuns” com o de nossa categoria, pois exercem (ou deveriam exercer) atividade diversa da nossa.
De fato, são eles os responsáveis pelo patrulhamento preventivo ostensivo (muito embora seja bastante difícil achar um oficial desempenhando essas funções), enquanto que aos Delegados incumbem as funções de polícia judiciária.
Além disso, muito me estranha a afirmativa de que o Dr. Gama enviou a carta “sem aprovação de responsabilidade de quem de direito”, dando a entender que a ADPESP deveria censurar previamente as manifestações e idéias dos associados, cerceando-lhes a liberdade de expressão, como se estivéssemos sob a égide da caserna nos tempos da ditadura.
Aproveito aqui para manifestar o quanto entendo equivocada a realização de curso superior de polícia entre Delegados e oficiais.
Para mim isso soa tão absurdo como se recebêssemos a notícia de que os Juízes estivessem fazendo um curso superior na Escola Paulista da Magistratura com oficiais de Justiça.
Será muito difícil lutar para manter o Delegado de Polícia no rol das carreiras jurídicas se a Administração insiste em nos equiparar a patrulheiros. Sem desmerecer a função, mas como diria o caipira: “anú com anú, nambú com nambú”.
Espero que V. Sa., como digno representante de nossa classe, apresente o necessário desagravo a essa estapafúrdia carta.
Atenciosamente,
Emanuel M. Lopes”(Blog coragem e transparência).

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Com todo o respeito à liberdade de opinião e de manifestação dos colegas Delegados de Polícia, quero ressaltar que desde a divulgação da Carta Aberta ao Governador – de autoria do Dr. Gama digno secretário da ADPESP – vislumbrei efeitos nefastos em nosso desfavor. E neste sentido fiz diversos comentários e, também, elaborei a carta que denominei “A outra Face”, publicada aqui e no blog da CPMAI.
Com efeito, a missiva – possivelmente de cunho eleitoreiro (eleições na ADPESP) – repete antigas falácias. Cantinelas do Dr. Bismael B. Moraes, cujos temas preferenciais sempre foram as críticas em desfavor da Polícia Militar.
O Dr. Gama apenas repetiu vetustos assuntos como: “canil”, “cavalaria” e “folha de pagamento” privada, isto é, a dita “caixa preta da Polícia Militar” (seria um caixa dois?). Faltou criticar a existência da Banda da Polícia Militar.
Tudo tão antigo quanto a paridade de vencimentos e a realização dos cursos superiores de polícia por Oficiais e Delegados.

Políticas de governo adotadas desde o meado da década de 70(setenta).

Como, também, a existência das Delegacias Regionais de Polícia cuja base territorial compreendia a um Comando de Policiamento de Área.
As políticas de segurança sempre buscaram a integração das policias civil e militar.
Não assistindo razão ao colega Emanuel quando afirma: “será muito difícil lutar para manter o Delegado de Polícia no rol das carreiras jurídicas se a Administração insiste em nos equiparar a patrulheiros”.
Afirmação tão repugnante quanto a de certos Oficiais que nos desqualificam com a denominação “polícia cartorária”.

Há leviandades dos dois lados; e prestadores de desserviços .
E Oficiais e Delegados de Polícia sempre foram remunerados equivalentemente, ainda que em datas diferentes.

Pois, os Delegados – por questões meramente administrativas – tinham seus vencimentos revistos, um pouco, antes dos Oficiais.

E, por mais absurdo que possa parecer, as duas carreiras recebiam vencimentos equivalentes aos dos Promotores de Justiça; estes, por sua vez, com vencimentos sempre equivalentes aos dos Magistrados.

Quem necessitar de prova deve buscar ler os ementários de legislação policial que eram editados pela Secretaria de Segurança Pública na década de setenta. Conferindo-se os Decretos e respectivas tabelas.

A paridade de vencimentos, entre as Polícias, sempre foi o costume do Governo; raramente interrompido neste Estado.

Ou melhor: tal equivalência é cultural.

É histórica… Desafio alguém vir refutar tal afirmação.
E que me perdoem alguns colegas – como escrevi no primeiro artigo publicado neste “blog” – a nossa Carreira perdeu o prestígio de função jurídica a partir do momento em que passamos a agir como “tiras de gravatas”. Meros arrombadores de portas (enquanto não necessitávamos de mandado para realizar busca domiciliar) e subscritores de “ordens de recolha” (prisões ilegais para averiguações).
O Oficialato, por sua vez, manteve o seu perfil e doutrina; enquanto nós continuamos caldeados: ingressa qualquer um que possua faculdade de direito.

Tal requisito, por si só, não qualifica ninguém a se autoproclamar como uma espécie de profissional de elite da polícia, especialmente quando a carreira dos Delegados é composta, em sua maioria, por ex-investigadores.

Fato que, na prática, equivale – em seus efeitos – à promoção derivada.

Um mero acesso por melhores vencimentos.

Não há, na maioria dos casos, vocação para as atividades típicas da autoridade de polícia judiciária.

E por mais cultos fossem os ex-policiais não se pode afirmar terem eles conhecimento daquilo que, verdadeiramente, possa ser qualificado como próprios de operadores do direito.

Assim, se um Oficial é um mero “patrulheiro”; se poderá dizer que o Delegado é um mero “investigador melhorado”; nada mais.

Eu nunca permitiria que um Promotor nos definisse como “investigadores melhorados”.

Por fim, o elitismo descabido de alguns Delegados rançosos só nos causa prejuízos…

E cada vez com mais inimigos.

Ficaremos isolados e fracos; em todos os sentidos.

Em homenagem ao Doutor Paulo Fernando Furquim de Almeida e ao Coronel Octavio Adauto Cotrim, respectivamente, Delegado Regional e Comandante do CPA de Santos. Exemplos de cultura, profissionalismo e harmonia entre as carreiras policiais, os quais se formaram no primeiro Curso Superior de Polícia há três décadas.

NOVO DGP FORTALECERÁ O TRABALHO DA CORREGEDORIA

Radiografia da Institutição
O novo delegado-geral da Polícia Civil disse que quer fazer uma “radiografia” de todos os departamentos da instituição antes de fazer mudanças na corporação, comuns quando há a troca de comando.
“Vamos dar continuidade à política do governador [José Serra], as orientações do secretário, mas peço um tempo para poder fazer uma “radiografia’ ampla dos departamentos de polícia. Depois, com o secretário [da Segurança, Ronaldo Marzagão], vou tomar decisões”, afirmou o novo delegado-geral.
Lemos Freire já atuou em quase todos os departamentos da Polícia Civil ao longo de seus 30 anos de carreira na corporação. Para coibir o desvio de policiais, Lemos Freire diz que fortalecerá o trabalho da Corregedoria.
Além da Corregedoria, o delegado-geral também afirmou que quer aprimorar os serviços de investigação, prevenção e inteligência da polícia. “Quero dar continuidade ao trabalho feito atualmente, de uma polícia atuando com firmeza, mas dentro do equilíbrio necessário, entre liberdade individual e segurança pública. Substituir quando possível a força pela inteligência“, afirmou Lemos Freire.

DELEGADO-GERAL PEDE EXONERAÇÃO – ASSUMIRÁ O CARGO DE SUBPREFEITO DA SÉ

Chefe da Polícia Civil assumirá a administração de subprefeitura da Capital
O delegado-geral de Polícia de São Paulo, Mário Jordão Toledo Leme, que pediu exoneração do cargo nesta segunda-feira vai assumir a subprefeitura da Sé, cargo acumulado pelo secretário municipal de Coordenação de Subprefeituras, Andrea Matarazzo.
A idéia nasceu ontem (10) numa conversa entre Matarazzo e o governador José Serra (PSDB). Leme foi indicado pelo próprio Matarazzo ao cargo de delegado-geral. Ele foi delegado seccional do centro e conhece a região da Sé.
O próprio Serra telefonou para o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), para consultá-lo sobre a proposta. Convidado por Matarazzo, Leme aceitou.
PARABÉNS AO DOUTOR JORDÃO NESTA NOVA MISSÃO.
ALÉM DE SER MOTIVO DE ORGULHO PARA TODOS DELEGADOS DE POLÍCIA, A SUA INDICAÇÃO REPRESENTA UM ATESTADO DE COMPETÊNCIA E INTEGRAL CONFIANÇA.

MAURÍCIO JOSÉ LEMOS FREIRE É O NOVO DELEGADO-GERAL

SP: Maurício Freire é o novo chefe da Polícia Civil

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo divulgou nesta segunda-feira que o novo delegado-geral de Polícia de São Paulo é Maurício José Lemos Freire, 55 anos. Freire está nos quadros da SSP há 30 anos.
Mário Jordão Toledo Leme, atual delegado-geral, pediu demissão do cargo nesta segunda-feira. Ele ocupava a função há pouco mais de oito meses.
O novo chefe da Polícia Civil ocupava o cargo de diretor do departamento de identificação e registros diversos (Dird) da Polícia Civil. Ao longo da carreira de Delegado de Polícia, Maurício Lemos trabalhou como Operacional na Grande São Paulo e capital, no GER, Grupo Especial de Resgate (do qual é um dos fundadores), SOE, Setor de Operações Especiais e na Dise, Divisão de Investigações sobre Entorpecentes, ambos do Denarc. Foi também Delegado Adjunto no SAT, Serviço Aerotático, Divisionário e Diretor da Academia de Polícia, onde dá aulas de Armamento e Tiro, desde 1987.
Especializações na área de atuação policial são marcas no currículo do Diretor. Fluente em inglês, francês e espanhol, ele foi aluno de norte-americanos, canadenses, alemães, franceses, húngaros e argentinos em diversos cursos sobre segurança.
Único brasileiro credenciado, desde 1991, como instrutor da SWAT, Departamento de Polícia de Miami, o Dr. Maurício concluiu, em 2003, Mestrado em Turismo, no Centro Universitário Ibero-Americano, com o tema: “A Eficácia das Atividades Lúdicas no Preparo de um Grupo de Operações Especiais no Gerenciamento de Crises”. Ele explica que a preparação desses grupos é dispendiosa, de longa duração e que na maioria das vezes, menos de 5% dos inscritos conseguem se formar. “Esse trabalho, então, teve a função de desenvolver uma técnica nova para que, com a mesma qualidade final, se aproveitasse mais gente”, disse.
Segundo Maurício Lemos, atividades lúdicas melhoram a qualidade de interação entre os policiais que participam desses treinamentos – desenvolvendo espírito de equipe e qualidades de liderança, eles têm aumentadas as chances de concluir o curso.
Apaixonado também por esportes, Dr. Maurício é Juiz Internacional de Tiro ao Alvo em cinco modalidades Olímpicas e em 32 anos dessa prática, já conquistou 500 medalhas em competições. “A primeira medalha de tiro de combate internacional da história do Brasil é minha”, diz, com orgulho, referindo-se à conquista do 3º lugar no Campeonato Internacional de Tiro ‘Benito Juarez’, em 1984, na Cidade do México.

O doutor Maurício foi o grande responsável pela reformulação e criação de inúmeros cursos durante a sua gestão como Diretor da Academia de Polícia Civil.

Desejamos ao novo Delegado-Geral irrestrito sucesso; que nos lidere rumo ao total profissionalismo; e também nos leve a recuperação do incondicional crédito da população deste Estado, como membros de Instituição guardiã da sociedade.

SERIA MAIOR RIDÍCULO NÃO FOSSE A INTERVENÇÃO DO CHEFE DA POLÍCIA

São Paulo – O governador José Serra disse depois de participar das festividades do Dia da Independência, que o delegado André Luiz Di Rissio não deverá assumir o cargo de “professor temporário” da Academia de Polícia. O delegado passou em primeiro lugar no concurso da Academia de Polícia Civil (Acadepol) de São Paulo e a sua aprovação foi publicada ontem no Diário Oficial do Estado. O delegado responde a vários processos nos quais é acusado de corrupção, formação de quadrilha, escuta clandestina, tráfico de influência, contrabando e a advocacia administrativa.
Segundo o governador, há um regulamento interno da Academia que não permitirá que De Rissio assuma a cadeira de professor. O delegado é réu em processos nas Justiças Federal e Estadual. “O ato será desfeito”, disse o governador, acrescentando que o regulamento da Academia de Polícia contempla este tipo de situação. “É como numa sala de aulas. O primeiro aluno pode ser um problemático”, comparou Serra.
Quanto ao delegado Antônio dos Santos, acusado de receber R$ 50 mil em propinas para livrar da prisão em flagrante três acusadas de tráfico de drogas, o governador afirmou que ele já foi afastado, teve seu distintivo recolhido e está sendo investigado pela Secretaria de Segurança Pública. “Qualquer denúncia que tiver fundamento será investigada”, disse o governador. A denúncia contra Santos foi apresentada ontem pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público Estadual à 8ª Vara Criminal de São Paulo. A propina foi pedida por Santos, que teria trocado a sua escala de plantão para fazer o acordo com a quadrilha.
fonte: Francisco Carlos de Assis
DEVEMOS AGRADECIMENTOS AO EXMº GOVERNADOR JOSÉ SERRA.
O QUAL, RESPEITOSAMENTE, PODERIA CORRIGIR A NOVA SIGLA ADOTADA PELAS POLICIAS DO ESTADO:
P (pior) S ( salário) D (do) B(Brasil).

RIDÍCULO IV

O jornalista e escritor Percival de Souza – de quem muito respeitamos o trabalho, em várias frentes, buscando uma sociedade melhor – talvez não saiba que , atualmente, a mera representação “pelas vias hierárquicas” é o único instrumento do Delegado de Polícia para coibir desvios funcionais.

Não se pode, ao menos, lavrar um boletim de ocorrência em que policial civil seja parte.

Todo fato que envolver policial civil deve ser, preliminarmente, comunicado para o órgão corregedor; nem sempre membros da Corregedoria-Geral.

Lembrando que, em diversas Delegacias Seccionais, as funções correcionais continuam atribuídas aos respectivos Delegados Seccionais e Assistentes.

Em tais casos, objetivamente, não se pode falar em órgão corregedor isento e independente.

E aos órgãos correcionais caberá a adoção das eventuais providências na esfera criminal e administrativa, enquanto que o Delegado que formular a representação figurará como eventual testemunha ou denunciante.

Entenda-se figurará como “desleal”, “traidor” e “cagüeta”, conforme a cultura brasileira rotula quem comunica crimes e irregularidades.

E dependendo do direcionamento da apuração poderá acabar como réu em processos criminal e administrativo por denunciação caluniosa, insubordinação grave, deslealdade, procedimento irregular de natureza grave, etc.

Se a representação for em desfavor de superior hierárquico, verdadeiramente, será perseguido pessoal e funcionalmente.

Especialmente quando o teor da representação versar sobre crimes cometidos por um Delegado Seccional ou Diretor de Departamento.

Por outro aspecto o Corregedor-Geral, desde a criação da Delegacia-geral adjunta, passou a figurar como qualquer diretor de departamento.

Deixou de ser a segunda autoridade na hierarquia da Polícia Civil; substituto natural do Delegado-geral.

O referido cargo acabou, salvo melhor entendimento, enfraquecido.

Enfraquecendo-se, indiretamente, todos os Delegados de Polícia das classes iniciais e intermediárias.

A cúpula policial possui instrumentos disciplinares em relação aos subordinados.

Mas, os subordinados deixaram de possuir instrumentos correcionais, sem exposição a riscos pessoais e funcionais, em relação aos abusos e desvios dos superiores.

Aliás, nunca existiu na Polícia quaisquer instrumentos para repressão aos abusos e desvios dos superiores.

Tal lacuna, talvez, seja a fonte dos sucessivos ridículos envolvendo Delegados de Polícia.

RIDÍCULO É ISSO II

Delegado é denunciado pelo Ministério Público por corrupção
Antonio dos Santos é acusado de receber propina para liberar três traficantes há um ano.Ele ficará afastado até o fim da investigação.
O delegado Antonio dos Santos, do 97º Distrito Policial, no bairro de Americanópolis, Zona Sul de São Paulo, foi denunciado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo por corrupção. Há mais de um ano, ele teria liberado três pessoas que tinham sido presas em flagrante com 100 kg de maconha depois de receber propina.
Em uma investigação do setor de inteligência da Polícia Militar na época, um casal saindo de uma residência foi detido com a droga. Na casa, os policiais encontraram também cocaína e prenderam duas mulheres que foram levadas para a delegacia. Mas apenas um dos quatro presos continuou na cadeia. O delegado liberou as mulheres no mesmo dia. A história passaria despercebida, se não fossem conversas entre traficantes que estavam sendo gravadas, com ordem judicial. O diálogo principal é entre o dono da droga, ainda não identificado, e o vendedor, que fugiu da casa, quando a polícia chegou. O dono da droga diz que a liberação das mulheres teve um preço: R$ 50 mil.
Confira a conversa: Dono da droga: Cinquentão, hein, para soltar as meninas lá, mas tá resolvido, falou?
Em seguida, ele explica a negociação:
Dono da droga: Foi com o civil, mano, não foi com militar, foi com o delegado, mano. Vendedor: É, meu?! Dono da droga: Não foi com os militar (sic), não, ô! Vendedor: Os caras saíram fora . Dono da droga: Saíram fora. Aí jogaram na mão da civil, a civil pá. Vendedor: Já trocaram a maior idéia. Dono da droga: Já, mas também cinquentão, mano, não vai trocar?

Segundo funcionária da delegacia onde o delegado trabalha atualmente, Antonio dos Santos está de licença médica no momento. O delegado também não foi localizado em sua residência e não respondeu os telefonemas da reportagem do SPTV. A Corregedoria, que também apura o caso, ouviu do delegado a seguinte explicação: “O delegado alega que deixou de autuar em flagrante as mulheres por convencimento pessoal de que houve única e exclusiva participação do rapaz no caso. Esse é o argumento dele”, disse o corregedor da Polícia Civil, Francisco Campos. Segundo a Corregedoria, o delegado Antonio dos Santos vai ficar afastado da delegacia até o fim da investigação.

RIDÍCULO É ISSO!

Acusado vira professor da Academia da Polícia

ANDRÉ CARAMANTEda Folha de S.Paulo
Acusado de ter cometido uma série de crimes, dentre os quais falsidade ideológica, uso de documentos falsos, descaminho, contrabando e corrupção ativa, o delegado André Luiz Martins Di Rissio Barbosa foi aprovado em um concurso para ser professor da Academia da Polícia Civil de São Paulo. Ele vai lecionar a disciplina inquérito policial.
A nomeação do policial, atualmente afastado, foi publicada pelo “Diário Oficial” do Estado de ontem, no setor reservado às ações da Secretaria da Segurança Pública. Di Rissio é processado pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual.
Procurado, o secretário da Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, não falou sobre a aprovação. O delegado-geral da Polícia Civil, Mário Jordão Toledo Leme, por sua assessoria, afirmou que o diretor da academia da polícia, Marco Antonio Desgualdo, terá de homologar a aprovação.
Di Rissio não foi encontrado ontem pela reportagem. Em ocasiões anteriores, o delegado e seus advogados negaram as acusações feitas contra ele. Em uma carta encaminhada no dia 11 de julho de 2006 ao site da Associação dos Delegados do Estado de São Paulo, o delegado afirmou: “Como é do conhecimento de todos, vi-me envolvido e denunciado por práticas jamais adotadas, que repugno e repulso com veemência”.
Segundo a informação do governo de São Paulo, ele foi aprovado com média 99 (de 100) e foi o primeiro dos cinco aprovados para ensinar aos futuros policiais como deve ser uma investigação dentro da lei.

ASSOCIAÇÃO DOS SUB TEN E SARGENTOS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO 2

Distinto Dr. Guerra, venho através do presente solicitar que esse meu relato se possível seja publicado novamente em sua página, afim de que possamos não somente denunciar imoralidades cometidas por autoridades, mas também enaltecer àquelas Instituições sérias, que lutam por melhorias para nossa classe. Refiro-me principalmente a ASSOCIAÇÃO DOS SUB TEN E SARGENTOS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO, que ao longo do meu período de afastamento para tratamento de saúde, depois de um acidente, como anteriormente relatado, foi a única Instituição que me abriu as portas e me ajudou. Também tenho o conhecimento que ajuda outras centenas de pessoas que como eu fiquei à margem do descaso governamental. Tudo o que precisei nesse tempo e quando ainda preciso, sou recebido de braços abertos, e estão sempre dispostos a ajudar de diversas formas tais como (palavras de conforto, quando necessário, vales Alimentação, auxílio financeiro e tantas outras coisas). Relato ainda que a mesma luta a cada dia para reverter esse quadro absurdo que está nossa Segurança pública, apresentando projetos e debatendo constantemente com nossos Deputados. Nem sempre dá resultados, mas estão fazendo a sua parte. Gostaria por fim agradecer a Associação na figura do Srs. Brasão, Trujillo e Adelino, sem deixar de lado nosso Presidente Sr. Hélio e que continuem sempre assim, sendo pessoas comprometidas primeiramente com o bem estar de seu associados e a seguir com a melhoria de nossa Classe. Encaminho abaixo o Ofício Enviado ao Senado Federal para conhecimento de V As, e se possível publicação juntamente com meu relato.
OFICIO N°ASS/PM – 006-DAI/2007. Referência: Projeto de Emenda Constitucional 21/05. Pelo presente tenho a honra em dirigir-me até V.Exa. para solicitar-lhe o empenho no intuito de que a Emenda Constitucional ora referenciada seja totalmente rejeitada pelos motivos que ora apresentamos: Como representante de mais de 650 mil famílias de Policiais e Bombeiros Militares de todo o Brasil, englobando todos os Estados da Federação, sendo Presidente do Fórum das Entidades Representativas dos Militares Estaduais do Brasil, e, inclusive em nome do Comandante-Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Estado onde presido uma entidade que representa 25 mil Policiais e Bombeiros Militares, havendo uma reunião recente onde nos foi autorizado pleitear a reprovação total do P.E.C. 21/05. As questões que envolvem a Segurança Pública não podem ser tratadas pelo Congresso Nacional sem antes uma ampla e democrática discussão com as Forças Policiais e suas diversas categorias e outros setores da sociedade civil. Não será a alteração constitucional das atribuições das Polícias que irá trazer resultados positivos à questão da Segurança Pública. O Senador Tasso Jereissati, autor da matéria, foi infeliz em vários aspectos. Primeiramente não observou o princípio democrático da ampla discussão com as partes envolvidas. Segundo limitou-se a entender Segurança Pública dentro da sua limitação territorial, esquecendo-se de que o Brasil possui diferenças regionais acentuadas. A questão da criminalidade e da violência no país não deve ser atribuída às Policias Militares, com proposta de desconstitucionalização, de alteração gritante no sistema previdenciário dos Policiais, na confusão que haverá ao deixar que cada Estado crie a sua Polícia em particular. Chega o exemplo das Guardas Civis Municipais que existem para satisfazer tão somente os interesses do Prefeito e da sua administração, não havendo até os dias atuais nenhuma contribuição com a Segurança Pública dos municípios. Desconstitucionalizar as Polícias Militares e incluir na Constituição Federal o “poder de polícia às guardas municipais“ dará o nosso PARLAMENTO provas à sociedade de muita incoerência legislativa. Mesmo diante da grave crise que o Brasil enfrenta na questão da Segurança Pública não vimos o Senado Federal e nem a Câmara dos Deputados agir de maneira a apresentar propostas exeqüíveis e transformadoras da legislação penal, penitenciária e de poder oferecer às Polícias Civil e Militar instrumentos eficazes de legislação, bem como à nossa justiça, para o efetivo combate à criminalidade. Apenas propostas setoriais. As Polícias e Bombeiros no Brasil necessitam de leis mais eficazes, salários dignos e equipamentos modernos, além de investimentos na área da inteligência Policial. A proposta contida no P.E.C. 21/05 sendo aprovada, com absoluta certeza causará um dano irreparável à sociedade na questão da Segurança Pública. Desafiamos aos nobres e edis parlamentares à uma pesquisa popular sobre a questão da confiabilidade em relação ao trabalho desenvolvido pelas Polícias Militares e Bombeiros Militares e saberão do que falamos. Retirando a Polícia e o Bombeiro Militar da Constituição, elimina os Tribunais de Justiça Militar, órgão rigoroso no tratamento dos crimes praticados pelos Militares Estaduais, trará o aumento da baixa estima dos Policiais e Bombeiros, pois, transforma a previdência destes num resultado de desestimulo profissional, trará confusão no longo período de transição, com crises de comandos, desobediência, além do que alguns governadores serão parciais e farão uma polícia estadual particularizada. Esta confusão estará ocorrendo no momento crítico em que vivemos e a nossa sociedade espera mais de Vossa Excelências, do que uma simples retirada das prerrogativas Constitucionais dos Policiais e Bombeiros Militares. É somente vermos o exemplo dos Bombeiros Militares que estão com Comando à parte, como ficaram sucateados e perderam a eficácia técnica que temos no Estado de São Paulo, onde estamos sob um único Comando. Queremos deixar registrado que alguns pressupostos contidos no P.E.C. 21/05 já foram colocados em prática tal como a celebração de convênios entre Estados para atuação conjunta das Polícias, a integração das Polícias Civil e Militar que ocorre na maioria dos Estados onde estas Polícias estão subordinadas ao Secretário de Segurança Pública. Estaremos promovendo nos dias 29, 30 e 31 de maio de 2007, em Fortaleza, Ceará, o I Congresso Brasileiro dos Militares Estaduais, onde haverá debates sobre diversos temas relacionados com a questão da Segurança Pública, modernização do Judiciário, das Polícias, sem que venhamos a enfraquecer os poderes que ainda possuem a credibilidade popular. Insisto no tema de que a questão da Segurança Pública deveria ser levada a discussão num Parlamento Itinerante onde os Senadores e Deputados Federais promovessem nas sua Regiões debates com a sociedade civil e os órgãos de Segurança Pública e Judiciário para que daí pudesse concluir a formalização de uma proposta democrática visando a modernização do sistema e uma maior eficiência Face às razões aqui expostas, rogamos à V.Exa. o empenho para que o referido Projeto de Emenda Constitucional 21/05 seja rejeitado nessa Colenda Casa Legislativa na votação da Comissão de Constituição e Justiça. Agradecidos pelo apoio e empenho, aproveito o ensejo para externar à Vossa Excelência os meus protestos de elevada estima e distinta consideração. HÉLIO CESAR DA SILVA PRESIDENTE

AO JORNALISTA PERCIVAL DE SOUZA – EU RIDÍCULO?


O jornalista e escritor Percival de Souza tem total razão.

É ridículo um Delegado de Polícia empregar um “blog” como instrumento para revelar irregularidades e crimes praticados internamente.

Mais do que ridículo: “é o fim do mundo”!

Ridículo, especialmente quando os instrumentos formais foram desprezados por aqueles que são possuidores de competência legal para apuração de crimes funcionais.

É ridículo sim!

Mas passei da idade de sentir medo do ridículo.

Afinal, rotineiramente , Delegados de Polícia são levados para a prisão…

Há algo mais ridicularizante que Delegados corruptos, traficantes, seqüestradores e homicidas?

Pior fazer o papel de tolo…

Pois, nada mudará; e o Senhor sabe melhor do que eu.

O PT NA ADPESP

“Temos um amador na Segurança e outro incompetente na Administração Penitenciária”

Frase acima foi do Sr. André Di Rissio.
Faltou o complemento: e um Petista na presidência da Adpesp.
E logo, se ninguém tomar providências, o teremos como professor da Academia de Polícia.
Para maior orgulho da classe e dignidade da Instituição!

DA CADEIA PARA A ACADEMIA DE POLÍCIA?

ACADEMIA DE POLÍCIA
“DR. CORIOLANO NOGUEIRA COBRA”
Comunicado
Proc. Acadepol nº 317/2007 – Seleção de Professor
Temporário de “Inquérito Policial”. A Comissão de Seleção de
Professor Temporário de Inquérito Policial, cumprindo o disposto
do item VI – da Avaliação da Prova, do edital do concurso
publicado no D.O. de 26-4-2007, torna publica a relação dos
candidatos aprovados com as respectivas médias:
Nome do Candidato/Rg/Média
1 – André Luiz Martins Di Rissio Barbosa, RG 10.157.037,
nota 99,00
2
– Gérson Carvalho, RG 2.675.667, nota 96,00
3 – Juliana Pereira Ricci, RG 27.003.783, nota 92,00
4 – Ricardo Casciano Farabulini, RG 5.188.719, nota 91,00
5 – Zuleika González Araújo, RG 16.776.349, nota 88,00
A Comissão comunica ainda que os candidatos aprovados
poderão apresentar títulos consoante disposto no inciso VII dos
Títulos e sua Avaliação, do Edital, nos dias 10,11,12/09/2007
das 09:00 as 17:00 horas na Secretária de Concursos Públicos da
Academia de Polícia – Ala 9 – sala 89, sita à Pça. Prof. Reynaldo
Porchat, 219 – Cidade Universitária – Butantã – São Paulo.

Acusado será professor da Academia da Polícia
Acusado de ter cometido uma série de crimes, o delegado André Luiz Martins Di Rissio Barbosa foi aprovado em um concurso para ser professor da Academia de Polícia Dr. Coriolano Nogueira Cobra, de São Paulo. Processado pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual por uso de documentos falsos, descaminho, contrabando e corrupção, ele deve ensinar a disciplina de inquérito policial. A nomeação foi publicada ontem no Diário Oficial do Estado.
» Di Rissio é processado por corrupção » PF prende dois delegados em Campinas » MP denuncia Di Rissio por escuta ilegal » Opine sobre o assunto
O delegado responde ainda por formação de quadrilha, escuta clandestina, tráfico de influência, contrabando e advocacia administrativa (patrocinar interesse pessoal junto à administração pública, valendo-se do cargo). Ele nega todas as acusações.
De acordo com o Diário Oficial, Di Rissio ficará lotado no setor reservado às ações da Secretaria da Segurança Pública. Além dele, outras quatro pessoas foram aprovadas. O delegado, porém, tirou a nota mais alta: 99 de um total de 100.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Mário Jordão Toledo Leme, o diretor da academia da polícia, Marco Antonio Desgualdo, precisa ainda homologar a aprovação.
AcusaçõesDi Rissio foi um dos presos na Operação 14 Bis da Polícia Federal, em junho do ano passado, acusado de participar de um esquema que liberava ilegalmente mercadorias importadas no aeroporto de Viracopos, em Campinas. Na época, ele presidia a Associação dos Delegados de SP e renunciou dias depois da prisão.
Em 2006, o delegado foi três vezes presos e, em todas elas, acabou conseguindo habeas-corpus. Este ano, ele foi denunciado pelo Ministério Público por formação de quadrilha e interceptação telefônica sem autorização judicial.
Na época em que foi preso pela primeira vez, ele vivia em um apartamento no Morumbi avaliado em R$ 1 milhão, tinha salário de R$ 7 mil, dois automóveis Jaguar (que valeriam, juntos, R$ 300 mil), jóias, uma coleção de relógios de luxo e se vestia com ternos de grife.

Vale o dito popular: pode roubar desde que divida!

Não é mal exemplo. É apenas um mártir; e como é filho de Desembargador – ainda que a impobridade seja incontestável – goza da garantia do princípio da inocência.

A Polícia Civil parece não ter vergonha de membros com ele; não são considerados desleais.

Será que desleal na Polícia Civil é ser correto?

BRASIL – QUEM PEGA UM TOSTÃO É LADRÃO; QUEM ROUBA MILHÃO É BARÃO.

1 milhão de reais
é o valor do apartamento de cerca de 500 metros quadrados no bairro do Morumbi (à esq.), onde Di Rissio mora. À direita, o prédio pelo qual o delegado se interessou. A cobertura de 660 metros quadrados estava sendo negociada por 1,5 milhão de reais.

O xerifão atrás das grades
Com salário de menos de 7000 reais( observação: menos de 5000 reais) e patrimônioque inclui apartamento de 1 milhão, dois automóveisJaguar, jóias e uma coleção de relógios Rolex,o delegado André Di Rissio está preso acusadode corrupção, formação de quadrilha e tráfico deinfluência, entre outros crimes. Boa-pinta, culto, ótimo orador e sempre vestido com ternos de grife, o delegado André Luiz Martins Di Rissio Barbosa conquistou, em dezesseis anos de carreira, a admiração de grande parte de seus colegas. Um dos coordenadores do Departamento de Administração e Planejamento da Polícia Civil – responsável por aprovar o orçamento da corporação, inclusive verbas extras para compras de armas e equipamentos –, foi eleito em janeiro, aos 42 anos, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo. É o mais jovem presidente da história da entidade. No dia 29 de junho, essa boa imagem começou a ruir. Acusado de integrar uma quadrilha que liberava mercadorias importadas ilegalmente no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, Di Rissio foi preso pela Polícia Federal. Na semana passada, surgiram novas denúncias contra ele. Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça apontaram uma suposta influência em ações do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) e de delegacias de Santos, impedindo a apreensão de mercadorias e a prisão de suspeitos.
O Ministério Público Federal investiga depósitos feitos em uma conta não declarada em Miami, nos Estados Unidos. Pesam contra Di Rissio acusações de formação de quadrilha, sonegação fiscal, falsidade ideológica e posse ilegal de armas de fogo, entre outros crimes. Além da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, o delegado está sendo investigado pelo Ministério Público Estadual.
Figurinha fácil de ser encontrada em restaurantes estrelados dos Jardins, Di Rissio tinha um estilo de vida mais compatível com o de um playboy do que com o de um delegado de polícia que ganha menos de 7 000 reais por mês. Até ser preso, morava com a mulher, Mylene Mendes Abrahão, também delegada, e uma filha de 4 meses em um apartamento de alto padrão no Morumbi, avaliado em 1 milhão de reais. Segundo as gravações grampeadas, ele estava negociando a compra de um outro, por 1,5 milhão de reais. Quando foi detido, policiais apreenderam na garagem de seu prédio dois Jaguar blindados – que custariam, juntos, de acordo com o Ministério Público Federal, 300 000 reais –, quatro relógios importados de grife (30 000 reais cada um), dois sacos de supermercado abarrotados de jóias, 30 000 reais em dinheiro e duas autorizações de transferência para uma conta em Miami – cada uma no valor de 20 000 dólares. “Estou estarrecido”, afirma o delegado e deputado estadual Romeu Tuma Júnior. “Era uma liderança nova, que havia conquistado o respeito da classe.”

Claudio Rossi
Setor de cargas de Viracopos: Di Rissio foi uma das dezesseis pessoas presas na Operação 14 Bis
A principal plataforma de Di Rissio para vencer a eleição à presidência da associação dos delegados era o combate aos baixos rendimentos da categoria – São Paulo paga o segundo menor salário do país para um delegado em início de carreira (3.000 reais), à frente apenas do estado da Paraíba. Ataques aos secretários de Segurança Pública e da Administração Penitenciária eram comuns. “Temos um amador na Segurança e outro incompetente na Administração Penitenciária”, chegou a dizer, após as ações do PCC em maio. Na festa que marcou sua posse, no hotel Maksoud Plaza, estiveram presentes diversas personalidades, como o senador Eduardo Suplicy e os deputados federais Luiz Eduardo Greenhalgh e José Eduardo Martins Cardozo, todos do PT. As fotos do evento foram publicadas na revista Caras.
Outro alvo de sua língua ferina era o Ministério Público. “Os promotores não podem investigar crimes porque a Constituição não permite”, disse Di Rissio. “Quando fazem isso, denigrem a imagem da polícia.” Ironicamente, é o Ministério Público que a cada semana descobre novas falcatruas do delegado. “Pela proximidade que os policiais civis têm dos criminosos, é muito fácil eles se deixarem corromper”, afirma o coronel José Vicente da Silva, consultor na área de segurança e ex-secretário Nacional de Segurança Pública. “O que mais surpreende é que as denúncias recaiam sobre uma pessoa que se vangloriava de sua postura ética.”
Ormuzd Alves
Comissão na negociação de Robinho: em gravação do ano passado, Di Rissio diz que ajudaria na venda do jogador para o Barcelona
O Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público Estadual (Gaeco) ouviu vinte CDs com conversas grampeadas nos telefones de Di Rissio, que resultaram em 190 páginas de transcrições. O que mais chamou a atenção dos procuradores é que em nenhuma ligação ele fala sobre operações policiais ou assuntos de interesse da associação de delegados. Em um ano inteiro de escutas – de julho do ano passado a junho deste ano –, só tratou, de acordo com o Gaeco, de ações à margem da lei. Na operação da Polícia Federal batizada de 14 Bis descobriu-se que Di Rissio servia de ponte entre empresários, despachantes e o delegado Wilson Roberto Odornes, então titular da delegacia da Polícia Civil dentro de Viracopos. Era Di Rissio quem oferecia propina para que fiscais da Receita Federal e funcionários do aeroporto fizessem vista grossa para cargas irregulares e notas subfaturadas (entre 10% e 20% dos valores reais). Os auditores da Receita Federal cobravam de 10 a 14 dólares por quilo de mercadoria liberada ilegalmente. A Polícia Federal, no entanto, ainda não conseguiu estimar em quanto essa quadrilha lesou os cofres públicos. Dezesseis pessoas foram presas, entre elas Di Rissio e Odornes. Para intermediar as negociações em Viracopos, Di Rissio ganharia cerca de 50.000 reais fixos por mês e participaria dos lucros das operações.
As escutas flagraram ligações de Di Rissio pedindo favores a delegados do Deic e a policiais em Santos. Essas conversas mostram que o delegado playboy também negociava relógios. “Tá chegando o Dia das Mães. O que você tem pra mim desta vez?”, diz a um intermediador. “Um Rolex, 14 000”, ouve como resposta. Os preços eram sempre passados em dólares. Di Rissio chegou a mostrar interesse em pelo menos quinze modelos de relógio, principalmente das marcas Rolex e Cartier. Outra negociação flagrada pelos grampos foi de uma cobertura dúplex de 660 metros quadrados na Rua José Maria Whitaker, no Morumbi. “Achei um de 1,5 milhão…”, conta a corretora. “Pô, meu apartamento tem 500 metros quadrados, não vou sair daqui para um lugar pior”, diz o delegado. A corretora esclarece: “Não, esse é dúplex. Tem 660 metros quadrados”.
Em uma das ligações, gravada em julho do ano passado, ele garante estar ajudando na negociação entre Robinho, então jogador do Santos, e o Barcelona, da Espanha. Dando a entender que era conselheiro do Santos (o que ele não é), o delegado combinou uma comissão caso a venda fosse fechada. O negócio não se concretizou – Robinho foi para o Real Madrid –, e ele ficou sem a bolada. Torcedor santista fanático, o delegado costumava ir aos estádios assistir aos jogos do time da Vila Belmiro. Filho do desembargador Eduardo Antonio Di Rissio Barbosa, do Tribunal de Justiça, Di Rissio era aparentemente o policial exemplar. Teve forte atuação no ABC paulista. Foi delegado em Santo André e São Caetano, professor de direito em uma universidade da região e secretário de Assuntos Jurídicos de Diadema. Em 2003, completou o mestrado em direito constitucional na PUC, onde depois entrou no programa de doutorado.

Fotos Nilton Fukuda/Folha Imagem/reprodução Revista Caras
Presidente da associação dos delegados: Di Rissio em seu gabinete (no alto) e durante a cerimônia de posse, em fevereiro, com o deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (à esq.), a mulher, Mylene, e o pai, Eduardo Barbosa, em reprodução da revista Caras
Di Rissio está detido provisoriamente na Penitenciária da Polícia Civil General Ataliba Leonel, na Zona Norte. Ele aguarda o julgamento de um habeas corpus. Segundo seu advogado, Antônio Claudio Mariz de Oliveira, o delegado nega todas as acusações. Mariz de Oliveira reconhece que muitas vezes amigos e conhecidos solicitavam os préstimos de Di Rissio. “Mas sempre dentro da absoluta legalidade”, afirma. “Di Rissio teria outras rendas, como dono de uma empresa de consultoria na área de segurança e contra-espionagem industrial.” Sua mulher, Mylene, receberia ainda uma mesada do pai, fazendeiro. Um dos advogados criminalistas mais conhecidos do país, com um currículo que inclui a defesa da empresária Eliana Tranchesi, do ex-prefeito Celso Pitta e de Suzane von Richthofen, a estudante que mandou matar os pais, Mariz de Oliveira costuma cobrar entre 50.000 e 100.000 reais por um habeas corpus. No caso de Di Rissio, entretanto, afirma que abriu uma exceção. Aceitou atender o delegado de graça. Não precisava. A julgar pela vida que leva, seu novo cliente não teria dificuldade para lhe pagar os honorários.

A doce vida de Di Rissio
Robson Fernandes/AE
300 000 reaisé quanto valem, juntos, os dois carros blindados importados da marca Jaguar que foram encontrados na garagem do delegado

4relógios avaliados em cerca de 30 000 reais cada um foram apreendidos pela Polícia Federal. Di Rissio comprava diversos modelos Rolex e Cartier
Divulgação
50 000 reaisé quanto Di Rissio receberia por mês para liberar mercadorias importadas ilegalmente no Aeroporto de Viracopos
2sacolas de supermercado abarrotadas de jóias foram levadas do apartamento do delegado

Fotos Mario Rodrigues
1 milhão de reaisé o valor do apartamento de cerca de 500 metros quadrados no bairro do Morumbi (à esq.), onde Di Rissio mora. À direita, o prédio pelo qual o delegado se interessou. A cobertura de 660 metros quadrados estava sendo negociada por 1,5 milhão de reais

“Tem piscina?”
Em ligações grampeadas pela Polícia Federal, André Di Rissio negocia a compra de um apartamento no Morumbi
Corretor: Eu consegui uma cobertura pra você, vai estar saindo mais ou menos por uns 1,8 milhão de reais, mais ou menos.Di Rissio: Quantos metros? Corretor: Em torno de 400 e poucos metros. Quatrocentos metros. Di Rissio: É pequeno. Preciso de um maior. Você acha que eu vou sair do meu conforto?
Dias depois, uma outra corretora liga
Corretora: Tem um apartamento por 5 milhões. Di Rissio: Não. Corretora: Também achei um de 1,5 milhão… Di Rissio: Filha, você sabe. Você me conhece. Pô, meu apartamento tem 500 metros quadrados, não vou sair daqui para um lugar pior. Se não for melhor, esquece. Corretora: Não, esse é dúplex. Tem 660 metros quadrados. Di Rissio: Ah. Tem piscina? Corretora: Sim. Di Rissio: Então arranja uma visita para a gente conhecer (o apartamento em questão é a cobertura do edifício acima).

Mãozinha para os amigos
Di Rissio conversa com um presoacusado de sonegar imposto
Di Rissio: Você está sendo levado pro Deic por quem? Quem tá aí com você? Preso: É o investigador de polícia. Di Rissio: Deixa eu falar com ele. Um momentinho, por favor. Alô, aqui é o doutor André Di Rissio, da delegacia-geral. Tá muito ruim a situação aí? Investigador: Não, doutor, nada de horrível, não. Di Rissio: Tá bom. Você resolve pra mim? Investigador: Com certeza, doutor.

“Tá abortada a operação”
Um advogado pede ajuda a Di Rissio paraum cliente alvo de uma blitz da polícia
Advogado: Diz que tão levando todo o estoque de bebidas deles lá. Di Rissio: Estão apreendendo o estoque de bebidas? Peraí…
Di Rissio fala com um delegado do Deic. Pouco depois, tinha a solução
Di Rissio: Você quer a má ou a boa notícia?Advogado: A má primeiro.Di Rissio: A diligência tá legalizada. A boa é que eu liguei pro delegado. Acabou, é zero a zero. Tá abortada a operação.

Negócios em família
A mulher de Di Rissio, a delegada Mylene Mendes Abrahão, pede ao marido que interceda pelo irmão dela
Mylene: André, meu irmão vai ser ouvido. Liga lá para o delegado para ficar macio para ele lá. Di Rissio: Tá bom, não se preocupa.
O desembargador Eduardo Di Rissio Barbosa, pai do delegado, pede que o filho ajude um advogado amigo dele. Preocupado com a possibilidade de o telefone estar grampeado, Di Rissio tenta encerrar a conversa
Di Rissio: Pai, você vive me alertando pra não falar por telefone. Depois de velho eu tenho que ficar preocupado contigo. Você já falou isso. Vai contar de novo a história? Vou pedir pro Salata (segundo a Polícia Federal, o advogado Luiz Silvio Moreira Salata) ligar pra ele pra agradecer. Agora, pelo amor de Deus, fique mais inteligente. Você não vê que a bruxa tá solta aí? Eduardo Di Rissio Barbosa: Não se preocupe comigo que eu sou vitalício. Di Rissio: A única coisa vitalícia que você tem é a sua mulher.
* Colaborou Sandra Soares

E HÁ QUEM O CONSIDERE UM MÁRTIR; UM GRANDE LÍDER DOS DELEGADOS DESTE ESTADO.

PARA MIM, ATÉ QUE DEMONSTRE O CONTRÁRIO, APENAS UM CHEFE DE QUADRILHA!
E LOGO PODERÁ SER PROMOVIDO POR MERECIMENTO…
JÁ QUE CONDUTAS COMO AS DESSE SENHOR, APARENTEMENTE, NÃO SÃO CONSIDERADAS INDIGNAS OU DESLEAIS.
E NINGUÉM SE OFENDERÁ EM TÊ-LO COMO PROFESSOR…
DE CRIMES E CADEIA CONHECE PELA PRÁTICA!
É UM DELEGADO “VIP”.

Bandido sangue bom

Publicada em: 11/12/2002 às 23:32
E por falar em favela


Bandido sangue bom
Marcelo Monteiro

 

Cara de Cavalo inspirou obra de Hélio Oiticica
Cara de Cavalo inspirou obra de Hélio Oiticica

 

Houve um tempo em que os bandidos mais temidos do Rio de Janeiro roubavam caminhões de leite e gás que se aventuravam nas favelas do subúrbio carioca para distribuir a mercadoria roubada entre seus moradores. A cena foi reconstituída recentemente no longa-metragem Cidade de Deus. No filme do diretor Fernando Meirelles, co-dirigido por Kátia Lund, os assaltantes do Trio Ternura aparecem distribuindo bujões de gás nas ruas do conjunto habitacional da Zona Oeste. Era início dos anos 60.

Contemporâneo de Mineirinho e Lúcio Flávio, Manoel Moreira, o Cara de Cavalo, era adepto dessa ‘estratégia’ Robin Hood de roubar dos ricos para dar aos pobres. O último romântico dos bandidos cariocas morou até os 16 anos na antiga favela do Esqueleto, onde hoje existe a UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), no Maracanã (Zona Norte).

 

“Cara de Cavalo era um garoto levado mas tinha muita consideração com os moradores. O padrinho dele morava lá e ele vivia no Esqueleto. Quando a polícia estava por perto, ele sumia. Mas sempre aparecia novamente”, lembra a dona-de-casa Cleonice Pereira da Silva, de 63 anos, que viveu no Esqueleto até 1962, quando a comunidade foi extinta e ela então se mudou para a Vila Kennedy, em Bangu.

 

Cara de Cavalo tinha ligações com o jogo do bicho e atuava principalmente na região da Grande Tijuca. Ele começou garoto realizando pequenos furtos e vendendo maconha na Central do Brasil. Depois se tornou cafetão na zona do meretrício. Apesar da fama, Cara de Cavalo não tinha em seu currículo ações espetaculares ou assassinatos cruéis. Era bem diferente dos bandidos figurões de hoje em dia. Ganhava dinheiro fácil percorrendo os pontos do bicho e recolhendo sua comissão. Isso até 1964, quando matou com um tiro de sua Colt 45 o temido detetive de origem francesa Milton de Oliveira Le Cocq, despertando a ira dos policiais da época. Cara de Cavalo foi então caçado implacavelmente durante quatro meses, entre maio e agosto de 64. Cerca de 2 mil homens de todas as delegacias da cidade participaram da operação. Os detalhes da perseguição foram acompanhados diariamente pela imprensa carioca.

 

Cara de Cavalo tinha apenas 23 anos quando foi morto, com mais de cem tiros, no seu esconderijo perto de Cabo Frio, na estrada para Búzios. Entre os policiais que presenciaram os últimos momentos do bandido estavam Hélio Vígio, ex-diretor da Divisão Anti-Seqüestro, e Sivuca (depois eleito deputado estadual com o lema “bandido bom é bandido morto”). Segundo o laudo pericial da época, o bandido foi atingido por 52 tiros, sendo 25 somente na região do estômago. O corpo de Cara de Cavalo foi coberto com um cartaz com o símbolo da caveira com duas tíbias cruzadas e a inscrição EM (leia-se: Esquadrão da Morte).

 

O repórter policial Luarlindo Ernesto, que trabalhou muitos anos na editoria de polícia do Jornal do Brasil, e que acompanhou de perto a caçada ao bandido, declarou certa vez em entrevista ao livro Reportagem policial (Faculdade da Cidade, 1998):

“Outro assunto interessante foi o Cara de Cavalo, um bandido sem nenhuma importância que entrou no noticiário policial. Foi um mito construído pela imprensa, um bandido muquirana, tinha uma mulher na zona, assaltava ponto de bicho em Vila Isabel e fumava uma maconhazinha, não era um bandido de expressão. O azar dele foi que o banqueiro de bicho chamou os amigos policiais e pediu para eles darem um sumiço no cara. Os policiais foram dar uma dura e, naquela afobação de prendê-lo, um policial matou um colega. Botaram a culpa no Cara de Cavalo e isso motivou uma caçada implacável ao jovem bandido, que tinha apenas 23 anos. (….)

Depois da perseguição, ele ficou vivo apenas mais um mês ou dois. Lembro que, durante essa caçada, um dia fui com outro repórter, o Oscar, para o Morro do Juramento. Lá, consegui através de outro bandidão da época, o Murilão, chegar até o Cara de Cavalo. Mas o bandido queria mil cruzeiros para falar. Era muito dinheiro. No caixa da Última Hora só havia 600 contos, queria um milhão. Nada feito e ele aproveitou e fugiu, desaparecendo. Continuamos no caso, conseguimos botar uma espécie de empregada doméstica na casa da mãe dele. A mulher interceptou uma carta do Cara de Cavalo, localizamos o endereço do remetente, fomos atrás novamente. Chegamos a falar com ele, mas o bandido não quis nada. Numa dessas visitas, a polícia nos seguiu, foi lá e matou o Cara de Cavalo. A perseguição toda demorou um mês e meio, com mais baixas entre a polícia. Lembro do Le Cocq e do Perpétuo de Freitas, policial que foi morto por um colega nessa perseguição ao Cara de Cavalo”.

Um ano após a morte de Le Cocq nascia no Rio a Scuderie Le Cocq, formada por policiais militares e civis que queriam vingar a morte do detetive. Um de seus presidentes foi o delegado Luiz Mariano, que anos depois afirmou ter dado o primeiro tiro em Cara de Cavalo. A versão capixaba dos escudeiros, que foi montada em 1984 e se tornou sinônimo de grupo de extermínio, é acusada de quase dois mil homicídios, alguns deles envolvendo políticos do Espírito Santo.

Conforme documento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), “as investigações revelaram a existência de uma associação criminosa que se dedica à prática de narcotráfico, controle de jogos ilícitos e homicídios; e cuja estratégia de ação consiste em controlar o funcionamento das instituições públicas, subverter a hierarquia funcional nas corporações policiais civil e militar, garantir a impunidade dos responsáveis pela prática do crime e substituir-se às instituições públicas”.

 

A morte de Cara de Cavalo voltou a ser destaque na imprensa carioca quando o artista plástico Hélio Oiticica, que usou a marginalidade social, a repressão política e a revolta individual como tema de suas obras nos anos 60, homenageou o bandido com dois de seus trabalhos mais polêmicos. O primeiro foi um bólide (caixa de madeira, plástico ou vidro) com uma foto do bandido caído numa poça de sangue. Depois, criou um estandarte com a reprodução da foto e a inscrição: “Seja marginal, seja herói”.

 

Cara de Cavalo e Hélio Oiticica freqüentaram juntos rodas de samba em favelas cariocas. Sobre o amigo, Oiticica escreveu: “O crime é a busca desesperada da felicidade autêntica, em contraposição aos falsos valores sociais”.

 

Assim como Oiticica, outros artistas dos anos 60 também usariam a bandidagem como inspiração para seus trabalhos. A glamurização do crime seria ainda beneficiada pelo cobertura sensacionalista da imprensa carioca.

 

A artista plástica Lygia Clark também falou sobre a bandidagem dos anos 60 e o tráfico de drogas nas favelas:

“Na nossa época (Lygia e Hélio Oiticica freqüentavam a Mangueira), o máximo que tinha era um pouco de maconha, de cheirinho-da-loló. Conheci o Mineirinho, a mulher dele, Maria Helena, e o Cara de Cavalo. Eram bandidos românticos. Poderiam até atirar num policial, o que significava que estariam jurados de morte. Mas você podia freqüentar o morro inteiro. Agora não, você não entra no morro se não tiver autorização do chefe da droga. O narcotráfico fez da favela uma coisa doente.

Trecho da entrevista de Hélio Oiticica sobre a obra “Homenagem a Cara-de-Cavalo”:

“Conheci Cara de Cavalo pessoalmente e posso dizer que era meu amigo, mas para a sociedade ele era um inimigo público nº 1, procurado por crimes audaciosos e assaltos – o que me deixava perplexo era o contraste entre o que eu conhecia dele como amigo, alguém com quem eu conversava no contexto cotidiano tal como fazemos com qualquer pessoa, e a imagem feita pela sociedade, ou a maneira como seu comportamento atuava na sociedade e em todo mundo mais. Esta homenagem é uma atitude anárquica contra todos os tipos de Forças Armadas: polícia, Exército etc. Eu faço poemas-protestos (em Capas e Caixas) que têm mais um sentido social, mas este para Cara de Cavalo reflete um importante momento ético, decisivo para mim, pois que reflete uma revolta individual contra cada tipo de um condicionamento social. Em outras palavras: violência é justificada como sentido de revolta, mas nunca como o de opressão”.

Texto publicado no Catálogo da exposição Whitechapel Experience.