BRASIL – QUEM PEGA UM TOSTÃO É LADRÃO; QUEM ROUBA MILHÃO É BARÃO.

1 milhão de reais
é o valor do apartamento de cerca de 500 metros quadrados no bairro do Morumbi (à esq.), onde Di Rissio mora. À direita, o prédio pelo qual o delegado se interessou. A cobertura de 660 metros quadrados estava sendo negociada por 1,5 milhão de reais.

O xerifão atrás das grades
Com salário de menos de 7000 reais( observação: menos de 5000 reais) e patrimônioque inclui apartamento de 1 milhão, dois automóveisJaguar, jóias e uma coleção de relógios Rolex,o delegado André Di Rissio está preso acusadode corrupção, formação de quadrilha e tráfico deinfluência, entre outros crimes. Boa-pinta, culto, ótimo orador e sempre vestido com ternos de grife, o delegado André Luiz Martins Di Rissio Barbosa conquistou, em dezesseis anos de carreira, a admiração de grande parte de seus colegas. Um dos coordenadores do Departamento de Administração e Planejamento da Polícia Civil – responsável por aprovar o orçamento da corporação, inclusive verbas extras para compras de armas e equipamentos –, foi eleito em janeiro, aos 42 anos, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo. É o mais jovem presidente da história da entidade. No dia 29 de junho, essa boa imagem começou a ruir. Acusado de integrar uma quadrilha que liberava mercadorias importadas ilegalmente no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, Di Rissio foi preso pela Polícia Federal. Na semana passada, surgiram novas denúncias contra ele. Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça apontaram uma suposta influência em ações do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) e de delegacias de Santos, impedindo a apreensão de mercadorias e a prisão de suspeitos.
O Ministério Público Federal investiga depósitos feitos em uma conta não declarada em Miami, nos Estados Unidos. Pesam contra Di Rissio acusações de formação de quadrilha, sonegação fiscal, falsidade ideológica e posse ilegal de armas de fogo, entre outros crimes. Além da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, o delegado está sendo investigado pelo Ministério Público Estadual.
Figurinha fácil de ser encontrada em restaurantes estrelados dos Jardins, Di Rissio tinha um estilo de vida mais compatível com o de um playboy do que com o de um delegado de polícia que ganha menos de 7 000 reais por mês. Até ser preso, morava com a mulher, Mylene Mendes Abrahão, também delegada, e uma filha de 4 meses em um apartamento de alto padrão no Morumbi, avaliado em 1 milhão de reais. Segundo as gravações grampeadas, ele estava negociando a compra de um outro, por 1,5 milhão de reais. Quando foi detido, policiais apreenderam na garagem de seu prédio dois Jaguar blindados – que custariam, juntos, de acordo com o Ministério Público Federal, 300 000 reais –, quatro relógios importados de grife (30 000 reais cada um), dois sacos de supermercado abarrotados de jóias, 30 000 reais em dinheiro e duas autorizações de transferência para uma conta em Miami – cada uma no valor de 20 000 dólares. “Estou estarrecido”, afirma o delegado e deputado estadual Romeu Tuma Júnior. “Era uma liderança nova, que havia conquistado o respeito da classe.”

Claudio Rossi
Setor de cargas de Viracopos: Di Rissio foi uma das dezesseis pessoas presas na Operação 14 Bis
A principal plataforma de Di Rissio para vencer a eleição à presidência da associação dos delegados era o combate aos baixos rendimentos da categoria – São Paulo paga o segundo menor salário do país para um delegado em início de carreira (3.000 reais), à frente apenas do estado da Paraíba. Ataques aos secretários de Segurança Pública e da Administração Penitenciária eram comuns. “Temos um amador na Segurança e outro incompetente na Administração Penitenciária”, chegou a dizer, após as ações do PCC em maio. Na festa que marcou sua posse, no hotel Maksoud Plaza, estiveram presentes diversas personalidades, como o senador Eduardo Suplicy e os deputados federais Luiz Eduardo Greenhalgh e José Eduardo Martins Cardozo, todos do PT. As fotos do evento foram publicadas na revista Caras.
Outro alvo de sua língua ferina era o Ministério Público. “Os promotores não podem investigar crimes porque a Constituição não permite”, disse Di Rissio. “Quando fazem isso, denigrem a imagem da polícia.” Ironicamente, é o Ministério Público que a cada semana descobre novas falcatruas do delegado. “Pela proximidade que os policiais civis têm dos criminosos, é muito fácil eles se deixarem corromper”, afirma o coronel José Vicente da Silva, consultor na área de segurança e ex-secretário Nacional de Segurança Pública. “O que mais surpreende é que as denúncias recaiam sobre uma pessoa que se vangloriava de sua postura ética.”
Ormuzd Alves
Comissão na negociação de Robinho: em gravação do ano passado, Di Rissio diz que ajudaria na venda do jogador para o Barcelona
O Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público Estadual (Gaeco) ouviu vinte CDs com conversas grampeadas nos telefones de Di Rissio, que resultaram em 190 páginas de transcrições. O que mais chamou a atenção dos procuradores é que em nenhuma ligação ele fala sobre operações policiais ou assuntos de interesse da associação de delegados. Em um ano inteiro de escutas – de julho do ano passado a junho deste ano –, só tratou, de acordo com o Gaeco, de ações à margem da lei. Na operação da Polícia Federal batizada de 14 Bis descobriu-se que Di Rissio servia de ponte entre empresários, despachantes e o delegado Wilson Roberto Odornes, então titular da delegacia da Polícia Civil dentro de Viracopos. Era Di Rissio quem oferecia propina para que fiscais da Receita Federal e funcionários do aeroporto fizessem vista grossa para cargas irregulares e notas subfaturadas (entre 10% e 20% dos valores reais). Os auditores da Receita Federal cobravam de 10 a 14 dólares por quilo de mercadoria liberada ilegalmente. A Polícia Federal, no entanto, ainda não conseguiu estimar em quanto essa quadrilha lesou os cofres públicos. Dezesseis pessoas foram presas, entre elas Di Rissio e Odornes. Para intermediar as negociações em Viracopos, Di Rissio ganharia cerca de 50.000 reais fixos por mês e participaria dos lucros das operações.
As escutas flagraram ligações de Di Rissio pedindo favores a delegados do Deic e a policiais em Santos. Essas conversas mostram que o delegado playboy também negociava relógios. “Tá chegando o Dia das Mães. O que você tem pra mim desta vez?”, diz a um intermediador. “Um Rolex, 14 000”, ouve como resposta. Os preços eram sempre passados em dólares. Di Rissio chegou a mostrar interesse em pelo menos quinze modelos de relógio, principalmente das marcas Rolex e Cartier. Outra negociação flagrada pelos grampos foi de uma cobertura dúplex de 660 metros quadrados na Rua José Maria Whitaker, no Morumbi. “Achei um de 1,5 milhão…”, conta a corretora. “Pô, meu apartamento tem 500 metros quadrados, não vou sair daqui para um lugar pior”, diz o delegado. A corretora esclarece: “Não, esse é dúplex. Tem 660 metros quadrados”.
Em uma das ligações, gravada em julho do ano passado, ele garante estar ajudando na negociação entre Robinho, então jogador do Santos, e o Barcelona, da Espanha. Dando a entender que era conselheiro do Santos (o que ele não é), o delegado combinou uma comissão caso a venda fosse fechada. O negócio não se concretizou – Robinho foi para o Real Madrid –, e ele ficou sem a bolada. Torcedor santista fanático, o delegado costumava ir aos estádios assistir aos jogos do time da Vila Belmiro. Filho do desembargador Eduardo Antonio Di Rissio Barbosa, do Tribunal de Justiça, Di Rissio era aparentemente o policial exemplar. Teve forte atuação no ABC paulista. Foi delegado em Santo André e São Caetano, professor de direito em uma universidade da região e secretário de Assuntos Jurídicos de Diadema. Em 2003, completou o mestrado em direito constitucional na PUC, onde depois entrou no programa de doutorado.

Fotos Nilton Fukuda/Folha Imagem/reprodução Revista Caras
Presidente da associação dos delegados: Di Rissio em seu gabinete (no alto) e durante a cerimônia de posse, em fevereiro, com o deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (à esq.), a mulher, Mylene, e o pai, Eduardo Barbosa, em reprodução da revista Caras
Di Rissio está detido provisoriamente na Penitenciária da Polícia Civil General Ataliba Leonel, na Zona Norte. Ele aguarda o julgamento de um habeas corpus. Segundo seu advogado, Antônio Claudio Mariz de Oliveira, o delegado nega todas as acusações. Mariz de Oliveira reconhece que muitas vezes amigos e conhecidos solicitavam os préstimos de Di Rissio. “Mas sempre dentro da absoluta legalidade”, afirma. “Di Rissio teria outras rendas, como dono de uma empresa de consultoria na área de segurança e contra-espionagem industrial.” Sua mulher, Mylene, receberia ainda uma mesada do pai, fazendeiro. Um dos advogados criminalistas mais conhecidos do país, com um currículo que inclui a defesa da empresária Eliana Tranchesi, do ex-prefeito Celso Pitta e de Suzane von Richthofen, a estudante que mandou matar os pais, Mariz de Oliveira costuma cobrar entre 50.000 e 100.000 reais por um habeas corpus. No caso de Di Rissio, entretanto, afirma que abriu uma exceção. Aceitou atender o delegado de graça. Não precisava. A julgar pela vida que leva, seu novo cliente não teria dificuldade para lhe pagar os honorários.

A doce vida de Di Rissio
Robson Fernandes/AE
300 000 reaisé quanto valem, juntos, os dois carros blindados importados da marca Jaguar que foram encontrados na garagem do delegado

4relógios avaliados em cerca de 30 000 reais cada um foram apreendidos pela Polícia Federal. Di Rissio comprava diversos modelos Rolex e Cartier
Divulgação
50 000 reaisé quanto Di Rissio receberia por mês para liberar mercadorias importadas ilegalmente no Aeroporto de Viracopos
2sacolas de supermercado abarrotadas de jóias foram levadas do apartamento do delegado

Fotos Mario Rodrigues
1 milhão de reaisé o valor do apartamento de cerca de 500 metros quadrados no bairro do Morumbi (à esq.), onde Di Rissio mora. À direita, o prédio pelo qual o delegado se interessou. A cobertura de 660 metros quadrados estava sendo negociada por 1,5 milhão de reais

“Tem piscina?”
Em ligações grampeadas pela Polícia Federal, André Di Rissio negocia a compra de um apartamento no Morumbi
Corretor: Eu consegui uma cobertura pra você, vai estar saindo mais ou menos por uns 1,8 milhão de reais, mais ou menos.Di Rissio: Quantos metros? Corretor: Em torno de 400 e poucos metros. Quatrocentos metros. Di Rissio: É pequeno. Preciso de um maior. Você acha que eu vou sair do meu conforto?
Dias depois, uma outra corretora liga
Corretora: Tem um apartamento por 5 milhões. Di Rissio: Não. Corretora: Também achei um de 1,5 milhão… Di Rissio: Filha, você sabe. Você me conhece. Pô, meu apartamento tem 500 metros quadrados, não vou sair daqui para um lugar pior. Se não for melhor, esquece. Corretora: Não, esse é dúplex. Tem 660 metros quadrados. Di Rissio: Ah. Tem piscina? Corretora: Sim. Di Rissio: Então arranja uma visita para a gente conhecer (o apartamento em questão é a cobertura do edifício acima).

Mãozinha para os amigos
Di Rissio conversa com um presoacusado de sonegar imposto
Di Rissio: Você está sendo levado pro Deic por quem? Quem tá aí com você? Preso: É o investigador de polícia. Di Rissio: Deixa eu falar com ele. Um momentinho, por favor. Alô, aqui é o doutor André Di Rissio, da delegacia-geral. Tá muito ruim a situação aí? Investigador: Não, doutor, nada de horrível, não. Di Rissio: Tá bom. Você resolve pra mim? Investigador: Com certeza, doutor.

“Tá abortada a operação”
Um advogado pede ajuda a Di Rissio paraum cliente alvo de uma blitz da polícia
Advogado: Diz que tão levando todo o estoque de bebidas deles lá. Di Rissio: Estão apreendendo o estoque de bebidas? Peraí…
Di Rissio fala com um delegado do Deic. Pouco depois, tinha a solução
Di Rissio: Você quer a má ou a boa notícia?Advogado: A má primeiro.Di Rissio: A diligência tá legalizada. A boa é que eu liguei pro delegado. Acabou, é zero a zero. Tá abortada a operação.

Negócios em família
A mulher de Di Rissio, a delegada Mylene Mendes Abrahão, pede ao marido que interceda pelo irmão dela
Mylene: André, meu irmão vai ser ouvido. Liga lá para o delegado para ficar macio para ele lá. Di Rissio: Tá bom, não se preocupa.
O desembargador Eduardo Di Rissio Barbosa, pai do delegado, pede que o filho ajude um advogado amigo dele. Preocupado com a possibilidade de o telefone estar grampeado, Di Rissio tenta encerrar a conversa
Di Rissio: Pai, você vive me alertando pra não falar por telefone. Depois de velho eu tenho que ficar preocupado contigo. Você já falou isso. Vai contar de novo a história? Vou pedir pro Salata (segundo a Polícia Federal, o advogado Luiz Silvio Moreira Salata) ligar pra ele pra agradecer. Agora, pelo amor de Deus, fique mais inteligente. Você não vê que a bruxa tá solta aí? Eduardo Di Rissio Barbosa: Não se preocupe comigo que eu sou vitalício. Di Rissio: A única coisa vitalícia que você tem é a sua mulher.
* Colaborou Sandra Soares

E HÁ QUEM O CONSIDERE UM MÁRTIR; UM GRANDE LÍDER DOS DELEGADOS DESTE ESTADO.

PARA MIM, ATÉ QUE DEMONSTRE O CONTRÁRIO, APENAS UM CHEFE DE QUADRILHA!
E LOGO PODERÁ SER PROMOVIDO POR MERECIMENTO…
JÁ QUE CONDUTAS COMO AS DESSE SENHOR, APARENTEMENTE, NÃO SÃO CONSIDERADAS INDIGNAS OU DESLEAIS.
E NINGUÉM SE OFENDERÁ EM TÊ-LO COMO PROFESSOR…
DE CRIMES E CADEIA CONHECE PELA PRÁTICA!
É UM DELEGADO “VIP”.

Bandido sangue bom

Publicada em: 11/12/2002 às 23:32
E por falar em favela


Bandido sangue bom
Marcelo Monteiro

 

Cara de Cavalo inspirou obra de Hélio Oiticica
Cara de Cavalo inspirou obra de Hélio Oiticica

 

Houve um tempo em que os bandidos mais temidos do Rio de Janeiro roubavam caminhões de leite e gás que se aventuravam nas favelas do subúrbio carioca para distribuir a mercadoria roubada entre seus moradores. A cena foi reconstituída recentemente no longa-metragem Cidade de Deus. No filme do diretor Fernando Meirelles, co-dirigido por Kátia Lund, os assaltantes do Trio Ternura aparecem distribuindo bujões de gás nas ruas do conjunto habitacional da Zona Oeste. Era início dos anos 60.

Contemporâneo de Mineirinho e Lúcio Flávio, Manoel Moreira, o Cara de Cavalo, era adepto dessa ‘estratégia’ Robin Hood de roubar dos ricos para dar aos pobres. O último romântico dos bandidos cariocas morou até os 16 anos na antiga favela do Esqueleto, onde hoje existe a UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), no Maracanã (Zona Norte).

 

“Cara de Cavalo era um garoto levado mas tinha muita consideração com os moradores. O padrinho dele morava lá e ele vivia no Esqueleto. Quando a polícia estava por perto, ele sumia. Mas sempre aparecia novamente”, lembra a dona-de-casa Cleonice Pereira da Silva, de 63 anos, que viveu no Esqueleto até 1962, quando a comunidade foi extinta e ela então se mudou para a Vila Kennedy, em Bangu.

 

Cara de Cavalo tinha ligações com o jogo do bicho e atuava principalmente na região da Grande Tijuca. Ele começou garoto realizando pequenos furtos e vendendo maconha na Central do Brasil. Depois se tornou cafetão na zona do meretrício. Apesar da fama, Cara de Cavalo não tinha em seu currículo ações espetaculares ou assassinatos cruéis. Era bem diferente dos bandidos figurões de hoje em dia. Ganhava dinheiro fácil percorrendo os pontos do bicho e recolhendo sua comissão. Isso até 1964, quando matou com um tiro de sua Colt 45 o temido detetive de origem francesa Milton de Oliveira Le Cocq, despertando a ira dos policiais da época. Cara de Cavalo foi então caçado implacavelmente durante quatro meses, entre maio e agosto de 64. Cerca de 2 mil homens de todas as delegacias da cidade participaram da operação. Os detalhes da perseguição foram acompanhados diariamente pela imprensa carioca.

 

Cara de Cavalo tinha apenas 23 anos quando foi morto, com mais de cem tiros, no seu esconderijo perto de Cabo Frio, na estrada para Búzios. Entre os policiais que presenciaram os últimos momentos do bandido estavam Hélio Vígio, ex-diretor da Divisão Anti-Seqüestro, e Sivuca (depois eleito deputado estadual com o lema “bandido bom é bandido morto”). Segundo o laudo pericial da época, o bandido foi atingido por 52 tiros, sendo 25 somente na região do estômago. O corpo de Cara de Cavalo foi coberto com um cartaz com o símbolo da caveira com duas tíbias cruzadas e a inscrição EM (leia-se: Esquadrão da Morte).

 

O repórter policial Luarlindo Ernesto, que trabalhou muitos anos na editoria de polícia do Jornal do Brasil, e que acompanhou de perto a caçada ao bandido, declarou certa vez em entrevista ao livro Reportagem policial (Faculdade da Cidade, 1998):

“Outro assunto interessante foi o Cara de Cavalo, um bandido sem nenhuma importância que entrou no noticiário policial. Foi um mito construído pela imprensa, um bandido muquirana, tinha uma mulher na zona, assaltava ponto de bicho em Vila Isabel e fumava uma maconhazinha, não era um bandido de expressão. O azar dele foi que o banqueiro de bicho chamou os amigos policiais e pediu para eles darem um sumiço no cara. Os policiais foram dar uma dura e, naquela afobação de prendê-lo, um policial matou um colega. Botaram a culpa no Cara de Cavalo e isso motivou uma caçada implacável ao jovem bandido, que tinha apenas 23 anos. (….)

Depois da perseguição, ele ficou vivo apenas mais um mês ou dois. Lembro que, durante essa caçada, um dia fui com outro repórter, o Oscar, para o Morro do Juramento. Lá, consegui através de outro bandidão da época, o Murilão, chegar até o Cara de Cavalo. Mas o bandido queria mil cruzeiros para falar. Era muito dinheiro. No caixa da Última Hora só havia 600 contos, queria um milhão. Nada feito e ele aproveitou e fugiu, desaparecendo. Continuamos no caso, conseguimos botar uma espécie de empregada doméstica na casa da mãe dele. A mulher interceptou uma carta do Cara de Cavalo, localizamos o endereço do remetente, fomos atrás novamente. Chegamos a falar com ele, mas o bandido não quis nada. Numa dessas visitas, a polícia nos seguiu, foi lá e matou o Cara de Cavalo. A perseguição toda demorou um mês e meio, com mais baixas entre a polícia. Lembro do Le Cocq e do Perpétuo de Freitas, policial que foi morto por um colega nessa perseguição ao Cara de Cavalo”.

Um ano após a morte de Le Cocq nascia no Rio a Scuderie Le Cocq, formada por policiais militares e civis que queriam vingar a morte do detetive. Um de seus presidentes foi o delegado Luiz Mariano, que anos depois afirmou ter dado o primeiro tiro em Cara de Cavalo. A versão capixaba dos escudeiros, que foi montada em 1984 e se tornou sinônimo de grupo de extermínio, é acusada de quase dois mil homicídios, alguns deles envolvendo políticos do Espírito Santo.

Conforme documento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), “as investigações revelaram a existência de uma associação criminosa que se dedica à prática de narcotráfico, controle de jogos ilícitos e homicídios; e cuja estratégia de ação consiste em controlar o funcionamento das instituições públicas, subverter a hierarquia funcional nas corporações policiais civil e militar, garantir a impunidade dos responsáveis pela prática do crime e substituir-se às instituições públicas”.

 

A morte de Cara de Cavalo voltou a ser destaque na imprensa carioca quando o artista plástico Hélio Oiticica, que usou a marginalidade social, a repressão política e a revolta individual como tema de suas obras nos anos 60, homenageou o bandido com dois de seus trabalhos mais polêmicos. O primeiro foi um bólide (caixa de madeira, plástico ou vidro) com uma foto do bandido caído numa poça de sangue. Depois, criou um estandarte com a reprodução da foto e a inscrição: “Seja marginal, seja herói”.

 

Cara de Cavalo e Hélio Oiticica freqüentaram juntos rodas de samba em favelas cariocas. Sobre o amigo, Oiticica escreveu: “O crime é a busca desesperada da felicidade autêntica, em contraposição aos falsos valores sociais”.

 

Assim como Oiticica, outros artistas dos anos 60 também usariam a bandidagem como inspiração para seus trabalhos. A glamurização do crime seria ainda beneficiada pelo cobertura sensacionalista da imprensa carioca.

 

A artista plástica Lygia Clark também falou sobre a bandidagem dos anos 60 e o tráfico de drogas nas favelas:

“Na nossa época (Lygia e Hélio Oiticica freqüentavam a Mangueira), o máximo que tinha era um pouco de maconha, de cheirinho-da-loló. Conheci o Mineirinho, a mulher dele, Maria Helena, e o Cara de Cavalo. Eram bandidos românticos. Poderiam até atirar num policial, o que significava que estariam jurados de morte. Mas você podia freqüentar o morro inteiro. Agora não, você não entra no morro se não tiver autorização do chefe da droga. O narcotráfico fez da favela uma coisa doente.

Trecho da entrevista de Hélio Oiticica sobre a obra “Homenagem a Cara-de-Cavalo”:

“Conheci Cara de Cavalo pessoalmente e posso dizer que era meu amigo, mas para a sociedade ele era um inimigo público nº 1, procurado por crimes audaciosos e assaltos – o que me deixava perplexo era o contraste entre o que eu conhecia dele como amigo, alguém com quem eu conversava no contexto cotidiano tal como fazemos com qualquer pessoa, e a imagem feita pela sociedade, ou a maneira como seu comportamento atuava na sociedade e em todo mundo mais. Esta homenagem é uma atitude anárquica contra todos os tipos de Forças Armadas: polícia, Exército etc. Eu faço poemas-protestos (em Capas e Caixas) que têm mais um sentido social, mas este para Cara de Cavalo reflete um importante momento ético, decisivo para mim, pois que reflete uma revolta individual contra cada tipo de um condicionamento social. Em outras palavras: violência é justificada como sentido de revolta, mas nunca como o de opressão”.

Texto publicado no Catálogo da exposição Whitechapel Experience.

 

AUTO DE FLAGRANTE A QUATRO MÃOS…OU MAIS!

O que se pensar de um auto de prisão por pretenso crime flagrante, ou melhor, flagrante para “parecermos politicamente corretos”. Eu daria uma nova definição: FLAGRANTE CLAMADO.

Reflitam: auto de flagrante lavrado após decisão colegiada por Delegados, Secretário da Segurança e Procurador- Geral.

Por acaso seria necessária a aquiescência do chefe do ministério público para formalização da prisão de um Promotor, verdadeiramente, capturado, logo depois – e ainda com a arma do crime – de cometer susposto crime hediondo?

Reflitam que eu voltarei ao assunto.

Vou revelar os bastidores.

E se o chefe do MP requisitou, informalmente, a lavratura do auto? Informalmente quero dizer: “é pra fritar”!

Qual seria a tese da denúncia por ele formulada?

Qual seria a decisão administrativa por ele adotada?

Reflitam?

A CORRUPÇÃO JORNALÍSTICA – vamos recordar e refletir

30/08/00
“A recente morte violenta de uma jornalista choca a todos porque, nesse fato, o assassino foge ao perfil comum de tais tipos, mas certas situações que acabam levando a isso estão aí, nos círculos milionários, meios artísticos, esportivos e de poder. Tudo porque o homem não aprende. Há milênios, gosta de passar aos demais uma imagem de eterna juventude e virilidade, posando com fêmeas muito mais jovens. Fingem acreditar que elas estão ali por amá-los. São poucas vezes atraídas pelo seu intelecto e muitas pela fama, poder e dinheiro. A durabilidade de tais ligações, no geral, termina quando tal fêmea atinge seu objetivo. Pior ainda, quando essa fêmea mostra também intelecto e capacidade de sobrevivência sem seu protetor. Duro, triste, real. Laércio Zanini (Garça, SP)”
“O noticiário sobre o assassinato de Sandra Gomide me transportou aos anos 70, quando do assassinato de Angela Diniz e Eliane de Gramont. Nos dois casos, além de tentar desqualificar as vítimas, a defesa usou o argumento do crime passional. Em homenagem às feministas brasileiras, que desde aquela época aprendi a admirar, vamos gritar todos juntos: quem ama não mata! Impunidade nunca mais! Paulo Tavares Mariante, coordenador de direitos humanos do Identidade – Grupo de Ação Pela Cidadania Homossexual (Campinas, SP)”
Há muito tempo, em virtude da generalizada descrença no Judiciário, parte da imprensa resolveu ser o ‘Poder Judiciário’, acusando, defendendo, julgando, condenando e absolvendo sem ter nenhuma base jurídica para isso. De repente, um jornalista importante, alto funcionário de um jornal importante, comete um crime terrível. E agora? O que fazer com o corporativismo? Como julgar um dos seus da mesma forma que se julgam os outros? Poder Judiciário não-confiável, imprensa distorcendo sua função, corporativismo, poder econômico. Esse caso não envolve somente dois jornalistas. De certa forma, envolve todos nós. Teeve Rabinovici (São Paulo, SP)” .

A imprensa deturpa os fatos para colocar a opinião pública contra instituições do direito. Não estou dizendo contra o Ministério Público, falo contra instituições de direito do ser humano, tal qual o direito de matar aquele que quer lhe fazer mal; especialmente quando o iminente mal é agressão violenta e, quiçá, morte.
O Promotor não matou. O Promotor não confessou ter matado. O promotor não foi capturado em flagrante nos exatos termos do art. 302, IV, do CPP. Também, da leitura do auto de flagrante, nos termos do § 1º do art. 304, do mesmo Código de Processo Penal, não resulta “fundada a suspeita contra o Promotor”. Fundada suspeita de quê? De ter praticado crime. A legítima defesa exclui o crime; não apenas a culpa. Mas, quando se trata da indagação destas questões ninguém se lembra da reforma penal de 1984. Com efeito, submeter uma pessoa ao gravame de um processo criminal para que o Poder Judiciário ou o Tribunal do Júri decida sobre questão de direito é desumano. Muito pior, quando se trata de questão corporativa. Eu fico com Hugo Nigro Mazzili quando defende a posição do não oferecimento da denúncia quando pelos autos se verificam, incontroversamente, excludentes do crime (manual do Promotor). Ele não disse explicitamente que autos – é muito faccioso em relação a tal instituto – mas vou preencher a lacuna: autos do inquérito policial presidido por Delegado de Polícia . Ou seja: o inquérito policial não é mera peça informativa. Pelo menos quando se trata de fundamentar dever tão nobre do Ministério Público. Uma pena tudo ser relativo no mundo jurídico. Os homens, apenas, defendem aquilo que lhe fortalece, ou pelo menos aquilo que não venha a lhe enfraquecer. O Ministério Público, parcela dele, não quer o peso de tal decisão sobre os seus ombros. Melhor lavar as mãos deixando que a turba julgue o inocente. E dessa forma, digo da Imprensa pegajosa, o Promotor jamais terá condições subjetivas de voltar a exercer as funções. Melhor , depois de absolvido pelo Poder Judiciário, deixá-lo, vitaliciamente, em disponibilidade remunerada. Pagarei a minha parcela da remuneração que lhe couber com satisfação.
Afinal: será o justo.(rcguerra)
P.S.: acabei de ver entrevista de uma das supostas vítimas no tal Brasil Urgente – a vítima está mentindo… Em linhas gerais: alegou que o seu depoimento foi extorquido no hospital.
E o apresentador…Lamentável. (18h35)

NOTÍCIA DISTORCIDA = INFORMAÇÃO FALSA

SP: 23,8% das armas apreendidas eram da PM

De 4,2 mil armas apreendidas em São Paulo entre 2003 e 2006, 25% pertenceram ao poder público, sendo que 23,8% apenas à Polícia Militar do Estado.

O rastreamento foi feito pelo Exército a pedido da Subcomissão de Armas e Munições da Câmara dos Deputados. A informação é do jornal O Estado de S. Paulo.

A informação acima – do Jornal – não observou que o percentual de 23,8% , equivale a 249 armas.

Muitas delas subraídas de policiais mortos por assaltantes.

Outras, compradas pelos praças; com a autorização da corporação através de convênios entre os órgãos policiais e fabricantes nacionais, FORAM VENDIDAS PARA SUPRIR AS NECESSIDADES FAMILIARES…

EM RAZÃO DO ACHATAMENTO SALARIAL.

EU VENDI A MINHA PARA PAGAR CONTAS!



DESABAFO DE UM POLICIAL MILITAR – PURA VERDADE.

Dr. Guerra sou assíduo visitante de sua página e gostaria de expressar nela a minha indignação no que diz respeito ao nosso Governo Estadual e nossos Deputados. Sou Soldado da Policia Militar há mais de vinte anos e o que passo a relatar agora aconteceu comigo, acontece com centenas ou até milhares de Policiais Militares de São Paulo. Sofri um acidente onde perdi os movimentos do meu punho esquerdo e fiquei afastado para tratamento de saúde por quase dois anos, recebendo apenas a metade dos meus vencimentos, pois nosso governo retira todos os benefícios, vantagens e gratificações (cala-bocas) quando não estamos trabalhando (somos marionetes, diaristas). Depois do acontecido ficamos completamente esquecidos pelo governo e pela instituição. Perdemos a auto-estima, dignidade e vontade de continuar na profissão que abracei. E às vezes me pergunto, será que valeu a pena 20 anos de sacrifício. Na nossa Instituição escutamos toda hora, se não está contente pede baixa. Nunca pedirei, pois quando ingressei nas fileiras da Corporação em 1986, eu ganhava 10 salários mínimos, o que foi reduzido pelos governos anteriores a três e não recebia as famosas esmolas do governo como hoje (gratificações, etc.). Eu e minha família passamos e continuamos a passar por inúmeras dificuldades financeiras, pois antes de me acidentar, meu nome estava limpo, conseguia pagar minhas contas, ou seja, tinha uma vida normal. Depois do ocorrido, nem preciso relatar o que aconteceu, pois recebendo a metade dos meus vencimentos ou eu alimentava minha família ou pagava as contas. Retornei ao serviço ativo com restrições há quatro meses e qual foi a minha surpresa em estando de férias a partir de 01de setembro, a Administração da Polícia errou novamente sem que haja um culpado e não receberei 1/3 de férias que me é devido (não sei quando receberei). Contava com esse dinheiro a mais para começar a saldar minhas dividas o que será prorrogado até Deus sabe quando. Gostaria se for possível que esse meu desabafo ficasse registrado em sua página, para que todos os que acessam diariamente como eu possam tomar conhecimento do descaso governamental com nós Policiais, e de como mentem ao informar à população que um policial ganha R$1.800,00 (só se for na França). Eu tenho a certeza de que quando as nossas leis forem elaboradas dentro dos alicerces na moral e na justiça, nossa Sociedade ira para frente, mas não como está, com leis que já são previamente elaboradas pelos nossos “queridos” deputados, com a intenção de ajudar a uns poucos afortunados que lhes são úteis, como podemos ver todos os dias na mídia. Fico estarrecido com as falcatruas, corrupções e impunidades que são destacadas na sua abençoada página na Internet. Continue assim, sempre denunciando e pondo a população a par do que acontece entre as quadro paredes do poder público. Agradeço pelo tempo dispensado e fico no aguardo de poder acessar sua página e ler esse desabafo. O Senhor está autorizado a melhorar e aprimorar o texto se assim o desejar.
A manifestação do colega Policial Militar – cujo nome poderá ser posteriormente acrescentado se ele assim desejar e achar conveniente – não necessita de melhorias. Apenas ressalto: não temos sequer o “direito” de sofrer acidentes ou moléstias. Quando afastados por questões de saúde – salvo acidente de trabalho – perdemos a contagem do tempo “de efetivo exercício”, perdemos adicionais e ajudas de custo, as quais para aqueles que menos recebem, por vezes, importam na diminuição de até 60% dos rendimentos. E aqui está a maior farsa da Administração; e a demonstração do total desrespeito ao ser humano. Quando o policial mais necessita é abandonado. Os Superiores – os despreparados de sempre – dão a mesma resposta: “não está contente muda de emprego”. Estão muito preocupados, assim como muitos Delegados, em cuidar da própria barriga e a puxar o saco de Prefeitos e políticos em geral. Assim, garantem “uma secretaria de segurança municipal” quando vão para a reserva. Alguns até merecem; não estou generalizando. Há quem tenha verdadeiro amor pela tropa, mas são poucos. Esses são os Oficiais de verdade, aqueles que trazem as estrelas sobre a cabeça… boa parte só no ombro. A tropa, para os últimos, não passa de mão-de-obra de “mãos-de-obra”, ou seja, “um problema”. São gestores de segurança pública – termo que muitos empregam – de “araque”. Muita conversa fiada; pouco ou nenhum conhecimento para gerir os recursos humanos. E não necessitam de habilidades para liderar… A cadeia lhes garante o controle da disciplina. Nas Polícias não se respeita e não se assegura os direitos dos seus membros e, também, dos dependentes. Se morrer em serviço será herói pelo tempo da solenidade… Baixando ao túmulo, todos dão as costas…Para o herói e para os desamparados do herói . E maior desgraça suportará família. Já se foi o tempo que o polícia, ao morrer, deixava a família com certo amparo assistencial. Pelo caminhar das coisas, em breve, deixaremos “um salário mínimo” como pensão…
Nada mais.
Nossos filhos amaldiçoarão o nosso heroísmo.
Aqueles que quiserem, como o colega, que eu publique neste site quaisquer manifestações pertinentes ao serviço policial, poderão me enviar o texto pelo “email” do blog.

BLOG AMADOR “versus” DA REDAÇÃO – estilingue contra um tanque de guerra

Blogueiro amador nada vende, apenas manifesta pensamento e opinião pessoal. E, também, colhendo na mídia profissional, reproduz noticiários de diversas fontes.

Não possui deveres com anunciantes, assinantes ou com grupos de poder.

Poderia falsear a informação, mas não faz.

Pois, o leitor blogueiro está acima da média intelectual do consumidor de jornais; não é ludibriado pela versão do editor do blog.

A Imprensa formal, ao contrário, dá ao fato a versão e formato que mais atenda aos seus próprios interesses.

O jornalista profissional jamais poderia falsear o produto que vende: informação.

Entretanto, muitos falseiam.

Especificamente, tenho observado, quando a matéria é de autoria “DA REDAÇÃO”.

“Da redação” me parece equivaler a anônimo.

E anônimo escreve como bem entende. Até classifica “Blog” como mero diário eletrônico, não querendo revelar que os “blogs” revolucionaram a mídia, impondo sérios prejuízos às finanças e credibilidade de grandes Jornais, mundo afora.

Assim, no lugar de escrever “fulano acusou policiais civis”, afirma “acusa Polícia Civil”.

Em vez de esclarecer “foi removido por descrever irregularidades e esquema de corrupção”, afirma: ”com vários anos de atuação na Baixada Santista, disparou as acusações recentemente, após ser transferido para o município de”…

Ou seja, não importa o fato principal.

Importa desqualificar as razões e o denunciante.

Pois, a corrupção lhe deve ser natural; especialmente quando os corruptos são parentes, “irmãos” ou amigos.

O redator poderá ser blogueiro um dia…

Não é dono do Jornal; um dia pode acabar despedido.

Porém, talvez venha lhe faltar credibilidade.

E fico por aqui, pois gosto e respeito o Jornal e a maioria dos seus profissionais, apesar “Da Redação”.

Aliás, não sou louco como pensam e falam…

Seria um estilingue contra um tanque de guerra.

E se acaso eu deixar de ser Delegado de Polícia, serei jornalista…

Não vou fechar uma porta!

O acaso pode me tornar Redator.

O acaso tudo pode; posso até ser Presidente…

Da ADPESP!

PISTOLINHA “versus” PISTOLÃO.

Não tenho muitas dúvidas quanto à excludente de legítima defesa no caso do Promotor de Justiça.

Já vivi situação semelhante; e a maioria dos policiais operacionais civis e militares também passou por situações como a da Riviera de Bertioga.

Também, nenhuma dúvida tenho no sentido de que – em situação idêntica – qualquer policial seria levado ao Júri e, fatalmente, goleado por 7 a 0. E a atuação do Promotor Thales Ferri Schoedl – acusando o réu policial – seria magistral.

Os jurados são corrompidos por lágrimas: tanto dos criminosos, como dos familiares das vítimas.

A família quer justiça…Todos queremos que justiça seja feita.

Mas, dificilmente, pelos apelos emocionais e pela intervenção da imprensa invadindo-lhe a privacidade, o Promotor teria chance de defesa.

De início, salvo melhor entendimento, foi ilegalmente preso em flagrante e depois acusado de “baladeiro”, etc.

Acho que “baladeiro” não cola grau com mérito, tampouco é aprovado em concursos sérios.

A sua exoneração, segundo nossa modesta opinião, é que foi ato corporativista.

Defendeu-se os interesses da Instituição, em prejuízo da pessoa humana Thales.

A coletividade deveria saber que, diuturnamente, jovens inconseqüentes desafiam policiais de 1m90, com 50 cm de bíceps e, por vezes, com metralhadoras.

Não são mortos, praticam suicídio.

Mas, a Polícia Militar perdeu a prerrogativa do julgamento pelo Tribunal Militar.

Perdeu, é certo, pelos abusos.

Todavia, é o momento de se buscar reconquistar a prerrogativa para todos os policiais civis e militares.

Pois, ao contrário dos magistrados e promotores, diariamente ,estamos sujeitos a situações de risco e conflito.

E nós brasileiros não pedimos carteira de identidade para bandido, mas exigimos – por mera provocação – que os nossos policiais se identifiquem.

Também, rotineiramente, policiais são obrigados a engolir dos “folgados”: “tu só se garante na arma!”

E naquele dia, quando tudo dá errado, o polícia – QUE NÃO TEM O DEVER DE SER GELADO – baixa o braço no bom moço e, por vezes, o dedo no gatilho.

Se o bom moço for rico, pelo tapa, será o fim da carreira.

Se matar, “após as injustas provocações da vítima”, 19(dezenove) anos de reclusão.

Também, para muitos , tamanho do cano é documento – pode até não funcionar – mas impressiona…

Querer parar a turba com pistolinha nunca deu certo; ainda mais com pistolinha de plástico nacional…

Se ainda fosse a austríaca os “rapazes” poderiam ter reconhecido como “de verdade”.

Em qualquer filme e novela se vê “a famosa pistola de plástico estrangeira”.

Assim, quem não tem “pistolão” deve andar desarmado.

É melhor engolir “sapo gordo” do que mofar na cadeia, enquanto a família passa fome.

Na ordem do dia, nós policiais, somos pistolinhas nacionais…

Ninguém põe muita fé, mas funciona.


PRESERVADO PELA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO.

Ação da PM contra invasão da faculdade foi legítima

Relembremos os fatos ocorridos em 21 de agosto último no largo de São Francisco. Inopinadamente, já em curso as aulas do período noturno na Faculdade de Direito da USP, entram nela dezenas e dezenas de simpatizantes da Educafro, com suas bandeiras e tambores, seguidos por numerosos membros do MST, com seus colchões, víveres e insígnias, escudados em cerca de 25 crianças, além de outros movimentos ainda em busca de maior expressão. Corredores estratégicos são bloqueados com móveis e passam a ser controlados; funcionários, professores e alunos são, temporariamente, retidos; e portas são lacradas com correntes e cadeados pelos invasores.

Nada a ver com o 23 de junho de 1968, quando os estudantes da própria faculdade a ocuparam por 26 dias. Reivindicavam a reestruturação do curso, ao mesmo tempo em que protestavam contra a ditadura militar. Durante a ocupação, realizaram inúmeras atividades didáticas e contaram com o apoio de vários professores, entre eles Goffredo da Silva Telles Júnior e Dalmo Dallari. Saíram quando a Tropa de Choque invadiu o prédio e prendeu cerca de 40.

Agora, nenhum grupo estudantil reivindicou o protagonismo da invasão. Malogrado o intento, simpatizantes da UNE e a atual diretoria do Centro Acadêmico XI de Agosto — que chegara a se oferecer para mediar acordo entre a diretoria da faculdade e os ocupantes, o que, “per se”, implica não ser parte — passaram a brandir o argumento da presença estudantil.

A oferta de negociação constituía-se em eufemismo para a imposição de inaceitável fato consumado. Justamente por isso não houve, em nenhum momento, acordo que possibilitasse a permanência dos invasores nas dependências da faculdade.

Até porque bens públicos estão adstritos a regramento legal que não permite ao administrador usá-los a seu bel-prazer. Por outro lado, a faculdade tem objetivos-meios e objetivos-fins cuja busca não pode ser interrompida, sob pena de responsabilização civil e penal de seu diretor, a quem cabe, ademais, velar pela integridade de alunos, funcionários e professores.

Ante o esbulho possessório e o risco que corriam pessoas e o imóvel tombado, o pedido para que a Polícia Militar retirasse, com as cautelas devidas, os invasores foi não somente legal como também legítimo. Se, de um lado, não é usual nem desejável a entrada de polícia nas dependências da faculdade, de outro, não se tem notícia de uma invasão concertada de movimentos sociais nas centenárias arcadas. Daí soar falsa a invocação da democracia feita pelos porta-vozes de tais agrupamentos, quando os atos perpetrados no sagrado solo de são Francisco a desmentem cabalmente.

O território livre de são Francisco existe, sim, e continua preservado.

fonte: João Grandino Rodas
Artigo integralmente publicado, no domingo (26/8), pela Folha de S. Paulo.

Ressaltando:PRESERVADO PELA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO.

PROPOSTAS E COMPROMISSOS PARA FORMAÇÃO DE CHAPA PARA DISPUTAR AS ELEIÇÕES DA ASSOCIAÇÃO DOS DELEGADOS DE SÃO PAULO – ADPESP

Reforma do estatuto (presidente subsidiado para futuras gestões).
Contratação e manutenção de especializada Banca, para defesa dos interesses da classe e defesa dos consortes individualmente, sem prejuízo da manutenção dos atuais conveniados.
Criação de comissão de assuntos jurídicos para receber proposições e consultas do consorte em defesa dos direitos da classe e do associado no exercício das funções, com a obrigação estatutária de desagravar quaisquer colegas, associado ou não, cujos direitos e prerrogativas forem lesados por atos de quaisquer autoridades ou particulares (do Exmº Governador, inclusive), com a incumbência de empregar todos os meios jurídicos para o desagravo e reparação dos direitos , sem quaisquer ônus para o colega vitimado.
Propositura, de imediato, ao Exmº Governador de representação no sentido de que a promoção para classe especial se dê pelos critérios de antiguidade e merecimento; cujos requisitos deverão ser transparentes e objetivos, tal como na Magistratura para os tribunais superiores. Sem prejuízo de, concomitantemente, ajuizar medida com o fim de suspender e declarar a inconstitucionalidade das promoções apenas por merecimento para a classe especial.
Defesa intransigente da inamovibilidade relativa prevista na Constituição Estadual; acabando-se com o “nefasto bonde” dentro do mesmo Departamento e municípios. Prerrogativa da Carreira que não pode ser tergiversada.
Defesa intransigente dos direitos assegurados aos aposentados.
Empenho no sentido do aprimoramento e transparência dos concursos de ingresso na Carreira.
Estudos e proposituras no âmbito administrativo e político no sentido de que a nomeação do Delegado-Geral seja precedida da escolha de três nomes por órgão colegiado ou votação pelos membros da Carreira (pela complexidade, ainda que a médio prazo).
Empenho no sentido de que toda a classe seja conscientizada da necessidade de emprestar apoio a membro(s) com potencial eleitoral, com o fim de que tenhamos permanentemente Delegado nas casas legislativas.
Campanha sistemática através dos meios de comunicação para a defesa e conquista de prerrogativas funcionais e melhoria substancial dos vencimentos.
Estreitamento dos laços com as associações das demais carreiras jurídicas do Estado, buscando o nosso aprimoramento jurídico e melhor cooperação entre as instituições.
Convênio com organização prestadora de serviços de saúde, de qualidade, por valores pagáveis.
Desenvolvimento de um site digno de cultores do Direito.
A ADPESP é uma ONG reconhecida como de utilidade pública, possuindo deveres para com a sociedade; não é apenas uma entidade recreativa e assistencial.
Tem o dever de fiscalizar e intervir junto ao Governo em defesa da Sociedade, dispondo de legitimidade jurídica e patrimônio para tanto.

DO DEIC, DENARC E DETRAN

Os três Departamentos foram aquinhoados com excelentes Delegados e operacionais, donos de brilhantes carreiras nas diversas cidades do litoral(Deinter-6 – Santos).

Naquilo que depender desses profissionais, em breve, a Polícia Civil demonstrará todo o seu potencial e verdadeiro amor pela Instituição.

Auguro a todos sucesso; e no futuro que retornem aos maiores cargos da baixada santista.

GARRA FECHA MAIS UM CASSINO NA CAPITAL.

Polícia fecha cassino e prende 30 pessoas em SP
A polícia fechou na madrugada desta terça-feira, 28 de agosto, um cassino no bairro do Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo.
De acordo com a rádio Jovem Pan, pelo menos 30 pessoas foram detidas e levadas ao 15º Distrito Policial.
A ação foi realizada pelo Grupo Armado de Repressão e Roubos e Assaltos (Garra).
O cassino ficava na rua Bento de Andrade.

MANDAR EMBORA OS LÍDERES DO CRIME ORGANIZADO, DENTRO DA PRÓPRIA POLÍCIA

03/01/2007 08:50h

FORÇA É PAPO. PROBLEMA É CORRUPÇÃO DA POLÍCIA

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 63

. O Governador Sérgio Cabral pede a Força Nacional de Segurança.

. Os governadores do Rio, São Paulo, Minas e Espírito Santo querem integração.

. O Presidente Lula quer tornar a lei penal mais dura.

. E a corrupção da Polícia ?

. O problema central da criminalidade no Brasil está no Rio e em São Paulo, onde a ligação de policiais com o crime organizado é notória.

. A Policia Federal evita avisar as polícias do Rio e de São Paulo, antes, quando vai agir. Porque, senão, não consegue agir.

. No Rio, a Policia Federal indiciou um jornalista que avisava o crime organizado quando a Policia ia agir…

. O Secretário de Segurança do Rio e comandantes da Policia Militar são acusados de conluio com o crime organizado.

. Não há nenhuma operação da Polícia Federal no Rio que não encontre um policial envolvido num crime.

. A segurança na gestão tucana de São Paulo – Mario Covas e Geraldo Alckmin – foi um desastre de proporções siderúrgicas.

. Muito mais importante do que falar em Força Nacional de Segurança – que, no Espírito Santo e em Mato Grosso do Sul – ajudou a vigiar terminais de ônibus e cadeias depois de rebeliões – é saber o que os governadores do Rio e de São Paulo vão fazer ou já fizeram para acabar com a corrupção e a incompetência de suas forças.

. Não adianta chamar a Força Nacional se a polícia estadual – civil e militar – está minada de corrupção.

. E é parte do crime organizado.

. E antes de falar em endurecer as penas, o Presidente Lula poderia apressar a troca do Ministro da Justiça.

. Que, como advogado, foi sempre advogado e muito pouco Ministro.

. E sempre foi um infatigável inimigo de tudo o que pudesse significar endurecimento da lei – da lei penal ou de execução penal.

. A lei brasileira é frouxa, gosta de criminoso.

. E a execução penal, em São Paulo, por exemplo, foi, na multi-gestão tucana, uma tragédia.

. É bom não esquecer que foi nesta gestão que o PCC mandou entregar tevê colorida na cadeia para assistir à Copa e se recusou a usar o uniforme laranja.

. Só no Brasil. Ou, só em São Paulo.

. No Rio, segundo a polícia, as últimas operações de queima de ônibus foram resultado de uma batalha entre traficantes antigos e traficantes novos, ou seja, ex-funcionários da polícia travestidos de milícias “vigilantes”

. E o que a Força de Segurança pode fazer para impedir isso?

. Como diria o prefeito Cesar Maia, um especialista na matéria, os governadores do Rio e de São Paulo poderiam poupar a população de “factoídes” e usar a força da caneta nova para fazer o que Rudy Giuliani fez quando assumiu a polícia de Nova York: mandou embora os líderes do crime organizado, dentro da Polícia.

O PROBLEMA DO TRÁFICO É O DENARC?

22/08/2007 10:32h
O PROBLEMA DO TRÁFICO É O DENARC

Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 629
. O Conversa Afiada teve acesso a brasileiros ligados ao esquema de defesa dos presos na Operação Farrapos.
. Operação Farrapos foi aquela em que a Polícia (Republicana) Federal prendeu um dos maiores narcotraficantes do mundo, o colombiano Ramirez Abadía, em São Paulo.
. Como se sabe, Abadía viveu no bem-bom num condomínio de luxo na Grande São Paulo por dois anos.
. Como já foi divulgado, Abadía deu uma modesta contribuição aos policiais da Delegacia de Combate ao Tráfico de São Paulo, o Denarc, no valor de US$ 800 mil.
. Pessoas que tiveram contato com o grupo de Abadía contaram ao Conversa Afiada que num dos depoimentos informais, Abadía, que canta mais do que sabiá, revelou que no processo de lavagem de dinheiro na compra de uma casa em Angra dos Reis, vai aparecer, mais cedo ou mais tarde, o nome de um deputado federal que tem destaque numa CPI.
. Essas mesmas pessoas revelaram ao Conversa Afiada que, numa operação no interior de São Paulo, policiais do Denarc ficaram com medo de que a Polícia (Republicana) Federal quisesse botá-los em cana.
. E houve uma fuga em massa de policiais do Denarc para hotéis da Grande São Paulo.
. Se o presidente eleito José Serra quiser moralizar a polícia de São Paulo, uma boa pista é ver que policiais do Denarc recentemente preferiram pernoitar em hotéis e não em suas casas…
. Segundo esta fonte do Conversa Afiada, “para acabar com o tráfico em São Paulo, basta fechar o Denarc”.

Por dever me cabe defender o DENARC – não faz muito tempo o nosso Departamento dava “um verdadeiro banho” de eficiência em operações que resultavam em apreensões de toneladas de entorpecentes e prisões de traficantes. Enquanto a Polícia Federal, por sua vez, executava meras apreensões de “cocaína” destinada ao exterior; como serviço auxiliar dos órgãos de inteligência internacionais. Algo se perdeu no DENARC, talvez seus melhores Delegados e policiais. Cabe ao seu Diretor responder demonstrando toda a força e capacidade profissional do departamento.